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quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Novas regras sobre digitalização de prontuários médicos: a posição da ABN


Nestes dias recentes, a aprovação pela Plenária da Câmara dos Deputados sobre as regras para digitalização dos prontuários médicos causou enorme repercussão no universo na Medicina


Isto significa dizer que os prontuários médicos em papel serão transformados em mídias de armazenamento eletrônico, respeitadas as rígidas normas sobre sigilo/confidencialidade, atreladas às não menos rígidas normas legais de critérios de certificação e armazenamento dos dados coletados em papel e convertidos em formato digital.

A Academia Brasileira de Neurologia (ABN) compreende ser relevante levar em conta a crescente evolução de todo acervo tecnológico empregado em meios sociais e corporativos. Eles vêm alterando todo cotidiano do ser humano nas mais diversas situações e não poderia ser diferente no cenário médico.

As instituições têm sido alvo de constantes alterações estruturais e tecnológicas. O passo agora dado com a aprovação de regramentos para digitalização de tão consagrado documento, o Prontuário Médico, mostra que o caminho está aberto para a utilização de recursos inteligentes. É um indicativo às próximas etapas de aprimoramentos de processos relacionados à medicina.

“Com a validação da Câmara dos Deputados, temos uma nova realidade da vida corporativa e sustentável, cujos médicos precisarão se adaptar. Até mesmo porque estes avanços tecnológicos não surgiram de ontem para hoje, mas por convergência de cenários aos quais todos nós fazemos parte há anos. Assim, a iniciativa se mostra completamente adequada”, pontua Carlos Magno Michaelis Junior, assessor jurídico da ABN.

No contexto jurídico, destaca-se que tal avanço rege o documento máximo da relação médico e paciente, sendo este, sem dúvida, a questão mais polêmica e controvertida na deontologia do Código de Ética Médica, considerando os múltiplos aspectos da prática profissional.

O Prontuário Médico é o segredo hipocrático maior, elementarmente respeitado por todo os Poderes da República. Não à toa, a aprovação parlamentar condicionou austeridade nas regras de proteção aos dados e conteúdo, posto que a privacidade do paciente é conquista a ser sublimada. Trata-se de ganho constitucional garantido pelo Direito Público, vide a recente aprovação da Lei nº 13.709/18.

Por fim, vale destacar a atenção sobre dois pontos de elevada importância: sendo a medida sancionada pela Presidência da República, que a utilização de sistemas eletrônicos tenha a devida certificação de segurança, garantindo a absoluta inviolabilidade ou sigilo dos dados. A segunda refere-se ao o respeito aos prazos de armazenamento dos dados coletados e convertidos em meio digital que podem ser, dependendo do meio eletrônico adotado, de guarda por vinte anos ou de forma perene.
A atenção dos associados a estes elementos é crucial para segurança jurídica, pois os papéis (prontuários originais) serão descartados após a conversão. Para isso, a Academia Brasileira de Neurologia coloca à disposição do associado, por meio de sua Comissão de Defesa Profissional, o Departamento Jurídico aos que tenham dúvidas ou considerações sobre a efetiva implantação da nova norma nos próximos meses.

“Ainda temos certa preocupação com relação ao cruzamento dos dados entre os serviços médicos, públicos, da saúde suplementar e privados. Talvez a forma mais segura de trabalhar as informações seriam os processos chamados blockchain, os protocolos de confiança”, comenta a neurologista Francisca Goreth Malheiro Moraes Fantini, da Defesa Profissional da ABN.  “Entretanto, o número de processos por segundo que essas redes conseguem obter ainda é muito pequeno visto o número de processos necessários para fazer isso viável. Desta forma, reporto-me ao artigo 85 do Código de Ética Médica que veda ao médico ‘permitir o manuseio e o conhecimento dos prontuários por pessoas não obrigadas ao sigilo profissional quando sob sua responsabilidade.’  Nossa maior preocupação, sempre, é a manutenção do sigilo de nosso paciente”. 


quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Pesquisa aponta que brasileiros descuidam do protetor solar e não visitam o dermatologista diante de sinais suspeitos na pele



Apenas 36% dos brasileiros aplicam filtro solar todos os dias e porcentagem cai para 20% entre os homens.
As mulheres se protegem mais e 66% delas sabem reconhecer sinais suspeitos que podem indicar um quadro de câncer de pele.
Entre os homens que identificaram verrugas ou nódulos de cor vermelha ou arroxeada, a minoria buscou auxílio do dermatologista.
A detecção precoce é fundamental em doenças como o carcinoma de células de Merkel (CCM), um tipo agressivo de câncer de pele que está associado à exposição solar inadequada e pode se espalhar rapidamente.


Os cuidados com a pele são negligenciados pelos brasileiros, especialmente entre o público masculino. Essa é uma das conclusões da pesquisa “Sua pele fala – sinais suspeitos e o carcinoma de células de Merkel”, realizada pelo IBOPE Conecta com 2 mil pessoas de todas as regiões do País, a pedido da aliança Pfizer-Merck. A doença é um tipo raro e agressivo de câncer no qual as células tumorais se formam na camada superior da pele, perto de terminações nervosas1,2. E um dos principais fatores de risco para o carcinoma de células de Merkel (CCM) é a exposição solar excessiva e inadequada3.

Homens caucasianos, com mais de 50 anos, compõem o grupo de maior risco1,7 para o CCM. Apesar disso, apenas 20% dos homens ouvidos pela pesquisa afirmam aplicar protetor solar diariamente, embora a medida seja recomendada pelo Ministério da Saúde para prevenção do câncer de pele. Considerando a amostra geral da pesquisa, esse porcentual sobe para 36%. Além disso, 42% do público masculino ouvido desconhecem que verrugas e nódulos de cor vermelha ou arroxeada podem sugerir um quadro de câncer de pele, um porcentual superior à média geral dos entrevistados, que é de 38%. E somente 48% desses homens disseram ter buscado um dermatologista quando identificaram um desses sinais na pele, medida adotada por 52% do universo total de respondentes.  

Reconhecer possíveis manifestações do carcinoma de células de Merkel (CCM) é importante para a detecção precoce da doença, o que contribui para um melhor prognóstico4. Já a negligência aos sinais pode dificultar o tratamento, pois esse tipo de câncer tende a crescer rapidamente e a se disseminar para outros órgãos, em função da proximidade com as terminações nervosas da pele.

“A doença é muito agressiva e uma das únicas maneiras de ter um tratamento positivo, com boas chances de sobrevivência, é por meio da identificação da doença ainda nos primeiros estádios. Para isso, é preciso estar atento à própria pele e consultar um dermatologista regularmente”, afirma o médico Elimar Gomes, doutor em oncologia pelo AC Camargo Cancer Center, médico do hospital BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD).

Grande parte dos homens ouvidos (76%) afirma que aplica o protetor solar apenas de vez em quando ou somente ao frequentar a praia ou a piscina. Entre as mulheres, esse porcentual cai para 46%. Além disso, metade das entrevistas diz cumprir a recomendação de usar filtro solar diariamente, porcentagem que é de 36% para o total de respondentes da pesquisa. “Com a proximidade do verão, é importante o cuidado redobrado com a pele. Evitar exposição excessiva ao sol entre 10h e 16h, proteger o rosto com chapéu ou boné e usar protetor solar de largo espectro (UVA/UVB), com um elevado fator de proteção solar, todos os dias, são dicas fundamentais”, complementa o dermatologista.

As mulheres também são as mais informadas em relação aos sinais do câncer de pele e 66% delas estão cientes de que verrugas e nódulos de cor vermelha ou arroxeada podem ser manifestações da doença. A maioria delas diz ter buscado um dermatologista quando identificou um desses sinais na pele. “Sabemos que a mulher vai mais ao médico, especialmente ao dermatologista. Além disso, é mais sensível às medidas de prevenção do que os homens. Esses resultados nos mostram que ainda temos um desafio bastante grande na mudança de hábitos da população masculina”, destaca o dermatologista. 


