Um guia curto da Relacionamentoria para
lidar com diferenças na educação dos filhos
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Um dos temas que mais geram tensão e distância entre casais é justamente a maneira de educar os filhos. Surge aí uma dúvida recorrente: o que fazemos quando o pai diz “não” e a mãe diz “sim”?
Quando o assunto é educação, de fato, a discordância marca o casal. Um acha que o outro é duro demais, o outro que é mole demais. “Essa diferença cria entre os pais uma queda de braço, onde o mais importante é decidir quem está certo e o que é “melhor” para a criança. A diferença, então causa dor, porque lá no fundo, carregamos a crença silenciosa de que os pais precisam concordar e a discordância faz mal para as crianças”, afirma Yafit Laniado, psicanalista e hipnoterapeuta, criadora da Relacionamentoria, consultoria especializada no relacionamento entre pais e filhos.
Diferentemente do que a maioria pensa, essa discordância e diferença na educação não faz mal para os filhos. “As crianças não se confundem quando há divergência entre os pais. Apesar de que, sempre que possível, recomendamos evitar discussões sobre a educação das crianças diante delas. Elas já sabem que somos diferentes, e quando existe respeito, admiração e cooperação apesar das diferenças, elas crescem mais seguras, aprendendo que o mundo é feito de pessoas diversas”, explica Yafit.
A especialista lembra que essas divergências acontecem justamente por cada um desejar o melhor para o filho, embora por caminhos distintos. “Por vezes, um quer proteger, o outro quer colocar limites, mas ambos querem o bem. Em várias famílias, até surge a ideia de ‘fazer um acordo de cavalheiros, o que raramente funciona.”
Yafit detalha que esse “acordo” é pouco efetivo porque lida com dois seres humanos distintos, que vieram de famílias, histórias e valores diferentes. “Tentar estabelecer esse ‘acordo’ acaba muitas vezes virando uma tentativa de transformar o outro em uma cópia de mim. E no caminho, perdem-se respeito, confiança e parceria.”
O ideal diante das divergências quando o assunto é educação é não tentar forçar acordo, mas praticar apoio e validação. “Apoiar não significa concordar, mas significa reconhecer que o outro também é um bom pai ou uma boa mãe, mesmo que eduque de um jeito diferente. Quando desvalorizamos o parceiro, enfraquecemos o relacionamento e, com isso, enfraquecemos também nossa força como pais”, ressalta Yafit.
E quando o outro reage de maneira diferente da minha? Para Yafit,
a resposta não é “salvar” a criança, mas permitir que ela aprenda a lidar com
estilos diferentes. “Pratique sugestões como ‘o papai
está em casa, conversem com ele’, porque confiamos um no outro, mas também
confiamos no nosso filho: na capacidade dele de enfrentar diferenças,
desenvolver resiliência e crescer com isso”, pontua.
“Assim, em vez de proteger a criança da discordância, oferecemos a ela um presente valioso: a experiência de viver em um mundo onde as pessoas não são iguais, e ainda assim podemos e devemos amar, respeitar e colaborar. Isso é maturidade. Isso é força”, destaca a especialista.
Cenário colocado, Yafit sugere exercitar na prática essa conduta. “Na próxima vez que seu parceiro reagir de forma diferente da sua, pergunte a si mesma: o que importa mais agora? Estar certa ou proteger a parceria? E ofereça um gesto pequeno de apoio.”
Esses gestos podem vir em frases como ‘a mamãe falou, então é assim que vamos fazer’, ou ‘isso é importante para o papai, vamos respeitar’. “Não por submissão, mas por confiança no(a) parceiro(a), na criança e em si. Afinal, acreditamos que parceria e parentalidade não são dois mundos separados, mas dois lados do mesmo coração”, conclui Yafit.
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