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sexta-feira, 5 de junho de 2026

Memorial da América Latina – 20 e 21 de junho

 Com entrada gratuita, a Festa Junina do Memorial terá Festival de Sopas e pela primeira vez: feira de adoção 


Promovido pela Art Shine, o evento tem expectativa em receber 80 mil pessoas e previsão de consumo de 5 toneladas de derivados de milho 

 

A Art Shine Promoções e Eventos realiza nos dias 20 e 21 de junho, sábado e domingo, das 11h às 21h, no Memorial da América Latina – Barra Funda, SP, com entrada gratuita, a tradicional Festa Junina do Memorial. O evento acontece no fim de semana da chegada do inverno, conta com 80 tendas e food trucks de comida e bebida típica junina, Festival de Sopas e Caldos , 13 horas de shows, apresentações artísticas e de duas quadrilhas juninas, área kids, e, também, acontece pela primeira vez: feira de adoção de cães e gatos com a ONG Vira Lata Club.

 

A Festa Junina do Memorial terá mais de 50 pratos típicos juninos, delícias tradicionais como pamonhas (em versões doce, salgada, com queijo, coco e romeu e julieta), curau, milho no prato e espiga, canjica, arroz doce, mungunzá, bolos, paçocas, broas, maçã do amor e uma diversidade de pastéis juninos, doces e gourmet. Destaques para receita com milho: sorvete, pudim, cocada, brigadeiro, brownie e tiramisu.

 

Festival de Sopas e Caldos

Com mais de 20 opções entre receitas tradicionais e receitas inusitadas, o festival terá opções a partir de R$ 35, incluindo sopas, caldos e cremes veganos e vegetarianos, além de versões servidas no pão italiano. Entre os destaques estão os já consagrados caldo verde, canja de galinha, caldo de feijão, creme de mandioquinha e o capeletti in brodo. 

 

 

Números Festa Junina do Memorial


A tradicional Festa Junina do Memorial da América Latina promete bater mais recordes em 2026, com expectativa de público de 80 mil pessoas ao longo dos dois dias do evento. Serão mais de 200 artistas se apresentando em uma programação artística diversificada de 13 horas.

 

A gastronomia típica também impressiona: devem ser consumidas cerca de 5 toneladas de derivados de milho. Além de movimentar o calendário cultural da cidade, a festa gera impacto direto na economia, com cerca de 80 expositores em tendas e food trucks e a abertura de 800 postos de trabalho temporários entre limpeza, produção, área artística e expositores.

 

A organização prevê um crescimento de 20% no faturamento em relação à edição de 2025, consolidando o evento como um dos maiores do gênero em São Paulo. ““Há 15 anos realizamos um dos maiores arraiais do estado, em um dos principais cartões-postais da capital paulista. Buscamos sempre ampliar as experiências e atrações oferecidas, para atender cada vez melhor todos os públicos,” destaca Márcio Alvarez, CEO da ArtShine Promoções e Eventos.

 

Feira de Adoção de Cães e Gatos 


Será realizado pela primeira vez em parceria com a ONG Vira Lata Club, que desenvolve um importante trabalho de resgate, reabilitação e adoção responsável de animais em situação de abandono e maus-tratos. A ação tem como objetivo incentivar a adoção consciente e proporcionar uma nova chance para cães e gatos que aguardam por um lar cheio de amor e cuidado. 

 

As adoções serão gratuitas, e o público também poderá colaborar com doações de ração e medicamentos para apoiar o trabalho realizado pela ONG. Mais informações da ONG: aqui

 

Programação Cultural:

 

Sábado - 20 de junho

12h30

Pisa Mansinho

14h15

IDM

15h15 

Manoela Mello 

17h

Quadrilha Nova Era

18h15 

IDM

19h15

Calango Brabo 

Domingo - 21 de junho

12h30

Daniel Costa

14h45 

Planeta Plim

16h

Knoa

17h45 

Quadrilha Elegance

19h45 

Maria Sol

 

 

Serviço:

Festa Junina do Memorial da América Latina + Festival de Sopas e Cremes e Feira de Adoção de Cães e Gatos 

Data: 20 e 21 de Junho (sábado e domingo)

Horário: 11h às 21h

Local: Memorial da América Latina - Avenida Mário de Andrade, 664 Portões 8, 9 e 13 - Barra Funda

Como chegar: Ao lado do metrô Barra Funda 

Entrada Gratuita

Festa Junina Pet Friendly 

Estacionamentos terceirizados: portões 8 e 15

Bicicletário: portão 9

Instagram: @artshine



Pesquisa identifica quatro subtipos com origens genéticas para o autismo


Estágio da disfunção genética determina extensão do dano neurológico — e o tempo perdido na intervenção não tem retorno, diz especialista


Um estudo recente publicado na revista científica Nature Genetics desafia essa visão: ao cruzar dados clínicos e genéticos de mais de 5 mil crianças com autismo, pesquisadores identificaram quatro perfis clínico-genéticos recorrentes do Transtorno do Espectro Autista (TEA), cada um com comportamentos, trajetórias de desenvolvimento e bases genéticas próprias. Os autores ressaltam que os achados representam padrões consistentes observados na população estudada — e não uma nova classificação oficial do TEA.
 

