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terça-feira, 11 de agosto de 2026

O “Efeito Tesoura” pressiona mensalidades e rematrículas das Escolas Particulares em 2026 e 2027

Pesquisa nacional mostra que 98,90% das escolas particulares terão reajuste; custos obrigatórios avançam, enquanto atrasos e inadimplência retiram até 5% da receita esperada pelas instituições.

 

 

O dado mais importante sobre as mensalidades escolares de 2027, não está apenas no percentual de reajuste. Está na distância crescente entre o dinheiro que as escolas precisam desembolsar e o valor que efetivamente entra no caixa.

 

De acordo com a nova pesquisa nacional da Meira Fernandes, 98,90% das instituições particulares pretendem reajustar suas mensalidades para 2027, sendo que 80,66% projetam um aumento entre 7% e 11%. Ao mesmo tempo, 46,96% das escolas enfrentam atrasos superiores a 5% nos pagamentos e 42,22% já estimam carregar inadimplência para a virada do ano em até mais de 10%.

 

A combinação cria o que os especialistas da Meira Fernandes classificam como “efeito tesoura”: de um lado, crescem a folha salarial, obrigações legais, investimentos pedagógicos, inclusão, segurança digital e adequações administrativas; do outro, parte da receita mensal chega atrasada ou simplesmente deixa de entrar.

 

O resultado é que as mensalidades de 2027 começam a ser definidas não apenas como um reajuste anual, mas como uma ação real para, minimamente, recompor um orçamento submetido a custos simultâneos e permanentes.

 

A pesquisa foi realizada pela Meira Fernandes, empresa especializada em gestão e soluções para instituições de ensino, que assessora cerca de 1.500 escolas particulares. O levantamento ouviu mantenedores, diretores e gestores financeiros de escolas localizadas em 08 estados: Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Roraima, Santa Catarina e São Paulo - responsáveis conjuntamente por aproximadamente 120.000 matrículas.

 


O NÚMERO QUE MUDA A PAUTA

 

O principal ponto revelado pelo estudo, realizado pelo quinto ano consecutivo, é que 9 em cada 10 escolas devem elevar e tentar recompor suas mensalidades em 2027.

 

Entre as instituições pesquisadas:

 

11,60% projetam reajuste entre 1% a 7%;


36,46% estimam aumento entre 7% a 9%;


44,20% estimam aumento entre 9% e 11%;


7,18% podem ultrapassar a marca de 12%;


Apenas 0,5% afirmam que não haverá reajuste.

 

Mais do que demonstrar uma tendência de preço, os percentuais revelam o nível de pressão enfrentado pelas instituições antes mesmo do início do novo ano letivo – pressão esta, que já é sentida desde o começo de 2026 e que vem se avolumando significativamente nas secretarias e áreas de atendimento das escolas pelo Brasil.

 

“Quando olhamos apenas para o índice final da anuidade, não vemos todo o caminho percorrido até que a escola chegue aquele número. O reajuste é a última linha de uma planilha que começou a ser estudada muitos meses antes, por folha salarial com reajuste médio de 6,95% em junho, obrigações legais, educação especial, tecnologia, segurança com o Eca Digital e receitas que não entram no prazo esperado”, afirma Dra. Mabely Meira Fernandes, Diretora Jurídica da Meira Fernandes.

 


AS ESCOLAS GASTAM SOBRE 100% DO ORÇAMENTO, MAS RECEBEM MENOS 

A pesquisa mostra que o problema não está somente no aumento das despesas, está também na instabilidade dos recebimentos.

 

Durante o primeiro semestre de 2026:

 

51,93% das escolas registraram atrasos entre 2% a 5%;


15,19% tiveram atrasos entre 0,5% a 2%;


17,62% informaram atrasos superiores a 5%;


No total, 100% das escolas pesquisadas convivem com um desfalque mensal considerado relevante.

 

Na prática, a escola precisa pagar 100%: da folha, dos encargos, dos fornecedores e dos custos pedagógicos mesmo quando recebe apenas uma parte da receita prevista para aquele mês.

 

“O atraso não reduz a obrigação da escola. O salário precisa ser pago integralmente, os encargos têm vencimentos, os fornecedores não esperam e o aluno precisa encontrar toda a estrutura funcionando. A instituição assume compromissos sobre 100% do orçamento, mesmo quando uma parcela importante das mensalidades ainda não entrou”, explica Husseine Fernandes, Sócio-Diretor da Meira Fernandes.

 

A situação tende a se intensificar na virada do ano. Segundo a pesquisa, 21,67% das instituições projetam inadimplência acima de 6% entre 2026 e 2027. Destas, 16,67% estimam inadimplência entre 5% a 9% e 5% acreditam que o percentual poderá superar 9,10% ou mais – o que é um número bastante expressivo.

