Pesquisar no Blog

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Mestre e PhD em Oncologia faz um estudo completo do Mapa do Câncer no Brasil. Os Cinco Tumores Que Mais Matam — e o Que Precisamos Fazer a Respeito


O Brasil vive uma emergência silenciosa. Enquanto o debate público se concentra em crises políticas e econômicas, o câncer já é a segunda maior causa de morte entre mulheres e a terceira entre homens no país, atrás apenas das doenças cardiovasculares e, no caso masculino, das causas externas.

 

A segunda edição do relatório A Situação do Câncer no Brasil, publicada pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) em 2026, oferece o retrato mais completo e inquietante dessa realidade.

 

Os números são brutais. Para o triênio 2026–2028, o país deve registrar centenas de milhares de novos diagnósticos a cada ano, distribuídos de forma profundamente desigual entre regiões e populações. O relatório aponta nove tipos prioritários de câncer, mas cinco deles — mama, próstata, colorretal, pulmão e estômago — concentram a maior carga de doença e morte. Juntos, esses cinco tumores devem somar quase 268 mil novos casos por ano e foram responsáveis por mais de 107 mil óbitos apenas em 2023.

 

O que se segue é uma análise de cada um deles promovida pelo Mestre, MD e PhD em Oncologia, Dr. Wesley Pereira Andrade.

 

*1. Câncer de Mama — O mais incidente entre mulheres, o que mais mata*

São 78.610 casos novos projetados por ano no triênio 2026–2028, a maior cifra absoluta entre todos os tipos analisados. A taxa bruta de incidência é de 71,57 por 100 mil mulheres. Em 2023, o câncer de mama matou 20.165 brasileiras.

 

O relatório documenta uma tendência preocupante: entre 1990 e 2017, a incidência cresceu quase 40% no país. As regiões mais ricas apresentam as maiores taxas — Sudeste (51,72 por 100 mil ajustada) e Sul (47,65) — mas são as regiões Norte e Nordeste que registram o maior crescimento da mortalidade, reflexo de barreiras ao diagnóstico precoce, baixa escolaridade e acesso precário à saúde.

 

O Rio de Janeiro lidera com taxa bruta de 114,57 por 100 mil mulheres, seguido por Santa Catarina (106,07) e São Paulo (87,24). No extremo oposto, o Maranhão registra apenas 31,68.

 

Os fatores de risco para câncer de mama se organizam em duas grandes categorias: os que você não controla e os que você pode modificar. O denominador comum é a exposição prolongada a estrogênio — quanto mais tempo e mais intensamente o tecido mamário fica exposto a esse hormônio, maior o risco.

 

*Fatores não modificáveis*

Idade acima de 50 anos — o risco cresce progressivamente com o envelhecimento.

Menarca precoce (antes dos 12 anos) — a puberdade antecipada significa mais anos de ciclagem hormonal e, portanto, mais exposição estrogênica ao longo da vida.

Menopausa tardia (após os 55 anos) — mesma lógica: prolonga a janela de exposição hormonal.

Mutações BRCA1 e BRCA2 — predisposição genética hereditária. O relatório destaca que a exposição a estrogênos amplifica ainda mais o risco em portadoras dessas mutações.

Histórico familiar — antecedentes de câncer de mama em parentes de primeiro grau aumentam o risco, inclusive por fatores genéticos além do BRCA.

 

*Fatores modificáveis — e aqui mora a oportunidade de prevenção*

Nuliparidade e primeiro filho após os 35 anos. O relatório cita o estudo clássico de MacMahon (1970) como marco: a idade tardia do primeiro parto a termo é um dos fatores reprodutivos mais bem estabelecidos. Ter o primeiro filho antes dos 20 anos, ao contrário, é protetor.

Não amamentação — amamentar protege a mãe. A lactação suprime os ciclos ovulatórios e reduz a exposição estrogênica cumulativa.

 

Reposição hormonal na pós-menopausa — risco aumentado. Na pós-menopausa, quando os ovários param de produzir estrogênio, a reposição reintroduz artificialmente o estímulo ao tecido mamário.

Obesidade — este é um mecanismo que o relatório explica em detalhe. Na pós-menopausa, a principal fonte de estrogênio passa a ser o tecido adiposo, que converte androgênios em estrogênio. Quanto maior a gordura corporal, mais estrogênio circulante. Além disso, a obesidade gera hiperinsulinemia, aumento de IGF-1 e inflamação crônica — todos promotores de carcinogênese.

 

Consumo de álcool — classificado pela IARC como carcinógeno grupo 1 (mesmo grupo do tabaco). O relatório é enfático: não existe quantidade segura. O álcool aumenta os níveis circulantes de estrogênio e age como solvente, facilitando a penetração de outros carcinógenos nas células. Em 2012, 17 mil casos de câncer no Brasil foram atribuíveis ao álcool — e o câncer de mama está entre os principais.

Inatividade física — o sedentarismo é fator de risco independente. A atividade física regular reduz níveis de estrogênio, insulina e inflamação sistêmica.