Desconhecimento entre os mais jovens

A falta de informação se acentua entre as faixas mais jovens ouvidas pela pesquisa. Quase metade dos entrevistados de 16 a 24 anos de idade, ou 49% desse grupo, não sabe que verrugas ou nódulos de cores vermelha ou arroxeada podem ser sinais de câncer de pele. Por outro lado, esse porcentual cai para 23% entre aqueles com 55 anos ou mais de idade. Essa também é a faixa etária em que a ida ao dermatologista diante de sinais suspeitos é mais frequente: 65% desse grupo diz adotar esse cuidado.

Quando se analisa o uso de protetor solar, porém, há poucas diferenças entre as faixas etárias. Entre os mais jovens, de 16 a 24 anos, apenas 33% aplicam o produto diariamente e a porcentagem é a mesma na faixa etária daqueles com 55 anos ou mais de idade. Vale lembrar que o carcinoma de células de Merkel costuma surgir nas áreas de pele mais expostas ao sol, incluindo cabeça, pescoço e braços5,6. Mas as lesões também podem aparecer em locais de difícil detecção, como boca, nas cavidades nasais e na garganta4. Além disso, os sinais podem ser confundidos com lesões simples, atrasando o diagnóstico.

Uma vez identificado, o médico irá indicar o melhor tratamento. Recentemente, o imunoterápico Bavencio (avelumabe) foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil como monoterapia para o tratamento de pacientes adultos com carcinoma de células de Merkel metastático (CCMm). O medicamento faz parte de uma aliança estratégica global Merck-Pfizer, que foi anunciada em novembro de 2014 para, conjuntamente, desenvolver e comercializar Bavencio.



Sobre carcinoma de células de Merkel
O carcinoma de células de Merkel também é conhecido como carcinoma neuroendócrino da pele ou câncer trabecular. Outro fator de risco para a doença, além da exposição ao sol, é a infecção pelo poliomavírus de células de Merkel. Na Europa, um total de 2.500 pessoas são diagnosticadas com a doença a cada ano e entre 5% e 12% desses tumores são identificados já em fase metastática. Cerca de 1 em cada 3 europeus com a doença morre anualmente. No Brasil, não há dados epidemiológicos específicos disponíveis para o CCM.



Sobre a Aliança Merck-Pfizer
A aliança estratégica global entre a Merck e a Pfizer permite que as empresas se beneficiem de forças e capacidades de cada uma, bem como explorar ainda mais o potencial terapêutico de BAVENCIO, um anticorpo anti-PD-L1 experimental inicialmente descoberto e desenvolvido pela Merck. A aliança para a imuno-oncologia desenvolverá e comercializará a molécula em conjunto e tem como foco o desenvolvimento de estudos clínicos internacionais prioritários para investigar BAVENCIO, como monoterapia, e também como regimes associados. A aliança tem seus esforços voltados a encontrar novas maneiras de tratar o câncer.



Merck
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Pfizer
 www.pfizer.com.br e as redes sociais da companhia: Twitter, Facebook e YouTube.





Referências:

2.     Nghiem P. Systematic literature review of efficacy, safety and tolerability outcomes of chemotherapy regimens in patients with metastatic Merkel cell carcinoma. Future Oncology 2017;13(14):1263–1279.
3.     Merkel Cell Carcinoma in the Age of Immunotherapy: Facts and Hopes. Clinical Cancer Research, december 2017. OF1.
4.     European Cancer Patient Coalition. Availabel from: http://ecpc.org/mcc/pt. Accessed december 2018.
5.     Nghiem P. Systematic literature review of efficacy, safety and tolerability outcomes of chemotherapy regimens in patients with metastatic Merkel cell carcinoma. Future Oncology 2017;13(14):1263–1279.
6.     NCCN Merkel Cell Carcinoma Guidelines version I. 2017.
7.     Heath M, Jaimes N and Lemos B. Clinical characteristics of Merkel cell carcinoma at diagnosis in 195 patients: the AEIOU features. J Am Acad Dermatol 2008;58:375–81. http://www.pnlab.org/clinical/documents/ClinCharacteristics.pdf. Accessed September 2017

