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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Lente de contato aumenta em cinco vezes risco de alergias oculares


Estudo mostrou que pessoas alérgicas apresentam uma probabilidade cinco vezes maior de desenvolver doenças oculares relacionadas ao uso de lentes de contato

 
Nos últimos anos houve um crescimento significativo no número de pacientes que trocaram os óculos de grau pelas lentes de contato. Nos Estados Unidos, são mais de 40 milhões de usuários segundo uma pesquisa.

No Brasil, um relatório recente apontou que as lentes de contato representam 40% das vendas de produtos para corrigir os erros refrativos mais comuns, como a miopia, o astigmatismo e a hipermetropia.

Segundo a oftalmologista, Dra. Tatiana Nahas, Chefe do Serviço de Plástica Ocular da Santa Casa de São Paulo, um maior número de usuários de lentes de contato exige atenção redobrada, tanto por parte do paciente, quanto do oftalmologista.

“O mau uso das lentes, falta de limpeza adequada, uso prolongado e/ou constante são fatores de risco para diversas condições que podem afetar os olhos. Além disto, é preciso avaliar o estado de saúde geral do paciente para prevenir certas condições associadas ao uso das lentes de contato”, diz a médica.



Atenção alérgicos!

 
Estima-se que cerca de 20% da população em geral é alérgica (atópica). Dentro os alérgicos, de 40 a 60% podem apresentar alergias oculares. De acordo com um estudo publicado no Current Opinion in Allergy and Clinical Immunology, o uso de lentes de contato em pacientes alérgicos aumenta em cinco vezes a probabilidade de desenvolver alergias ou irritação ocular.

“Nos pacientes atópicos, ou seja, naqueles que sofrem de alergias em geral, como rinites, sinusites e dermatites, há uma maior predisposição ao desenvolvimento de quadros oculares alérgicos. Uma das respostas alérgicas mais comuns é a conjuntivite papilar associada ao uso de lentes de contato”, comenta Dra. Tatiana.



Lente é gatilho para processo alérgico

 
A resposta alérgica é desencadeada por algumas substâncias presentes no filme lacrimal, como lipídios e proteínas, que se depositam na superfície das lentes.

“Embora esse processo ocorra com todos os usuários, nos alérgicos o corpo reage à presença destas substâncias com uma resposta inflamatória aguda”, explica a oftalmologista. Outro mecanismo que desencadeia a alergia ocular, segundo a especialista, é o dano mecânico causado pelas lentes, como a constante fricção com a conjuntiva (membrana que reveste o globo ocular).



Sinais e sintomas

 
Entre as principais manifestações da conjuntivite papilar por uso de lentes de contato estão a sensação de areia nos olhos, ardência, coceira, vermelhidão e acúmulo de secreção nas pálpebras.

A condição, em geral, se resolve com a suspensão do uso das lentes de contato por cerca de duas semanas nos casos mais leves. O uso das lentes pode ser retomado depois da remissão dos sintomas.

"Entretanto, em uma parcela dos pacientes o quadro se manifesta novamente. Caso isso aconteça, será preciso pensar em outras alternativas”, reforça Dra. Tatiana.

Entre os recursos estão trocar a solução de limpeza, reduzir o tempo de uso, espaçar mais os intervalos, assim como prescrever lentes descartáveis. Caso haja persistência dos sintomas, a lente de contato deverá ser trocada pelos óculos de grau, de forma definitiva ou ainda avaliar a possibilidade de realizar uma cirurgia refrativa.



Qual lente causa mais problemas?

 
“É importante que as pessoas compreendam que as lentes de contato são recursos terapêuticos fundamentais para a correção de grau. Porém, é preciso considerar alguns aspectos na prescrição das lentes, de acordo com o perfil de cada paciente, incluindo doenças oculares prévias e alergias”, afirma Dra. Tatiana.