 

*A mensagem para o país:*

*O câncer de mama expõe como nenhum outro a fratura entre o Brasil desenvolvido e o Brasil que ainda luta pelo básico. A mortalidade cai em países ricos; no Brasil, ainda sobe. A expansão do rastreamento mamográfico e do acesso ao tratamento não é uma questão médica — é uma questão de justiça.*.

 

*2. Câncer de Próstata — O mais frequente entre homens*

 

Com 77.920 novos casos estimados para cada ano do triênio 2026–2028 e uma taxa de incidência de 74,62 por 100 mil homens, o câncer de próstata é a neoplasia masculina mais comum no Brasil. Em 2023, matou 17.258 homens.

As desigualdades regionais chamam atenção: a taxa de incidência ajustada varia de 29,94 por 100 mil na região Norte até 94,90 no Sudeste — uma disparidade que o INCA atribui menos à diferença de risco biológico e mais à distribuição desigual dos registros de câncer no território.

 

*3. Câncer Colorretal — O tumor que acompanha o desenvolvimento econômico*

Com 53.810 casos novos estimados por ano e 23.953 óbitos registrados em 2023, o câncer colorretal é o segundo mais incidente no Brasil em ambos os sexos. Ele é, nas palavras do relatório, “um marcador de desenvolvimento econômico” — sua incidência cresce junto com a urbanização, a mudança alimentar e o sedentarismo.

Santa Catarina lidera a incidência (28,33 por 100 mil), seguida pelo Rio de Janeiro (23,51) e São Paulo (22,43). As menores taxas estão no Maranhão (6,67), Acre (7,82) e Amapá (7,86) — estados com menor IDH.

A mortalidade acompanha esse padrão: 9,61 óbitos por 100 mil na região Sul contra apenas 4,88 na região Norte.

 

*O paradoxo:*

*O tumor que mais cresce é também um dos mais evitáveis. Alimentação rica em fibras, redução de carnes processadas, controle de peso e atividade física são fatores protetores amplamente documentados. O rastreamento por colonoscopia pode interceptar a doença em fase pré-maligna. No entanto, o Brasil não possui programa organizado de rastreamento colorretal de base populacional.*.

*4. Câncer de Pulmão — O mais letal, o mais evitável*

 

É o tipo que mais mata no Brasil: 31.239 óbitos em 2023 — superando mama e próstata juntos em letalidade. São estimados 35.380 novos casos por ano no triênio 2026–2028.

 

Cerca de 80% a 90% dos pacientes que são diagnosticados com câncer de pulmão irão falecer em função da doença.

 

O tabagismo responde por 83,3% dos casos em homens e 64,8% em mulheres. A boa notícia: as políticas antitabaco reduziram a prevalência de fumantes de 43,3% (homens, 1989) para 12,7% (2016). A má notícia: os efeitos dessa redução levarão décadas para se refletir plenamente nas estatísticas de mortalidade. Enquanto isso, fatores ocupacionais e ambientais — poluição, sílica, amianto — impulsionam casos em não fumantes.

 

A geografia do pulmão é a geografia do tabaco: Santa Catarina (19,38 por 100 mil), Rio Grande do Sul (18,28) e Paraná (13,98) lideram. A mortalidade ajustada no RS (17,29 por 100 mil) é mais que o dobro da verificada na Bahia (6,92).

 

*O veredicto:*

*O câncer de pulmão é a prova viva de que política pública funciona — e de que seus resultados demoram a chegar. O investimento contínuo no combate ao tabagismo e a vigilância sobre novas fontes de exposição (cigarros eletrônicos, queimadas, poluição urbana) são inegociáveis.*.

*5. Câncer de Estômago — O tumor da infecção e da desigualdade*

 

O quinto mais incidente, com 22.530 casos novos estimados por ano e 14.823 óbitos em 2023. O fator de risco dominante é a infecção por Helicobacter pylori, responsável por até 90% dos casos.

 

O mapa do câncer de estômago inverte o padrão dos demais: as maiores taxas de incidência estão na região Norte — Amapá (16,18 por 100 mil), Pará (11,77) e Amazonas (11,06). A mortalidade segue a mesma lógica: 6,99 por 100 mil no Norte, contra 4,14 no Centro-Oeste.

 

A incidência vem caindo lentamente no Brasil, especialmente no Sudeste e Sul, acompanhando a melhoria das condições sanitárias e a redução da prevalência do H. pylori. Mas nas regiões mais pobres do país, onde o saneamento básico ainda é precário, o tumor resiste.

 

O elo central da origem do é o Helicobacter pylori. A bactéria é responsável por até 90% dos casos de câncer gástrico, segundo os dados do relatório (Martel et al., 2020). E a transmissão do H. pylori está intimamente ligada a condições sanitárias precárias — água contaminada, aglomeração domiciliar, falta de esgoto tratado. São exatamente as condições que predominam nas regiões mais pobres do país.

 

Por isso o mapa do câncer de estômago inverte o padrão dos outros quatro tumores do ranking.