Conheça 05 fake news sobre a Homeopatia


A homeopatia é a terapia alternativa que mais sofre coma disseminação das fake news, nos dias de hoje. Isso não ocorre, por exemplo, com a acupuntura - especialidade também reconhecida pelo CFM - nem com a “medicina ortomolecular”



01)             “A pesquisa em homeopatia é de baixa qualidade, por isso você não pode confiar nos resultados”

Apenas um estudo comparou a qualidade da pesquisa em homeopatia com a da medicina convencional. Em geral, os ensaios de homeopatia foram considerados de maior qualidade do que os ensaios convencionais quando foram comparados.

Os pesquisadores compararam 110 ensaios de homeopatia e 110 ensaios combinados de medicina convencional: 21 ensaios de homeopatia e 9 ensaios clínicos convencionais foram avaliados como "de maior qualidade" (19% dos ensaios de homeopatia e 8% dos ensaios de medicina convencional).

“Este estudo mostra que elevar os padrões de pesquisa é uma questão permanente para a homeopatia e a medicina convencional. Também é verdade que alguns estudos de homeopatia, são de baixa qualidade, assim como alguns da medicina tradicional, particularmente aqueles realizados há algumas décadas, que estão aquém dos padrões de qualidade atuais. No entanto, é claro que não é verdade que todos os estudos de homeopatia são de má qualidade. Existem estudos de boa qualidade que descobriram que a homeopatia é eficaz”, afirma  o pediatra e homeopata Moises Chencinski (CRM-SP 36.349).



02)             “A ideia de ‘cura pelos semelhantes’ não faz sentido”

A homeopatia baseia-se no princípio básico de “cura pelos semelhantes”, isto é, uma substância que pode causar os sintomas da doença, se tomada em grandes doses, pode ser usada, em doses mínimas, para tratar sintomas semelhantes.

“A ideia de que uma substância pode ser prejudicial em grandes quantidades, mas benéfica em pequenas quantidades, não é nova para a ciência; na verdade, este conceito (hormese) existe há décadas e está cada vez mais bem documentado em áreas como biologia e toxicologia”, destaca o médico.

Existem até exemplos de "cura pelos semelhantes" na medicina convencional:

  • Digitalis, em doses elevadas, causa arritmias, mas esta droga é usada rotineiramente, em doses baixas, para tratar esta condição;
  • O medicamento estimulante, à base de anfetaminas, Ritalin, é usado para tratar o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH);
  • Pequenas doses de alérgenos, como o pólen, são usadas para tratar pacientes alérgicos.

No entanto, uma diferença importante na homeopatia é que as doses medicinais administradas são tão pequenas que os efeitos colaterais tóxicos são evitados.

Os medicamentos homeopáticos de baixa potência (com potências até 12 CH ou 24 X) contêm, ainda, poucas moléculas da substância original da qual são feitos. Por essa razão, na maioria dos países, os remédios feitos a partir de substâncias tóxicas só estão disponíveis em potências mais altas, da "primeira diluição segura" para cima. “São as potências mais altas, que não contêm moléculas, que são mais controversas, pois ainda não entendemos seu mecanismo de ação”, diz Moises Chencisnki.


03)             "A homeopatia não deve ser usada porque você não pode explicar como ela funciona"


Saber como um medicamento funciona nunca foi um pré-requisito para o seu uso. A aspirina (ácido acetilsalicílico) é uma das drogas mais usadas no mundo, mas foi usada por mais de 70 anos, antes de seu mecanismo de ação ter sido descoberto, em 1971.  A droga ainda é ativamente pesquisada hoje, pois possui inúmeros efeitos biológicos ainda não totalmente compreendidos.

Variações do ácido acetilsalicílico têm sido usadas para tratar a dor e a febre desde a antiguidade, começando com preparações feitas a partir de suas formas naturais - as folhas e a casca do salgueiro ou choupo. Em 1899, uma forma artificialmente sintetizada do ingrediente ativo passou por testes clínicos e a droga "aspirina", como a conhecemos hoje, foi lançada.

