Especialista da Fundação Darcy Vargas orienta pais
e destaca a importância da disciplina de Tecnologias Digitais da Informação e
Comunicação (TDICs) nos currículos escolares
Em
meio à hiperconectividade, ao avanço da inteligência artificial e ao consumo
acelerado de conteúdos digitais, ensinar crianças e adolescentes sobre como
usar a tecnologia passou a ser um desafio para pais e educadores. Nesse
cenário, a Fundação Darcy Vargas (FDV), escola gratuita de ensino básico do Rio
de Janeiro, tem incluído o letramento digital como parte do desenvolvimento dos
estudantes por meio da disciplina eletiva de Tecnologias Digitais da Informação
e Comunicação (TDICs), iniciativa ainda pouco explorada na educação básica.
Para
apoiar os adultos nesse processo com crianças e adolescentes, a professora
Sarah Batista Santos, da FDV e que atua há seis anos com educação e uso de
tecnologias, reuniu cinco orientações que podem ser incorporadas à rotina
familiar:
1. Criar
momentos fixos sem telas
Estabelecer horários específicos para desconectar, como durante as refeições ou
antes de dormir, ajuda a fortalecer vínculos familiares, melhorar o descanso e
reduzir o uso automático dos dispositivos.
2. Construir
regras em conjunto
Mais do que impor limites, o ideal é combinar horários, tempo de tela e tipos
de conteúdo junto aos filhos. Quando adolescentes participam dessas decisões,
tendem a desenvolver mais responsabilidade sobre os próprios hábitos digitais.
3. Incentivar
experiências fora do ambiente virtual
Esportes, leitura, atividades artísticas, cozinhar e encontros presenciais
ampliam repertório, estimulam criatividade e ajudam a equilibrar o cotidiano.
4. Conversar
sobre o que é consumido nas redes
Acompanhar conteúdos, questionar fontes e discutir exageros, intenções e
possíveis desinformações contribui para o desenvolvimento do pensamento crítico
e da autonomia digital.
5. Dar o
exemplo no uso da tecnologia
Crianças e adolescentes observam os comportamentos dos adultos. Valorizar
conversas presenciais, respeitar momentos sem telas e equilibrar o uso do celular
tende a gerar hábitos semelhantes nos mais jovens.
Segundo
Sarah, o maior desafio das famílias atualmente é encontrar equilíbrio entre os
ambientes online e offline.
“A
tecnologia trouxe benefícios importantes para a rotina dos jovens,
especialmente no acesso à informação e na organização das atividades. Mas o
excesso de conteúdos prontos e sugestões automáticas também pode reduzir
processos criativos e dificultar o desenvolvimento do pensamento crítico. Por
isso, é essencial ensinar não apenas o uso das ferramentas, mas também a
reflexão sobre aquilo que consumimos”, afirma.
Na
Fundação Darcy Vargas, esse trabalho acontece dentro da disciplina eletiva de
TDICs, que tem como objetivo preparar os estudantes para utilizar ferramentas
digitais de forma crítica, ética e responsável.
Ao
longo das aulas, os alunos aprendem sobre funcionamento da internet, segurança
e privacidade digital, identificação de conteúdos confiáveis e resolução de
problemas do dia a dia ligados ao ambiente online. O conteúdo aborda estudos de
caso e situações reais para discutir exposição em redes sociais, golpes
virtuais, proteção de dados e os impactos dos algoritmos na forma como
consumimos informação.
O
diferencial da proposta, segundo a professora, está em ir além do ensino instrumental
da tecnologia.
“Os
estudantes aprendem não apenas a usar aplicativos ou acessar plataformas, mas a
compreender como essas ferramentas influenciam decisões, comportamentos e
relações. O objetivo é formar jovens mais autônomos, criativos e conscientes.”
Os
resultados já aparecem no cotidiano escolar: alunos demonstram mais cuidado com
informações compartilhadas na internet, maior capacidade de identificar
conteúdos confiáveis e percepção mais crítica sobre os impactos das redes
sociais e dos algoritmos.
Para
Sarah, o aprendizado precisa continuar dentro de casa.
“A
participação da família é fundamental para orientar e acompanhar o uso da
tecnologia no cotidiano. Mais do que controlar, é importante dialogar,
estabelecer limites equilibrados e ajudar crianças e adolescentes a desenvolver
responsabilidade e bom senso no ambiente digital.”
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