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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Anéis inteligentes: a tecnologia a serviço da saúde

Dispositivos ganharam espaço na rotina de quem busca compreender melhor o impacto do sono, do estresse e da recuperação física na saúde


O interesse por dispositivos que monitoram indicadores de saúde continua em expansão. Segundo a International Data Corporation (IDC), o mercado global de wearables cresceu 9,1% em 2025, impulsionado principalmente pela busca por tecnologias voltadas ao acompanhamento da saúde e do bem-estar. Entre os produtos que mais despertam atenção estão os anéis inteligentes, que conquistam espaço por serem discretos, confortáveis para uso contínuo e capazes de acompanhar indicadores como qualidade do sono, frequência cardíaca, recuperação física e nível de atividade ao longo do dia.

Para Bruna Makluf, nutricionista, diretora de Nutrição da WeFit e especialista em saúde intestinal e metabólica, o interesse por esse tipo de tecnologia acompanha uma mudança na forma como muitas mulheres enxergam o próprio corpo. Em vez de buscar apenas resultados na balança, cresce a preocupação em entender por que determinados hábitos funcionam para algumas pessoas e não para outras. "Durante muito tempo, a alimentação foi analisada quase isoladamente. Hoje sabemos que sono, recuperação física, estresse e rotina também interferem na resposta do organismo. Os dispositivos ajudam a visualizar esses padrões, mas eles precisam ser interpretados dentro do contexto de cada pessoa."

Essa mudança acompanha o avanço das pesquisas sobre a influência do sono na saúde. Em atualização publicada em 2025, a American Heart Association passou a reconhecer a qualidade do sono como um dos pilares fundamentais da saúde cardiovascular e metabólica, ao lado da alimentação, da prática de atividade física e do controle dos fatores de risco.

Na avaliação da especialista, justamente por registrar informações ao longo das 24 horas do dia, os anéis inteligentes conseguem revelar aspectos da rotina que normalmente passam despercebidos. "Nem sempre a pessoa percebe que está dormindo mal há semanas ou que nunca consegue se recuperar completamente entre os treinos. Quando esses dados aparecem organizados, fica mais fácil relacionar o que acontece na rotina com sintomas como cansaço, dificuldade para emagrecer ou queda na disposição."


Para quem é indicado

Por funcionar integrado ao protocolo da WeFit, o anel faz parte da jornada de acompanhamento nutricional da empresa, mas também pode ser utilizado por pessoas que não apresentam nenhum problema de saúde e desejam apenas acompanhar o funcionamento do próprio organismo, entendendo como fatores como sono, estresse, recuperação física e rotina influenciam o bem-estar. Dentro desse contexto, o dispositivo tende a fazer mais sentido para:

  • Pessoas que desejam conhecer melhor o próprio corpo, mesmo sem estarem em tratamento ou em processo de emagrecimento, acompanhando indicadores como qualidade do sono, recuperação física e nível de atividade ao longo do tempo;
  • Pacientes que relatam dificuldade em identificar a causa de oscilações no peso, na disposição ou no rendimento diário, mesmo seguindo o plano alimentar orientado;
  • Pessoas em processo de emagrecimento ou reeducação alimentar, para quem fatores como qualidade do sono e recuperação física podem interferir diretamente nos resultados;
  • Quem já realizou os testes genéticos ou de microbiota intestinal oferecidos pela WeFit e busca complementar essas análises com dados da rotina coletados entre uma consulta e outra;
  • Pacientes que têm dificuldade de relatar com precisão hábitos de sono, treino ou recuperação durante a consulta, e para quem o registro automático do anel substitui a necessidade de "lembrar e descrever" a rotina.

Bruna destaca que um dos maiores equívocos é imaginar que esses dispositivos oferecem respostas prontas. "O anel inteligente amplia a leitura da rotina, mas não faz diagnóstico nem determina sozinho o que deve ser mudado. Os dados precisam ser analisados junto com alimentação, exames, histórico de saúde e objetivos pessoais. O número, sozinho, raramente explica o que está acontecendo."

Outro ponto de atenção é a ansiedade provocada pelo excesso de informações. Para a nutricionista, acompanhar indicadores de saúde não deve se transformar em uma nova fonte de cobrança. "A tecnologia deve ajudar a compreender tendências e não criar a sensação de que existe um resultado perfeito para ser alcançado todos os dias. O corpo oscila naturalmente e isso faz parte da fisiologia. O importante é observar padrões ao longo do tempo."


Cinco cuidados antes de confiar apenas nos dados do seu anel inteligente

Segundo Bruna Makluf, alguns cuidados ajudam a utilizar essa tecnologia de forma mais consciente:

  • Observe tendências ao longo de dias ou semanas, e não apenas um resultado isolado.
  • Evite comparar seus indicadores com os de outras pessoas, já que cada organismo responde de maneira diferente.
  • Não faça autodiagnósticos com base nas informações do dispositivo. Os dados precisam ser interpretados por um profissional.
  • Considere o contexto da rotina. Sono, alimentação, estresse, atividade física e recuperação influenciam os resultados em conjunto.
  • Use a tecnologia como uma ferramenta de apoio ao autocuidado, e não como um instrumento de cobrança permanente.