Os quatro perfis identificados pelo estudo:

  • Social/Comportamental (37%): crianças com dificuldades marcantes em comunicação social e comportamentos repetitivos, com alta incidência de TDAH, ansiedade e depressão. As variantes genéticas associadas a esse perfil estão relacionadas a genes com maior expressão na fase pós-natal.
  • Desafios Moderados (34%): perfil com sintomas autistas presentes, mas de menor severidade geral. Associado a variantes genéticas raras em genes de menor restrição evolutiva.
  • TEA Misto com Atraso de Desenvolvimento (19%): crianças com atrasos significativos em marcos como fala e marcha, diagnóstico mais precoce e forte presença de variantes genéticas herdadas. Os genes relacionados a esse perfil apresentam maior expressão na fase fetal.
  • Amplamente Afetado (10%): maior comprometimento global, com alta concentração de mutações genéticas de novo e alto impacto. Inclui maior incidência de deficiência intelectual e diagnósticos associados como a síndrome do X frágil. 

Os padrões foram replicados em uma segunda coorte independente, com alta correlação, o que confere solidez aos achados. 

Para o Dr. Tarcizio Brito, neuropediatra da Dasa e coordenador da Clínica TEA do Delboni e Lavoisier, marcas da Dasa, líder em medicina diagnóstica no Brasil, o estudo confirma o que especialistas experientes já percebem na prática clínica — mas agora com evidência científica robusta. 

“Duas crianças com diagnóstico de autismo podem ser completamente diferentes entre si. Esse estudo mostra que essas diferenças não são aleatórias: elas têm uma base genética e um padrão reconhecível. Isso muda a forma como pensamos o diagnóstico e o tratamento”, afirma o especialista. 

Outro achado relevante do estudo é que o timing genético importa: crianças do perfil com maior atraso de desenvolvimento carregam variantes em genes relacionados ao neurodesenvolvimento com maior expressão na fase fetal. Isso explicaria por que o diagnóstico nesse grupo chega mais cedo e os marcos de desenvolvimento, como falar e andar, demoram mais. 

“Quando a disfunção genética acontece nos estágios mais precoces da formação cerebral, o impacto tende a ser mais amplo. Isso reforça algo que já sabemos: quanto mais cedo a intervenção, melhor. Cada janela terapêutica perdida é tempo que não recuperamos”, reforça o Dr. Tarcizio Brito.
 

Diagnóstico e cuidado integrado

O diagnóstico do TEA permanece essencialmente clínico — não existe exame isolado que o confirme. O processo é multidisciplinar e envolve escalas padronizadas como o ADOS-2, avaliação neuropsicológica e, em casos com atrasos no desenvolvimento ou histórico familiar, exames complementares como o sequenciamento de exoma, que podem ajudar a identificar variantes genéticas associadas ao quadro, mas não substituem a avaliação clínica.

O acompanhamento depois do diagnóstico é igualmente complexo. Neuropediatras, psicólogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais precisam atuar em conjunto, compartilhando informações e ajustando condutas à medida que a criança se desenvolve. 

Atualmente, existem espaços especializados que fazem esse trabalho de forma integrada. É o caso da Clínica TEA, presente nas unidades Lavoisier e Delboni, e do Espaço TEA, no Alta Diagnósticos — estruturas que reúnem especialistas e oferecem, além do atendimento clínico, suporte às famílias e orientação para o ambiente escolar. 

“O diagnóstico não é uma etiqueta, ele é o começo de uma jornada de compreensão. Nossa responsabilidade é acolher a família, explicar o que aquilo significa e já começar a construir um plano de cuidado individualizado”, explica o Dr. Tarcizio Brito. 

Saber o perfil clínico-genético de uma criança pode orientar quais intervenções têm mais chance de contribuir e em qual momento agir com mais urgência. Por ora, o que a ciência já confirma é que quanto mais cedo o diagnóstico e mais completo o suporte, maiores as chances de uma trajetória de desenvolvimento mais rica. Para as famílias, isso significa uma coisa simples: na dúvida, não espere.

 

Referência:

1 - Litman, A. et al. Decomposition of phenotypic heterogeneity in autism reveals underlying genetic programs. Nature Genetics, v. 57, n. 7, p. 1611–1619, 2025.

 

O Alerta do Sarampo em Épocas de Celebração - Copa, férias e festas juninas: aumento da circulação acende alerta para vacinação contra o sarampo


O sarampo é uma doença viral aguda, extremamente contagiosa e potencialmente letal. Embora já tenha sido considerada erradicada no Brasil no passado, a perigosa queda nas taxas de imunização trouxe essa ameaça de volta ao radar das autoridades de saúde pública. É um grande equívoco, no entanto, acreditar que essa é apenas uma "doença de criança". Na realidade, a infecção pelo vírus do sarampo em adultos costuma ser consideravelmente mais grave. As complicações severas — que incluem pneumonia grave, inflamação no cérebro (encefalite) e danos neurológicos — têm uma incidência muito maior na população adulta, elevando drasticamente o risco de internações prolongadas e até mesmo de óbitos.