Todas as lentes de contato, segundo a oftalmologista, podem desencadear problemas oculares ou alergias, sejam rígidas ou gelatinosas “Do ponto de vista da segurança, em relação a contaminação por micro-organismos e bom nível de oxigenação para a córnea, podemos citar as lentes de contato rígidas. A desvantagem é uma maior dificuldade de adaptação”.

“Já as lentes gelatinosas, principalmente as mais modernas, compostas de hidrogel e silicone, promovem maior conforto e melhor hidratação. Mas, justamente por terem mais água em sua composição, aumentam o risco de contaminação e possuem menor permeabilidade de oxigênio”, cita Dra. Tatiana.



Uso prolongado x problemas oculares 

 
Além da limpeza das lentes, com produtos adequados e da forma adequada, outro cuidado para prevenir irritações ou condições oculares mais graves, é evitar o uso prolongado das lentes.

“O ideal é retirar, higienizar e dar um descanso para os olhos, pelo menos durante a noite. Para pessoas que praticam esportes aquáticos, é recomendado retirar durante a prática. Piscinas são repletas de micro-organismos que podem aderir às lentes.

"Por fim, lembre-se de consulta o oftalmologista, especialista responsável por diagnosticar os erros refrativos e prescrever as lentes de forma individualizada, assim como fazer o acompanhamento periódico do paciente”, encerra Dra. Tatiana.



 

POR NÃO SE PREVINIREM, HOMENS TÊM MAIS SEQUELAS E MENOS CHANCES DE CURA AO ADOECEREM


No ano passado, dos 100 mil pacientes atendidos na MedicMais, apenas 25% eram homens. A especialidade mais procurada por eles é a de Urologia, mas, em 75% dos casos, os pacientes já chegam no consultório com algum tipo de problema ou mesmo com uma doença em estágio mais avançado, o que dificulta a cura


Segundo o Ministério da Saúde, em 2017, as mulheres realizaram 80 milhões de consultas médicas a mais do que os homens. O número é preocupante, já que a melhor forma de prevenir doenças é exatamente realizar consultas e exames de rotina.

A cultura masculina de não se prevenir pode ser conferida na rotina de clínicas médicas populares. Na MedicMais, por exemplo, no ano passado apenas 25 mil homens passaram em uma das 40 unidades da marca. Número muito pequeno quando comparado ao de mulheres – 80 mil somente em 2018. De acordo com o sócio-fundador da MedicMais, Tiago Alves, o problema está enraizado na cultura brasileira. "A falta de interesse do homem em procurar um médico para cuidar da saúde é algo cultural. Além do preconceito com algumas especialidades específicas, o homem coloca a saúde como algo secundário", afirma.

Segundo o profissional, a maioria dos homens que chegam as clínicas já necessitam de algum tipo de interferência médica. "75% dos pacientes quando nos procuram já estão com algum problema. A parcela de quem faz consultas e exames de rotina é muito pequena e normalmente são homens com idade mais avançada", comenta. Tiago afirma que esse problema é ainda mais sério em determinadas regiões do país, como o Norte e Nordeste. "Além da cultura de 'que homem não precisa de médico', nestes locais as pessoas ainda precisam enfrentar maiores problemas com a falta de estrutura e a situação econômica não favorável", afirma.


:: Mulheres impulsionam setor da saúde

Outro dado interessante – e alarmante – é o da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC). De acordo com a instituição, quatro em cada dez homens afirmam não realizar nenhum exame preventivo contra o câncer. No caso das mulheres, apenas uma em cada dez não realizam os testes necessários. Na MedicMais, elas já representam 85% de todo o faturamento da rede e investem, sempre que vão ao médico, cerca de R$ 300,00 entre consultas e exames. "O exame mais solicitado por elas é o de mamografia. As mulheres entendem que a doença é real e pode acontecer com qualquer pessoa, então praticam a prevenção para não ter surpresas desagradáveis no futuro", afirma Tiago. A rede de clínica médica popular realiza cerca de 5 mil mamografias por mês; o exame já representa 5% do faturamento da rede. 