 

Enquanto mama, colorretal e próstata predominam no Sudeste e Sul (regiões ricas, estilo de vida ocidentalizado), o estômago castiga o Norte: Amapá com 16,18 por 100 mil, Pará com 11,77, Amazonas com 11,06 — taxas até três vezes maiores que as do Centro-Oeste (6,93).

 

Os outros fatores de risco reforçam essa associação: consumo de alimentos conservados em sal (padrão alimentar de populações sem acesso a refrigeração adequada), tabagismo e álcool — todos com prevalência maior em contextos de vulnerabilidade social.

 

*A lição:*

*O câncer de estômago é, em essência, uma doença da pobreza. Enfrentá-lo exige não só política oncológica, mas política de saneamento, de segurança alimentar e de atenção primária. É um lembrete de que, no Brasil, a agenda do câncer é inseparável da agenda do desenvolvimento.*.

 

*O Retrato Completo*

O relatório do INCA não é apenas um documento técnico é um mapa potencial de ação governamental para reduzir a mortalidade por câncer.

O Brasil dispõe de conhecimento científico, estrutura institucional e recursos humanos para mudar esta trajetória. O que falta é vontade política sustentada — o tipo de compromisso que sobrevive a ciclos eleitorais e modas ministeriais.

Cinco tumores. Mais de 107 mil mortes em um único ano. A pergunta que este relatório nos obriga a responder é simples: sabendo o que sabemos, o que estamos dispostos a fazer?

 

 

Wesley Pereira Andrade - MD, PhD; Mestre e Doutor em Oncologia; Mastologista e Cirurgião Oncologista; Médico Titular da Sociedade Brasileira de Mastologia; Médico Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica; Coordenador do Comitê de Oncologia Mamária da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica; Membro da Sociedade Americana de Cirurgia Oncológica | SSO - Society of Surgical Oncology e Membro da Sociedade Europeia de Cirurgia Oncológica | ESSO - European Society of Surgical Oncology



Entre o cuidado e o excesso: a medicalização da vida moderna em debate

 

Crescimento no uso de antidepressivos e ansiedade em alta reacendem debate sobre patologização da vida comum

 

O aumento no consumo de medicamentos voltados à saúde mental tem se tornado um dos fenômenos mais marcantes da vida contemporânea. No Brasil, o uso de antidepressivos cresceu 12,4% entre adultos de 29 a 58 anos, segundo levantamento da Funcional Health Tech. Hoje, esses medicamentos já figuram como o segundo tipo mais utilizado, atrás apenas dos antibióticos. O crescimento acompanha um quadro mais amplo. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), do IBGE, 10,2% da população adulta brasileira já recebeu diagnóstico médico de depressão e, entre essas pessoas, quase metade relatou uso recente de antidepressivos. 

Nesse contexto, ansiedade, insônia e dificuldades de concentração passaram a figurar, com mais frequência, como condições a serem tratadas com fármacos, o que levanta uma questão central se estamos cuidando melhor da saúde mental ou transformando emoções em diagnósticos,

A Dra. Renata Caveari, coordenadora e professora de Psicologia na Afya Centro Universitário Itaperuna, avalia que há um movimento ambíguo em curso. “Por um lado, houve um avanço importante no reconhecimento do sofrimento psíquico e na redução do estigma. Por outro, estamos cada vez mais intolerantes ao desconforto emocional, o que pode levar à busca rápida por soluções medicamentosas”, afirma. 

Segundo ela, o desafio está em compreender os limites entre o que é esperado e o que exige intervenção. “É importante refletir sobre a intensidade, a duração e o impacto daquilo que sentimos. Em que momento esse sofrimento passa a nos impedir de realizar atividades do dia a dia?”

Dr. Thiago Apolinário, médico e professor na pós-graduação em Psiquiatria da Afya Ribeirão Preto, na mesma linha, reforça a importância de contextualizar o uso dos medicamentos. “A psicofarmacologia moderna transformou o prognóstico dos transtornos mentais graves. Em quadros como depressão maior ou psicoses, o medicamento não é opcional, ele é fundamental”, afirma. Ao mesmo tempo, faz o especialista um alerta: “O problema não está no remédio em si, mas quando ele passa a ser utilizado para anestesiar sofrimentos que são respostas normais à vida.”

Segundo o médico, fatores como pressão por desempenho, excesso de estímulos digitais, jornadas exaustivas e instabilidade econômica ajudam a explicar esse cenário. “Vivemos em uma sociedade que exige produtividade constante e performance em todas as esferas. Dessa forma, emoções como tristeza e cansaço acabam sendo vistas como falhas que precisam de correção rápida”, diz. Para ele, isso contribui para um processo de “patologização do normal” e para o aumento de quadros como burnout e ansiedade crônica.

Nesse sentido, a medicalização pode funcionar como um atalho. “Quando alguém recorre apenas à medicação sem investigar as causas do sofrimento, corre o risco de mascarar questões mais profundas”, explica Renata. Por isso, problemas relacionados ao trabalho, à falta de vínculos afetivos ou a condições sociais adversas, segundo ela, não se resolvem apenas com comprimidos.

