Doença passou de 635 registros em 2002 para 13 em 2025; especialista da WeVets explica por que a imunização ainda é necessária
O Brasil reduziu em 98% o número de casos de raiva canina em pouco
mais de duas décadas. Segundo dados do Ministério da Saúde, foram registrados
635 casos em 2002, contra 13 em 2025. O resultado está relacionado à vacinação
de cães e gatos, às ações de vigilância e ao controle de focos, mas não
significa que a doença tenha deixado de representar um risco.
A raiva é uma doença viral que acomete mamíferos e apresenta
letalidade próxima de 100%. Embora a circulação da variante do vírus associada
a cães esteja controlada no país, o agente continua presente em ciclos
silvestres, principalmente entre morcegos. Cães e gatos podem ter contato com
esses animais e, em determinadas situações, participar novamente da cadeia de
transmissão.
“Os números mostram que a vacinação funciona e foi fundamental
para controlar a raiva no ciclo urbano. Mas o controle da doença não significa
que o risco desapareceu. Enquanto houver circulação do vírus em animais
silvestres, cães e gatos continuam precisando estar protegidos”, explica
Vinícius Rodrigues, médico veterinário na WeVets, maior grupo de saúde
veterinária do Brasil.
A cobertura vacinal também mostra que ainda há espaço para ampliar
a proteção. Em 2025, a vacinação antirrábica de cães e gatos alcançou 78% de
cobertura nacional, segundo o Ministério da Saúde. A meta utilizada nas
campanhas é de pelo menos 80% da população estimada. A cobertura elevada é
considerada uma das principais estratégias para impedir a reintrodução da
variante canina e manter a doença sob controle.
A vigilância permanece necessária. Entre 2015 e 2026, foram
registrados 270 casos de raiva em cães e gatos no Brasil. Do total, 205
ocorreram em cães domésticos. Até junho de 2026, seis casos haviam sido
registrados no país, todos associados a variantes de animais silvestres.
Para os tutores, a recomendação é manter a vacinação antirrábica
dentro do calendário de cuidados do pet e conferir regularmente a carteira de
vacinação. A indicação da primeira dose e dos reforços deve considerar a idade,
o histórico de imunização e as condições de saúde de cada cão ou gato.
“É comum que o tutor associe a vacina antirrábica apenas às
campanhas públicas, mas ela precisa fazer parte do acompanhamento preventivo do
pet. Na consulta, o médico-veterinário consegue verificar se a vacinação está
atualizada e orientar o melhor momento para cada dose”, afirma o especialista
da WeVets.
O contato com morcegos também merece atenção. Mesmo um pet que vive exclusivamente dentro de casa pode eventualmente entrar em contato com um animal silvestre que tenha acesso ao ambiente doméstico. Por isso, diante de qualquer contato suspeito, o tutor deve evitar manipular o animal e procurar orientação veterinária e dos serviços de vigilância em saúde.
A queda de 98% nos casos de raiva canina mostra o impacto das políticas de vacinação e vigilância no controle da doença. Para a WeVets, manter cães e gatos imunizados é uma medida de proteção individual e coletiva, que ajuda a preservar os avanços obtidos no controle da raiva no país.

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