Esse cenário de risco torna-se ainda mais crítico quando analisamos o comportamento da população em épocas de grande mobilidade. Períodos que combinam grandes eventos como a Copa do Mundo, as férias escolares e as tradicionais Festas Juninas compartilham uma característica fundamental para o vírus: a intensa aglomeração de pessoas. A relação entre esses eventos e o aumento dos casos é direta. Há uma circulação maciça de turistas domésticos e internacionais, conectando pessoas de regiões onde o vírus ainda circula ativamente com populações locais. Em ambientes festivos — onde o contato físico é constante, as pessoas cantam, celebram e compartilham espaços reduzidos —, cria-se o cenário perfeito para a disseminação da doença. Onde há multidão, o perigo se multiplica exponencialmente.

Esse poder explosivo de infecção ocorre porque o vírus do sarampo é um dos patógenos mais transmissíveis conhecidos pela medicina. Estima-se que uma única pessoa infectada seja capaz de transmitir a doença para até 18 pessoas não imunizadas ao seu redor. O contágio se dá de forma muito fácil e direta, por meio de secreções respiratórias expelidas ao tossir, espirrar, falar ou simplesmente rir próximo a alguém. Além disso, o vírus possui a impressionante capacidade de permanecer suspenso no ar, em formato de aerossóis, por até duas horas após o indivíduo doente ter deixado um ambiente fechado.

Diante de uma capacidade de transmissão tão agressiva, a vacinação desponta não apenas como uma escolha pessoal, mas como um escudo coletivo vital. A vacina Tríplice Viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola) ou a Tetraviral (que inclui a varicela) são as únicas formas seguras e verdadeiramente eficazes de prevenção. Quando uma grande parcela da população está vacinada, forma-se a chamada "imunidade de rebanho", uma barreira invisível que impede o vírus de encontrar novos hospedeiros e protege, de forma indireta, os mais vulneráveis, como bebês menores de seis meses e pessoas com o sistema imunológico comprometido que não podem receber o imunizante.

Para curtir o clima vibrante da Copa do Mundo, as danças das Festas Juninas e as tão aguardadas viagens de férias com segurança, a prevenção deve andar lado a lado com a diversão. A regra de ouro é checar e atualizar a caderneta de vacinação com as doses adequadas para a sua faixa etária antes de frequentar qualquer evento de grande porte.

Aliado à vacina, é fundamental manter a higiene frequente das mãos com água e sabão ou álcool em gel, adotar a etiqueta respiratória ao tossir ou espirrar (cobrindo o rosto com o antebraço) e garantir a boa ventilação dos espaços compartilhados. Caso surjam sintomas sugestivos, como febre, tosse, olhos avermelhados, coriza e as características manchas vermelhas pelo corpo, a orientação é evitar qualquer aglomeração, isolar-se imediatamente e buscar atendimento médico.

Apesar de o cenário exigir atenção, não há motivo para pânico. A ciência já nos forneceu a ferramenta mais poderosa e segura para neutralizar essa ameaça, e ela está disponível gratuitamente nos postos de saúde. Adotar essas boas práticas preventivas é, antes de tudo, um ato de amor e responsabilidade compartilhada. Ao manter a sua vacinação em dia e cultivar hábitos simples de higiene no seu cotidiano, você constrói uma barreira sólida contra o vírus. O convite é simples, mas essencial: abrace o cuidado preventivo, proteja a si mesmo e a quem você ama, e garanta que as memórias dos grandes eventos e das férias sejam marcadas apenas por alegria, celebração e muita saúde!


Dr. Anderson Dias Cezar, Biólogo – Parasitologista e Coordenador de Pós-graduação da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio


Teste do pezinho pode identificar doenças graves ainda nos primeiros dias de vida

Realizado entre o 3º e o 5º dia de vida, teste é fundamental para o diagnóstico precoce de doenças que podem comprometer o desenvolvimento infantil

 

Todos os anos, cerca de 2,4 milhões de recém-nascidos realizam o teste do pezinho pelo Sistema Único de Saúde (SUS), tornando a triagem neonatal uma das principais ferramentas de prevenção e diagnóstico precoce da saúde infantil no Brasil. Celebrado em 6 de junho, o Dia Nacional do Teste do Pezinho chama a atenção para a importância desse exame simples, capaz de identificar doenças graves ainda nos primeiros dias de vida e permitir o início rápido do tratamento, antes mesmo do surgimento dos sintomas. 

Feito a partir da coleta de algumas gotas de sangue do calcanhar do bebê, o teste do pezinho é responsável por rastrear doenças genéticas, metabólicas, endocrinológicas e hematológicas que, quando não diagnosticadas precocemente, podem causar deficiência intelectual, atrasos no desenvolvimento, comprometimentos neurológicos e outras sequelas permanentes. 