 

CUSTOS INVISÍVEIS QUE NÃO APARECEM NA COMPARAÇÃO COM A INFLAÇÃO 

A pesquisa também investigou quais fatores muitas vezes invisíveis estão ampliando as despesas das instituições, fatores estes que nunca são levados em conta quando a recomposição da mensalidade é comparada diretamente com o índice anual de inflação e entre os principais impactos apontados pelas escolas estão:

 

Folha salarial e convenções coletivas: que teve um aumento direto de 6,95% para professores e auxiliares da educação básica (pelo menos no estado de SP que possui a maior quantidade de escolas particulares do Brasil), foi fechada em março e já aplicada em junho, com um aumento de quase 1% comparado a 2025, que foi de 6,0%.

 

A inclusão e atendimento especializado tem sido foco de investimentos constantes das escolas para atender demandas, exigências legais, o que se agravou com o decreto 12.686/2025, sentenças e também o acolhimento e o direito de crianças/adolescentes a uma educação justa e de qualidade.

 

No total 90,06% das escolas registraram crescimento na demanda de alunos que necessitam de acompanhamento individualizado, formação específica das equipes, adaptação de materiais ou ampliação de profissionais.

 

Segurança e cidadania digital: 6,08% tiveram que investir em revisão de documentos, treinamento, ferramentas, comunicação com as famílias, prevenção ao cyberbullying, proteção de dados e procedimentos relacionados ao ambiente digital e o ECA Digital que passou também a fazer parte do dia a dia das escolas no primeiro semestre. A responsabilidade já existe e a possibilidade de sanções são reais, o cumprimento não é optativo.

 

Contratação de profissionais especializados: 16,57% indicaram novos gastos ou necessidade de planejamento para poder contar com profissionais mais especializados em seus quadros e prover o serviço de educação adequado.

 

Custo Turnover x Mão de obra: 28,18% afirma estar encontrando sérias dificuldade em contratar mão de obra e sofrendo com os custos legais da rotatividade, treinamento, tempo de adaptação e outros.

 

Somados, esses custos invisíveis que não são aferidos na ponta na hora de se analisar o índice de recomposição, transformam despesas que antes eram somente pontuais em custos estruturais, incorporados definitivamente à operação da escola.

 

INCLUSÃO EXIGE ESTRUTURA, NÃO APENAS MATRÍCULA 

Um dos pontos mais sensíveis do levantamento está relacionado ao crescimento das demandas da educação especial.

 

Segundo as escolas pesquisadas, 33,15% registraram aumento de 5% a mais de 10% no número de alunos que demandam acompanhamento ou adaptações específicas. Em 90,06% das instituições, esse crescimento já impacta diretamente a folha salarial ou o custo operacional.

 

Entre as medidas adotadas estão a contratação ou disponibilização de profissionais, capacitação de professores, adaptações pedagógicas, revisão de processos, materiais individualizados e acompanhamento especializado.

 

“Inclusão não pode ser tratada como uma palavra abstrata ou apenas como o ato de aceitar uma matrícula. Para que seja efetiva, exige pessoas, formação, planejamento, estrutura e acompanhamento. Tudo isso tem impacto financeiro, embora muitas vezes esse custo não seja percebido pelas famílias ou pela sociedade, ele é real e precisa ser olhado com a mesma atenção que o atendimento”, destaca Dra. Mabely.


 

EDUCAÇÃO ESPECIAL: MENSALIDADE NÃO COBRE INTEGRALMENTE OS CUSTOS DE 86% DAS ESCOLAS 

A educação especial também é uma pressão financeira que a mensalidade atual não consegue absorver integralmente na grande maioria das instituições pesquisadas.

 

Entre as todas as escolas pesquisadas, 86,19% afirmam que o valor das mensalidades não cobre integralmente os recursos necessários para a educação especial. Desse total, 46,96% dizem que a mensalidade efetivamente não cobre esses custos, enquanto 39,23% avaliam que ela cobre apenas parcialmente despesas como equipe especializada, treinamentos e demais recursos envolvidos no atendimento aos alunos.

 

Apenas 7,18% das instituições afirmam que as mensalidades cobrem totalmente os custos da educação especial. Outras 6,63% nunca realizaram esse cálculo, o que indica que parte das escolas ainda não conhece com precisão o impacto financeiro dessas demandas em sua operação.

 

Os números revelam um desafio que vai além da matrícula: garantir uma educação efetiva exige profissionais, capacitação, planejamento e recursos permanentes. Quando esses custos não estão plenamente contemplados na mensalidade, a escola precisa absorver a diferença, realocar verbas de outras áreas ou incorporar essa pressão ao planejamento financeiro do próximo ano.

 

“O dado mostra que a educação especial não pode ser analisada apenas sob o ponto de vista da matrícula. Em mais de oito a cada dez instituições, a mensalidade não cobre integralmente os recursos necessários para oferecer esse atendimento. Existe uma diferença entre acolher o aluno e possuir estrutura financeira para garantir, de forma contínua, todos os profissionais, treinamentos e adaptações envolvidos”, afirma Husseine Fernandes, Sócio-Diretor da Meira Fernandes.