 


Bruna Makluf - nutricionista, diretora de Nutrição da WeFit e especialista em emagrecimento, saúde metabólica, composição corporal, saúde intestinal, doenças crônicas e longevidade. Graduada em Nutrição pela Universidade Federal de Alfenas (Unifal) em 2008, possui especializações em Nutrição Clínica, Fitoterapia e Nutrição Comportamental, formação em Saúde Intestinal e mestrado em Saúde pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Sua atuação é baseada na individualização do cuidado, integrando evidências científicas, genética, saúde intestinal, exames laboratoriais e hábitos de vida para construir estratégias nutricionais adaptadas às necessidades de cada paciente. É fonte para temas relacionados ao emagrecimento, saúde intestinal, prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares, saúde metabólica e longevidade.
Para mais informações, acesse: Linkedin e Instagram.


WeFit
Site Oficial WeFit I Instagram WeFit



Fonte de Pesquisa

TechRadar (Best Smart Rings 2026)
https://www.techradar.com/health-fitness/fitness-trackers/best-smart-ring

Smart Rings in Clinical Medicine: A Systematic Review (2025)
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12730986/

The Oura Ring Versus Medical Grade Sleep Studies: Systematic Review (2025)
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12602993/


Sarampo volta a preocupar autoridades de saúde; como reconhecer os primeiros sintomas e prevenir a doença

Divulgação
Conhecida como uma das infecções mais contagiosas, a doença tem na vacinação a principal forma de prevenção, o que evita sua disseminação e o agravamento dos casos

 

Considerado eliminado do Brasil em 2016, o sarampo voltou a exigir atenção das autoridades de saúde. O país registra um surto ativo concentrado no estado de São Paulo, cenário que levou o Ministério da Saúde a ampliar a vacinação nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, que concentram a maior parte dos casos confirmados em 2026. 

Causado por um vírus da família Paramyxoviridae, o sarampo é transmitido pelo ar, principalmente por meio de tosse, espirro, fala ou contato próximo com uma pessoa infectada. A doença está entre as infecções mais contagiosas conhecidas e pode se espalhar rapidamente entre pessoas não imunizadas. 

Embora muitos pacientes apresentem evolução favorável, o sarampo pode causar complicações como pneumonia e encefalite e, em casos mais graves, levar à morte. Crianças pequenas, gestantes e pessoas imunossuprimidas estão entre os grupos que exigem maior atenção. 

Para Julio Onita, infectologista e coordenador do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital IGESP, o cenário atual reforça a necessidade de manter a vacinação em dia. “O risco de novos casos está diretamente relacionado à circulação de pessoas não vacinadas e à introdução do vírus por viajantes provenientes de regiões com transmissão ativa. Além disso, pacientes imunossuprimidos, como aqueles em tratamento oncológico, reumatológico ou neurológico, podem apresentar uma resposta imunológica reduzida e desenvolver formas mais graves da doença. Por isso, manter a cobertura vacinal em dia é essencial para interromper a circulação do vírus”, afirma.
 

Como identificar os sintomas do sarampo? 

Os primeiros sintomas costumam aparecer entre sete e 14 dias após a exposição ao vírus e podem ser confundidos com os de outras infecções respiratórias. O quadro geralmente começa com febre acima de 38°C, tosse seca, coriza, conjuntivite e mal-estar. 

Antes do surgimento das manchas na pele, também pode aparecer pequena lesão esbranquiçada na parte interna da boca, um dos sinais característicos do sarampo. Entre o terceiro e o quinto dia após o início dos sintomas, surgem manchas avermelhadas na pele, inicialmente no rosto. Em seguida, elas podem se espalhar para o pescoço, tronco, braços e pernas. 

“A combinação entre febre alta, sintomas respiratórios e manchas pelo corpo deve servir como sinal de alerta. Diante desse quadro, principalmente em pessoas não vacinadas ou com esquema vacinal incompleto, é fundamental procurar atendimento médico rapidamente e informar sobre viagens recentes ou contato com casos suspeitos ou confirmados”, orienta o especialista.
 

Como prevenir o sarampo? 

A vacinação é a principal forma de prevenção contra o sarampo. No Brasil, a imunização está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, e da tetraviral, que também oferece proteção contra a varicela. 

O esquema de imunização prevê duas doses, e o Ministério da Saúde estabelece como meta alcançar 95% de cobertura vacinal da população-alvo, índice considerado necessário para reduzir a circulação do vírus e proteger também pessoas que não podem ser vacinadas. 

A recomendação da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) é que todos os moradores de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, com idade entre seis meses e 59 anos, procurem os postos de saúde a partir desta segunda-feira (3), independentemente da situação vacinal, para receber a vacina de reforço contra o sarampo. 

Antes de viagens nacionais ou internacionais, especialmente para regiões com circulação do sarampo, também é importante verificar a situação vacinal. Em caso de dúvidas ou necessidade de atualização da caderneta, a orientação é procurar uma unidade de saúde. 

Evitar contato próximo com pessoas que apresentam sintomas compatíveis com a doença também contribui para reduzir o risco de transmissão. Isso porque o vírus pode ser transmitido cerca de cinco dias antes do início dos sintomas e permanecer transmissível até quatro dias após o surgimento das manchas avermelhadas. Em caso de suspeita, a recomendação é buscar atendimento médico e informar sobre possíveis exposições ao vírus. 