Número bastante considerável se levarmos em conta a quantidade de exames que a MedicMais oferece – são mais de 1 mil.

Para quebrar essa barreira que os homens possuem quando o assunto é médico, a MedicMais promove diversas campanhas e promoções ao longo do ano, como pacotes especiais de checkup e conscientização durante o Novembro Azul. 

"Nesta época do ano conseguimos aumentar o número de consultas no Urologista e de realização de exames como o PSA, que ajuda a identificar o câncer de próstata", conta o sócio-fundador da rede. "O acompanhamento médico e o exame anual é extremamente necessário para o diagnóstico precoce da doença. Mas além do preconceito que existe em torno do exame de toque, muitos homens não possuem plano de saúde e não têm acesso a esse tipo de consulta no SUS, por isso, tentamos facilitar ao máximo os valores e condições 
de pagamento", finaliza.




Endometriose também pode acometer o intestino


 Doença exige atenção aos sintomas para que se tenha um diagnóstico correto e tratamento adequado
 

Já bastante conhecida, principalmente entre as mulheres, a endometriose se caracteriza pela presença do endométrio (camada mais interna do útero que descama durante a menstruação) em outras regiões do corpo, fora da cavidade uterina. Implantes de endométrio podem ser observados na cavidade pélvica, ovários, e, o que muitos não sabem é que esse tecido endometrial pode aderir também ao intestino e a apêndice cecal, provocando sintomas específicos.

"A endometriose intestinal é uma doença benigna e tem tratamento. É uma complicação da endometriose profunda e obtemos o seu diagnóstico através de exames de imagem, como a ressonância magnética, a ultrassonografia pélvica transvaginal com preparo intestinal e outros exames específicos que podem ser indicados durante a avaliação individual. O diagnóstico preciso, no entanto, ocorre por meio da realização da videolaparoscopia, onde conseguimos avaliar a quantidade de implantes e a localização exata das lesões de endometriose", explica a médica Adriana Agnelli, especialista em cirurgia do aparelho digestivo, cirurgia bariátrica e coloproctologia. 

De acordo com Dra. Adriana, os principais sintomas da endometriose intestinal são: dor abdominal intensa durante a menstruação, dor pélvica que melhora após evacuação e dor pélvica durante as relações sexuais. A especialista ressalta que "algumas mulheres podem apresentar alguns desses sintomas ou todos, mas muitas vezes consideram ser normal do período menstrual, levando muitos anos para procurar um especialista e fazer o diagnóstico de endometriose profunda, com acometimento intestinal". E afirma que, em decorrência da endometriose no intestino, também podem ocorrer sangramento anal durante a menstruação, sensação de distensão abdominal e de evacuação incompleta. 

Para o tratamento da doença - quando a paciente apresenta sintomas ou quadro de infertilidade - a cirurgia é a melhor opção, como detalha a médica: "muitas vezes o tratamento cirúrgico se impõe e nosso objetivo é retirar todos os focos de endometriose, incluindo o tecido endometrial no intestino, aliviando ou mesmo abolindo os sintomas causados pela doença, evitando complicações futuras e devolvendo à mulher a sua fertilidade natural. Geralmente, nos focos intestinais utilizamos a ressecção segmentar do reto e/ou do cólon sigmoide por videolaparoscopia. Já para as lesões intestinais menores, a ressecção em disco, com a retirada somente da área acometida, é mais indicada." 

Dentre as particularidades do tratamento da endometriose intestinal, a especialista reforça a importância do trabalho de uma equipe multidisciplinar, com ginecologista e cirurgião atuando juntos, com uma minuciosa avaliação pré-operatória, levando-se em conta as expectativas da paciente com a cirurgia. Vale lembrar que, apesar do tratamento cirúrgico ser o mais efetivo, a mulher deve realizar avaliações médicas periódicas para monitorar e prevenir a possível formação de novos focos da doença.

 

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