“Da mesma forma, a homeopatia tem uma longa história de uso tradicional. Isto levou à compreensão clínica do que os medicamentos homeopáticos podem fazer, estando à frente da nossa compreensão teórica de como esses medicamentos têm um efeito biológico. Encontrar o mecanismo de ação dos medicamentos homeopáticos será fascinante e muitos pesquisadores, em todo o mundo, estão realizando pesquisas fundamentais e básicas para investigar essa importante questão”, afirma o pediatra homeopata.


04)             "A medicina convencional está comprovada - a homeopatia não"

Esta é uma crença comum, mas na verdade a situação não é tão simples. Quer estejamos discutindo medicina convencional ou homeopática, a ciência é muito mais complexa do que poderíamos desejar.

A análise, pelo Clinical Evidence, do British Medical Journal (BMJ) mostra que apenas 11% de 3.000 tratamentos usados habitualmente são benéficos.

A quantidade de pesquisas realizadas na medicina convencional é vasta em comparação com o campo relativamente novo da pesquisa em homeopatia, mas quando você olha para o balanço de evidências - a porcentagem de tentativas que são positivas, negativas ou inconclusivas - são notavelmente semelhantes para os dois lados.

“A pesquisa deve continuar em todos os campos para ajudar os formuladores de políticas públicas em saúde, pacientes e médicos a tomarem as melhores decisões possíveis, mas no momento, muitas decisões não podem ser baseadas em evidências científicas, porque há apenas dados insuficientes”, diz o médico.


05)             "Homeopatia não é ciência"

Há críticos que afirmam que a homeopatia é uma "pseudociência" e apenas não cientistas estão interessados no assunto. De fato, cientistas de universidades altamente respeitadas, instituições de pesquisa e hospitais, em todo o mundo, estão realizando pesquisas sobre a homeopatia usando as mesmas técnicas usadas para investigar tratamentos médicos convencionais.

“A pesquisa em homeopatia é um campo relativamente novo (a homeopatia tem pouco mais de 200 anos), mas o número de artigos publicados em periódicos revisados por pares cresceu significativamente nos últimos 40 anos”, informa Moises Chencinski.

Este atraso em relação à medicina convencional não é surpreendente quando se considera a falta de financiamento disponível. No Reino Unido, menos de 0,0085% do orçamento de pesquisa médica é gasto em pesquisa de medicamentos complementares e alternativos.





Moises Chencinski

Site: http://www.drmoises.com.br




Exame ocular pode detectar a doença de Alzheimer precocemente


Dois novos estudos sugerem que os sinais da doença são visíveis nos olhos antes que os sintomas apareçam


Os resultados de dois estudos mostram que um novo dispositivo de imagem, não invasivo, pode detectar sinais da doença de Alzheimer em questão de segundos. Os pesquisadores descobriram que os pequenos vasos sanguíneos da retina, na parte de trás do olho, estão alterados em pacientes com Alzheimer. Mesmo os pacientes que têm uma história familiar de Alzheimer, mas não apresentam sintomas, mostram esses sinais reveladores. O exame pode distinguir entre pessoas com Alzheimer e aquelas que apresentam apenas comprometimento cognitivo leve. Os resultados desses estudos foram apresentados na AAO 2018, a 122ª Reunião Anual da Academia Americana de Oftalmologia.

Um novo tipo de imagem precisa e não invasiva, chamada angiografia por tomografia de coerência óptica (OCTA), ajudou muito na pesquisa recente sobre a conexão dos olhos com a doença de Alzheimer. Ela permite que os médicos vejam as menores veias na parte de trás do olho, incluindo os glóbulos vermelhos que se movem pela retina.