“O sarampo não é uma doença do passado. Enquanto houver pessoas suscetíveis e cobertura vacinal insuficiente, o vírus continuará encontrando oportunidades para circular. A boa notícia é que existe uma forma segura, eficaz e amplamente disponível de prevenção: a vacinação”, conclui Julio Onita.
 

Rede IGESP


Agosto Dourado: mitos e verdades sobre amamentação e volta ao trabalho

 

Magnific
Especialistas esclarecem dúvidas sobre leite materno, alimentação da mãe, ordenha e estratégias para manter a amamentação após o retorno ao trabalho 


A amamentação é uma das formas mais eficazes de promover a saúde da mãe e do bebê. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida e complementado até os dois anos ou mais. Apesar disso, mitos sobre alimentação, produção de leite e emagrecimento ainda geram insegurança e podem contribuir para o desmame precoce. 

Em apoio ao Agosto Dourado, campanha de incentivo ao aleitamento materno, especialistas da Perinatal (RJ) e da Maternidade Star (SP), da Rede D’Or, esclarecem dúvidas frequentes e compartilham orientações para superar os desafios mais comuns da amamentação.

 

Mitos e verdades

 

Benefícios para o bebê e para a mãe — VERDADE

O leite materno fornece todos os nutrientes necessários nos primeiros seis meses de vida, fortalece a imunidade do bebê e reduz o risco de infecções, alergias e obesidade. Para a mãe, favorece a recuperação pós-parto e está associado à redução do risco de câncer de mama e ovário, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. “Amamentar é um investimento na saúde da mãe e do bebê, com benefícios que permanecem por toda a vida”, afirma Maurizio Pellitteri, diretor-geral da Perinatal, referência em saúde materno-infantil no Rio de Janeiro.

 

Café, feijão e chocolate causam cólica no bebê? — MITO

Não há evidências de que alimentos que provocam gases na mãe causem cólicas no bebê por meio do leite materno. A cafeína deve ser consumida com moderação, e restrições alimentares só devem ser feitas quando houver suspeita de alergia ou intolerância, sempre com orientação médica.

 

A alimentação da mãe interfere na qualidade do leite? — VERDADE, COM RESSALVAS

Mesmo quando a alimentação materna não é ideal, o organismo preserva a composição nutricional do leite. Ainda assim, manter uma dieta equilibrada é importante para a saúde da mulher.

 

Dietas restritivas são indicadas durante a amamentação? — MITO

A recomendação é manter uma alimentação variada, boa hidratação e evitar bebidas alcoólicas. Medicamentos devem ser utilizados apenas com orientação médica.

 

Existem situações em que a amamentação não é recomendada? — VERDADE, EM CASOS ESPECÍFICOS

Há contraindicações específicas, como mães vivendo com HIV sem tratamento adequado. Alguns medicamentos também podem ser incompatíveis com o aleitamento, embora sejam situações raras. Cada caso deve ser avaliado pela equipe médica.

 

Amamentar ajuda a emagrecer? — VERDADE, MAS NÃO É REGRA

A produção de leite eleva o gasto energético e pode contribuir para a perda gradual de peso, mas esse processo varia de mulher para mulher. “A amamentação pode contribuir para o emagrecimento, mas o foco deve ser a recuperação da mãe e a nutrição adequada do bebê”, ressalta Pellitteri.

 

“Leite fraco” existe? — MITO

“Não existe leite fraco. O choro do bebê nem sempre significa fome, é uma forma de comunicação”, destaca a enfermeira obstetra Márcia Regina da Silva, especialista em aleitamento materno da Maternidade Star. O ideal é oferecer o peito em livre demanda e acompanhar o ganho de peso e o desenvolvimento da criança.

 

Rede de apoio faz diferença — VERDADE

O sucesso da amamentação também depende do apoio da família. Ajudar nas tarefas da casa, incentivar o descanso da mãe e oferecer suporte emocional favorecem a continuidade do aleitamento.

 

Dor intensa na amamentação é normal — MITO

“É comum haver sensibilidade nos primeiros dias, mas dor intensa, fissuras ou piora progressiva exigem avaliação profissional”, orienta Márcia Regina.

 

Desafios dos primeiros dias

A especialista da Maternidade Star, localizada em São Paulo e referência em cuidado materno-infantil de alta complexidade, explica que a amamentação é um aprendizado para mãe e bebê. Segundo ela, mamadas frequentes e com pega adequada ajudam a melhorar a sucção e a prevenir fissuras e ingurgitamento mamário.

 

Dicas práticas:

• esperar o bebê abrir bem a boca antes da pega;

• manter cabeça e corpo alinhados;

• se houver dor, interromper a sucção e reposicionar o bebê;

• evitar chupetas e mamadeiras nos primeiros meses.

 

Como manter a amamentação após a volta ao trabalho

Com planejamento, é possível manter o aleitamento materno mesmo após o retorno ao trabalho. A orientação é iniciar a ordenha cerca de um mês antes para formar um pequeno estoque de leite e, nas semanas que antecedem a volta, oferecer o leite ordenhado em copo ou colher para adaptação do bebê. 

