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segunda-feira, 24 de julho de 2023

História real versus storytelling: como tomar decisões assertivas na carreira

Quero desistir. Segundo semestre de Engenharia Mecânica e eu aqui, me sentindo cada dia mais limitado. A imagem que eu tinha de mim, o ótimo aluno do ensino fundamental e o bom aluno do ensino médio, ruiu. Me sinto uma farsa. Sempre tive dificuldade em pensar coisas abstratas e agora, diante da lousa de Circuitos Elétricos, quero desistir. Peguei 2 exames no primeiro semestre, mas no final passei. Agora, como vou aprender isso? E por que estou fazendo essa matéria com a Engenharia Elétrica? 

Em 2006, me formei sem nenhuma reprovação. Mas, em 2002, segundo semestre, sabia o quanto seria doloroso e o quanto meus limites seriam testados. Em 2006, outro momento assim. Meu estágio era em São Paulo e viajava duas vezes por semana para Campinas e uma para Rio Claro. No banco, estava indo bem. Era um estagiário respondendo diretamente para o gerente. O analista havia pedido a conta. Estava valendo o esforço, pois seria recompensado e iria ser efetivado. E, melhor, iria para a área de investimentos.

 

Até então, mapeava processos por meio dos fluxogramas e dos POPs (Procedimento Operacional Padrão). Era a interface entre a área de tecnologia e a de back-offce. Fora eleito para coordenar o time de estagiários da minha área e apresentar um projeto para os VPs. Esperança. Ansiedade e animação. Aí, veio a rotação de estagiário e fui para a vida real. Agora, na nova posição, atuava mudando as cores do Power Point para apresentações que ninguém realmente estava interessado em ver. Mudava letra, cor, gráficos; enfim, tudo que achava uma perda de tempo sobremaneira. Seriam oito meses nessa função. No terceiro mês, desisti. Voltei para Rio Claro.

 

O que seria se tivesse lá ficado? Provavelmente, teria trilhado um caminho de carreira mais sinalizado do que o que escolhi. Mas até hoje, me pego pensando: fui fraco ou não fui teimoso? Era uma cilada, Bino? Ou a imaturidade intempestiva do jovem foi mais forte que eu? Não sei. Acho que um pouco de tudo. Não era o emprego ideal para o meu perfil, mas não precisava ter desistido. Apesar de odiar o que fazia, poderia ter esperado.


 

Depois dessa, desistir jamais; será?


Não consegui cumprir a promessa. Quando a pressão é muito alta ou quando não conseguimos enxergar as coisas melhorando na velocidade que queremos, desistimos. E pior: o julgamento se a decisão foi acertada ou atabalhoada só virá depois. Se tiver sucesso na vida, foi uma sacada. Enfrentou problemas? Então, foi um fracasso. É a velha máxima: besta ou bestial? Depende do seu sucesso no final.

 

Depois dessa, tive outras situações em que tomar a decisão pela mudança não foi fácil. E momentos em que a decisão de ficar foi mais complicada ainda. Pedir demissão da vaga de gerente de uma grande companhia com salário de bônus para receber é difícil. Manter-me na empresa que criei, recebendo três salários mínimos por dois anos, é muito mais complicado. E por que consegui? Porque aprendi a enxergar o que nos faz feliz e realizado: propósito e valores.

 

Quando fui firme durante toda a faculdade, o fiz porque tinha muito forte em meus valores a educação e o estudo. Para mim, desistir ou até trocar de curso me custaria mais do que seguir em frente. Já as demissões nas grandes empresas foram a mesma coisa. Para mim, construir algo do zero, para atender um propósito de democratizar um pouco do acesso que tive à educação, é muito forte. Quando alguém do meu círculo de amizades me questiona o porquê me mantive ganhando pouco e sofrendo de angústia crônica até o negócio parar de pé, o valor empreendedor explica o esforço. Se esse fosse um pouco mais fraco, eu teria desistido.

 

Olhando para as demais coisas na minha vida, nos momentos decisivos, vejo claramente o papel dos meus valores nas decisões que tomei. Seja nas relações familiares, no amparo aos amigos, nas ajudas solicitadas ou nos perrengues que vivi. Desistir ou seguir foi questão de valores. Por isso, chegando aos 40, brado em alto e bom tom: Jim Collins estava certo em sua metáfora da liderança nível 5. Como líder, você deve garantir que todos que estão na sua empresa compartilhem dos mesmos valores. Se alguém não tiver, não adianta continuar tentando. Numa hora decisiva e de dificuldade, essa pessoa não ficará no mesmo lado daqueles que compartilham os valores com você. Não há certo ou errado; só há momentos em que não conseguimos trair a nós mesmos.

 

Olhe para o lado e avalie: está cercado de pessoas que compartilham as suas crenças fundamentais? Vá em frente. Estarão ao seu lado mesmo que isso esteja nas entrelinhas. Se não houver, não adianta tanta gente próxima e feliz. A hora que o bicho pegar, não o vão querer por perto estragando as suas fotos instagramáveis. Simples demais. Sincero demais. Até nos textos, meus valores escapam. 



Virgilio Marques dos Santos - um dos fundadores da FM2S, doutor, mestre e graduado em Engenharia Mecânica pela Unicamp e Master Black Belt pela mesma Universidade. Foi professor dos cursos de Black Belt, Green Belt e especialização em Gestão e Estratégia de Empresas da Unicamp, assim como de outras universidades e cursos de pós-graduação. Atuou como gerente de processos e melhoria em empresa de bebidas e foi um dos idealizadores do Desafio Unicamp de Inovação Tecnológica.


