Alguns pequenos ajustes podem ajudar a superar os desafios e
proporcionar mais bem-estar para a mãe e o bebê
As mães de primeira viagem lidam, além da apreensão natural, com a
responsabilidade de cuidar de um recém-nascido e de redobrar a atenção com a
própria saúde. Nesse período, muitas dúvidas surgem: como posicionar o bebê
para amamentar corretamente? Com que frequência ele deve mamar? Quanto tempo
deve durar uma mamada?
A amamentação está entre as principais preocupações
do período pós-parto, já que o leite materno é o alimento ideal para o bebê nos
primeiros meses de vida. Sempre que possível, recomenda-se que o recém-nascido
seja colocado para mamar na primeira hora após o nascimento, favorecendo o
contato pele a pele e o início da amamentação. O Ministério da Saúde recomenda
o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida. Nesse período, não
há necessidade de oferecer água, chás, sucos ou outros alimentos ao bebê, salvo
situações específicas orientadas por profissionais de saúde. A recomendação é
manter a amamentação até os dois anos de idade ou mais, complementada pela
alimentação adequada a partir dos seis meses.
Para tornar esse momento mais confortável e favorecer
uma boa pega, alguns cuidados podem fazer diferença. A Dra. Ana Claudia,
pediatra do dr.consulta, explica a importância da amamentação e dá sete dicas
para ajudar mães e bebês nesse processo. Confira:
1. Escolha uma posição confortável
Antes de pensar na posição do bebê, é importante que
a mãe esteja confortável. Ombros relaxados, coluna apoiada, sem tensão nos
braços. Isso pode ser feito sentada, inclinada ou deitada, não existe uma única
posição “correta”, e sim a que funciona melhor para cada mãe e cada momento do
dia. Usar uma almofada de amamentação ou apoiar os pés em um banquinho pode
ajudar a manter essa postura por mais tempo sem cansaço.
2. Posicione o bebê corretamente
Após garantir que a mãe esteja confortável, é
importante ajustar o corpo do bebê, mantendo a cabeça e o tronco alinhados sem
torcer o pescoço para alcançar o peito. Na posição de barriga com barriga, o
bebê fica de frente para a mãe, com a barriga voltada para o corpo dela e não
olhando para o teto, permanecendo bem próximo para facilitar a pega. Os braços
do bebê devem ficar livres para que ele consiga abraçar a mama sem ficar
enroscado, e a cabeça deve estar sem pressão, com apoio leve na altura do
pescoço e ombros, evitando segurá-la com força durante a mamada.
3. Espere os sinais de fome antes de oferecer o peito
A amamentação deve ocorrer em livre demanda, ou seja,
sempre que o bebê apresentar sinais de fome. Alguns sinais precoces são abrir a
boca, mexer a cabeça procurando a mama, colocar as mãos na boca, fazer
movimentos de sucção ou ficar mais agitado. O choro costuma ser um sinal mais
tardio de fome. Perceber os sinais iniciais pode facilitar o início da mamada,
pois o bebê ainda está mais calmo e tende a realizar a pega com maior
facilidade.
4. Aguarde a boca bem aberta antes da pega
Com o bebê posicionado e mostrando interesse,
aproxime-o do peito e espere a boca abrir bem, como um bocejo antes de
encaixá-lo na mama. Uma pega feita com a boca pouco aberta costuma resultar em
dor e em uma mamada menos eficiente.
5. Confira se a pega está correta
Após o bebê pegar o peito, sinais de uma pega
adequada incluem mais aréola visível acima da boca do que abaixo, boca bem
aberta abocanhando o mamilo e parte da aréola, lábio inferior virado para fora,
queixo encostado na mama e cabeça levemente inclinada para trás. Se esses
critérios forem atendidos, a mamada costuma ser indolor após os primeiros
segundos; dores persistentes durante toda a mamada indicam que é importante
reposicionar o bebê e tentar novamente.
6. Amamente com a frequência adequada
Nas primeiras semanas de vida, muitos recém-nascidos
mamam 8 vezes ou mais em 24 horas, embora a frequência possa variar de acordo
com cada bebê. Não é necessário estabelecer um tempo rígido para cada mamada. O
ideal é observar os sinais do bebê e permitir que ele mame até demonstrar que
está satisfeito, soltando espontaneamente a mama. A frequência adequada das
mamadas é importante para favorecer uma boa ingestão de leite, auxiliar na recuperação
do peso após o nascimento e reduzir o risco de ingestão insuficiente, que pode
contribuir para desidratação e piora da icterícia em alguns recém-nascidos.
7. Aproveite o contato pele a pele
Sempre que possível, faça o contato pele a pele com o
bebê, principalmente logo após o nascimento e nos primeiros dias. Essa prática
ajuda a regular a temperatura e o açúcar no sangue do recém-nascido, além de
facilitar o início e a continuidade da amamentação.
Quando procurar ajuda
Algumas situações indicam que é importante buscar orientação
profissional. Entre elas estão:
- dor persistente durante as mamadas;
- fissuras ou sangramento nos mamilos;
- dificuldade frequente para o bebê realizar a pega;
- mamadas muito prolongadas ou aparentemente pouco eficazes;
- bebê muito sonolento ou com dificuldade para despertar para
mamar;
- dúvidas sobre ganho de peso;
- redução importante do número de mamadas ou de eliminações;
- insegurança da mãe em relação à quantidade de leite ingerida
pelo bebê.
Nessas situações, o pediatra, o obstetra ou um profissional
capacitado em aleitamento materno pode avaliar a mãe e o bebê e,
principalmente, observar uma mamada, identificando com mais precisão o que pode
ser ajustado.
“Amamentar é um processo de aprendizado para a mãe e
para o bebê. Nem sempre tudo acontece de forma intuitiva ou fácil desde o
primeiro dia. Observar os sinais do bebê, ajustar a posição e a pega e procurar
ajuda quando necessário pode tornar esse momento mais tranquilo e prazeroso
para os dois”,* conclui a Dra. Ana Claudia.
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