Depois do retorno às atividades profissionais, manter ordenhas regulares durante o expediente e seguir as recomendações de armazenamento ajuda a preservar a amamentação. “A ordenha permite que muitas mulheres continuem amamentando após o retorno ao trabalho. Informação e apoio são fundamentais para que esse processo seja bem-sucedido”, afirma Maurizio Pellitteri.

 

Rede D’Or


7 dicas de como amamentar corretamente e tornar o momento mais confortável

 Alguns pequenos ajustes podem ajudar a superar os desafios e proporcionar mais bem-estar para a mãe e o bebê

 

As mães de primeira viagem lidam, além da apreensão natural, com a responsabilidade de cuidar de um recém-nascido e de redobrar a atenção com a própria saúde. Nesse período, muitas dúvidas surgem: como posicionar o bebê para amamentar corretamente? Com que frequência ele deve mamar? Quanto tempo deve durar uma mamada?

A amamentação está entre as principais preocupações do período pós-parto, já que o leite materno é o alimento ideal para o bebê nos primeiros meses de vida. Sempre que possível, recomenda-se que o recém-nascido seja colocado para mamar na primeira hora após o nascimento, favorecendo o contato pele a pele e o início da amamentação. O Ministério da Saúde recomenda o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida. Nesse período, não há necessidade de oferecer água, chás, sucos ou outros alimentos ao bebê, salvo situações específicas orientadas por profissionais de saúde. A recomendação é manter a amamentação até os dois anos de idade ou mais, complementada pela alimentação adequada a partir dos seis meses.

Para tornar esse momento mais confortável e favorecer uma boa pega, alguns cuidados podem fazer diferença. A Dra. Ana Claudia, pediatra do dr.consulta, explica a importância da amamentação e dá sete dicas para ajudar mães e bebês nesse processo. Confira:



1. Escolha uma posição confortável

Antes de pensar na posição do bebê, é importante que a mãe esteja confortável. Ombros relaxados, coluna apoiada, sem tensão nos braços. Isso pode ser feito sentada, inclinada ou deitada, não existe uma única posição “correta”, e sim a que funciona melhor para cada mãe e cada momento do dia. Usar uma almofada de amamentação ou apoiar os pés em um banquinho pode ajudar a manter essa postura por mais tempo sem cansaço.



2. Posicione o bebê corretamente

Após garantir que a mãe esteja confortável, é importante ajustar o corpo do bebê, mantendo a cabeça e o tronco alinhados sem torcer o pescoço para alcançar o peito. Na posição de barriga com barriga, o bebê fica de frente para a mãe, com a barriga voltada para o corpo dela e não olhando para o teto, permanecendo bem próximo para facilitar a pega. Os braços do bebê devem ficar livres para que ele consiga abraçar a mama sem ficar enroscado, e a cabeça deve estar sem pressão, com apoio leve na altura do pescoço e ombros, evitando segurá-la com força durante a mamada.



3. Espere os sinais de fome antes de oferecer o peito

A amamentação deve ocorrer em livre demanda, ou seja, sempre que o bebê apresentar sinais de fome. Alguns sinais precoces são abrir a boca, mexer a cabeça procurando a mama, colocar as mãos na boca, fazer movimentos de sucção ou ficar mais agitado. O choro costuma ser um sinal mais tardio de fome. Perceber os sinais iniciais pode facilitar o início da mamada, pois o bebê ainda está mais calmo e tende a realizar a pega com maior facilidade.



4. Aguarde a boca bem aberta antes da pega

Com o bebê posicionado e mostrando interesse, aproxime-o do peito e espere a boca abrir bem, como um bocejo antes de encaixá-lo na mama. Uma pega feita com a boca pouco aberta costuma resultar em dor e em uma mamada menos eficiente.



5. Confira se a pega está correta

Após o bebê pegar o peito, sinais de uma pega adequada incluem mais aréola visível acima da boca do que abaixo, boca bem aberta abocanhando o mamilo e parte da aréola, lábio inferior virado para fora, queixo encostado na mama e cabeça levemente inclinada para trás. Se esses critérios forem atendidos, a mamada costuma ser indolor após os primeiros segundos; dores persistentes durante toda a mamada indicam que é importante reposicionar o bebê e tentar novamente.



6. Amamente com a frequência adequada

Nas primeiras semanas de vida, muitos recém-nascidos mamam 8 vezes ou mais em 24 horas, embora a frequência possa variar de acordo com cada bebê. Não é necessário estabelecer um tempo rígido para cada mamada. O ideal é observar os sinais do bebê e permitir que ele mame até demonstrar que está satisfeito, soltando espontaneamente a mama. A frequência adequada das mamadas é importante para favorecer uma boa ingestão de leite, auxiliar na recuperação do peso após o nascimento e reduzir o risco de ingestão insuficiente, que pode contribuir para desidratação e piora da icterícia em alguns recém-nascidos.



7. Aproveite o contato pele a pele

Sempre que possível, faça o contato pele a pele com o bebê, principalmente logo após o nascimento e nos primeiros dias. Essa prática ajuda a regular a temperatura e o açúcar no sangue do recém-nascido, além de facilitar o início e a continuidade da amamentação.