Dr. Thiago destaca que, em quadros graves, o medicamento cumpre um papel estratégico. “Na fase aguda, o paciente muitas vezes está tão tomado pelo sofrimento que não consegue elaborar suas questões. A medicação estabiliza os sintomas e cria condições para que ele possa se beneficiar de outras abordagens, como a psicoterapia”, explica. No entanto, ele alerta para o risco de dependência quando o tratamento se restringe ao alívio dos sintomas. “Quando o paciente entende que o sofrimento é multifatorial, envolvendo aspectos biológicos, psicológicos e sociais, ganha mais autonomia no processo de cuidado.”

A banalização de diagnósticos também preocupa. Termos como “ansioso”, “deprimido” ou “hiperativo” têm sido usados com frequência no cotidiano, muitas vezes sem avaliação profissional adequada. Para Renata, isso pode impactar a autonomia do indivíduo, porque quando a pessoa se identifica exclusivamente com um diagnóstico, pode limitar sua capacidade de compreender a complexidade do que sente. 

Outro ponto de alerta é o comportamento cada vez mais frequente de automedicação. “Muitas pessoas chegam ao consultório já fazendo uso de medicamentos por conta própria, em uma tentativa de resolver rapidamente o que estão sentindo. Isso reflete uma sociedade imediatista”, observa a psicóloga. Ela acrescenta que esse impacto também tem sido observado em crianças e idosos, que enfrentam dificuldades semelhantes para lidar com frustrações e tristezas.

A discussão sobre a medicalização da vida moderna não nega a importância dos medicamentos, mas propõe refletir sobre seu papel no cuidado em saúde mental, defendendo uma abordagem mais ampla que inclua psicoterapia, mudanças no estilo de vida e o fortalecimento de vínculos sociais. Como destaca o psiquiatra da Afya, embora os fármacos possam atuar no ajuste de neurotransmissores, eles não são capazes, por si só, de construir relações ou atribuir sentido à vida. Em uma cultura que privilegia soluções rápidas, o principal desafio está em encontrar equilíbrio, reconhecendo quando a intervenção medicamentosa é necessária, sem reduzir a complexidade da experiência humana a diagnósticos e prescrições.

 

Afya
www.afya.com.br
ir.afya.com.br.


Remédio vencido, antibiótico e descarte no lixo: mitos e verdades sobre o uso de medicamentos

Especialistas esclarecem dúvidas comuns e alertam para hábitos que podem trazer riscos à saúde e ao meio ambiente

 

No Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos, celebrado em 5 de maio, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz reforça a importância do uso consciente desses produtos e esclarece dúvidas comuns sobre o tema. Automedicação, interrupção de antibióticos antes do prazo indicado, armazenamento inadequado e descarte no lixo comum estão entre os hábitos que podem trazer riscos à saúde e ao meio ambiente. 

“Temos legislação e protocolos para controlar e orientar o uso de antibióticos porque o problema não é apenas individual. O uso inadequado impacta o tratamento do próprio paciente e contribui para a disseminação da resistência microbiana”, afirma Dr. Filipe Piastrelli, infectologista e gerente médico do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. 

A seguir, o especialista esclarece alguns dos principais mitos e verdades sobre o uso de medicamentos.

 

Medicamentos devem ser tomados sempre com água?

Verdade. A água costuma ser a forma mais segura de ingerir medicamentos, já que outras bebidas podem interferir na absorção ou aumentar o risco de reações indesejadas. Leite, sucos, café, chás e bebidas alcoólicas podem interagir com alguns remédios.

 

Tomar remédio com alimento sempre corta o efeito?

Mito. Isso depende do medicamento. Alguns devem ser ingeridos após as refeições, enquanto outros exigem jejum ou cuidados específicos com alimentos e bebidas. A vitamina D, por exemplo, tende a ser melhor absorvida quando ingerida junto às refeições. Já o antibiótico ciprofloxacino deve ser administrado com intervalo de cerca de duas horas em relação ao consumo de alimentos lácteos ou enriquecidos com minerais como ferro, magnésio e zinco, pois isso pode prejudicar sua absorção.

 

Medicamentos líquidos fazem efeito mais rápido?

Verdade, em geral. Como já estão dissolvidos, medicamentos líquidos costumam ser absorvidos mais rapidamente pelo organismo do que comprimidos. Isso, no entanto, não significa que sejam sempre melhores ou mais indicados. A escolha da apresentação depende do tipo de medicamento, da condição clínica do paciente e da orientação profissional.

 

Tomar remédio vencido alguns dias depois não faz mal?

Mito. Fora do prazo de validade, não há garantia de eficácia nem de segurança. Além disso, armazenamento inadequado também pode comprometer o produto antes mesmo do vencimento. Temperatura, umidade e exposição à luz solar podem interferir na conservação do medicamento, por isso é importante observar as orientações da embalagem e da bula.

 

Álcool não interfere na medicação?