“Como a retina está conectada ao cérebro por meio do nervo óptico, os pesquisadores acreditam que a deterioração da retina e de seus vasos sanguíneos podem espelhar as mudanças que ocorrem nos vasos sanguíneos e nas estruturas do cérebro, oferecendo, assim, uma janela para a o diagnóstico precoce do Alzheimer”, afirma o oftalmologista Virgílio Centurion, diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares.

Diagnosticar a doença de Alzheimer é atualmente um desafio. Algumas técnicas podem detectar os sinais da doença, mas são impraticáveis ​​para a triagem de milhões de pessoas, pois as tomografias cerebrais são caras e as punções lombares podem ser prejudiciais.  Por isso, a doença é frequentemente diagnosticada através de testes de memória ou observando mudanças de comportamento. No momento em que essas mudanças são notadas, a doença está avançada. Embora não haja cura, o diagnóstico precoce é fundamental, pois os tratamentos futuros provavelmente serão mais eficazes quando administrados precocemente. O diagnóstico precoce também fornece tempo para que os pacientes e suas famílias planejem o futuro”, explica a neuro-oftalmologista do IMO, Márcia Lucia Marques.

O objetivo destas pesquisas recentes foi encontrar uma maneira rápida e barata de detectar os primeiros sinais do Alzheimer. Assim, pesquisadores da Duke University usaram o OCTA para comparar as retinas dos pacientes com Alzheimer com as de pessoas com comprometimento cognitivo leve, bem como as de pessoas saudáveis. Eles descobriram que o grupo com Alzheimer tinha perda de pequenos vasos sanguíneos da retina, no fundo do olho, e que uma camada específica da retina era mais fina. Pessoas com comprometimento cognitivo leve não mostraram essas mudanças.

Os autores do estudo esperam que o trabalho tenha um impacto positivo na vida dos pacientes. “Este projeto atende a uma enorme necessidade não atendida atualmente. Não é possível, empregando as técnicas atuais, como uma varredura do cérebro ou uma punção lombar (espinhal), rastrear o número de pacientes com essa doença. Precisamos detectá-la mais cedo e introduzir o tratamento precocemente”, afirma Márcia Marques.

Como os genes desempenham um papel significativo na forma como o Alzheimer começa e progride, outra equipe de pesquisadores, do Sheba Medical Center, em Israel, examinou 400 pessoas que tinham um histórico familiar da doença, mas que não apresentavam sintomas. Eles compararam seus exames de retina e do cérebro com aqueles que não tinham histórico familiar de doença de Alzheimer.

“Os pesquisadores israelenses descobriram que a camada interna da retina é mais fina em pessoas com histórico familiar de Alzheimer. O exame do cérebro mostrou, pela primeira vez, que o hipocampo, uma área do cérebro afetada pela doença, já havia começado a encolher. Ambos os fatores, uma camada da retina mais fina e um hipocampo menor, foram associados a uma pior pontuação em um teste de função cognitiva. Uma tomografia cerebral pode detectar o Alzheimer quando a doença está bem adiantada, além de uma fase tratável. Precisamos de intervenção precoce e tratamento mais cedo para  pacientes que estão em tão alto risco”, explica a neuro-oftalmologista.





IMO, Instituto de Moléstias Oculares

Frutas vermelhas, alimentos ricos em vitamina C e oleaginosas podem ajudar na prevenção do câncer de pele



A nutricionista funcional e oncológica Michelle Mendes, da Aliança Instituto de Oncologia, preparou uma lista de nutrientes. Confira


O mês de dezembro foi escolhido para conscientizar a população sobre o câncer de pele, tipo mais frequente no Brasil. Dados do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) revelam que, até o final do ano, o Brasil deve registrar mais de 170 mil novos casos da doença.

O dezembro laranja visa disseminar práticas e cuidados com a pele também. Pensando nisso, nutricionista funcional e oncológica Michelle Mendes, da Aliança Instituto de Oncologia, separou uma lista com alguns nutrientes que podem garantir uma pele mais saudável, auxiliando na prevenção e combate ao câncer de pele. Confira:

- Frutas vermelhas como morango, framboesa, amora e outras são ricas em antioxidantes que diminuem o excesso de radicais livres no organismo, prevenindo o envelhecimento precoce.