Quando procurar ajuda

Algumas situações indicam que é importante buscar orientação profissional. Entre elas estão:

  • dor persistente durante as mamadas;
  • fissuras ou sangramento nos mamilos;
  • dificuldade frequente para o bebê realizar a pega;
  • mamadas muito prolongadas ou aparentemente pouco eficazes;
  • bebê muito sonolento ou com dificuldade para despertar para mamar;
  • dúvidas sobre ganho de peso;
  • redução importante do número de mamadas ou de eliminações;
  • insegurança da mãe em relação à quantidade de leite ingerida pelo bebê.

Nessas situações, o pediatra, o obstetra ou um profissional capacitado em aleitamento materno pode avaliar a mãe e o bebê e, principalmente, observar uma mamada, identificando com mais precisão o que pode ser ajustado.

“Amamentar é um processo de aprendizado para a mãe e para o bebê. Nem sempre tudo acontece de forma intuitiva ou fácil desde o primeiro dia. Observar os sinais do bebê, ajustar a posição e a pega e procurar ajuda quando necessário pode tornar esse momento mais tranquilo e prazeroso para os dois”,* conclui a Dra. Ana Claudia.

 

Não é só evitar gordura: 4 alimentos que podem ajudar a reduzir o colesterol, segundo a ciência

Estudos mostram como fibras, gorduras insaturadas e outros componentes da alimentação podem contribuir para o controle do colesterol e quais quantidades podem fazer diferença 


Dicas para "limpar as artérias" são repetidas à exaustão nas redes sociais, mas nem tudo o que circula por aí tem, de fato, respaldo científico. A boa notícia é que existem, sim, alimentos com efeito comprovado sobre o LDL (o chamado colesterol ruim). Por outro lado, nenhum substitui o medicamento prescrito pelo cardiologista, mas pode compor um estilo de vida saudável e ativo, e contribuir para a redução de seus níveis se usados em conjunto. 

"Em geral, a ciência mostra que manter um padrão alimentar saudável e consistente, rico em fibra solúvel, gorduras boas e proteína vegetal, é capaz de contribuir para a redução do LDL de forma significativa", coloca a nutricionista Clara Lucía Valderrama, membro do Conselho Consultivo de Nutrição da Herbalife. 

Confira em quais alimentos apostar.
 

1. Aveia e cevada

A beta-glucana, fibra solúvel da aveia e da cevada, forma um gel no intestino que se liga aos ácidos biliares (produzidos a partir do colesterol) e impede que sejam reabsorvidos. Resultado: o fígado precisa puxar mais colesterol do sangue para repor esses ácidos biliares. 

Uma meta-análise publicada no periódico American Journal of Clinical Nutrition mostrou que consumir pelo menos 3 gramas de beta-glucana da aveia por dia reduz significativamente o LDL e o colesterol total, sem alterar o HDL (o colesterol "bom").
 

Quanto consumir: cerca de 3 g de beta-glucana por dia está presente em 40 a 60 g de aveia em flocos ou farelo de aveia, o equivalente a duas tigelas de aveia.
 

2. Oleaginosas

Nozes, castanhas, amêndoas e amendoim entram na lista com uma das evidências mais robustas. Uma meta-análise publicada na revista Nutrition, Metabolism and Cardiovascular Diseases, que envolveu mais de 8 mil participantes, concluiu que consumir cerca de 45 g de oleaginosas por dia (um punhado fechado) “apresenta bons indícios de que o consumo de oleaginosas pode exercer efeitos benéficos sobre os lipídios sanguíneos em adultos com diferentes condições de saúde.” 

"Mas não adianta exagerar na quantidade. O benefício aparece com o consumo regular de porções pequenas. O excesso só adiciona calorias", pondera Clara.
 

Quanto consumir: 30 a 45 g por dia, preferencialmente sem sal e sem açúcar.
 

3. Tomate, laranja e óleos vegetais

Os fitoesteróis são compostos vegetais com estrutura parecida à do colesterol. Ao competir por absorção no intestino, "atrapalham" a entrada do colesterol na corrente sanguínea. É, isoladamente, o efeito mais bem documentado da literatura em se tratando de nutrição. 

Um estudo de referência que reuniu 41 ensaios clínicos mostrou que consumir 2 g de fitoesteróis por dia reduz o LDL em 10%. Outra meta-análise com 124 estudos e mais de 9,6 mil participantes, confirmou uma relação dose-resposta consistente, com reduções de 6% a 12% do LDL em doses de 0,6 a 3,3 g por dia.
 

Quanto consumir: “A dieta ocidental típica fornece apenas cerca de 300 mg de fitoesteróis por dia. Para chegar aos 2 g recomendados, normalmente é preciso recorrer a suplementos ou alimentos enriquecidos com fitoesteróis, como algumas marcas de margarina, iogurte e leite, já que a quantidade naturalmente presente em óleos vegetais, sementes e grãos é pequena”, explica a nutricionista. Ainda assim, vale investir no consumo de tomate e laranja, dar preferência a óleos vegetais (canola, girassol, soja) no preparo dos pratos, além de incluir oleaginosas e leguminosas regularmente na dieta.
 