Comércio sem cultura digital perde chance de ampliar vendas

A loja física mantém sua relevância, mas oferecer comodidade e rapidez com ajuda da tecnologia, segundo Eduardo Terra, da SBVC, é o meio de o comerciante do século 21 conquistar cada vez mais recorrência e fidelização

 

Dentro do universo omnichannel, dados, inteligência artificial, metaverso e outras ferramentas e artifícios foram surgindo para atender a um cliente cada vez mais exigente, engajado e conectado, que busca sortimento, comodidade, atendimento veloz e ofertas personalizadas.

Mais do que produtos, esse novo consumidor busca uma jornada de compra agradável, desde o momento em que ele conhece a empresa até o suporte que receberá após adquirir o bem ou serviço. Tornar esse processo satisfatório passou a ser uma tendência perseguida pelas empresas, e ganhou o nome de customer experience, ou experiência do cliente. 

Exemplo de quem apostou nisso é o Magazine Luiza: pioneira em transformação digital no mercado brasileiro, investiu pesado e até criou um laboratório de inovação (o Luiza Labs) para reestruturar o modelo tradicional de venda de eletrodomésticos a prazo, se tornando uma empresa de tecnologia. 

Digitalizou as lojas físicas, desenvolveu uma plataforma de vendas e, de olho na experiência (e na fidelização) dos clientes, criou a Lu, assistente virtual que teve a "incumbência" de ensinar os consumidores a usarem as ferramentas e guiá-los em sua jornada de compras.

Hoje, mesmo com o sobe-e-desce de suas ações na Bolsa, e até por registrar prejuízo no primeiro trimestre deste ano por conta de fatores externos de mercado, como juros altos e inadimplência, o Magalu continua a ser o grande case de varejo tanto em transformação digital quanto em experiência do cliente.  

A loja física ainda mantém sua relevância ao oferecer interação humana, experimentação, sensações e até agregar serviços ao seu modelo de negócio. Mas é claro que esse processo é facilitado se tiver ajuda do digital, seja investindo em tecnologia ou simplesmente vendendo pelo Whatsapp. 

Mas, independentemente do porte desse comércio, para elevar o nível da experiência do cliente e sempre atender às suas expectativas é preciso mirar na questão cultural, segundo o especialista em varejo Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC).

Assim como o Magalu, que fez um amplo trabalho de mudança corporativa interna para todos na empresa passarem a pensar no digital.

"Quando falo cultural, isso passa pelas lojas físicas, que precisam entender os canais digitais como parceiros, e não como concorrentes de vendas", destaca.  

Na entrevista abaixo, Eduardo Terra explica como essa movimentação pode influenciar positivamente o quesito "experiência": 

 

DC - Como a evolução do omnichannel avançou em direção à experiência do cliente?

Eduardo Terra: Lá atrás, o varejo era monocanal, por loja, por catálogo, por venda direta, por telefone... sempre existiu em mais de um canal, mas nunca integrado. Raramente o varejista atuava em canais diferentes.

Depois, veio a multicanalidade, quando os varejistas passaram a atuar em mais de um canal além do principal. Somente com a internet, com o inicio do e-commerce, no Brasil, eu diria de 15 para 10 anos, começou-se a discutir integração dos canais, que é a tal omnicanalidade.

Ou seja, como estamos falando do mesmo cliente, ele não pode perceber aquela marca operando de forma distinta em dois canais, com preços diferentes e políticas de troca diferentes. Então ele comprava on-line, depois aparecia na loja para trocar ou vice-versa.

Porém, às vezes ele queria comprar on-line para retirar na loja, e aí começava uma jornada sem muita tecnologia, nenhuma cultura e sem nenhum processo de omnicanalidade, mais de intenção do que de ação. Mas que de lá para cá vem avançando em tecnologia, processos e cultura.

De que forma?

Com inteligência artificial, dados e uma série de coisas que ajudam nesse processo, mas principalmente na questão cultural. E quando falo cultural, passa pelas lojas físicas, que precisam entender os canais digitais como parceiros, e não como concorrentes de vendas. E que as lojas podem vender o que está na internet ou no marketplace, pois isso pode agregar negócios.

A loja precisou entender que o cliente que vai retirar presencialmente pode comprar a mais, e isso é um acréscimo de vendas, e não um tumulto ou problema. Agora estamos no meio dessa jornada, de uma jornada sem fim, claro. Mas acho que o varejo, o comércio, já avançou bastante.


Como essas mudanças impactaram aquele comerciante tradicional, e como estão hoje?

Quando se fala do comerciante tradicional, a gente tem o antes e o depois da pandemia. Até um pouco antes, toda a discussão de transformação digital, marketplace, e-commerce era muito mais uma opção do que uma necessidade, para quem quisesse oferecer algo a mais. 

Na pandemia, aquela lojinha de rua tradicional, análogica, teve de fazer algo digital nem que fosse se espetar a um marketplace, começar a vender pelo Whatsapp... ou então ela morreria. A verdade é que algumas morreram mesmo porque não fizeram isso, e outras tiveram que aprender e fazer na marra.

