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terça-feira, 11 de agosto de 2026

Planejar agora ou esperar? Advogado explica por que o segundo semestre pode ser decisivo para quem pretende morar nos EUA

Com filas ainda elevadas, mercado americano aquecido em áreas estratégicas e possível aumento da demanda em 2027, especialistas defendem que o planejamento antecipado reduz riscos e amplia as opções de imigração legal

 

Quem pretende iniciar um processo de imigração para os Estados Unidos ainda em 2026 enfrenta uma decisão que pode influenciar diretamente o tempo de espera, o custo e até as possibilidades de aprovação. Diante do aumento da procura por vistos permanentes nos últimos anos, advogados especializados em imigração recomendam que candidatos iniciem o planejamento ainda no segundo semestre deste ano, em vez de adiar o projeto para 2027.

Os Estados Unidos continuam registrando demanda elevada por profissionais qualificados, investidores e empreendedores estrangeiros, enquanto categorias de imigração baseadas em mérito profissional permanecem entre as principais portas de entrada para brasileiros.

Segundo dados do Departamento de Estado americano, o Brasil segue entre os países que mais solicitam vistos para os Estados Unidos. Ao mesmo tempo, informações do USCIS (Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos) mostram que diversas categorias de imigração baseada em emprego continuam recebendo um volume elevado de pedidos, pressionando prazos de análise.

Para Daniel Toledo, advogado especializado em Direito Internacional, fundador da Toledo e sócio da LeeToledo PLLC, o segundo semestre costuma representar um momento estratégico para quem pretende estruturar um projeto migratório consistente. "Quem inicia o planejamento agora não está apenas entrando em uma fila. Está aproveitando um período para organizar documentação, fortalecer o histórico profissional, reunir provas e apresentar um processo muito mais sólido. Deixar para 2027 significa disputar espaço em um cenário que tende a receber ainda mais candidatos", afirma.

Segundo o especialista, um dos erros mais comuns é acreditar que basta decidir emigrar poucos meses antes da mudança."Os processos migratórios são cada vez mais técnicos. Em muitos casos, a aprovação depende de um trabalho de preparação que leva meses. Publicações científicas, cartas de recomendação, estrutura empresarial, documentação financeira e histórico profissional precisam ser organizados antes mesmo do protocolo do pedido".

Embora não exista qualquer anúncio oficial de mudanças nas cotas de Green Cards ou na legislação migratória, Toledo lembra que o volume crescente de aplicações pode aumentar naturalmente o tempo de processamento, principalmente nas categorias mais procuradas.


Ainda vale a pena iniciar um processo em 2026?

Na avaliação do advogado, sim.

Isso porque diversos processos podem ser protocolados ainda este ano, permitindo que parte da análise ocorra antes que uma nova onda de solicitações pressione ainda mais o sistema. "O maior benefício de começar agora é ganhar tempo dentro do próprio sistema americano. Não existe garantia de que os prazos aumentarão em 2027, mas historicamente observamos que quanto maior o número de aplicações, maior tende a ser o tempo de processamento".

Outro fator é que muitos candidatos precisam de vários meses apenas para reunir a documentação necessária.

No caso de vistos baseados em qualificação profissional, por exemplo, é comum que o candidato precise providenciar traduções juramentadas, diplomas, histórico acadêmico, comprovação de experiência profissional, publicações, premiações, cartas de especialistas e outros documentos técnicos. "O protocolo é apenas uma etapa. A maior parte do trabalho acontece antes", aponta Toledo.


Esperar 2027 pode significar começar do zero

Adiar o projeto migratório também pode representar perda de oportunidades. Segundo o especialista, muitos profissionais deixam para iniciar o processo apenas quando recebem uma proposta de trabalho ou decidem efetivamente mudar de país. O problema é que a preparação dificilmente acompanha essa urgência.

"Recebemos muitos clientes que precisam mudar rapidamente, mas ainda não possuem documentação organizada. Em imigração, planejamento costuma valer mais do que velocidade."


Quais categorias devem continuar em destaque?

Na avaliação do especialista, a tendência é de manutenção das categorias ligadas à geração de valor para a economia americana.

Entre elas estão:

  • EB-1, destinado a profissionais com trajetória de destaque internacional;
  • EB-2 NIW, voltado a profissionais altamente qualificados cuja atuação seja considerada de interesse nacional para os Estados Unidos;
  • EB-3, utilizado por empresas americanas para contratação de mão de obra qualificada;
  • L-1, para empresários que expandem operações para os Estados Unidos;
  • EB-5, direcionado a investidores que realizam aportes capazes de gerar empregos no país.

Segundo Toledo, essas categorias atendem necessidades estruturais da economia americana e não dependem apenas de mudanças políticas. "Os Estados Unidos continuam precisando atrair investimento, inovação e profissionais especializados. Independentemente das discussões políticas sobre imigração, essas demandas econômicas permanecem”, destaca.


As profissões que devem continuar em alta

A necessidade de mão de obra qualificada continua sendo um dos principais motores da imigração baseada no emprego.

Áreas como tecnologia, inteligência artificial, engenharia, saúde, enfermagem, construção civil, energia, logística, manufatura avançada e agronegócio seguem registrando demanda elevada em diferentes estados americanos.

O Bureau of Labor Statistics projeta crescimento consistente do emprego em ocupações ligadas à saúde, tecnologia da informação e engenharia ao longo da década, enquanto setores como construção civil continuam enfrentando déficit de trabalhadores especializados.

Para Toledo, empresários também permanecem entre os perfis mais procurados. "O empreendedor brasileiro deixou de olhar os Estados Unidos apenas como destino de imigração. Hoje muitos enxergam o país como uma plataforma de expansão internacional. Isso faz crescer a procura por vistos ligados a investimentos e abertura de empresas."


Como terminar 2026 com o processo encaminhado

Segundo o advogado, o segundo semestre deve ser utilizado menos para preencher formulários e mais para construir um projeto migratório consistente.

Entre as prioridades estão:

  • definir a categoria de visto mais adequada ao perfil;
  • reunir documentação profissional e financeira;
  • organizar comprovações de experiência e qualificação;
  • estruturar um planejamento patrimonial compatível com a mudança;
  • iniciar o protocolo ainda em 2026, sempre que o caso estiver maduro.

"Quem trata imigração como um projeto estratégico normalmente chega mais preparado aos Estados Unidos. O objetivo não deve ser apenas conseguir um visto, mas construir uma mudança sustentável para a família e para a carreira", conclui.


Daniel Toledo - advogado da Toledo e Advogados Associados especializado em Direito Internacional, consultor de negócios internacionais, palestrante e sócio da LeeToledo PLLC. Toledo também possui um canal no YouTube com mais de 1 milhão de seguidores com dicas para quem deseja morar, trabalhar ou empreender internacionalmente. Ele também é membro efetivo da Comissão de Relações Internacionais da OAB Santos, professor honorário da Universidade Oxford - Reino Unido, consultor em protocolos diplomáticos do Instituto Americano de Diplomacia e Direitos Humanos USIDHR.
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Toledo e Advogados Associados
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