"Muitas das doenças investigadas pela triagem neonatal são silenciosas nos primeiros meses de vida. Quando o diagnóstico é feito precocemente, é possível iniciar intervenções capazes de evitar complicações e garantir uma melhor qualidade de vida para a criança", explica a doutora Maria Gabriela de Lucca Oliveira, patologista clínica do DB Diagnósticos. 

Entre as condições que podem ser identificadas estão a fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, fibrose cística, deficiência de biotinidase, hiperplasia adrenal congênita e a doença falciforme. Em muitos casos, medidas como acompanhamento médico especializado, uso de medicamentos ou adaptações na alimentação são suficientes para impedir a progressão da doença e preservar o desenvolvimento saudável da criança. 

De acordo com especialistas, um dos principais benefícios do teste do pezinho é a possibilidade de agir antes que a doença provoque danos irreversíveis ao organismo. Isso porque diversas condições rastreadas pelo exame apresentam evolução silenciosa nos primeiros meses de vida, dificultando sua identificação apenas por sinais clínicos. 

Além dos benefícios para a saúde da criança, o diagnóstico precoce também contribui para reduzir internações, complicações médicas e a necessidade de tratamentos mais complexos ao longo da vida. "O teste do pezinho é um dos primeiros cuidados preventivos oferecidos ao recém-nascido e representa uma oportunidade valiosa para identificar doenças que poderiam passar despercebidas até que os sintomas se manifestem. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores são as chances de um desenvolvimento pleno", destaca a médica. 

Para garantir a eficácia da triagem neonatal, a recomendação é que o exame seja realizado preferencialmente entre o terceiro e o quinto dia após o nascimento. Esse período é considerado o mais adequado para detectar alterações metabólicas e genéticas de forma segura e precisa. 

Nos últimos anos, o debate sobre a importância da triagem neonatal ganhou ainda mais força com a ampliação gradual do número de doenças contempladas pelo Programa Nacional de Triagem Neonatal. A medida amplia as possibilidades de diagnóstico precoce e reforça o papel do exame como uma importante estratégia de promoção da saúde infantil. 

Neste Dia Nacional do Teste do Pezinho, especialistas reforçam a importância de que pais e responsáveis estejam atentos à realização do exame dentro do prazo recomendado. Um procedimento rápido e simples, mas que pode fazer toda a diferença para a saúde e o futuro da criança.
 

DB Diagnósticos


Avanço contra o câncer de pâncreas pode abrir caminho para novas terapias em diferentes tipos de tumor

 

Descoberta reforça o potencial da via RAS como alvo terapêutico e amplia perspectivas para cânceres de pulmão, intestino e outros tumores associados à mutação
 

Os resultados do estudo de fase 3 RASolute-302, apresentados na reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco), em Chicago, e publicados no periódico The New England Journal of Medicine, chamaram atenção pelos benefícios observados em pacientes com câncer de pâncreas avançado.


Para o oncologista Thiago Branco, do INCA e conteúdista da Afya, o principal legado da descoberta pode estar além dessa doença: a validação da via RAS como alvo terapêutico abre novas perspectivas para o desenvolvimento de tratamentos voltados a diferentes tipos de câncer que compartilham o mesmo mecanismo molecular. 

O estudo foi realizado com cerca de 500 pacientes da América do Norte, Europa e Ásia, divididos entre tratamento padrão com quimioterapia e o uso do daraxonrasibe, terapia desenvolvida para atuar contra mutações da via RAS presentes em mais de 90% dos casos de adenocarcinoma ductal pancreático. Os resultados reforçam uma hipótese perseguida há décadas pela oncologia: a possibilidade de bloquear de forma eficaz um dos principais mecanismos responsáveis pelo crescimento de diversos tumores. 

"No início dos anos 2000, o tratamento para o câncer de pâncreas oferecia uma expectativa de vida bastante limitada. Embora os resultados observados no estudo representem um avanço importante para esses pacientes, o aspecto mais relevante é que eles demonstram ser possível atuar diretamente sobre uma via biológica que, por muitos anos, foi considerada um dos maiores desafios da oncologia molecular", afirma Thiago Branco. 

O interesse em torno da descoberta está relacionado ao papel da via RAS no
desenvolvimento do câncer. Esse mecanismo funciona como um regulador do crescimento celular e, quando sofre mutações, pode permanecer ativado de forma contínua, estimulando a multiplicação descontrolada das células tumorais. Durante décadas, essa alteração foi considerada um alvo difícil de ser explorado terapeuticamente. 

Embora o câncer de pâncreas tenha sido o primeiro grande campo de teste para essa estratégia, Thiago Branco destaca que o potencial da descoberta vai muito além da doença.

Alterações na via RAS estão presentes em aproximadamente 20% de todos os tumores humanos. 

As estimativas indicam que mutações nessa via estão presentes em cerca de 45% a 50% dos casos de câncer colorretal, em 30% a 35% dos cânceres de pulmão, além de parte dos tumores urogenitais e de alguns tumores do sistema nervoso central. Na avaliação do especialista, a validação desse mecanismo representa um passo importante para o desenvolvimento de futuras terapias direcionadas.  

