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Otorrinolaringologista do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), Henrique Gobbo explica causas, riscos e formas de prevenção
Sons como apito, chiado, um ruído semelhante ao de grilo ou até
uma pulsação constante são incômodos frequentemente causados pelo zumbido ou
tinnitus, nome técnico dado à percepção de um som sem que exista uma fonte
sonora externa. No Brasil, estimativas da Associação Brasileira de
Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial apontam que entre 28 e 30
milhões de pessoas convivem com o problema. O tema ganha mais relevância no dia
3 de março, quando é celebrado o Dia Mundial da Audição, data que reforça a importância
dos cuidados com a saúde auditiva.
Segundo o otorrinolaringologista do Vera Cruz Hospital, em Campinas
(SP), Henrique Gobbo, o zumbido, na maioria das vezes, não é uma doença em si,
mas um sinal de que algo não vai bem no sistema auditivo. “O zumbido geralmente
é um sintoma que indica alguma alteração no sistema auditivo, envolvendo o
ouvido ou o nervo auditivo. Cerca de 10% a 15% da população apresenta o sintoma
em algum momento da vida, e a prevalência aumenta com a idade. Pessoas acima
dos 60 anos e indivíduos expostos a ruídos intensos estão entre os mais
afetados”, explica.
A causa mais comum do zumbido está relacionada a perda auditiva,
que pode ter diferentes origens, como envelhecimento natural, otites,
infecções, doenças metabólicas e hormonais, uso de medicamentos, exposição ao
ruído, doenças autoimunes (da família do reumatismo) e alterações do labirinto.
O sintoma também pode estar relacionado a disfunções da tuba auditiva,
alterações na articulação temporomandibular, excesso de cera no ouvido e
alterações vasculares.
O especialista ressalta que, raramente, o zumbido pode estar
associado a doenças cerebrais. “Na maioria das vezes, ele está relacionado à
perda auditiva, mas nem sempre essa perda é evidente nos exames convencionais.
Existem alterações mais sutis da orelha interna que podem não aparecer na
audiometria básica e exigem exames mais específicos”, pontua.
O zumbido requer atenção, pois pode impactar diretamente o sono, a
concentração e a saúde emocional. “O zumbido envolve o cérebro. Quando é
interpretado como algo perigoso ou intratável, ativa áreas cerebrais ligadas à
emoção e ao estado de alerta. Isso pode levar à insônia, dificuldade de
concentração, irritabilidade e aumento da ansiedade. O grau de sofrimento não
depende apenas da intensidade do som, mas principalmente da forma como o
paciente reage a ele”, destaca Gobbo.
Estresse e ansiedade também podem desencadear ou agravar o
sintoma. “Existe uma relação bidirecional. O estresse aumenta a percepção do
zumbido e reduz a tolerância ao sintoma. Ao mesmo tempo, o próprio zumbido pode
gerar ansiedade, criando um ciclo vicioso. Costumamos dizer aos pacientes: ‘Se
você olha para o zumbido, ele olha de volta para você’. Por isso, o manejo
emocional é parte fundamental do tratamento”, destaca o otorrinolaringologista.
De modo geral, recomenda-se procurar avaliação quando o zumbido
persiste por mais de uma ou duas semanas, quando está associado à perda
auditiva ou quando começa a interferir na qualidade de vida, especialmente no
sono e na concentração. A avaliação precoce ajuda a direcionar o tratamento e
reduzir o impacto emocional do sintoma.
Alguns quadros exigem avaliação médica mais urgente. “Zumbido
unilateral recente, zumbido pulsátil sincronizado com os batimentos cardíacos,
zumbido associado à perda auditiva súbita, vertigem intensa ou sintomas
neurológicos são sinais de alerta. Nesses casos, é importante investigar causas
específicas e, se necessário, realizar exames complementares com maior
urgência”, orienta.
O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado em anamnese
detalhada e exame físico. A audiometria é o exame mais solicitado, podendo ser
complementada por outros testes auditivos, como potenciais evocados auditivos,
exames laboratoriais e exames de imagem. Em casos específicos, como zumbido
unilateral ou pulsátil, exames de imagem direcionados podem ser necessários.
A possibilidade de cura depende da causa. Quando o zumbido está
relacionado a situações reversíveis, como tampão de cera ou infecção, pode
desaparecer totalmente com o tratamento adequado. Nos casos associados à perda
auditiva crônica, geralmente fala-se em controle, e não em cura definitiva.
Ainda assim, é possível reduzir significativamente o incômodo e melhorar a
qualidade de vida.
O tratamento é individualizado. Em pacientes com perda auditiva
associada, o uso de aparelho auditivo costuma ser bastante eficaz, pois melhora
a audição e reduz o contraste do zumbido. A terapia sonora, com sons ambientais
ou ruídos específicos, também pode ajudar. Medicamentos podem ser indicados em
alguns casos, sempre com avaliação criteriosa para equilibrar eficácia e
possíveis efeitos colaterais.
A prevenção passa, principalmente, pela proteção da audição.
Evitar exposição prolongada a ruídos intensos, utilizar protetores auriculares
quando necessário e manter o volume de fones de ouvido em níveis seguros, idealmente
até a metade da capacidade máxima, são medidas fundamentais.
“A saúde auditiva é resultado de hábitos acumulados ao longo da
vida. Controlar doenças como hipertensão e diabetes, manter boa qualidade de
sono e cuidar da saúde emocional também fazem parte da prevenção”, conclui o
especialista.
Vera
Cruz Hospital

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