4. Leguminosas

Feijão, lentilha, grão-de-bico e ervilha são ricos em fibra solúvel e proteína vegetal. Uma meta-análise publicada no Canadian Medical Association Journal mostrou que dietas com cerca de 130 g de leguminosas por dia (ou uma porção) reduziram significativamente o LDL em comparação a dietas sem esse alimento.
 

Quanto consumir: Você garante 130g de leguminosas ao consumir 1 concha cheia de feijão ou 3/4 de xícara de lentilha, grão-de-bico ou ervilha cozidos.



Herbalife
www.Herbalife.com


Agosto Dourado: pesquisas sobre amamentação renderam mais de 6,9 milhões de idas ao Google no último ano; veja as dúvidas mais comuns

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No mês de conscientização sobre o aleitamento materno, o Olá Doutor, plataforma de consultas que conecta pacientes a médicos, traz dados inéditos sobre o tema nos mecanismos digitais  

 

Amamentar é um processo cercado de dúvidas — e muitas delas surgem com urgência no meio da madrugada, enquanto o bebê mama ou logo nos primeiros dias após o parto. Não à toa, é comum que quem amamenta recorra à internet em busca de respostas rápidas, como mostram as pesquisas mais recentes da população no Google.

 

Segundo um levantamento do Olá Doutor, plataforma de consultas que conecta pacientes a médicos, somente nos últimos 12 meses, foram registradas mais de 6,9 milhões de buscas online pelo tema nos mecanismos de pesquisa, entre dúvidas e boas práticas para tornar a amamentação mais confortável no dia a dia. 

 

estudo, produzido em celebração à Semana Mundial do Aleitamento Materno (1 a 7 de agosto) e ao Agosto Dourado, mostra que os questionamentos são diversos: vão do uso de canetas emagrecedoras durante a amamentação à possibilidade de doação de sangue, passando por tópicos que, muitas vezes, não têm uma resposta única ou imediata. 


Mas, afinal, o que mais está por trás dos altos volumes de busca sobre amamentação e o que isso revela sobre quem vive essa fase? Você confere respostas para essa e outras perguntas no conteúdo a seguir, que traz um ranking dos temas mais pesquisados e orientações para tornar o aleitamento materno tranquilo e seguro. Confira: 

 



Mounjaro e amamentação lideram buscas sobre o tema   

 

Embora não faltem dúvidas entre quem amamenta, as pesquisas mais recentes no Google Brasil revelam um padrão: grande parte dos questionamentos está relacionada ao uso de medicamentos durante o período de aleitamento. Das canetas emagrecedoras a analgésicos de uso cotidiano, muitos internautas buscam entender quais substâncias podem ser utilizadas sem comprometer a saúde do bebê e a continuidade da amamentação.

 

Nos últimos 12 meses, a pergunta que mais gerou buscas foi "quem amamenta pode tomar mounjaro", responsável por mais de 71 mil pesquisas e líder isolada do ranking. O interesse acompanha a popularização do medicamento, indicado para o tratamento de diabetes e também utilizado, fora da bula, para emagrecimento.

 

O consenso entre especialistas, no entanto, é de atenção: diante da falta de estudos suficientes que garantam a segurança do uso nesse período, a exposição ao fármaco não é recomendada. "São medicamentos que podem afetar o apetite e a disposição de quem amamenta de forma mais ampla, o que reflete diretamente na amamentação", explica a médica Manoella Ferreira. "De toda forma, qualquer avaliação deve ser feita de maneira individual, com acompanhamento médico, preferencialmente no período pós-desmame." 

 

Outras dúvidas frequentes giram em torno de analgésicos e anti-inflamatórios de uso comum, como dipirona, ibuprofeno e nimesulida — que, somados, geraram 134 mil buscas online no período.

 

Embora todos exijam avaliação médica antes do uso, o grau de cautela varia entre eles, como explica Manoella. “O ibuprofeno é considerado compatível com a amamentação pelo Ministério da Saúde e pela Sociedade Brasileira de Pediatria; a dipirona teve sua classificação de risco revista para cima nos últimos anos por fontes de referência internacionais; e a nimesulida é a que exige maior atenção, sendo frequentemente indicada sua substituição ou a suspensão temporária da amamentação enquanto durar o tratamento. A recomendação geral, portanto, permanece a mesma: nenhum medicamento — mesmo os de uso corriqueiro — deve ser tomado sem orientação profissional durante esse período.”  

 

"A internet cumpre um papel importante, mas não substitui a orientação profissional, especialmente em uma fase tão delicada quanto a amamentação”, complementa a médica. “A boa notícia é que, com a telemedicina e as consultas via chat, muitas dúvidas podem ser esclarecidas na mesma velocidade que uma navegação online, respeitando a rotina de quem acabou de ter um bebê. É o que move o modelo de atendimento do Olá Doutor, pensado para diferentes realidades e momentos da jornada de cuidado", conclui. 

 

Da tatuagem à doação de sangue: dúvidas variadas seguem no radar de quem amamenta

 

Além dos medicamentos, outras questões recorrentes mostram que as dúvidas de quem está amamentando vão muito além da farmacologia, passando por crenças populares, cuidados estéticos e hábitos voluntários, como a doação de sangue. 