 

A REMATRÍCULA VIRA DISPUTA PELO EQUILÍBRIO FINANCEIRO 

A pressão não acaba por aí - ela também aparece nas metas de retenção de alunos e na disputa cada vez mais acirrada por alunos, e um dado impactante é que atualmente a quantidade de nascimentos diminui drasticamente – estamos em patamares da década de 70 - enquanto novas escolas continuam a abrir portas e disponibilizar carteiras para serem ocupadas. Consequentemente a captação e rematrícula tem sido citada, informalmente, pelas donas de escolas como um dos principais gargalos de gestão.

 

Como consequência o estudo apontou que até novembro de 2026:

 

71,82% das escolas pretendem alcançar entre 70% e 95% de rematrículas;


16,57% projetam chegar entre 40% e 70%;


Apenas 2,76% acreditam que terão alcançado 100% do quadro para 2027 e;


8,84% poderão chegar ao fim do período com menos de 40% de rematrículas.

 

O calendário das campanhas também vem sendo antecipado. A necessidade de previsibilidade financeira faz com que algumas instituições já iniciem a rematrícula no primeiro semestre ou já nas primeiras semanas de agosto na volta às aulas, mesmo antes das famílias começarem tradicionalmente a planejar o ano seguinte e visualizarem o esperado 13º salário.

 

“Rematrícula deixou de ser apenas uma campanha comercial. Tornou-se uma ferramenta de sobrevivência financeira. Quanto mais tarde a escola conhece sua base de alunos para o próximo ano, menor é sua capacidade de planejar equipes, turmas, investimentos e compromissos”, completa Husseine Fernandes.

 


REAJUSTE NÃO SIGNIFICA SOBRA NO CAIXA 

Para o time de especialistas responsáveis pelo estudo, um dos maiores erros na análise das mensalidades escolares é presumir que o reajuste se transforma automaticamente em aumento de margem ou lucro.

 

Parte relevante do índice é consumida antes mesmo do início do ano letivo pela recomposição salarial, encargos, benefícios, custos regulatórios, investimentos pedagógicos, perdas provocadas pela inadimplência e custos invisíveis ou impostos por novas regulamentações do governo.

 

“A comparação direta entre mensalidade e inflação é incompleta porque a inflação geral não reproduz a estrutura total de custos de uma escola. Educação é uma atividade intensa de pessoas, submetida a convenções coletivas, obrigações legais e exigências pedagógicas próprias. O termo mais correto, em grande parte dos casos, é recomposição como trazemos acima para análise e conversas”, afirma Dra. Mabely.

 

A especialista reforça que o debate não deve ignorar o impacto para as famílias, mas precisa considerar também a sustentabilidade da instituição:

 

“Famílias e escolas estão sempre do mesmo lado. Ambas querem continuidade, segurança, qualidade e desenvolvimento para os alunos. Esse é o DNA e a paixão das Donas de Escolas - a transparência sobre os custos é o caminho para que o reajuste não seja percebido como uma decisão isolada, mas como parte da manutenção do projeto educacional que impacta nosso futuro enquanto nação”, conclui.

 

SOBRE A PESQUISA: 

Este é o 5º ano consecutivo em que a Meira Fernandes realiza sua pesquisa sobre mensalidades, matrículas, rematrículas, atrasos e inadimplência no segmento educacional.

 

O levantamento foi realizado entre 11 de junho e 03 de agosto de 2026, de forma PRESENCIAL/DIGITAL, com escolas de diversos estados brasileiros. As instituições participantes são responsáveis por aproximadamente 120.000 alunos matriculados.

 

O questionário foi direcionado principalmente a mantenedoras, diretoras e profissionais responsáveis pelas áreas administrativa e financeira das escolas particulares. 

 

 
  



Mês do Estudante: quais os desafios atuais para uma formação de qualidade?

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Daniel Perry, diretor-executivo do Sistema Anglo de Ensino, aponta que o papel da escola, o compromisso do aluno e a participação da família são decisivos nesse processo

 

Em agosto é comemorado o Mês do Estudante, celebração criada em 11 de agosto de 1927, em homenagem aos cem anos da inauguração das primeiras graduações do país, a Faculdade de Direito de Olinda, em Pernambuco, e a Faculdade de Direito do Largo do São Francisco, em São Paulo. A data é celebrada até hoje e reforça a relevância da educação e sua trajetória em solo nacional.  

 

Entretanto, dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA 2022), da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mostram que cerca de 73% dos estudantes brasileiros de 15 anos não atingem o nível mínimo de proficiência em Matemática, 50% em Leitura e 55% em Ciências. Esse cenário pode refletir desigualdades persistentes no ensino desde o período da pandemia de Covid-19. 

 

Para o diretor-executivo do Sistema Anglo de Ensino, Daniel Perry, o principal desafio enfrentado pelos estudantes brasileiros na atualidade é aprender em um ambiente de excesso de estímulos e de informação. Devido ao fácil acesso às redes sociais, aos vídeos curtos, aos jogos e à conexão constante, o jovem pode apresentar dificuldade em manter a concentração por determinado período, além de demonstrar falta de interesse pelo aprendizado. 