E quando passou a pandemia, e as coisas voltaram, todo aquele esforço de estar em um marketplace, de vender pelo Whatsapp, não ficou para trás: só diminuiu um pouco a intensidade. Então nós estamos agora num platô, mas muita gente aprendeu e entendeu que, vendas por canais digitais, integrados a tudo o que se faz na loja física, pode e deve ser interessante para os negócios.  

Em resumo, a pandemia foi um acelerador dessas mudanças. O que aconteceria em cinco anos aconteceu em alguns meses, e transformou algo que era opcional em obrigatório. 

Hoje, a relação do consumidor com a loja, tanto física como virtual, não se resume mais a um simples ato de compra e venda, mas a uma jornada que envolve sentimentos, preferências, atendimento, navegabilidade rápida pelo site, personalização, etc. Como garantir a experiência do cliente nesse contexto?

Diria que, com a digitalização da jornada, ela independe de comprar on-line. A digitalização é muito grande dentro dessa jornada, já que o cliente começa o processo de compra de um produto ou serviço, e grande parte das vezes em um meio digital, seja no Google, seja numa rede social, seja num Whatsapp. Foi isso que fez com que, como consumidores, nosso engajamento com questões rápidas, informações em tempo real e personalização subissem muito a régua.

Então, hoje a experiência que o consumidor tem como expectativa é muito, muito maior do que há 10, 15, 20 anos. Outro dia vi um exercício que mostrou o que era uma compra digital 10 anos atrás: parecia da Idade da Pedra. Como hoje há muito avanço nesse sentido, é assim que as coisas têm de ser encaradas para garantir essa experiência. 

Em muitos polos de comércio, como a 25 de Março, há comerciantes que ainda resistem e preferem vender do modo tradicional, sem grandes (ou nenhum) investimentos em tecnologia. Eles estão fadados a ficar para trás ou depende do tipo de negócio? 

Temos de pensar em digitalização no varejo, e não em e-commerce. Pegando a própria 25 de Março, e o "efeito Whatsapp" na 25 de Março, se você desligar o app as vendas caem pela metade, eu te garanto. E se não usar rede social, Instagram, é a mesma coisa. Muitos estão no Mercado Livre... São três exemplos  que mostram que sim, nesses locais tem muita tecnologia para atender às necessidades do cliente. Ela só não é a mesma dos demais negócios. 


Quem é o comerciante do século 21? 

É alguém que olha para o cardápio, o menu de tecnologia à sua disposição, e adere ao que faz sentido para o público dele, os negócios dele, para onde está. É aquele que não resiste, entende e adota.

 

Karina Lignelli
https://dcomercio.com.br/publicacao/s/comercio-sem-cultura-digital-perde-chance-de-ampliar-vendas


Eventos raros de dispersão por longas distâncias ajudam a manter estrutura genética de manguezais

 

Jovens plantas de mangue-vermelho (Rhizophora mangle)
 se desenvolvem em manguezal paulista
(
Foto: Gustavo Maruyama Mori/IB-CLP-Unesp)

No Norte do Brasil, os membros da população de árvores de mangue-vermelho (Rhizophora mangle) não se encontram com frequência com seus parentes do Sul e vice-versa. No entanto, migrações ocasionais entre uma e outra região, com a viagem de sementes adaptadas à água salgada, conhecidas como propágulos, pelas correntes oceânicas, fazem com que as populações troquem material genético entre si e mantenham-se ligadas ao longo da evolução.

Essa é uma das conclusões de um estudo publicado na revista Molecular Ecology Resources por pesquisadores do Brasil, apoiados pela FAPESP, e do Japão.

A espécie estudada é uma das poucas da planta conhecida popularmente como mangue-vermelho, árvore predominante nos manguezais do mundo todo. Os resultados ajudam a compreender a dispersão dessas plantas fundamentais na ecologia costeira e podem contribuir para definir critérios para a criação de áreas prioritárias de conservação. Os manguezais são importantes berçários para diversas espécies marinhas e estocam grandes quantidades de carbono.

“Trabalhos como esse ajudam a definir áreas do país em que os mangues estão liberando muitos propágulos tanto para o Norte e Nordeste quanto para o Sul e Sudeste do país. Estes locais podem ser interessantes para criar áreas de conservação”, afirma André Guilherme Madeira, primeiro autor do trabalho e bolsista de doutorado da FAPESP no Instituto de Biociências do Campus Experimental do Litoral Paulista da Universidade Estadual Paulista (IB-CLP-Unesp), em São Vicente.

Parte das análises foi realizada durante estágio na Universidade de Tsukuba, no Japão, ainda na sua graduação. Os estudos continuaram no mestrado no IB-CLP-Unesp, também com bolsa da FAPESP.

“Coletamos amostras de DNA de árvores dessa espécie no Brasil inteiro. Os dados genéticos foram coerentes com as simulações de correntes oceânicas, que também mostram que estas não transportam os propágulos para muito longe da sua região de origem. Com isso, temos duas populações quase isoladas, uma no Norte e Nordeste e outra no Sul e Sudeste do país”, explica Gustavo Maruyama Mori, professor do IB-CLP-Unesp que coordenou o estudo.

O trabalho serviu de base para o projeto “Avaliando adaptação, variação epigenética e dispersão para entender a resposta de mangues em um mundo em mudanças”, apoiado pela FAPESP.