"Ao demonstrar que a via RAS pode ser um alvo terapêutico viável, o estudo abre caminho para novas pesquisas em diferentes tipos de câncer que compartilham essa mesma alteração molecular. Isso não significa que os mesmos resultados serão observados automaticamente em outros tumores, mas amplia as possibilidades de desenvolvimento de tratamentos mais direcionados e potencialmente mais eficazes para esses pacientes", explica. 

Atualmente, diferentes estudos clínicos já investigam terapias baseadas nesse mecanismo, tanto de forma isolada quanto em combinação com outros tratamentos. A expectativa é compreender melhor como essa estratégia pode ampliar os benefícios clínicos observados até agora e contribuir para o avanço da medicina de precisão em diferentes tipos de câncer. 



Afya
www.afya.com.br
ir.afya.com.br


Projeções do El Niño para 2026 reforçam necessidade de prevenção contínua contra a dengue

Mudanças climáticas e aumento das temperaturas favorecem a proliferação do mosquito e exigem atenção redobrada dentro de casa 


As recentes projeções do NOAA Climate Prediction Center (NOAA CPC), órgão americano de referência em previsões climáticas, colocam o El Niño no centro das atenções para 2026. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico equatorial, impacta diretamente o clima global, elevando as temperaturas e alterando os padrões de chuva em diversas regiões. 

Segundo o boletim, as condições neutras ainda predominam no oceano, mas a transição para o El Niño é considerada provável entre maio e julho, com 61% de chance. Para o fim de 2026, a probabilidade de ocorrência de algum nível do fenômeno ultrapassa 90%. 

O cenário reforça a importância da prevenção contra a dengue no Brasil, visto que o aumento das temperaturas e chuvas contribuem para a proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da Dengue, além de outras arboviroses como zika e chikungunya.  

De acordo com a médica infectologista Dra. Rosana Richtmann, Diretora da Comissão de Controle de Infecções (CCI) do Hospital e Maternidade Santa Joana, em São Paulo, o cenário climático exige atenção contínua da população. “Essa mudança nas condições climáticas acelera o ciclo de vida do mosquito, enquanto as mudanças no regime de chuvas favorecem o surgimento de criadouros. Por isso, a prevenção precisa ser constante, especialmente dentro de casa, onde ocorre a maior parte das transmissões”, explica a especialista. 

O papel da proteção doméstica ganha ainda mais relevância. Como marca referência em cuidado e proteção contra insetos, SBP reforça seu compromisso com a prevenção, oferecendo soluções eficazes que ajudam a manter os lares protegidos contra mosquitos, incluindo o Aedes aegypti. 

“Sabemos que o combate à dengue começa dentro de casa. Por isso, investimos continuamente em inovação para oferecer produtos eficazes que atuam como aliados no dia a dia das famílias brasileiras, contribuindo para um ambiente mais seguro e protegido”, afirma Letícia Pires, Head de Pest Control. 

Além do uso de inseticidas e repelentes, a médica alerta sobre a importância de medidas complementares, como eliminar água parada, manter caixas d’água fechadas e higienizar recipientes que possam acumular água. 

Com a possível intensificação do El Niño nos próximos meses, a atenção à prevenção deve ser redobrada. “A combinação entre conscientização, hábitos preventivos e o uso de soluções efetivas é essencial para reduzir os impactos da dengue no país”, reforça Richtmann.


SBP


Brasil ultrapassa 15 milhões de corredores: veja os cuidados antes de começar

Com o crescimento do esporte no país, médicos reforçam a importância de avaliação prévia, hidratação e progressão gradual nos treinos

 

A corrida de rua nunca esteve tão em alta no Brasil. Em 2025, o país ultrapassou a marca de 15 milhões de corredores, com crescimento de 15% em relação ao ano anterior, segundo a pesquisa “Por Dentro do Corre”, realizada pela consultoria Box1824 a pedido da Olympikus. O levantamento mostra ainda que a corrida já é o quarto esporte mais praticado pelos brasileiros, atrás apenas da caminhada, musculação e futebol. 

Mais do que um fenômeno esportivo, a corrida se consolidou como uma prática ligada ao bem-estar físico e emocional. Segundo o estudo, 47% das pessoas começaram a correr em busca de melhora na saúde física, enquanto 34% procuraram o esporte como aliado da saúde mental. 

O crescimento também mudou o perfil dos corredores. As mulheres passaram de 42% para 50% dos praticantes em apenas um ano. Já entre os jovens de 18 a 24 anos, a participação saltou de 12% para 20%.

Mas, em meio ao aumento acelerado de novos adeptos, especialistas alertam que começar a correr sem preparo adequado pode aumentar o risco de lesões, sobrecarga muscular e até complicações cardiovasculares. 

Para o cardiologista Pedro Henrique Pedruzzi Segato, disponível na Doctoralia, maior plataforma de saúde do país, um dos principais erros dos iniciantes é subestimar a exigência física da corrida. “A corrida é uma atividade extremamente benéfica para a saúde cardiovascular e mental, mas exige preparo. Antes de iniciar, é importante realizar uma avaliação médica com exame físico e exames básicos, como eletrocardiograma e teste ergométrico”, explica. 