 

Para o especialista, isso acontece porque o perfil do estudante de 2026 mudou. Os jovens aprendem com mais autonomia por meio de diversas ferramentas digitais, mas isso resulta em imediatismo. Dessa forma, os professores precisam buscar novas estratégias de ensino. “A tecnologia deixou de ser apenas uma fonte de consulta para se tornar parte do próprio processo de aprendizagem. O desafio da escola é ensinar o estudante a selecionar informações confiáveis, interpretar dados, formular perguntas e utilizar essas ferramentas de forma crítica e ética”, afirma o educador. 

 

Para Daniel Perry, professores e escolas podem tornar o aprendizado mais significativo e engajar os estudantes por meio de aulas bem planejadas, objetivos claros, participação ativa dos alunos e conexão entre os conteúdos e situações reais, na qual o aluno percebe sentido no que aprende.  

 

A escola também deve desenvolver uma cultura de concentração. Para o diretor do Sistema Anglo de Ensino, a capacidade de manter a atenção por períodos prolongados tornou-se uma das principais competências para uma formação completa. “A escola precisa criar ambientes em que o estudante exercite essa habilidade de forma gradual e consistente”, afirma.  

 

Ele também pontua que desenvolver competências como pensamento crítico, capacidade de resolver problemas, comunicação, colaboração, criatividade e autonomia para aprender continuamente é essencial para a formação do cidadão, além de representarem um desafio para o corpo docente. O jovem que adquire capacidade de analisar, interpretar, tomar decisões e produzir conhecimento de qualidade possui grandes chances de obter sucesso e destaque no futuro. 

 

Por fim, Perry indica que, apesar do papel fundamental da escola, o compromisso do aluno e a participação da família também são decisivos nesse processo. “Em um mundo que muda rapidamente, o conhecimento deixa de ser apenas um caminho para ingressar na universidade e passa a ser uma condição para que o jovem exerça plenamente sua cidadania, faça boas escolhas e construa uma trajetória profissional consistente”, conclui.  


 

Anglo
https://www.sistemaanglo.com.br/


Exercer o Direito é também assumir responsabilidade pelas vidas que atravessam fronteiras

 Depois de mais de 20 anos dedicados ao Direito Internacional, uma das principais lições que acumulei foi entender que nossa profissão não pode ser medida apenas pelo número de processos conduzidos ou pelos resultados alcançados. Trabalhar com imigração significa participar de decisões que podem mudar definitivamente a trajetória de uma pessoa, de uma família ou de uma empresa. É uma responsabilidade que começa muito antes da apresentação de um pedido às autoridades migratórias e que exige compreender não apenas a legislação, mas as consequências humanas de cada escolha.

Ao longo da minha carreira, acompanhei profissionais que decidiram reconstruir a vida em outro país, empresários que transferiram parte de suas operações para o exterior, famílias preocupadas com o futuro dos filhos e pessoas que simplesmente buscavam segurança e novas oportunidades. Em todos esses casos, existe um elemento comum: mudar de país nunca é apenas uma questão documental. Há patrimônio, carreira, vínculos familiares, expectativas e anos de planejamento envolvidos. Por isso, sempre procurei enxergar o Direito Internacional como uma ferramenta capaz de organizar essa transição e permitir que ela aconteça dentro das regras estabelecidas pelo país de destino.

Essa compreensão foi ampliada pelas experiências acadêmicas e institucionais que fizeram parte da minha trajetória, inclusive as relacionadas à Universidade de Oxford e à Comissão de Relações Internacionais da OAB Santos. Estudar e discutir relações internacionais, direitos humanos e movimentos migratórios permite perceber que as fronteiras possuem uma complexidade muito maior do que normalmente aparece no debate público. De um lado, Estados soberanos têm o direito e o dever de estabelecer regras para entrada, permanência e trabalho de estrangeiros. Do outro, existem seres humanos que, independentemente de sua condição documental, continuam protegidos por direitos fundamentais.

É justamente nessa interseção que está uma das questões que mais têm me preocupado nos últimos anos. O crescimento dos fluxos migratórios irregulares criou espaço para organizações criminosas que transformaram o desejo de mudar de país em um negócio altamente lucrativo. Temos visto brasileiros desembolsarem valores superiores a R$ 100 mil para redes de coiotes na tentativa de chegar clandestinamente aos Estados Unidos. Muitas dessas pessoas comprometem economias construídas durante anos sem saber exatamente quem está conduzindo a travessia, por onde passarão ou quais riscos encontrarão pelo caminho.

Quando alguém entrega o próprio destino a uma rede clandestina, o problema deixa de ser exclusivamente migratório. Entram nessa equação o tráfico de pessoas, a extorsão, a violência, a exploração econômica e diferentes formas de abuso. Há homens, mulheres e crianças submetidos a situações de extrema vulnerabilidade porque acreditaram que atravessar uma fronteira irregularmente seria a única possibilidade de construir uma vida em outro país. É exatamente por isso que considero perigoso romantizar esse tipo de travessia ou tratá-la apenas como uma tentativa individual de buscar melhores oportunidades.