Mito. Bebidas alcoólicas podem alterar o efeito dos medicamentos, aumentar reações adversas e, em alguns casos, provocar efeitos graves. Em geral, não se recomenda o consumo de álcool durante o tratamento medicamentoso, especialmente sem orientação profissional.

Antibiótico na veia é sempre mais forte do que o oral?

Mito. Segundo Dr. Filipe Piastrelli, infectologista e gerente médico do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, ainda existe a percepção de que o antibiótico intravenoso seria sempre mais “forte” ou mais eficaz, mas isso não vale para todas as situações. Em muitos casos, quando o paciente apresenta melhora clínica e tem condições de absorver o medicamento por via oral, a troca pode ser segura e benéfica. “Para a maior parte das situações, não existe evidência de que o antibiótico na veia seja melhor do que o antibiótico oral. Quando bem indicada, essa troca pode estar associada a menos eventos adversos, menor tempo de hospitalização e também a um menor volume de materiais utilizados na administração intravenosa, o que reduz impactos relacionados ao descarte”, explica o infectologista.

 

Posso guardar sobras de antibiótico para usar em outra ocasião?

Mito. Antibióticos não devem ser reaproveitados sem avaliação médica. Infecções diferentes podem exigir medicamentos, doses e tempos de tratamento distintos. Usar sobras de tratamentos anteriores aumenta o risco de falha terapêutica, efeitos adversos e resistência bacteriana.

 

Medicamentos podem ser descartados no lixo comum, na pia ou no vaso sanitário?

Mito. O descarte incorreto oferece riscos domésticos e ambientais. Medicamentos vencidos, sobras de tratamentos e embalagens que tiveram contato direto com o produto devem ser encaminhados a pontos de coleta apropriados, disponíveis em farmácias, drogarias e serviços de saúde participantes. No caso dos antimicrobianos, esse cuidado é ainda mais importante pelo potencial impacto na resistência bacteriana.

  

Hospital Alemão Oswaldo Cru 


Maio Amarelo mobiliza centenas de ações de segurança nas rodovias paulistas concedidas

Programação inclui blitz educativas, simuladores de risco, ações com motociclistas e atividades em escolas para reduzir acidentes e salvar vidas


As rodovias concedidas do Estado de São Paulo recebem, ao longo deste mês, uma ampla mobilização em torno do Maio Amarelo, com a realização de centenas de ações de conscientização e segurança viária coordenadas pelas concessionárias sob regulação da Agência Reguladora de Transportes do Estado de São Paulo (ARTESP). 

A programação contempla iniciativas distribuídas por diferentes regiões do Estado, com foco direto na mudança de comportamento dos usuários. Entre as ações previstas estão blitz educativas, campanhas em painéis eletrônicos, distribuição de materiais informativos e abordagens diretas a motoristas, caminhoneiros, motociclistas, ciclistas e pedestres. 

Além das ações tradicionais, a campanha deste ano aposta em experiências imersivas para sensibilizar os usuários. Simuladores de impacto, equipamentos que reproduzem os efeitos da embriaguez e do sono ao volante e encenações de atendimento a acidentes fazem parte da estratégia adotada pelas concessionárias. Em alguns trechos, também são realizadas atividades com uso de óculos que simulam alteração de percepção, permitindo que o motorista vivencie, na prática, situações de risco. 

As iniciativas também reforçam a atuação junto a públicos mais vulneráveis. Há ações específicas voltadas a motociclistas, com instalação de antenas corta-pipa, orientação sobre ponto cego e abordagens educativas, além de atividades direcionadas a pedestres e ciclistas em passarelas e áreas urbanas próximas às rodovias. 

As concessionárias também estão promovendo palestras em escolas, distribuição de materiais educativos e projetos voltados a crianças e adolescentes, além de treinamentos para colaboradores e motoristas profissionais. 

“A redução de acidentes passa, necessariamente, pela mudança de comportamento dos usuários. Por isso, estamos fortalecendo ações que vão além da orientação tradicional, com experiências que fazem o motorista perceber, na prática, os riscos de atitudes como o uso do celular, o excesso de velocidade e a direção sob efeito de álcool.”, explica o superintendente de rodovias, Roger Pêgas. 

A Agência tem acompanhado a execução das ações, garantindo que as concessionárias atuem de forma coordenada não apenas na operação das rodovias, mas também na promoção ativa da segurança viária. Em diversas atividades, as abordagens são realizadas em conjunto com órgãos de segurança e entidades como o Sest/Senat.

 

Agência Reguladora de Transportes de São Paulo - ARTESP


Remédio vencido, antibiótico e descarte no lixo: mitos e verdades sobre o uso de medicamentos

Especialistas esclarecem dúvidas comuns e alertam para hábitos que podem trazer riscos à saúde e ao meio ambiente 


No Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos, celebrado em 5 de maio, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz reforça a importância do uso consciente desses produtos e esclarece dúvidas comuns sobre o tema. Automedicação, interrupção de antibióticos antes do prazo indicado, armazenamento inadequado e descarte no lixo comum estão entre os hábitos que podem trazer riscos à saúde e ao meio ambiente. 