Alguns sintomas durante os treinos ou provas merecem atenção imediata. “Dor no peito, tontura, desmaios, fadiga excessiva ou um cansaço desproporcional podem ser sinais de alerta para doenças cardiovasculares. Principalmente em pessoas com fatores de risco ou doenças pré-existentes, esses sintomas nunca devem ser ignorados”, alerta o especialista. 

Além da avaliação médica, p Dr. Pedro Henrique orienta que uma boa hidratação, noites adequadas de sono e alimentação rica em carboidratos nos dias que antecedem a prova são fundamentais. “Também é importante manter treinos regulares e, sempre que possível, contar com acompanhamento profissional”, orienta o cardiologista. 

O ortopedista Luiz Muller Avila, também disponível na Doctoralia, destaca que a evolução nos treinos deve ser gradual. “O preparo para uma corrida exige tempo e paciência. A progressão de distância, velocidade e tempo de treino deve acontecer aos poucos. Muitas lesões em corredores amadores acontecem justamente pelo aumento inadequado da carga”, afirma. 

Joelhos, tornozelos, pés e “canelas” concentram as principais queixas dos corredores iniciantes. “As lesões mais comuns costumam envolver sobrecarga óssea, tendões e ligamentos. Exercícios de fortalecimento muscular ajudam muito na proteção das articulações e na prevenção de dores”, explica.

Os especialistas também fazem um alerta importante para o dia da prova: improvisos podem comprometer o desempenho e a saúde. “O dia da corrida não é momento para testar um tênis novo, roupas diferentes ou mudanças radicais na alimentação. O ideal é manter aquilo que o corpo já está acostumado durante os treinos”, reforça Luiz Muller Avila. 

Após a prova, os cuidados continuam fundamentais. Hidratação, reposição nutricional adequada e descanso ajudam na recuperação muscular e evitam complicações. “Água, isotônicos, refeições leves com carboidratos e proteínas, além de uma boa noite de sono, fazem parte da recuperação do organismo após a corrida”, finaliza o ortopedista. 



Doctoralia

Grupo Docplanner

Menstruar não deveria ser um luxo: a urgência da dignidade menstrual no Brasil

Dra. Aline Marques, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade Santa Joana

 

Menstruar ainda é, para milhões de brasileiras, uma experiência atravessada por privação. No consultório, a queixa costuma chegar como cólica, irregularidade do ciclo, fluxo intenso. Mas, por trás do relato clínico, existe um tema que permanece pouco dito e que merece ser tratado com a centralidade que exige: a possibilidade de atravessar o período menstrual com o mínimo de dignidade. A chamada pobreza menstrual não se resume à falta de absorventes. Ela inclui a ausência de água encanada, de banheiros seguros e de informação capaz de reduzir medo, vergonha e desinformação, especialmente entre meninas.

O impacto dessa realidade aparece primeiro no corpo. Sem produtos de higiene adequados e sem condições básicas de limpeza, aumentam os riscos de infecções urogenitais, irritações e complicações que poderiam ser evitadas. Mas a consequência não é apenas física, ela atravessa o bem-estar emocional e social. A literatura científica tem apontado de forma consistente o peso psicossocial da falta de infraestrutura: a insegurança para trocar um absorvente, o constrangimento de manchar a roupa, a sensação de estar “suja” ou inadequada por algo absolutamente fisiológico. Estudos publicados em periódicos como PLOS Medicine e The Lancet associam a precariedade das condições menstruais a estresse, ansiedade e perda de bem-estar, sobretudo em contextos de vulnerabilidade.

O resultado é uma exclusão que costuma passar despercebida. Meninas faltam à escola; mulheres faltam ao trabalho. No Brasil, essa interrupção não é pontual: ela reforça um ciclo de desigualdade que começa cedo e se prolonga na vida adulta. Em cenários extremos, ainda se encontram improvisos como pano, papel e outros materiais inadequados, não como escolha, mas como falta de alternativa. Além de colocar a saúde em risco, isso corrói a autoestima e aprofunda a ideia de que menstruar é algo que deve ser escondido, suportado em silêncio.

Nos últimos anos, o país deu passos importantes ao iniciar políticas de distribuição gratuita de absorventes para pessoas em situação de vulnerabilidade, reconhecendo que o acesso a itens de higiene menstrual é uma questão de saúde pública. Ainda assim, a efetividade dessas políticas depende de continuidade, logística eficiente e alcance real em comunidades vulneráveis. A própria literatura médica, incluindo definições e análises reunidas no BMJ Global Health, é clara ao afirmar que o problema não se resolve apenas com o produto. Dignidade menstrual exige um pacote mais amplo: educação em saúde para que a primeira menstruação não seja um trauma, mas parte do processo de crescer, saneamento básico, porque água e sanitários são elementos elementares de saúde, e combate direto ao estigma que transforma a menstruação em sinônimo de sujeira.