Combater a entrada irregular, entretanto, não significa retirar a humanidade de quem tomou uma decisão equivocada. Essa distinção é fundamental. Uma pessoa pode ter descumprido uma norma migratória e estar sujeita às consequências previstas na legislação, inclusive à deportação, sem deixar de possuir direitos. A aplicação da lei precisa coexistir com limites relacionados à dignidade humana, especialmente quando envolve pessoas detidas, famílias separadas ou indivíduos submetidos a procedimentos de remoção.

Os episódios recentes envolvendo deportações de brasileiros deixaram essa questão muito evidente. Em um dos casos que acompanhei, 88 brasileiros desembarcaram em Manaus depois de serem removidos dos Estados Unidos, e o uso de algemas durante o procedimento provocou um impasse diplomático entre os dois países. A discussão ultrapassou a legalidade da permanência daqueles cidadãos em território americano e chegou a outro ponto igualmente importante: quais são os limites que um Estado deve respeitar ao aplicar sua política migratória?

Sempre defendi que essas duas posições podem e devem coexistir. Respeitar as fronteiras e as leis do país de destino é indispensável para qualquer projeto migratório responsável. Ao mesmo tempo, defender regras claras não significa aceitar tratamento degradante, abuso ou desrespeito aos direitos fundamentais. Uma política migratória séria precisa ser capaz de exercer controle sem transformar vulnerabilidade em punição adicional.

Essa realidade reforçou uma convicção que carrego para o meu trabalho: informação também é uma forma de proteção. Muitas decisões migratórias desastrosas começam com uma orientação errada. Pessoas acreditam em promessas de aprovação garantida, entregam dinheiro a falsas consultorias, recebem aconselhamento de quem não possui qualificação para analisar seu caso ou são convencidas de que entrar irregularmente primeiro e resolver a documentação depois é uma estratégia aceitável. Quando percebem a dimensão do problema, muitas vezes já comprometeram suas economias, sua situação migratória e até a possibilidade de retornar ao país de origem sem consequências.

Existe, portanto, uma responsabilidade ética muito grande em orientar alguém que deseja construir uma vida no exterior. Nem todo interessado possui, naquele momento, os requisitos necessários para determinada categoria migratória. Às vezes será preciso melhorar a qualificação profissional, organizar um negócio, construir um histórico de carreira, preparar financeiramente a família ou simplesmente esperar. Em outros casos, será necessário dizer que o caminho imaginado não encontra respaldo na legislação. Essa resposta pode frustrar expectativas, mas considero muito mais responsável apresentar a realidade do que transformar o desejo legítimo de uma pessoa em uma promessa que não pode ser cumprida.

Também é por essa razão que parte importante da minha atuação passou a envolver educação e comunicação. Explicar como funcionam as regras migratórias, discutir mudanças legislativas, participar do debate público e alertar sobre riscos não são atividades separadas do exercício profissional. Para mim, fazem parte dele. Quanto maior for o acesso a informações responsáveis, menor será o espaço ocupado por traficantes de pessoas, coiotes, falsas consultorias e promessas construídas sobre a vulnerabilidade de quem deseja sair do próprio país.

Neste momento em que a profissão jurídica é celebrada, prefiro olhar para essa trajetória não apenas a partir das conquistas acumuladas, mas principalmente pela responsabilidade que ela trouxe. O Direito Internacional me permitiu acompanhar histórias de pessoas que atravessaram fronteiras para trabalhar, estudar, investir, empreender e reunir suas famílias, mas também me colocou diante das consequências da desinformação, da exploração de migrantes, das deportações e do tráfico humano.

É nesse ponto que encontro o sentido do trabalho que escolhi exercer. Quero continuar contribuindo para que pessoas possam construir projetos internacionais conhecendo seus direitos, compreendendo seus deveres e respeitando as leis dos países que escolheram para viver. Ao mesmo tempo, quero continuar defendendo uma ideia que considero inseparável desse trabalho: nenhuma fronteira, nenhum processo administrativo e nenhuma condição migratória podem fazer com que deixemos de enxergar o ser humano que existe do outro lado.

Talvez essa seja, depois de tantos anos de profissão, a definição que melhor representa o que significa exercer o Direito para mim: conhecer profundamente as regras, ter responsabilidade para aplicá-las e nunca esquecer das pessoas que serão afetadas por elas. 



Daniel Toledo - advogado da Toledo e Advogados Associados especializado em Direito Internacional, consultor de negócios internacionais, palestrante e sócio da LeeToledo PLLC. Toledo também possui um canal no YouTube com mais de 1 milhão de seguidores com dicas para quem deseja morar, trabalhar ou empreender internacionalmente. Ele também é membro efetivo da Comissão de Relações Internacionais da OAB Santos, professor honorário da Universidade Oxford - Reino Unido, consultor em protocolos diplomáticos do Instituto Americano de Diplomacia e Direitos Humanos USIDHR.
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Toledo e Advogados Associados
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Cinco medidas que todo síndico deveria avaliar antes do período de maior atenção climática

Com a previsão de intensificação do El Niño nos próximos meses, especialistas em gestão condominial recomendam que os síndicos aproveitem este período para revisar o planejamento de manutenção e identificar obras preventivas que possam ser antecipadas.