Parte das coletas e análises foi realizada por Mori ainda durante o pós-doutorado na Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), em Campinas, entre 2014 e 2016, sendo um ano em estágio na Universidade Chiba, no Japão.

 

Cruzamento de dados

Os propágulos são como sementes dos mangues, que resistem cerca de um ano na água salgada, doce ou salobra até encontrarem uma área onde possam germinar. Nas espécies do gênero Rhizophora, o propágulo é verde, cilíndrico e pontudo, comumente encontrado boiando no mar em qualquer praia do litoral brasileiro.

Usando modelos matemáticos de flutuação de objetos com dados de correntes oceânicas de dez anos, os pesquisadores simularam para onde iria cada propágulo que caísse no mar em 11 pontos de norte a sul do litoral brasileiro. Os pontos abrangeram de Salinópolis, no Pará, até Florianópolis, em Santa Catarina. Na simulação, ao longo do período de 2010 a 2020, cada vez que um propágulo parasse na costa considerava-se que poderia germinar.

“As populações de mangue-vermelho do Brasil estão bastante isoladas, não se comunicam. Ocasionalmente, no entanto, algum propágulo deve alcançar uma corrente oceânica que o leva para mais longe. Esses eventos de dispersão de longa distância, apesar de raros, podem ser significativos”, comenta Madeira.

A hipótese é compatível com os dados genéticos, que mostram uma conexão ancestral entre as populações, na escala de milhares de anos, mas pouca ou nenhuma em gerações recentes.

Outros fatores mais variáveis, como correntes costeiras e dispersão de pólen pelo ar, podem contribuir para a troca de material genético entre as populações, complementando essa hipótese. Porém, não há dados desses parâmetros nas populações analisadas no estudo para confirmar a afirmação.

Os pesquisadores planejam agora aplicar a mesma abordagem a mangues do mundo inteiro, desta vez cruzando as simulações oceanográficas com dados moleculares de mangues compilados por grupos de pesquisa em outras partes do planeta. A ideia é entender se os resultados encontrados no litoral brasileiro são parte de um padrão global ou apenas local.

“Uma vez que os manguezais do mundo todo são compostos por espécies de poucos gêneros, queremos testar algumas particularidades de cada um. Rhizophora , por exemplo, frutifica o ano inteiro, enquanto propágulos de Avicennia só podem ser encontrados em certas épocas. Fora isso, as correntes oceânicas variam de um ano para o outro. Essas diferenças talvez ajudem a entender como os manguezais são formados e qual a contribuição de cada fator. Queremos entender isso como todo”, encerra Mori.

O artigo The role of oceanic currents in the dispersal and connectivity of the mangrove Rhizophora mangle on the Southwest Atlantic region pode ser lido em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/1755-0998.13807.

 

André Julião
Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/eventos-raros-de-dispersao-por-longas-distancias-ajudam-a-manter-estrutura-genetica-de-manguezais/41950/


O impacto da Copa do Mundo Feminina nos horários de trabalho das empresas privadas

Especialista em direito trabalhista, advogada Danielle Rocha, conta que empresas e empregados demonstraram pouco interesse em flexibilização para assistir as partidas

 

Em busca de garantir a mesma atenção para a Copa do Mundo FIFA de Futebol Feminino, os órgãos públicos divulgaram comunicados flexibilizando os horários de expediente, para que os servidores possam desfrutar dos jogos da primeira fase do campeonato, que ocorrerá na próxima semana. No entanto, o interesse em assistir às partidas está muito abaixo do tradicional campeonato masculino.

 

 Essa constatação foi feita pela advogada e especialista em direito trabalhista, Danielle Rocha, do escritório Varela Torres, de Goiânia. "Durante a última Copa do Mundo, no final do ano passado no Catar, recebemos centenas de pedidos de esclarecimentos sobre a possibilidade de alteração de horário de expediente para assistir aos jogos. Porém, para a competição feminina, ninguém demonstrou interesse nessa liberação", ressaltou Danielle, que acredita que esse comportamento pode mudar ao longo do torneio, especialmente devido à influência dos órgãos públicos que "liberaram" os servidores. 

A nona edição da Copa do Mundo FIFA de Futebol Feminino será realizada em 2023, entre os dias 20 de julho e 20 de agosto, na Austrália e na Nova Zelândia. Na primeira fase, o Brasil jogará nos dias 24 e 29 de julho às 8h e às 7h da manhã, e no dia dois de agosto, às 7h. Em Goiânia, a Prefeitura, a Assembleia Legislativa e a Câmara Municipal alteraram o expediente nessas datas, a fim de proporcionar aos servidores a oportunidade de assistir às partidas. 

Essa iniciativa busca reconhecer a importância e o valor do futebol feminino, promover a igualdade de gênero e incentivar a participação e o apoio aos eventos esportivos das mulheres. No entanto, as empresas privadas não são obrigadas a adotar a mesma postura. "Os trabalhadores regidos pela CLT que desejarem ter o mesmo 'benefício' dos servidores públicos devem compreender que as datas não são consideradas feriados nacionais, o que não caracteriza a obrigatoriedade", enfatiza a especialista. 

Contudo é possível chegar a um acordo entre as partes. As empresas têm a opção de conceder folgas ou compensar as horas dos funcionários para que eles possam assistir aos jogos. "Nesse caso, um acordo individual de banco de horas pode ser estabelecido para compensar as horas liberadas. Por outro lado, se a empresa optar por não liberar os funcionários, estes devem acatar a decisão", explica a advogada Danielle, ressaltando também que os trabalhadores podem sofrer sanções disciplinares caso não cumpram as determinações.