- Alimentos ricos em vitamina C como laranja, acerola, goiaba, kiwi, tomate e pimentão tem efeitos benéficos na pele por auxiliarem na imunidade e diminuírem a colonização de micro-organismos danosos ao organismo.

- Fontes de gordura boa como abacate e as oleaginosas (castanhas) possuem vitamina E, nutriente importante para a hidratação da pele e foto proteção cutânea.

- Vitamina A presente na Cenoura auxilia no bronzeamento natural da pele, sem agredi-la.

- Vitamina B3 conhecida também como Niacina é uma grande aliada na saúde da pele, atuando na prevenção do câncer de pele. Está presente em alimentos como aveia, amendoim, atum, frango, entre outros.

"Uma alimentação saudável é um dos fatores de proteção contra o câncer e não é diferente quando falamos do câncer de pele", complementa.



Verão propaga doenças nos olhos



Doenças oculares externas crescem 20% no calor. Saiba como prevenir


Água do mar ou piscina contaminada, abusar das lentes de contato em ambientes com ar condicionado e viagens aéreas longas prejudicam os olhos no verão. De acordo com o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto os prontuários do hospital mostram que estas variáveis durante a estação aumentam em 20% as doenças oculares externas: conjuntivite, alergia, ceratite (inflamação da córnea) e olho seco. Para cada uma o tratamento é diferenciado, embora tenham sintomas em comum: olhos vermelhos, lacrimejamento, coceira, sensação de corpo estranho, queimação, fotofobia e visão borrada. O uso de colírio impróprio pode agravar estas doenças, adverte. Todas as faixas etárias são afetadas, mas os riscos variam conforme a idade.


Crianças

Queiroz Neto afirma que entre crianças os fatores de risco mais frequentes são o hábito de ficar mais tempo na água e nadar de olhos abertos sem óculos de natação. Isso porque, o contato da mucosa ocular com o excesso ou falta de cloro nas piscinas e com a água contaminada do mar pode causar alergia ocular, ceratite, conjuntivite viral ou bacteriana.   O médico explica que os casos de alergia são tratados com colírio anti-histamínico e compressas frias. “A ceratite e a conjuntivite viral   com colírio anti-inflamatório e compressas frias. Já a conjuntivite bacteriana provoca uma secreção amarelada e o tratamento é feito com colírio antibiótico e compressas quentes” pontua.


Adultos

Se entre crianças os maiores vilões no verão são a água do mar e piscina, o especialista afirma que entre adultos são o abuso de lentes de contato, o excesso de ar condicionado e as viagens aéreas longas. Este três fatores aumentam o risco de contrair síndrome do olho seco que se não tiver tratamento adequado causa ceratite.

Isso porque, explica, a córnea lente externa do olho se alimenta da lágrima. O ressecamento do filme lacrimal provoca a má oxigenação da córnea e acarreta sua inflamação,  facilita a contaminação por microrganismos e a formação de úlceras. A recomendação do médico é retirar as lentes de contato nas viagens aéreas com mais de 3 horas de duração porque o ar é mais rarefeito dentro dos aviões, evitar o abuso de ar condicionado e proteger os olhos com colírio lubrificante.


Prevenção

As dicas de Queiroz Neto para prevenir a conjuntivite no verão são:

·         Lavar as mãos com frequência.

·         Evitando o compartilhamento de equipamentos de informática, maquiagem, toalhas e fronhas.

·         Usar óculos de natação para praticar o esporte na praia ou piscina.

Para garantir a produção de lágrima o especialista diz que é importante fazer dieta com pouco carboidrato, gordura e carne bovina, porém rica em vitaminas A e E (presentes em alimentos como as frutas, verduras e legumes), além da suplementação com Ômega 3, presente nas sementes de linhaça, nozes, sardinha e salmão . O especialista ressalta que até o uso de colírio lubrificante só deve ser usado com indicação médica porque as fórmulas variam para repor a camada aquosa, de gordura ou proteína da lágrima.

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