Segundo Zener Costa, CEO da LLZ Garantidora, agir antes é a forma mais eficiente de reduzir riscos e preservar o patrimônio. "As previsões climáticas oferecem aos síndicos uma oportunidade de planejamento. Em vez de esperar que um problema apareça, é possível utilizar esse período para avaliar melhorias que aumentem a segurança e reduzam custos futuros”.

O executivo destaca cinco ações prioritárias:

1. Revisar telhados e coberturas
Pequenas falhas podem evoluir para infiltrações e danos estruturais durante períodos de chuvas intensas.

2. Verificar calhas e sistemas de drenagem
A limpeza preventiva reduz o risco de alagamentos e facilita o escoamento da água.

3. Avaliar bombas hidráulicas e instalações elétricas
Equipamentos revisados oferecem maior segurança e reduzem a possibilidade de falhas em momentos críticos.

4. Inspecionar árvores, muros e áreas externas
A manutenção preventiva ajuda a reduzir riscos provocados por ventos fortes e chuvas intensas.

5. Revisar o planejamento financeiro do condomínio
Garantir recursos para executar obras preventivas é tão importante quanto identificar as necessidades de manutenção.

Ainda para Zener Costa, a prevenção começa muito antes da chegada das chuvas. "A melhor obra é aquela realizada antes da necessidade. Quando o condomínio consegue antecipar decisões, protege o patrimônio, reduz custos e oferece mais tranquilidade aos moradores”, finaliza. 


Gasto Brasil chega ao Congresso e mostra que despesa pública supera os R$ 3,4 tri

IMAGEM: Rebeca Ribeiro/DC
Plataforma das associações comerciais será apresentada a parlamentares nesta terça-feira, 11/08. Proposta é que a ferramenta sirva de suporte para deputados e senadores em decisões que afetem o orçamento


Gasto Brasil, painel eletrônico que estima em tempo real as despesas públicas, será apresentado ao Congresso Nacional nesta terça-feira, 11/08, às 15h30. Criada em 2025 pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), a ferramenta monitora gastos federais, estaduais e municipais e, neste momento, aponta que essas três esferas públicas já consumiram mais de R$ 3,4 trilhões desde o início do ano. Esse valor supera em R$ 1 trilhão o valor da arrecadação de impostos, segundo dados do Impostômetro.

O painel do Gasto Brasil ficará exposto por uma semana no Congresso, onde parlamentares e cidadãos poderão acompanhar suas funcionalidades. Idealizador da plataforma, Cláudio Queiroz diz que levar o Gasto Brasil ao parlamento é importante para dar mais subsídios a deputados e senadores, que têm, entre suas responsabilidades, a aprovação de orçamento e a fiscalização de sua execução.

“A plataforma não substitui o Tribunal de Contas, a Controladoria ou os sistemas oficiais. Ela acrescenta uma camada de leitura simples, integrada e acessível, que permite ao parlamentar enxergar rapidamente tendências, comparar entes e formular as perguntas certas antes de votar um orçamento, uma emenda ou uma mudança legislativa”, diz Queiroz.

Ele acrescenta ainda a importância institucional de se colocar o debate sobre gasto público no mesmo patamar do debate sobre arrecadação. “Parlamentar responsável não deve apenas discutir de onde virá o dinheiro; deve perguntar se cada despesa tem propósito claro, meta verificável e retorno social compatível. A ferramenta estará à disposição de todos para fortalecer o acompanhamento, melhorar a qualidade das decisões orçamentárias e dar base objetiva para reformas que reduzam desperdícios, simplifiquem a administração e preservem recursos para as prioridades do cidadão.”


Despesas x arrecadação

Pela plataforma do Gasto Brasil na internet é possível verificar que, dos mais de R$ 3,4 trilhões em despesas realizadas em 2026, R$ 1,58 trilhão está relacionado a gastos do governo Federal, R$ 922,8 bilhões são relativos a gastos dos Estados e R$ 904,8 bilhões são despesas municipais.

Investigando mais os dados trazidos pela plataforma, é possível encontrar distorções sérias nas finanças públicas. No caso das despesas Federais, por exemplo, há uma elevada concentração de recursos em duas categorias de despesas: ‘Previdência’ e ‘Pessoal e Encargos’ representam aproximadamente 60% dos gastos do governo federal. “Isso exige debate sério sobre produtividade, desenho das políticas, qualidade do gasto e espaço para investimento”, alerta Queiroz.

Das 28 categorias de despesas do governo Federal, 11 respondem por cerca de 96% do total, sendo Previdência e pessoal as duas maiores, como apontado acima.