 

Mais de 1 milhão de estudantes da Rede Municipal voltam às aulas nesta segunda-feira (24)

 Agora ano letivo segue até o dia 21 de dezembro

 

Mais de 1 milhão de estudantes da Rede Municipal de SP recomeçam o ano letivo de 2023 na próxima segunda-feira (24), após o recesso escolar de 10 a 21 de julho. Agora as atividades seguem até o dia 21 de dezembro, segundo o calendário escolar. 

 

Todas as programações serão retomadas, assim como atividades no contraturno e de recuperação de aprendizagens. Os serviços de apoio como o Transporte Escolar Gratuito (TEG), alimentação, além do Programa de aquisição de material e uniforme, seguem disponíveis às famílias.

 

Durante o recesso escolar, as crianças participaram da 42ª edição do Recreio nas Férias, que ocorreu em 64 polos da cidade com uma repleta programação esportiva, cultural, passeios, entre outras atividades. O Recreio nas Férias disponibiliza aos participantes três refeições diárias, sendo café da manhã, almoço e lanche da tarde. 

 

O retorno também marca a retomada do trabalho das mulheres que atuam como Mães Guardiãs no apoio da Busca Ativa de estudantes nas escolas da Rede Municipal. Elas ingressaram no programa, inicialmente, durante a pandemia para apoiar o cumprimento dos protocolos sanitários. Entretanto, neste ano, passaram a ter uma nova função e colaboram com as ações de combate à evasão escolar. O programa tem sido ampliado e chegará a 7 mil mulheres trabalhando para a permanência dos estudantes nas unidades educacionais. 

 

"A rede municipal está preparada para receber os estudantes, dar continuidade nas diversas ações para garantia do direito de aprendizagem, além da permanência e combate à evasão escolar, que foi agravada durante o período da pandemia da Covid-19", afirma Fernando Padula, secretário municipal de Educação.

 

As participantes do programa recebem bolsa-auxílio de R$ 1.386 para seis horas diárias de atividades, de segunda a sexta-feira. As Mães Guardiãs realizam, prioritariamente, ações voltadas para a proteção do direito à escolarização, como o apoio no acompanhamento da frequência escolar e as visitas domiciliares nos casos de frequência irregular. 

 

Programa de Transferência de Recursos Financeiros (PTRF)

Neste mês, a Prefeitura de SP liberou R$ 186,9 milhões referentes ao segundo repasse do Programa de Transferência de Recursos Financeiros (PTRF) destinado a melhorias nas escolas. O primeiro repasse, de mais R$170 milhões foi realizado em abril.

 

Os recursos do PTRF podem ser utilizados pelas escolas para manutenção e pequenos reparos, aquisição de materiais e equipamentos para os projetos pedagógicos e materiais de consumo necessários ao funcionamento da unidade de forma mais ágil e menos burocrática.  

 

Sábado em família

No próximo dia 5 de agosto, as 4,1 mil unidades educacionais municipais estarão abertas para as programações do “Sábado em família”, data em que os pais ou responsáveis serão acolhidos nas unidades para diálogo sobre as vidas escolares dos estudantes. O encontro incentiva a aproximação e estreitamento de laços entre escola e comunidade.


Os reflexos penais do "Pacote da Democracia"

O "Pacote da Democracia", instituído pelo atual Ministro da Justiça Flávio Dino e lançado pelo Governo Lula, nesta última sexta-feira, 21 de julho, tem como principal proposta a possibilidade de pena de até 40 anos de prisão para quem ‘atentar contra a vida’ de autoridades, como o presidente da República e os ministros do Supremo Tribunal Federal.    

Segundo anunciado, o “Pacote da Democracia” propõe a criação de uma medida provisória e de uma Emenda Constitucional, em virtude do ataque ao Congresso Nacional ocorrido em 08 de Janeiro de 2023 e das ofensas sofridas pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes, no aeroporto de Roma, na Itália, com objetivo de fortalecer a segurança ao Estado Democrático de Direito, ao patrimônio público e instituições democráticas, e o princípio da legalidade, bem como sobretudo punir os crimes contra a democracia e instituições, e também contra os membros do Poder.    

O pacote basicamente propõe a criação da Guarda Nacional - uma polícia que não será omissa como, por exemplo, supostamente ocorreu no atentado aos Três Poderes -; aumento de penas para o agente delinquente que atentar contra a ordem democrática - visando, assim, punir inclusive a atividade criminal de empresas e plataformas responsáveis pelas redes sociais e conteúdos, no ambiente virtual, que hoje dispõe a lei uma pena de prisão de até 8 anos - e regras para as redes sociais, pois o pacote prevê a definição de regras para conteúdos a serem publicados na internet, sob pena de exclusão imediata sem a necessidade de uma ação cível com pedido cautelar e o deferimento de uma autoridade judicial competente.  

Nesse ponto das redes sociais, vale refletir sobre a questão da censura, do direito de informação, e liberdade de informação, livre exercício ao jornalismo, direitos que devem ser preservados, sob pena de afronta a princípios constitucionais e princípios fundamentais. São casos que necessitam de uma análise judicial face ao preenchimento do “fumus boni iuris” e o “periculum in mora” e o amparo técnico legal eu ação judicial.    