“Temos legislação e protocolos para controlar e orientar o uso de antibióticos porque o problema não é apenas individual. O uso inadequado impacta o tratamento do próprio paciente e contribui para a disseminação da resistência microbiana”, afirma Dr. Filipe Piastrelli, infectologista e gerente médico do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. 

A seguir, o especialista esclarece alguns dos principais mitos e verdades sobre o uso de medicamentos.

 

Medicamentos devem ser tomados sempre com água?

Verdade. A água costuma ser a forma mais segura de ingerir medicamentos, já que outras bebidas podem interferir na absorção ou aumentar o risco de reações indesejadas. Leite, sucos, café, chás e bebidas alcoólicas podem interagir com alguns remédios.

 

Tomar remédio com alimento sempre corta o efeito?

Mito. Isso depende do medicamento. Alguns devem ser ingeridos após as refeições, enquanto outros exigem jejum ou cuidados específicos com alimentos e bebidas. A vitamina D, por exemplo, tende a ser melhor absorvida quando ingerida junto às refeições. Já o antibiótico ciprofloxacino deve ser administrado com intervalo de cerca de duas horas em relação ao consumo de alimentos lácteos ou enriquecidos com minerais como ferro, magnésio e zinco, pois isso pode prejudicar sua absorção.

 

Medicamentos líquidos fazem efeito mais rápido?

Verdade, em geral. Como já estão dissolvidos, medicamentos líquidos costumam ser absorvidos mais rapidamente pelo organismo do que comprimidos. Isso, no entanto, não significa que sejam sempre melhores ou mais indicados. A escolha da apresentação depende do tipo de medicamento, da condição clínica do paciente e da orientação profissional.

 

Tomar remédio vencido alguns dias depois não faz mal?

Mito. Fora do prazo de validade, não há garantia de eficácia nem de segurança. Além disso, armazenamento inadequado também pode comprometer o produto antes mesmo do vencimento. Temperatura, umidade e exposição à luz solar podem interferir na conservação do medicamento, por isso é importante observar as orientações da embalagem e da bula.

 

Álcool não interfere na medicação?

Mito. Bebidas alcoólicas podem alterar o efeito dos medicamentos, aumentar reações adversas e, em alguns casos, provocar efeitos graves. Em geral, não se recomenda o consumo de álcool durante o tratamento medicamentoso, especialmente sem orientação profissional.


Antibiótico na veia é sempre mais forte do que o oral?

Mito. Segundo Dr. Filipe Piastrelli, infectologista e gerente médico do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, ainda existe a percepção de que o antibiótico intravenoso seria sempre mais “forte” ou mais eficaz, mas isso não vale para todas as situações. Em muitos casos, quando o paciente apresenta melhora clínica e tem condições de absorver o medicamento por via oral, a troca pode ser segura e benéfica. “Para a maior parte das situações, não existe evidência de que o antibiótico na veia seja melhor do que o antibiótico oral. Quando bem indicada, essa troca pode estar associada a menos eventos adversos, menor tempo de hospitalização e também a um menor volume de materiais utilizados na administração intravenosa, o que reduz impactos relacionados ao descarte”, explica o infectologista.

 

Posso guardar sobras de antibiótico para usar em outra ocasião?

Mito. Antibióticos não devem ser reaproveitados sem avaliação médica. Infecções diferentes podem exigir medicamentos, doses e tempos de tratamento distintos. Usar sobras de tratamentos anteriores aumenta o risco de falha terapêutica, efeitos adversos e resistência bacteriana.

 

Medicamentos podem ser descartados no lixo comum, na pia ou no vaso sanitário?

Mito. O descarte incorreto oferece riscos domésticos e ambientais. Medicamentos vencidos, sobras de tratamentos e embalagens que tiveram contato direto com o produto devem ser encaminhados a pontos de coleta apropriados, disponíveis em farmácias, drogarias e serviços de saúde participantes. No caso dos antimicrobianos, esse cuidado é ainda mais importante pelo potencial impacto na resistência bacteriana.

 

Hospital Alemão Oswaldo Cruz

 

Quem é o profissional que “segura a vida” nas mãos?

Com mais de 6 mil procedimentos realizados, o biomédico e
perfusionista Bruno Alencar Herrera de Souza é um dos pioneiros
no Paraná, devidamente regulamentado pelo CRBM6
Crédito das fotos Helder Lacerda e Ana Dias

Conheça o perfusionista, o “herói invisível” das cirurgias cardíacas; no Paraná, são apenas cerca de 50 profissionais atuantes

 

Imagine um cenário onde o coração de um paciente para de bater e seus pulmões param de respirar. Em qualquer outra situação, isso seria o fim. Mas, dentro de um centro cirúrgico de alta complexidade, é apenas o começo de um procedimento que salva vidas. No centro dessa operação está o perfusionista, um profissional que, literalmente, assume o controle das funções vitais do paciente enquanto os cirurgiões cardiovasculares realizam o tratamento cirúrgico.