Cláudio Queiroz: o Gasto Brasil não substitui o Tribunal de Contas,  a Controladoria ou os sistemas
oficiais, mas acrescenta uma camada  de leitura simples que permite ao parlamenta  enxergar
 tendências e formular perguntas certas antes de votar um orçamento,
uma emenda ou uma mudança legislativa
(Imagem: ACSP)

Outro dado, ainda mais evidente, que sugere problemas sérios nas finanças públicas é a diferença entre o total arrecadado (R$ 2,4 trilhões), segundo o Impostômetro, e as despesas, que, pelo Gasto Brasil, superam em R$ 1 trilhão o que entra nos cofres dos governos.

Neste ponto, porém, Queiroz faz uma ressalva técnica. “Essa diferença, por si só, não é a medida oficial do déficit fiscal. Os dois painéis têm objetos e metodologias distintos. Para medir formalmente o resultado fiscal, é preciso comparar receitas e despesas em bases equivalentes, considerar as transferências entre entes, receitas não tributárias, critérios de competência ou caixa e demais componentes definidos pela estatística fiscal oficial.”

Segundo ele, a mensagem correta é: há um forte sinal de pressão e de assimetria que precisa ser investigado e acompanhado, e não uma conclusão simplista baseada apenas na subtração dos dois relógios.

“O problema, portanto, não é o governo gastar por definição; é gastar sem prioridade, sem avaliação de resultado e sem responsabilidade com a sustentabilidade fiscal. É aí que a reforma administrativa, a revisão de processos e a transparência devem entrar”, afirma Queiroz.


O que é possível acompanhar por meio do Gasto Brasil?

Na prática, o cidadão pode acompanhar:

- Gasto agregado do país;

- Gastos desmembrados do governo Federal, Estados e municípios;

- Recorte por esfera de governo;

- Recorte por grupos de despesa;

- Recorte por poderes e por Previdência;

- Analisar séries estatísticas;

- Identificar a participação de despesas específicas no total.


Sobre a plataforma

O Gasto Brasil é uma plataforma de transparência que organiza, em uma única interface, informações sobre as despesas públicas primárias pagas pelo Governo Federal, pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios. Ela foi desenvolvida pela CACB, em parceria com a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), em 2025. Seu objetivo é tornar visível e compreensível o lado da despesa pública.

Os dados são coletados de integrações automatizadas com bases da Secretaria do Tesouro Nacional, passam por tratamento de consistência e alimentam estimativas atualizadas à medida que novas informações são divulgadas.


Lançamento do Gasto Brasil no Congresso Nacional

A iniciativa de apresentar a plataforma aos parlamentares envolve a CACB e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A solenidade acontece às 15h30 desta terça-feira, 11/08, no Salão Nobre da Câmara dos Deputados, em Brasília, com as presenças dos presidentes da CACB, Alfredo Cotait Neto, e da CNA, João Martins. O painel do Gasto Brasil ficará exposto até o dia 13/08 no Espaço Mário Covas.

Durante a apresentação no Congresso serão lançadas novas funcionalidades da plataforma para expandir o nível de transparência de dados, como recortes econômicos, valores detalhados por população e índice de qualidade da informação.

 

Redação DC

https://dcomercio.com.br/publicacao/s/gasto-brasil-chega-ao-congresso-e-mostra-que-despesa-publica-supera-os-r-3-4-tri


Planejar agora ou esperar? Advogado explica por que o segundo semestre pode ser decisivo para quem pretende morar nos EUA

Com filas ainda elevadas, mercado americano aquecido em áreas estratégicas e possível aumento da demanda em 2027, especialistas defendem que o planejamento antecipado reduz riscos e amplia as opções de imigração legal

 

Quem pretende iniciar um processo de imigração para os Estados Unidos ainda em 2026 enfrenta uma decisão que pode influenciar diretamente o tempo de espera, o custo e até as possibilidades de aprovação. Diante do aumento da procura por vistos permanentes nos últimos anos, advogados especializados em imigração recomendam que candidatos iniciem o planejamento ainda no segundo semestre deste ano, em vez de adiar o projeto para 2027.

Os Estados Unidos continuam registrando demanda elevada por profissionais qualificados, investidores e empreendedores estrangeiros, enquanto categorias de imigração baseadas em mérito profissional permanecem entre as principais portas de entrada para brasileiros.

Segundo dados do Departamento de Estado americano, o Brasil segue entre os países que mais solicitam vistos para os Estados Unidos. Ao mesmo tempo, informações do USCIS (Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos) mostram que diversas categorias de imigração baseada em emprego continuam recebendo um volume elevado de pedidos, pressionando prazos de análise.

Para Daniel Toledo, advogado especializado em Direito Internacional, fundador da Toledo e sócio da LeeToledo PLLC, o segundo semestre costuma representar um momento estratégico para quem pretende estruturar um projeto migratório consistente. "Quem inicia o planejamento agora não está apenas entrando em uma fila. Está aproveitando um período para organizar documentação, fortalecer o histórico profissional, reunir provas e apresentar um processo muito mais sólido. Deixar para 2027 significa disputar espaço em um cenário que tende a receber ainda mais candidatos", afirma.