Pela proposta, quem atentar contra os membros do poder, como, por exemplo, contra o Presidente da República e o seu vice, presidente do Senado, presidente da Câmara dos Deputados, ministros do Supremo Tribunal Federal e o Procurador Geral da República, será punido com um alargamento da pena de 6 a 12 anos de prisão, sem prejuízo da pena da violência específica (por exemplo, lesão corporal como crime autônomo), para quem praticar qualquer delito que afronta e abale o bem jurídico tutelado pela integridade física e liberdade das autoridades referenciadas.     

A proposta de alteração do Código Penal vigente, visa tornar mais eficiente os artigos 359 L e 359 M. Hoje, o artigo 359 L, dispõe expressamente que quem atentar, com emprego de violência e grave ameaça, abolir o Estado Democrático de Direito, impedindo ou restringindo o exercício dos poderes constitucionais, será punido com pena de 4 a 8 anos de prisão, em conjunto com o crime autônomo com o emprego de violência. Já o artigo 359 M, atualmente dispõe que quem tentar depor, por meio de violência ou grave ameaça, o governo legitimamente constituído, será punido com pena de 4 a 12 anos de prisão, sem prejuízo do crime autônomo com o emprego de violência (por exemplo, lesão corporal).    

O “Pacote da Democracia” também propõe pena de 6 a 12 anos para quem organizar ou liderar movimentos que ataquem a democracia (como, por exemplo, o ataque de 08 de Janeiro de 2023); pena de 8 a 20 anos para quem financiar ataques contra o Estado Democrático; pena de 6 a 12 anos para crime de violência que atente contra a integridade física e a liberdade das autoridade referenciadas acima; e pena de 20 a 40 anos para crimes que atentem contra a vida das autoridades citadas (como, por exemplo, homicídio de um ministro do STF ou do Procurador Geral da República), o que é um aspecto interessante.    

Diz-se “interessante” acima, pois a pena de até 40 anos é acima dos crimes com maior pena de prisão hoje no Código Penal vigente, como o crime de homicídio, que tem pena de 6 a 20 anos de prisão, podendo ser maior de acordo com o caso em concreto;  do latrocínio, roubo seguido de morte, com pena de 20 a 30 anos de prisão; da extorsão mediante sequestro com resultado morte, que tem pena de até 20 anos, com possibilidade de 24 anos em caso de lesão corporal grave com resultado morte em até 30 anos; do estupro com resultado morte, que tem pena de 8 a 14 anos, e em caso de morte pena até 30 anos; e do estupro de vulnerável com resultado morte, que tem pena de até 30 anos de prisão, podendo ser agravada de acordo com as situações do caso em concreto.    

Os recentes episódios de violência contra as instituições e autoridades - os atos de 8 de janeiro e as ofensas contra o ministro Alexandre de Moraes e sua família - demostram que, de fato, deve ser alargada a moldura penal para crimes contra os Poderes do Estado, patrimônio público e Estado Democrático de Direito. Devem ser garantidas a segurança das instituições democráticas e a soberania nacional. 

Importante destacar também que no caso recente que envolveu o ministro Alexandre de Moraes e sua família no aeroporto de Roma, na Itália, é correto apontar que qualquer cidadão brasileiro vítima da um crime em solo europeu ou internacional, deve ter auxílio e atuação do Ministério da Justiça, visando a manutenção das garantias fundamentais/humanas, constitucionais, internacionais e também direitos a âmbito europeu e internacional.     

Quanto a esse caso envolvendo o ministro do STF, deve ser analisado também sob a ótica do “Pacote da Democracia”, e no tocante ao ponto de vista técnico, deve-se refletir sobre:    

i.      o ato da polícia federal que solicitou recentemente as gravações contida em um celular dos agressores, em contraposição ao direito de não autoincriminação e garantia de não fazer prova contra si;    

ii.    a questão da recente busca e apreensão na casa dos agressores em contraposição ao fato de o crime supostamente cometido não seria cabível nos termos da Lei, uma busca e apreensão, ato eivado de fishing expedition (a pesca probatória por provas, que se de fato for entendida, pode anular a ação penal futura em caso de reconhecida nulidade processual insanável do ponto de vista técnico, que pode ser explorado pela defesa da família dos agressores, em caso de prisão; na instrução penal, culminando em trancamento da ação penal).    

Entretanto, é notório que o Ministro da Justiça, em caso de não tomada as medidas criminais cabíveis em solo italiano, pelas autoridades policiais e judiciárias italianas, instaurar procedimento penal no Brasil (exigindo a citação pessoal dos acusados, ato formal necessário para crime cometido no exterior, a âmbito internacional) para responsabilização penal e manutenção do Estado Democrático de Direito, e sobretudo as autoridades dos Três Poderes. 

No caso em concreto do ministro do STF, acredito ser necessária a aprovação do novo “Pacote da Democracia”, com moldura penal alargada para esses delitos, visando coibir o pensamento dos delinquentes, no Brasil e no exterior, para evitar o abalo da segurança e da imagem das autoridades brasileiras em solo exterior. 

Portanto, as propostas do novo "Pacote da Democracia" são bem-vindas ao ordenamento jurídico, mas não podem ter apenas motivações políticas e imediatistas. Elas devem construir um modelo mais moderno para a manutenção e defesa do Estado de Democracia, sem ultrapassar os limites da justiça e os direitos constitucionais. 