 

Entre os temas que mais despertam curiosidade está a relação entre amamentação e peso, com "amamentar emagrece" somando cerca de 45,2 mil buscas em 12 meses. E não é bem um mito: para produzir leite, o corpo materno consome energia extra, o que pode favorecer a perda de peso no período pós-parto. O efeito, porém, não é regra, variando de organismo para organismo conforme a alimentação, metabolismo e qualidade do sono. 

 

Outra dúvida comum gira em torno da possibilidade de fazer tatuagens durante o período, tema por trás de cerca de 42 mil buscas online. De acordo com o Olá Doutor, a recomendação é de cautela, já que o procedimento envolve riscos, como a transmissão de infecções ao bebê e a exposição a substâncias presentes nas tintas utilizadas, o que reforça a importância de se buscar orientação médica antes de realizá-las.

 

Já entre quem amamenta e deseja doar sangue, a orientação parte do próprio Ministério da Saúde, que recomenda aguardar pelo menos um ano de amamentação antes de retomar as doações. Isso porque, nos primeiros meses, a produção de leite exige uma reserva maior de vitaminas e minerais, e a doação pode aumentar o risco de carências nutricionais. Ou seja: trata-se de um cuidado pensado, sobretudo, para preservar tanto a saúde da mãe quanto a do bebê. 

 

Metodologia

 

Para desvendar as principais dúvidas sobre amamentação na internet, foram consideradas pesquisas no Google realizadas por brasileiros durante os últimos doze meses. A investigação foi pautada pelas expressões "amamentação", “amamentar” e suas variações, abrangendo todas as buscas relativas ao tópico nas cinco regiões nacionais. Em seguida, os termos mais pesquisados foram dispostos em um ranking, no qual você confere o volume total de buscas no último ano. 

 

Olá Doutor


Mais da metade das pacientes com câncer de mama aguarda mais de 60 dias para iniciar tratamento de câncer de mama no SUS

DragonImages
Estudo nacional, que analisa 243.277 casos entre 2017 e 2022, expõe desigualdades regionais e aponta que a radioterapia é a modalidade que apresenta maior atraso, com 54,8% das pacientes esperando mais de 120 dias para começar as sessões

 

O tempo máximo entre o diagnóstico de câncer de mama e o início do tratamento, previsto na Lei Federal nº 12.732/2012, é de 60 dias. No entanto, com base em dados do DATASUS-SISCAN, coletados entre 2017 e 2022, uma pesquisa revela que a legislação, amplamente descumprida no Brasil, também expõe profundas desigualdades regionais. A detecção precoce e o tratamento da doença representam melhores prognósticos para as pacientes. Com o atraso nos procedimentos, conforme demonstra o estudo, a questão de saúde individual toma a dimensão de problema de saúde pública.

O estudo “Conformidade com a Lei Brasileira 12.732: Avaliação dos atrasos no tratamento de câncer de mama em diferentes modalidades terapêuticas (2017-2022)” foi publicado na revista Mastology, periódico científico da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). A investigação liderada pelo mastologista Marcelo Antonini tem a participação de pesquisadores do Hospital do Servidor Público Estadual Francisco Morato de Oliveira (HSPE-SP), do BBREAST (Brazilian Breast Cancer Association Team), com a colaboração de diversos centros de excelência do País.

O trabalho multicêntrico é dos poucos estudos realizados no Brasil com o propósito de analisar fatores que determinam atrasos entre a detecção e o tratamento do câncer de mama. A demora no atendimento das pacientes que recebem o diagnóstico da doença tem consequências severas, como sobrecarga do sistema de saúde e aumento da mortalidade. Segundo Marcelo Antonini, a avaliação do acesso das mulheres ao sistema público de saúde, considerando a chamada Lei dos 60 Dias, pode fornecer uma base para a organização de serviços de qualidade, com a garantia de que o tratamento seja oferecido em tempo hábil.

Com base nos dados do DATASUS-SISCAN, o estudo analisou, no período de 2017 a 2022, casos de 243.277 pacientes. “Mais da metade, ou seja, 54%, iniciou o tratamento depois de 60 dias, o que configura o não cumprimento do prazo previsto pela Lei nº 12.732/2012”, observa o mastologista André Mattar, tesoureiro da SBM, também participante da pesquisa. Do total, apenas 24,4% das mulheres começaram a ser tratadas em até 30 dias. Mas 25,5% tiveram que aguardar mais de 120 dias.

Como estratégia oncológica, Marcelo Antonini destaca que a cirurgia teve o melhor desempenho, com 58,8% das pacientes iniciando o tratamento em até 30 dias. Porém, quando consideradas realidades regionais, o Norte apresentou o pior resultado (25,6% após 120 dias). Na região Sul, o destaque positivo foi de 66,9% em período igual ou menor a 30 dias.

Na abordagem quimioterápica, a maioria dos intervalos foi de 31 a 60 dias no Nordeste (26,1%) e Sul (26,3%). Nas demais regiões do Brasil, a predominância no tratamento ficou acima de 120 dias.

A radioterapia, conforme destaca André Mattar, apresentou o cenário mais preocupante, com 54,8% das mulheres iniciando as sessões após 120 dias. “A região Norte trouxe uma das situações mais críticas, com índice de 64,6%. Pará (80,3%) e Roraima (75,0%) apresentaram os piores números nacionais.

