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quarta-feira, 6 de maio de 2026

Quem é o profissional que “segura a vida” nas mãos?

Com mais de 6 mil procedimentos realizados, o biomédico e
perfusionista Bruno Alencar Herrera de Souza é um dos pioneiros
no Paraná, devidamente regulamentado pelo CRBM6
Crédito das fotos Helder Lacerda e Ana Dias

Conheça o perfusionista, o “herói invisível” das cirurgias cardíacas; no Paraná, são apenas cerca de 50 profissionais atuantes

 

Imagine um cenário onde o coração de um paciente para de bater e seus pulmões param de respirar. Em qualquer outra situação, isso seria o fim. Mas, dentro de um centro cirúrgico de alta complexidade, é apenas o começo de um procedimento que salva vidas. No centro dessa operação está o perfusionista, um profissional que, literalmente, assume o controle das funções vitais do paciente enquanto os cirurgiões cardiovasculares realizam o tratamento cirúrgico.

 

No próximo dia 6 de maio, celebra-se o Dia Mundial do Perfusionista. A data marca os 73 anos da primeira cirurgia cardíaca da história a utilizar a máquina “coração-pulmão”, realizada em 1953 pelo cirurgião americano John Gibbon Jr. Mais de sete décadas depois, embora a tecnologia tenha evoluído de forma extraordinária, a profissão ainda é desconhecida por grande parte da população.


 

Quem é o perfusionista?


É o profissional que opera a máquina de circulação extracorpórea (CEC), popularmente conhecida como a máquina “coração-pulmão” em cirurgias cardíacas. Sua função é manter as funções vitais e a circulação sanguínea, garantindo a estabilidade fisiológica do paciente durante o procedimento.

 

Entre os indicadores monitorados estão oxigenação, temperatura, pressão, eletrólitos e equilíbrio ácido-base. O perfusionista também ajusta fluxos e a composição sanguínea, administra anticoagulantes e atua em situações de emergência. As responsabilidades estendem-se além da sala de cirurgia, alcançando as Unidades de Terapia Intensiva Cardiovascular (UTI-CV).

 


O “coração” fora do corpo


A profissão exige equilíbrio emocional e agilidade na tomada de decisões em ambientes de alta pressão.

 

“As pessoas me perguntam se o paciente fica vivo só com a máquina. A resposta é sim: durante o tempo em que o coração e os pulmões estão inativos para a cirurgia, a máquina assume a vida naquele momento. Sem o perfusionista, transplantes e cirurgias modernas simplesmente não existiriam”, explica o biomédico Bruno Alencar Herrera de Souza, mestre em Promoção da Saúde e um dos pioneiros da área no Paraná.

 


Importância e atuação


Com mais de 6 mil procedimentos no currículo, Souza – que também é membro do Conselho Regional de Biomedicina do Paraná 6ª Região (CRBM6) – destaca que a responsabilidade é extrema.

 

“O perfusionista, junto aos cirurgiões, coordena o momento de parar o coração e gerencia cada necessidade metabólica do paciente enquanto os cirurgiões realizam reparos delicados”, conta.

 

O trabalho se destaca em:

 

·         Segurança cirúrgica: Permite que cirurgias cardíacas (adultas e infantis) e vasculares sejam realizadas com o coração parado e "vazio", garantindo a proteção do coração inativo e a vida do paciente.

 

·         Suporte em cirurgias de alto risco: Em alguns casos, menos comuns, o perfusionista também é essencial em cirurgias pulmonares, hepáticas e transplantes de órgãos.

 

·         Preservação de órgãos: Monitora a proteção miocárdica (do coração) para evitar danos durante a interrupção da circulação ou do bypass cardiopulmonar.

 

Um exército de poucos

Apesar de sua importância vital na área da saúde, o número desses especialistas é reduzido. Estima-se que existam entre 600 e 900 perfusionistas em todo o Brasil. No Paraná, esse número é ainda mais restrito: entre 30 e 50 profissionais atuam nos hospitais de referência.

 

A baixa visibilidade deve-se ao fato de o trabalho acontecer “nos bastidores”. No entanto, a exigência para entrar no setor é altíssima: além da graduação na área da saúde, é necessária uma especialização em Circulação Extracorpórea e Assistência Circulatória Mecânica, com no mínimo 1.200 horas e reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC).

 

A formação é oferecida por centros formadores reconhecidos pelo MEC, universidades e pela Sociedade Brasileira de Circulação Extracorpórea (SBCEC).

 


Regulamentação e segurança


O CRBM6 atua no reconhecimento e na regularização do perfusionista no Paraná ao normatizar a habilitação em perfusão/circulação extracorpórea. O Conselho exige a comprovação de formação (especialização ou estágio com carga horária mínima, conforme a Resolução 001/2019 do Conselho Federal de Biomedicina (CFBM) e o registro desses profissionais, garantindo a segurança técnica e legal do biomédico perfusionista no Paraná.

 

“A perfusão é uma área que poucas pessoas veem, mas que transforma vidas todos os dias. Quando um coração precisa parar para ser tratado, é o perfusionista que mantém a vida acontecendo. Nosso trabalho exige precisão, ciência, calma e proatividade. É justamente por isso que a profissão merece ser mais conhecida e fortalecida”, complementa o biomédico Bruno Alencar Herrera de Souza.

 

 

Conselho Regional de Biomedicina do Paraná 6ª Região - CRBM6


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