 

No próximo dia 6 de maio, celebra-se o Dia Mundial do Perfusionista. A data marca os 73 anos da primeira cirurgia cardíaca da história a utilizar a máquina “coração-pulmão”, realizada em 1953 pelo cirurgião americano John Gibbon Jr. Mais de sete décadas depois, embora a tecnologia tenha evoluído de forma extraordinária, a profissão ainda é desconhecida por grande parte da população.


 

Quem é o perfusionista?


É o profissional que opera a máquina de circulação extracorpórea (CEC), popularmente conhecida como a máquina “coração-pulmão” em cirurgias cardíacas. Sua função é manter as funções vitais e a circulação sanguínea, garantindo a estabilidade fisiológica do paciente durante o procedimento.

 

Entre os indicadores monitorados estão oxigenação, temperatura, pressão, eletrólitos e equilíbrio ácido-base. O perfusionista também ajusta fluxos e a composição sanguínea, administra anticoagulantes e atua em situações de emergência. As responsabilidades estendem-se além da sala de cirurgia, alcançando as Unidades de Terapia Intensiva Cardiovascular (UTI-CV).

 


O “coração” fora do corpo


A profissão exige equilíbrio emocional e agilidade na tomada de decisões em ambientes de alta pressão.

 

“As pessoas me perguntam se o paciente fica vivo só com a máquina. A resposta é sim: durante o tempo em que o coração e os pulmões estão inativos para a cirurgia, a máquina assume a vida naquele momento. Sem o perfusionista, transplantes e cirurgias modernas simplesmente não existiriam”, explica o biomédico Bruno Alencar Herrera de Souza, mestre em Promoção da Saúde e um dos pioneiros da área no Paraná.

 


Importância e atuação


Com mais de 6 mil procedimentos no currículo, Souza – que também é membro do Conselho Regional de Biomedicina do Paraná 6ª Região (CRBM6) – destaca que a responsabilidade é extrema.

 

“O perfusionista, junto aos cirurgiões, coordena o momento de parar o coração e gerencia cada necessidade metabólica do paciente enquanto os cirurgiões realizam reparos delicados”, conta.

 

O trabalho se destaca em:

 

·         Segurança cirúrgica: Permite que cirurgias cardíacas (adultas e infantis) e vasculares sejam realizadas com o coração parado e "vazio", garantindo a proteção do coração inativo e a vida do paciente.

 

·         Suporte em cirurgias de alto risco: Em alguns casos, menos comuns, o perfusionista também é essencial em cirurgias pulmonares, hepáticas e transplantes de órgãos.

 

·         Preservação de órgãos: Monitora a proteção miocárdica (do coração) para evitar danos durante a interrupção da circulação ou do bypass cardiopulmonar.

 

Um exército de poucos

Apesar de sua importância vital na área da saúde, o número desses especialistas é reduzido. Estima-se que existam entre 600 e 900 perfusionistas em todo o Brasil. No Paraná, esse número é ainda mais restrito: entre 30 e 50 profissionais atuam nos hospitais de referência.

 

A baixa visibilidade deve-se ao fato de o trabalho acontecer “nos bastidores”. No entanto, a exigência para entrar no setor é altíssima: além da graduação na área da saúde, é necessária uma especialização em Circulação Extracorpórea e Assistência Circulatória Mecânica, com no mínimo 1.200 horas e reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC).

 

A formação é oferecida por centros formadores reconhecidos pelo MEC, universidades e pela Sociedade Brasileira de Circulação Extracorpórea (SBCEC).

 


Regulamentação e segurança


O CRBM6 atua no reconhecimento e na regularização do perfusionista no Paraná ao normatizar a habilitação em perfusão/circulação extracorpórea. O Conselho exige a comprovação de formação (especialização ou estágio com carga horária mínima, conforme a Resolução 001/2019 do Conselho Federal de Biomedicina (CFBM) e o registro desses profissionais, garantindo a segurança técnica e legal do biomédico perfusionista no Paraná.

 

“A perfusão é uma área que poucas pessoas veem, mas que transforma vidas todos os dias. Quando um coração precisa parar para ser tratado, é o perfusionista que mantém a vida acontecendo. Nosso trabalho exige precisão, ciência, calma e proatividade. É justamente por isso que a profissão merece ser mais conhecida e fortalecida”, complementa o biomédico Bruno Alencar Herrera de Souza.

 

 

Conselho Regional de Biomedicina do Paraná 6ª Região - CRBM6


Dor intensa não é normal: quando a endometriose pode indicar um quadro mais complexo

Doença pode levar anos para ser diagnosticada e, em casos avançados, atingir órgãos como intestino, bexiga e ureter
 

Cólicas incapacitantes, dor pélvica crônica, dor durante as relações sexuais e alterações intestinais ou urinárias no período menstrual não devem ser normalizadas. Apesar de atingir uma parcela relevante da população feminina, a endometriose ainda enfrenta desafios importantes de diagnóstico. Segundo o Ministério da Saúde, a doença afeta cerca de 10% das mulheres e meninas em idade reprodutiva no mundo, o equivalente a mais de 190 milhões de pessoas, e o intervalo entre o início dos sintomas e a confirmação diagnóstica pode chegar a sete anos1. 