Há um fio que liga a saúde menstrual à autonomia. Assim como o Brasil discute o acesso e a qualidade do pré-natal e da assistência obstétrica, temas frequentemente analisados na saúde pública, a construção desse cuidado começa muito antes: na adolescência, quando a menina aprende a reconhecer seu corpo, compreender seus ciclos e desenvolver segurança para buscar orientação e direitos. Se o país falha em proteger a menina que menstrua hoje, falha com a mulher que precisa estudar, trabalhar e decidir sobre sua vida amanhã.

Enfrentar a pobreza menstrual, portanto, é mais do que um gesto de assistência, é política de redução de desigualdades. A integração entre atenção básica e assistência social pode ser decisiva para evitar que famílias precisem escolher entre comer e comprar um pacote de absorventes. E, como sociedade, é preciso encarar o óbvio: garantir dignidade menstrual é fortalecer a saúde física e mental da população e remover uma barreira silenciosa que ainda limita educação, produtividade e cidadania no Brasil. Superar esse desafio é dar às meninas e mulheres a base mínima para viver com saúde, segurança e pleno pertencimento social.


Nova regra exige que empresas passem a avaliar e prevenir riscos psicossociais ligados ao trabalho


A partir de 26 de maio de 2026, a saúde mental deixou de ser apenas um tema de bem-estar corporativo e passa a integrar oficialmente as obrigações relacionadas à Segurança e Saúde no Trabalho. Com a entrada em vigor da nova redação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), empresas de todos os portes deverão incluir os chamados riscos psicossociais em seus programas de gerenciamento de riscos ocupacionais. 

Na prática, isso significa que fatores como excesso de pressão, sobrecarga de trabalho, jornadas exaustivas, assédio moral, conflitos interpessoais, falta de clareza nas funções, cobranças excessivas e ambientes emocionalmente tóxicos passam a ser reconhecidos como elementos capazes de comprometer a saúde dos trabalhadores e, portanto, devem ser identificados, avaliados e controlados pelas organizações. 

Para o psiquiatra corporativo Dr. Daniel Sócrates, especialista em saúde mental no trabalho e professor da Unifesp, a mudança representa uma transformação histórica na forma como as empresas enxergam o adoecimento emocional. 

“A saúde mental deixa de ser tratada apenas como um benefício opcional e passa a fazer parte da gestão de riscos ocupacionais. É uma mudança importante porque reconhece que o sofrimento psíquico também pode ter origem em fatores relacionados ao ambiente de trabalho”, explica.

 

O que muda para os trabalhadores?

Segundo o especialista, a principal mudança é que o colaborador passa a contar com um ambiente de trabalho que, ao menos em teoria, deverá ser analisado sob a perspectiva da saúde emocional. 

“Os trabalhadores podem esperar uma atenção maior para fatores que frequentemente geram estresse, ansiedade e esgotamento. A tendência é que as empresas passem a revisar processos, melhorar a comunicação interna, capacitar lideranças e criar estratégias para reduzir fatores que contribuem para o adoecimento mental”, afirma. 

A norma não cria um direito novo específico nem garante automaticamente programas de terapia ou atendimento psicológico. O foco está na prevenção dos riscos relacionados à organização do trabalho.

“O objetivo não é medicalizar o ambiente corporativo, mas identificar situações que favorecem o sofrimento emocional e atuar antes que elas se transformem em afastamentos, doenças ou perda de qualidade de vida”, destaca o psiquiatra.

 

O que as empresas terão que fazer?

A principal exigência será incluir os riscos psicossociais dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), documento obrigatório para a gestão da saúde e segurança ocupacional. 

Isso envolve identificar situações que possam representar ameaça à saúde mental dos trabalhadores, avaliar seus impactos e desenvolver medidas preventivas. 

Entre os fatores que podem entrar nessa análise estão:

  • Excesso de demandas e metas incompatíveis;
  • Jornadas prolongadas e ausência de pausas;
  • Sobrecarga digital e excesso de notificações;
  • Ambiguidade de funções e responsabilidades;
  • Assédio moral;
  • Falta de suporte da liderança;
  • Conflitos interpessoais recorrentes;
  • Ambiente organizacional hostil;
  • Falta de autonomia e participação nas decisões. 

“A empresa não será obrigada a eliminar completamente todos os fatores de estresse, algo impossível em qualquer atividade profissional. O que a norma exige é uma gestão responsável desses riscos, da mesma forma que já acontece com riscos físicos, químicos ou ergonômicos”, explica Daniel Sócrates.

 

Burnout e afastamentos podem diminuir

O Brasil vem registrando aumento expressivo nos afastamentos relacionados à saúde mental nos últimos anos. Transtornos como ansiedade, depressão e síndrome de burnout figuram entre as principais causas de incapacidade temporária para o trabalho.

Para o psiquiatra, a nova NR-1 pode contribuir para uma mudança de cultura nas organizações.

“Quando a empresa identifica precocemente os fatores que geram sofrimento emocional, ela consegue agir antes que o problema se transforme em adoecimento. Isso beneficia o trabalhador, mas também melhora produtividade, engajamento, retenção de talentos e reduz custos relacionados ao absenteísmo”, finaliza.