 



Eduardo Maurício - advogado no Brasil, Portugal e Hungria, presidente da Comissão Estadual de Direito Penal Internacional da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracrim), membro da Associação Internacional de Direito Penal de Portugal (AIDP - Portugal ) e da Associação Internacional de Direito Penal AIDP - Paris, pós-graduado pela PUC-RS em Direito Penal e Criminologia, pós-graduado em Direito Penal Econômico Europeu, em Direito das Contraordenações e Especialização em Direito Penal e Compliance, todos pela Universidade de Coimbra/Portugal, pós-graduado pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) Academy Brasil - em formação para intermediários de futebol, pós-graduando pela EBRADI em Direito Penal e Processo Penal, pós-graduado pela Católica - Faculdade de Direito - Escola de Lisboa em Ciências Jurídicas e mestrando em Direito - Ciências |Jurídico Criminais, pela Universidade de Coimbra/Portugal

domingo, 23 de julho de 2023

Quarto para crianças: entenda como criar um ambiente que estimule a independência e criatividade



Na hora de preparar um quarto para seu filho, é importante se atentar a muitos detalhes, desde segurança até incentivos para a coordenação e cognição, sem deixar de lado o conforto e harmonia que auxiliam a uma  boa noite de sono; especialistas explicam 



O momento de fazer o quarto dos pequenos pode trazer algumas apreensões para os pais, receosos de como decorar esse ambiente crucial e marcante da infância. Por isso, é importante criar um ambiente adequado no quarto de uma criança, pois esse espaço pode influenciar significativamente o desenvolvimento de suas habilidades cognitivas, emocionais e sociais.

Existem muitas maneiras possíveis de decorar um quarto infantil, anos atrás o quarto era simplesmente pintado de azul para meninos e de rosa para meninas. É em razão desse conceito que que os pais buscam descobrir o sexo do bebê o mais cedo possível. Com o tempo, assim como na decoração como um todo, as tendências vão se atualizando e se adequando a sua época. Para se ter uma ideia, pesquisas mostram que a presença de telas nos quartos tende a prejudicar as crianças.

Ainda assim, é ideal que os pequenos tenham liberdade em seus espaços pessoais. Para a arquiteta Luciana Patriarcha, especialista em psicoarquitetura, o quarto deve ser um lugar de descobrimento. "O quarto de uma criança deve ser um espaço que a inspire a explorar, criar e se expressar livremente. Para isso, é essencial considerar alguns elementos-chave na sua concepção. Em primeiro lugar, é importante ter uma disposição de móveis que permita uma circulação fácil e segura. Dessa forma, a criança terá liberdade para se movimentar, estimulando seu senso de independência. Além disso, é ótimo oferecer diferentes áreas no quarto, como um cantinho de leitura, um espaço para brincadeiras e uma mesa para desenhar e criar”, explica.





Segundo Marília Scabora, psicóloga e fundadora da Comunidade Tribo Mãe, um grupo de acolhimento psicológico e apoio materno a mães expatriadas, a organização do ambiente também desempenha um papel crucial na estimulação da independência e criatividade das crianças. "Manter os brinquedos e materiais organizados em prateleiras ou caixas, com fácil acesso para a criança, estimula a sua autonomia e responsabilidade. Ao ter acesso direto aos seus brinquedos e materiais, a criança é incentivada a explorar, escolher e criar, desenvolvendo sua capacidade de tomar decisões e se expressar”, revela.


Um dos modelos mais aceitos costuma ser o quarto montessoriano, que estimula a autoconfiança e criatividade das crianças. “O quarto montessoriano prioriza a educação. Ele é uma metodologia que foi criada por uma educadora italiana chamada Maria Montessori e é pensado de maneira que estimula a criança de forma segura e que faça ela explorar o ambiente. Por conta disso, a cama é baixa, para que eles tenham autonomia de subir e descer quando quiserem. Os móveis são baixos, os brinquedos ao alcance da criança. A ideia desse projeto é para ajudar a criança a conseguir explorar o quarto e auxiliar em toda essa parte do desenvolvimento”, mostra Luciana



Dê liberdade para as crianças


Além disso, é fundamental que o quarto seja um espaço que reflita os interesses e personalidade da criança. “Permitir que a criança participe do processo de decoração, escolhendo cores, objetos e elementos decorativos que ela goste, ajuda a criar um senso de pertencimento e favorece o desenvolvimento de sua identidade. Essa participação ativa no processo de criação do ambiente também contribui para fortalecer a autoestima e a confiança da criança”, indica a arquiteta.

Ao criar um quarto para crianças que estimule a independência e criatividade, é necessário considerar elementos como a disposição dos móveis, a organização do ambiente, a participação da criança no processo de decoração e a oferta de diferentes áreas para atividades. “Estudos mostram que crianças que têm um espaço de dormir e brincar bem organizado e estimulante tendem a apresentar maior independência, criatividade e concentração. Além disso, essas crianças também demonstram uma maior capacidade de lidar com desafios e resolver problemas, habilidades fundamentais para seu crescimento e desenvolvimento”, finaliza Marilia Scabora.





Tribo Mãe

Luciana Patriarcha - formada em arquitetura e urbanismo, especialista em interiores, psicoarquitetura e pós graduada em arquitetura comercial. A especialista desenvolve projetos residenciais e comerciais. Por meio dos projetos, sempre busca função, conforto e estética com um toque especial para cada cliente. Luciana também preza por meios sustentáveis/ecológicos para agregar aos projetos. 