No Brasil, a maior busca por cuidado também aparece nos dados do sistema público. O Ministério da Saúde registrou aumento de 30% na assistência relacionada ao diagnóstico da endometriose na Atenção Primária, passando de 115.131 atendimentos em 2022 para cerca de 144,9 mil em 20242. O cenário reforça a importância de ampliar a conscientização sobre a doença e qualificar o acesso ao diagnóstico, especialmente nos casos de endometriose profunda, que podem exigir acompanhamento especializado e planejamento terapêutico individualizado. 

Segundo a Dra. Anne Pereira, ginecologista do Centro Especializado em Endometriose do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, quando a condição acomete simultaneamente ovários, intestino, bexiga e ureter, o quadro costuma indicar uma doença mais extensa, com maior risco de impacto na rotina, na fertilidade e na qualidade de vida da paciente. 

“Na endometriose profunda, a doença pode ultrapassar a região ginecológica e comprometer estruturas como intestino, bexiga e ureter. Isso muda completamente a condução do caso, porque não estamos falando apenas de tratar a dor, mas de entender a extensão da doença, proteger a função dos órgãos envolvidos e planejar uma abordagem segura para cada paciente”, explica. 

Entre os principais desafios no tratamento desses quadros está a necessidade de identificar com precisão todos os focos da doença e removê-los de forma segura, preservando ao máximo a função dos órgãos acometidos. Em alguns casos, podem ser necessários procedimentos cirúrgicos complexos, como ressecções intestinais segmentares ou reconstruções do trato urinário. 

“O tratamento precisa ser completo, mas também cuidadoso. Em casos com múltiplos órgãos envolvidos, a cirurgia pode exigir diferentes estratégias no mesmo procedimento. Por isso, a experiência da equipe e a estrutura hospitalar são determinantes para reduzir riscos e garantir uma condução mais segura”, afirma a especialista. 

Nesse contexto, o planejamento pré-operatório tem papel central. Exames de imagem de alta qualidade, como a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética da pelve, ajudam a mapear a extensão da doença, orientar a estratégia cirúrgica e antecipar a necessidade de participação de diferentes especialidades. A condução pode envolver ginecologistas, cirurgiões do aparelho digestivo, urologistas, radiologistas e, em muitos casos, profissionais dedicados ao manejo da dor e à reprodução humana. 

“Os exames de imagem são fundamentais para que a equipe saiba, antes da cirurgia, quais órgãos podem estar comprometidos e qual será a melhor estratégia para aquele caso. Esse mapeamento permite envolver, quando necessário, cirurgiões do aparelho digestivo, urologistas, radiologistas, especialistas em dor e profissionais de reprodução humana, sempre de forma integrada”, destaca a Dra. Anne. 

A preservação da fertilidade também pode fazer parte da discussão, especialmente em mulheres que ainda desejam engravidar. A decisão deve considerar fatores como idade, reserva ovariana, extensão da doença e planejamento reprodutivo. Em alguns casos, pode ser indicada a preservação da fertilidade antes da cirurgia, por meio de técnicas como o congelamento de óvulos. Em outros, a própria cirurgia, quando bem indicada e planejada, pode contribuir para melhorar as chances reprodutivas. 

“Esse é um dos pontos mais delicados do cuidado. A paciente precisa participar da decisão, entender os riscos, os benefícios e as possibilidades. O tratamento da endometriose não deve olhar apenas para a doença, mas também para os planos de vida, o desejo reprodutivo e o impacto dos sintomas na rotina dessa mulher”, afirma.

Para a especialista, hospitais de alta complexidade podem fazer diferença justamente por reunir infraestrutura, tecnologia diagnóstica, equipes integradas e capacidade de resposta para diferentes etapas do cuidado, do diagnóstico ao acompanhamento pós-operatório. 

“Em casos desafiadores, ter múltiplas especialidades atuando de forma coordenada faz diferença. Isso permite maior previsibilidade no planejamento cirúrgico, resposta mais rápida diante de intercorrências e um acompanhamento mais completo no pós-operatório, com impacto direto na recuperação e na qualidade de vida da paciente”, diz. 

No Dia Internacional da Luta contra a Endometriose, lembrado em 7 de maio, a principal mensagem, segundo a médica, é que a dor não deve ser normalizada. “Dor não é normal. Cólicas incapacitantes, dor durante as relações sexuais e sintomas intestinais ou urinários associados ao ciclo menstrual precisam ser investigados. Informação, escuta qualificada, diagnóstico precoce e acesso a centros especializados fazem toda a diferença para reduzir o tempo até a confirmação da doença e melhorar o cuidado”, conclui a Dra. Anne.


Hospital Alemão Oswaldo Cruz


Posts mais acessados