   

Dr. Daniel Sócrates - Médico psiquiatra, doutor pela UNIFESP, com mais de duas décadas de atuação clínica. Dedica-se ao cuidado de profissionais que enfrentam altos níveis de exigência e responsabilidade, com abordagem focada em performance sustentável, saúde mental e qualidade de vida.
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Dia do Meio Ambiente (05/06): saiba como descartar medicamentos vencidos ou em desuso

Especialista esclarece mitos e verdades sobre o lixo farmacêutico e destinação de resíduos químicos

 

Dia 5 de junho é o Dia Mundial do Meio Ambiente e descartar medicamentos corretamente é uma atitude simples contra a poluição. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o Brasil tem três vezes mais farmácias do que o recomendado pela entidade, e o descarte de sobras de remédios no lixo comum ou esgoto pode se tornar um problema ambiental e de saúde pública. 

O descarte inadequado de medicamentos vencidos ou em desuso no lixo comum contamina a água e o solo, afetando peixes e outros organismos vivos, além de expor ao risco pessoas que consomem essa água ou se alimentam desses animais.

 

Como funciona a doação de sobras de tratamento?

Grande parte da população brasileira tem dúvidas sobre o que fazer com os remédios que sobram após o término de um tratamento. Segundo Aline Aparecida Pereira Souza, farmacêutica e responsável técnica da Farmácia Escola do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR), o reaproveitamento é seguro, desde que os critérios sejam respeitados. 

“A doação de medicamentos é uma forma de ajudar pessoas que não têm condições de comprar, especialmente remédios de uso contínuo ou de alto custo”, destaca.

 

O que pode ser doado:

Medicamentos dentro do prazo de validade (geralmente superior a 6 meses);

Itens lacrados ou em cartelas (blisters) perfeitamente preservadas;

Amostras grátis recebidas em consultórios médicos.

 

Medicamentos devem ser descartados em local correto para
 evitar contaminações Centro Universitário Integrado

Onde e como entregar:

Segundo o Ministério da Saúde, drogarias e farmácias devem disponibilizar e manter em seus estabelecimentos pelo menos um ponto fixo de recebimento a cada 10 mil habitantes. Outra possibilidade é buscar um ponto de coleta pelo site www.descarteconsciente.com.br

 

Guia prático: mitos e verdades sobre o descarte

Para além das doações, a falta de conhecimento sobre como descartar o lixo farmacêutico de forma correta ainda faz com que os resíduos químicos parem em aterros comuns. 

Abaixo, com base nas orientações técnicas e na legislação vigente, Aline Aparecida Pereira Souza, responsável técnica da Farmácia Escola Integrado, esclarece as principais dúvidas:

 

1. O que fazer se o medicamento já estiver vencido?

Medicamentos vencidos nunca devem ser doados ou jogados no lixo doméstico. Eles devem ser encaminhados para pontos de coleta específicos que realizam a destinação adequada. Atualmente, Unidades Básicas de Saúde (UBS) e algumas redes de farmácias possuem urnas coletoras preparadas para receber esse material.

 

2. Qual é o destino final do remédio vencido?

Diferente do lixo comum, esses resíduos químicos são recolhidos por empresas especializadas, passando por um transporte seguro. O tratamento final prioritário é a incineração em usinas equipadas com filtros de gases ou, em casos específicos, o envio para aterros de resíduos perigosos.

 

3. Como separar as embalagens (caixas, bulas e frascos)?

Lixo Reciclável Comum: Caixas de papelão e as bulas de papel podem ser descartadas na reciclagem convencional, pois não entram em contato direto com o fármaco.

Ponto de Coleta (Logística Reversa): As cartelas (_blisters_), frascos de vidro ou plástico e tubos de pomada contém resíduos químicos e devem ir para o ponto de coleta de medicamentos, mesmo se estiverem vazios.

Líquidos: Nunca despeje xaropes ou soluções na pia. Leve o frasco fechado e intacto até o local de coleta.

 

4. Onde descartar agulhas e seringas?

Materiais perfurocortantes (como agulhas, seringas e lancetas) são considerados resíduos infectantes e não devem ser misturados aos medicamentos, nem levados às farmácias comuns. Eles devem ser guardados em recipientes rígidos e resistentes (como uma garrafa PET ou lata) e entregues diretamente em uma UBS ou hospital.

 

Legislação

No Brasil, o descarte residencial de medicamentos é regulamentado pelo Decreto nº 10.388/2020, que institui o Sistema de Logística Reversa. A legislação estabelece uma responsabilidade compartilhada entre indústrias, distribuidores, farmácias e consumidores. 

O país também possui regras da Anvisa para a dispensação fracionada de medicamentos (comprar apenas a quantidade exata de comprimidos para o tratamento), porém a prática ainda é limitada por exigir embalagens e autorizações especiais. Países como Suécia, Canadá, França e Austrália são considerados referências internacionais, com modelos de logística reversa amplamente financiados e forte conscientização popular.


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