Crianças & Décor: como conciliar a organização do lar e a diversão dos pequenos

Crianças precisam de liberdade para brincar, por isso é necessário pensar em ambientes arrumados, espaçosos e bem projetados. O escritório PB Arquitetura traz dicas para montar espaços adequados


Pensando em multifuncionalidades, é possível criar ambientes tanto
 para o lazer quanto para o estudo no quarto de uma criança | Projeto PB Arquitetura
Foto: Henrique Ribeiro

Todo mundo que tem filhos, netos ou sobrinhos em casa sabe que a organização do lar pode ser um verdadeiro desafio, principalmente quando se tratam de crianças menores e cheias de disposição. O casal de arquitetos Priscila e Bernardo Tressino, do escritório PB Arquitetura, que têm duas filhas pequenas e grande experiência no assunto, apresenta algumas dicas para quem precisa de ajuda para deixar a casa mais arrumada.

 

Volta às aulas

Principalmente agora, com o retorno das aulas de meio de ano em boa parte das escolas, a correria do dia a dia ficará ainda maior e, o tempo para a arrumação mais escasso. “Pensando nisso, é necessário traçar algumas ações para a rotina diária, tanto para as crianças menores, como para os pré-adolescentes – de forma que eles contribuam na organização do lar, assim como dediquem momentos aos estudos, mas que também tenham os horários para brincadeiras e curtir séries de TV, por exemplo”, diz Bernardo.

Com proposta Montessoriana, o quarto lúdico foi feito para que a criança tenha tudo à mão e na mesma altura | Projeto PB Arquitetura | Foto: Eric Romero

 

Para não virar bagunça

O mundo perfeito seria toda casa com crianças ter uma sala só de brinquedos, livros e acessórios como uma brinquedoteca, por exemplo. Mas, isso não é uma tarefa fácil, principalmente por uma questão de espaço na maioria dos apartamentos. Mesmo assim, é possível manter a ordem com algumas ferramentas simples, de forma que cada coisa fique em seu lugar certo. 

“Caixas, cestos organizadores para juntar brinquedos de um mesmo tipo - como blocos de montar, carrinhos ou bonecas, são ótimas opções. Outra alternativa que agrega na decoração é a instalação de nichos de marcenaria planejados, principalmente se as crianças tiverem algum tipo de coleção, pois cria um visual lindo! Dessa forma, todos ficam expostos e organizados. Eduque os pequenos desde cedo com o princípio de cada coisa em seu lugar. Se eles aprenderem a brincar e guardar, todo mundo sai ganhando”, recomenda Priscila.

“Cada coisa no seu devido lugar” – dica para organizar os brinquedos e objetos das crianças | Projeto PB Arquitetura | Foto: Eric Romero

 

Autonomia

Conforme as crianças crescem e ganham mais independência, a sugestão é que os objetos fiquem ao alcance delas, sem nunca abrir mão da segurança. Essa é a principal proposta do método Montessoriano. “Livros e brinquedos devem, preferencialmente, ficar expostos em locais baixos; a caminha é melhor no chão; cadeirinhas e mesas precisam ser do tamanho apropriado, de forma a incentivar o uso”, diz Bernardo.

 

Conciliando Estilos

Para combinar os brinquedos, tecidos e objetos pessoais ao tema da decoração do quarto infantil, a dica é manter todos os elementos dentro de uma mesma paleta de cores e do mesmo estilo. “Podemos viajar desde o provençal, clássico de tons neutros, até os mais rústicos, ou lúdicos e coloridos. O enxoval de cama, tanto para o dormitório da criança, quanto de um bebê, deve seguir uma mesma padronização – como almofadas, cortinas, papel de parede, etc.”, conta Priscila.

A hora de arrumar os brinquedos pode ser algo divertido, por isso é importante incentivar desde cedo | Projeto PB Arquitetura | Foto: Eric Romero

Curtir cada momento

Torne a hora de guardar uma brincadeira. Afinal, esse momento não precisa ser motivo de stress nem para os pais, nem para as crianças. Eles aprendem tudo com uma facilidade enorme e o hábito se fortalece com constância e paciência. “O tempo passa tão rápido, mas os momentos compartilhados são eternos. Claro que a organização conta, até por uma questão de segurança para todos. Mas, logo eles crescem e você, com certeza, vai sentir saudades de vê-los brincando em casa”, diz Priscila.

Uma bancada de estudos ficou cada vez mais essencial no quarto dos pequenos | Projeto PB Arquitetura | Foto: Eric Romero

 

Quarto da bagunça decorado

Segundo os arquitetos, ter uma brinquedoteca é muito mais um sonho dos pais, do que das crianças propriamente. “Ali eles podem bagunçar à vontade porque é um lugar feito para isso. É só fechar a porta e não vai atrapalhar a decoração da casa como um todo”, dizem. “Portanto, se houver a chance de deixar um cômodo vago para esse fim, é uma ideia muito bem-vinda. Do contrário, se não houver essa possibilidade, é só seguir as outras dicas e organizar a casa da melhor forma!”, concluem.

Detalhes em um quarto infantil também fazem a diferença no lúdico-imaginário de uma criança que precisam ser incentivados | Projeto PB Arquitetura | Foto: Eric Romero

 

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