“Os dados do estudo vêm para revelar que pacientes submetidas à radioterapia e quimioterapia têm aproximadamente o dobro de chance de sofrer atraso em relação àquelas que iniciam pela cirurgia”, observa Antonini. “A concentração desses serviços em grandes centros urbanos e as desigualdades regionais de infraestrutura são barreiras estruturais que precisam de resposta imediata em políticas públicas.”

O estudo publicado na Mastology indica que a rede pública tem diversos desafios a enfrentar. De acordo com os mastologistas participantes das pesquisas, expandir a infraestrutura oncológica, descentralizar serviços especializados e fortalecer a rede de atendimento, visando melhorar o acesso ao tratamento, são alguns pontos fundamentais para mitigar os impactos negativos dos atrasos na sobrevida e na qualidade de vida de pacientes com câncer de mama no Brasil.


Canhoto nasce canhoto? Genética ajuda a explicar por que algumas pessoas preferem a mão esquerda

Cerca de uma em cada dez pessoas é canhota; estudos mostram que dezenas de regiões do DNA estão associadas à preferência pela mão esquerda, mas fatores ambientais também influenciam


Por que algumas pessoas escrevem, comem ou arremessam uma bola naturalmente com a mão esquerda, enquanto outras preferem a direita? Embora pareça uma característica simples do cotidiano, a preferência por uma das mãos é resultado de um processo muito mais complexo. A ciência já sabe que a genética tem participação importante nessa característica, mas não existe um único “gene do canhoto”.

Uma meta-análise publicada na revista científica Psychological Bulletin, que reuniu dados de diferentes populações, estimou em 10,6% a prevalência média de canhotos. A proporção pode variar de acordo com a população estudada e, principalmente, com a forma utilizada para avaliar a preferência manual.

A influência genética também foi investigada em um dos maiores estudos já realizados sobre o tema. Publicada na Nature Human Behaviour, a pesquisa analisou dados genéticos de mais de 1,7 milhão de pessoas e identificou 41 regiões do genoma associadas à canhotice, além de outras sete relacionadas à ambidestria. Os resultados reforçam que a preferência manual é uma característica poligênica, ou seja, influenciada pela ação conjunta de diferentes variantes genéticas.

Os pesquisadores também encontraram associações entre algumas dessas regiões genéticas e mecanismos relacionados ao desenvolvimento e funcionamento do sistema nervoso, ajudando a compreender a relação entre genética, cérebro e preferência manual.

“A lateralidade é uma característica complexa e não pode ser explicada por um único gene. A genética tem um papel importante, mas diferentes variantes podem contribuir para essa característica, em conjunto com fatores relacionados ao desenvolvimento e ao ambiente”, explica Ricardo Di Lazzaro, médico, doutor em genética e fundador da Genera, marca da Dasa.


Ter pais canhotos aumenta a chance de o filho também ser?

A resposta é sim, mas não significa que uma criança de pais canhotos necessariamente será canhota. A preferência pela mão esquerda pode aparecer com maior frequência em algumas famílias justamente porque existe uma componente genética envolvida.

Como a característica é poligênica, porém, não há um padrão simples de herança. Em vez de um único gene determinar o resultado, diferentes variantes genéticas podem contribuir para aumentar ou diminuir a probabilidade de uma pessoa desenvolver preferência por uma das mãos.


O ambiente também pode influenciar

A genética não conta toda a história. Fatores ambientais, culturais e relacionados ao desenvolvimento também podem influenciar a forma como a preferência manual se manifesta.

Durante muito tempo, crianças canhotas foram incentivadas — e, em alguns casos, obrigadas  a utilizar a mão direita para escrever ou realizar determinadas atividades. Esse tipo de pressão cultural pode inclusive interferir na identificação da lateralidade em estudos populacionais.

O próprio ambiente cotidiano também é predominantemente pensado para destros. Tesouras, carteiras escolares, instrumentos musicais e outros objetos podem exigir adaptações de quem utiliza a mão esquerda.

Pesquisas também investigam a influência de fatores presentes ainda durante a gestação e o desenvolvimento fetal. No entanto, esses elementos não devem ser interpretados isoladamente: a preferência manual resulta da combinação de múltiplos fatores, e nenhum deles, sozinho, determina se uma pessoa será canhota ou destra.


O que o DNA revela sobre ser canhoto?

Estudar a lateralidade ajuda a entender um aspecto importante da genética humana: características do nosso cotidiano podem ter uma arquitetura biológica muito mais complexa do que aparentam.

A identificação de dezenas de regiões genéticas associadas à canhotice mostra que o DNA pode contribuir para características relacionadas ao desenvolvimento e ao funcionamento do organismo sem que exista uma relação simples de causa e efeito.

“Quando falamos sobre genética, é importante fugir da ideia de que existe um único gene responsável por cada característica. Ser canhoto não é resultado de um único fator: diferentes variantes genéticas participam desse processo, em combinação com aspectos do desenvolvimento e do ambiente. É justamente essa interação que torna a lateralidade um exemplo tão interessante da complexidade da genética”, finaliza Di Lazzaro.

 

Referências:

https://www.nature.com/articles/s41562-020-00956-y

https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7116623/

 

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