Nova regulamentação moderniza o fluxo
de prescrição, amplia segurança, fortalece a telemedicina e impulsiona inovação
no ecossistema de saúde; ABSS e Memed destacam avanços e próximos passos do
setor
A decisão da ANVISA que autoriza a emissão digital
das receitas azuis e amarelas, usadas para medicamentos controlados, marca um
dos avanços regulatórios mais significativos da saúde brasileira nos últimos
anos. A medida permite que esses receituários — antes exclusivamente físicos —
passem a ser emitidos por plataformas integradas ao Sistema Nacional de
Controle de Receituários (SNCR), modernizando um fluxo historicamente
burocrático e sensível.
Segundo o presidente da Associação Brasileira de
Startups de Saúde e Healthtechs (ABSS), Bruno Borghi, a mudança representa uma
conquista estruturante para o ecossistema: “A decisão traz mais segurança,
eficiência e acesso. Permite rastrear todo o ciclo da receita, reduz
falsificações, facilita a vida de médicos e pacientes e aproxima o Brasil de
práticas internacionais de saúde digital”, afirma a Borghi.
Impacto direto em pacientes, médicos e no sistema de saúde
A digitalização elimina deslocamentos, reduz o risco de perda das vias físicas e acelera tratamentos — especialmente para pacientes crônicos, psiquiátricos ou em acompanhamento contínuo. Para médicos, desaparece a dependência de talonários impressos, enquanto farmácias passam a contar com validação eletrônica e auditoria em tempo real.
O novo fluxo também fortalece modelos de atenção híbridos e totalmente digitais, superando uma das principais barreiras da telemedicina. “Antes, muitos médicos precisavam adaptar condutas, mandar receitas por correio ou pedir que o paciente buscasse o papel presencialmente. Agora, a jornada é integralmente digital e mais segura”, destaca o presidente da ABSS.
A Memed, maior plataforma de prescrição digital do país, utilizada por mais de 140 mil médicos, afirma que o avanço consolida um ciclo completo: “A digitalização das receitas azuis e amarelas fecha uma lacuna importante e permite que a jornada de prescrição seja totalmente digital, inclusive para medicamentos de controle especial”, afirma a empresa.
A plataforma integrou-se tecnicamente ao SNCR e implementou um modelo de dupla validação — unindo assinatura eletrônica qualificada do médico e numeração única nacional. O sistema cria uma trilha de auditoria completa, reduzindo riscos de fraude, uso duplicado e erros de dispensação.
Para a Dra. Lilian Arai, diretora médica da ABSS, o avanço é tão significativo quanto o que ocorreu em 2020, quando a Lei nº 14.063 autorizou assinaturas digitais em documentos de saúde. “Naquele momento, a urgência da pandemia impulsionou a digitalização. Hoje, a decisão é fruto de um ambiente maduro, com telessaúde consolidada e evidências técnicas robustas”, destaca Lilian.
A entidade atuou como ponte entre startups, reguladores e mercado, organizando demandas e evidências técnicas. Em parceria com a Memed, realizou um evento que reuniu autoridades, profissionais de saúde e empresas para discutir riscos, benefícios e cenários futuros, contribuindo para amadurecer o tema.
Com a nova norma, não há mais barreiras regulatórias. No entanto, desafios operacionais e culturais permanecem — desde acesso desigual à tecnologia em regiões remotas até a persistente cultura do papel. Ainda assim, o setor observa avanços consistentes. “A sociedade vem adotando cada vez mais a prescrição digital. É um movimento irreversível, mais seguro e eficiente”, diz a médica da ABSS.
A norma abre portas para novas frentes de inovação, incluindo interoperabilidade entre sistemas, análise avançada de dados, automação e maior visibilidade para o próprio regulador acompanhar padrões de uso, desabastecimentos e mudanças epidemiológicas. Tanto ABSS quanto Memed apontam que o principal desafio agora é a adoção em larga escala — garantindo integração fluida entre médicos, farmácias e plataformas digitais.
Há expectativa, ainda, de novos avanços regulatórios
até junho de 2026, quando a ANVISA deve ampliar a digitalização para outros
tipos de receituário. Na visão da ABSS, a decisão inaugura uma nova etapa da
saúde digital brasileira: “Esse avanço reforça que a inovação pode — e deve —
seguir com segurança, rastreabilidade e foco no paciente. É um marco para
startups, profissionais de saúde e para todo o ecossistema”, conclui a Dra.
Lilian Arai.
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