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sábado, 20 de junho de 2026

O que fazer quando o jovem não larga o celular? Confira cinco dicas para reduzir os excessos digitais

Especialista da Fundação Darcy Vargas orienta pais e destaca a importância da disciplina de Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs) nos currículos escolares
 

Em meio à hiperconectividade, ao avanço da inteligência artificial e ao consumo acelerado de conteúdos digitais, ensinar crianças e adolescentes sobre como usar a tecnologia passou a ser um desafio para pais e educadores. Nesse cenário, a Fundação Darcy Vargas (FDV), escola gratuita de ensino básico do Rio de Janeiro, tem incluído o letramento digital como parte do desenvolvimento dos estudantes por meio da disciplina eletiva de Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs), iniciativa ainda pouco explorada na educação básica. 

Para apoiar os adultos nesse processo com crianças e adolescentes, a professora Sarah Batista Santos, da FDV e que atua há seis anos com educação e uso de tecnologias, reuniu cinco orientações que podem ser incorporadas à rotina familiar:
 

1. Criar momentos fixos sem telas
Estabelecer horários específicos para desconectar, como durante as refeições ou antes de dormir, ajuda a fortalecer vínculos familiares, melhorar o descanso e reduzir o uso automático dos dispositivos.
 

2. Construir regras em conjunto
Mais do que impor limites, o ideal é combinar horários, tempo de tela e tipos de conteúdo junto aos filhos. Quando adolescentes participam dessas decisões, tendem a desenvolver mais responsabilidade sobre os próprios hábitos digitais.
 

3. Incentivar experiências fora do ambiente virtual
Esportes, leitura, atividades artísticas, cozinhar e encontros presenciais ampliam repertório, estimulam criatividade e ajudam a equilibrar o cotidiano.
 

4. Conversar sobre o que é consumido nas redes
Acompanhar conteúdos, questionar fontes e discutir exageros, intenções e possíveis desinformações contribui para o desenvolvimento do pensamento crítico e da autonomia digital.
 

5. Dar o exemplo no uso da tecnologia
Crianças e adolescentes observam os comportamentos dos adultos. Valorizar conversas presenciais, respeitar momentos sem telas e equilibrar o uso do celular tende a gerar hábitos semelhantes nos mais jovens.
 

Segundo Sarah, o maior desafio das famílias atualmente é encontrar equilíbrio entre os ambientes online e offline.

“A tecnologia trouxe benefícios importantes para a rotina dos jovens, especialmente no acesso à informação e na organização das atividades. Mas o excesso de conteúdos prontos e sugestões automáticas também pode reduzir processos criativos e dificultar o desenvolvimento do pensamento crítico. Por isso, é essencial ensinar não apenas o uso das ferramentas, mas também a reflexão sobre aquilo que consumimos”, afirma. 

Na Fundação Darcy Vargas, esse trabalho acontece dentro da disciplina eletiva de TDICs, que tem como objetivo preparar os estudantes para utilizar ferramentas digitais de forma crítica, ética e responsável. 

Ao longo das aulas, os alunos aprendem sobre funcionamento da internet, segurança e privacidade digital, identificação de conteúdos confiáveis e resolução de problemas do dia a dia ligados ao ambiente online. O conteúdo aborda estudos de caso e situações reais para discutir exposição em redes sociais, golpes virtuais, proteção de dados e os impactos dos algoritmos na forma como consumimos informação. 

O diferencial da proposta, segundo a professora, está em ir além do ensino instrumental da tecnologia.

“Os estudantes aprendem não apenas a usar aplicativos ou acessar plataformas, mas a compreender como essas ferramentas influenciam decisões, comportamentos e relações. O objetivo é formar jovens mais autônomos, criativos e conscientes.”
 

Os resultados já aparecem no cotidiano escolar: alunos demonstram mais cuidado com informações compartilhadas na internet, maior capacidade de identificar conteúdos confiáveis e percepção mais crítica sobre os impactos das redes sociais e dos algoritmos.
 

Para Sarah, o aprendizado precisa continuar dentro de casa.

“A participação da família é fundamental para orientar e acompanhar o uso da tecnologia no cotidiano. Mais do que controlar, é importante dialogar, estabelecer limites equilibrados e ajudar crianças e adolescentes a desenvolver responsabilidade e bom senso no ambiente digital.”


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