Segundo o especialista, um dos erros mais comuns é acreditar que basta decidir emigrar poucos meses antes da mudança."Os processos migratórios são cada vez mais técnicos. Em muitos casos, a aprovação depende de um trabalho de preparação que leva meses. Publicações científicas, cartas de recomendação, estrutura empresarial, documentação financeira e histórico profissional precisam ser organizados antes mesmo do protocolo do pedido".

Embora não exista qualquer anúncio oficial de mudanças nas cotas de Green Cards ou na legislação migratória, Toledo lembra que o volume crescente de aplicações pode aumentar naturalmente o tempo de processamento, principalmente nas categorias mais procuradas.


Ainda vale a pena iniciar um processo em 2026?

Na avaliação do advogado, sim.

Isso porque diversos processos podem ser protocolados ainda este ano, permitindo que parte da análise ocorra antes que uma nova onda de solicitações pressione ainda mais o sistema. "O maior benefício de começar agora é ganhar tempo dentro do próprio sistema americano. Não existe garantia de que os prazos aumentarão em 2027, mas historicamente observamos que quanto maior o número de aplicações, maior tende a ser o tempo de processamento".

Outro fator é que muitos candidatos precisam de vários meses apenas para reunir a documentação necessária.

No caso de vistos baseados em qualificação profissional, por exemplo, é comum que o candidato precise providenciar traduções juramentadas, diplomas, histórico acadêmico, comprovação de experiência profissional, publicações, premiações, cartas de especialistas e outros documentos técnicos. "O protocolo é apenas uma etapa. A maior parte do trabalho acontece antes", aponta Toledo.


Esperar 2027 pode significar começar do zero

Adiar o projeto migratório também pode representar perda de oportunidades. Segundo o especialista, muitos profissionais deixam para iniciar o processo apenas quando recebem uma proposta de trabalho ou decidem efetivamente mudar de país. O problema é que a preparação dificilmente acompanha essa urgência.

"Recebemos muitos clientes que precisam mudar rapidamente, mas ainda não possuem documentação organizada. Em imigração, planejamento costuma valer mais do que velocidade."


Quais categorias devem continuar em destaque?

Na avaliação do especialista, a tendência é de manutenção das categorias ligadas à geração de valor para a economia americana.

Entre elas estão:

  • EB-1, destinado a profissionais com trajetória de destaque internacional;
  • EB-2 NIW, voltado a profissionais altamente qualificados cuja atuação seja considerada de interesse nacional para os Estados Unidos;
  • EB-3, utilizado por empresas americanas para contratação de mão de obra qualificada;
  • L-1, para empresários que expandem operações para os Estados Unidos;
  • EB-5, direcionado a investidores que realizam aportes capazes de gerar empregos no país.

Segundo Toledo, essas categorias atendem necessidades estruturais da economia americana e não dependem apenas de mudanças políticas. "Os Estados Unidos continuam precisando atrair investimento, inovação e profissionais especializados. Independentemente das discussões políticas sobre imigração, essas demandas econômicas permanecem”, destaca.


As profissões que devem continuar em alta

A necessidade de mão de obra qualificada continua sendo um dos principais motores da imigração baseada no emprego.

Áreas como tecnologia, inteligência artificial, engenharia, saúde, enfermagem, construção civil, energia, logística, manufatura avançada e agronegócio seguem registrando demanda elevada em diferentes estados americanos.

O Bureau of Labor Statistics projeta crescimento consistente do emprego em ocupações ligadas à saúde, tecnologia da informação e engenharia ao longo da década, enquanto setores como construção civil continuam enfrentando déficit de trabalhadores especializados.

Para Toledo, empresários também permanecem entre os perfis mais procurados. "O empreendedor brasileiro deixou de olhar os Estados Unidos apenas como destino de imigração. Hoje muitos enxergam o país como uma plataforma de expansão internacional. Isso faz crescer a procura por vistos ligados a investimentos e abertura de empresas."


Como terminar 2026 com o processo encaminhado

Segundo o advogado, o segundo semestre deve ser utilizado menos para preencher formulários e mais para construir um projeto migratório consistente.

Entre as prioridades estão:

  • definir a categoria de visto mais adequada ao perfil;
  • reunir documentação profissional e financeira;
  • organizar comprovações de experiência e qualificação;
  • estruturar um planejamento patrimonial compatível com a mudança;
  • iniciar o protocolo ainda em 2026, sempre que o caso estiver maduro.

"Quem trata imigração como um projeto estratégico normalmente chega mais preparado aos Estados Unidos. O objetivo não deve ser apenas conseguir um visto, mas construir uma mudança sustentável para a família e para a carreira", conclui.


Daniel Toledo - advogado da Toledo e Advogados Associados especializado em Direito Internacional, consultor de negócios internacionais, palestrante e sócio da LeeToledo PLLC. Toledo também possui um canal no YouTube com mais de 1 milhão de seguidores com dicas para quem deseja morar, trabalhar ou empreender internacionalmente. Ele também é membro efetivo da Comissão de Relações Internacionais da OAB Santos, professor honorário da Universidade Oxford - Reino Unido, consultor em protocolos diplomáticos do Instituto Americano de Diplomacia e Direitos Humanos USIDHR.
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