Conhecido como limão caviar, fruto valorizado pela alta gastronomia ganha versão brasileira desenvolvida por pesquisadores paulistas
Você
já imaginou um limão que não tem gomos como os tradicionais e guarda o suco em
pequenas “pérolas” que estouram na boca? Essa é a principal característica do
limão caviar, uma fruta exótica originária da Austrália que vem conquistando
espaço na alta gastronomia e despertando o interesse de produtores rurais.
Valorizado por chefs e restaurantes, o fruto pode alcançar preços entre R$ 400
e R$ 1.200 o quilo.
“Ao
contrário de outros citros, o caviar não possui suco, por isso sua destinação à
alta gastronomia para finalização de receitas. Sua polpa tem pequenas vesículas
que se parecem com o caviar e quando consumidas estouram na boca e liberam um
sabor levemente ácido. As cores da casca e da polpa podem variar em tonalidades
entre marrom, amarelo, rosa, verde e avermelhado”, explica a pesquisadora do
Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, Marinês Bastianel.
O
ingrediente que conquistou os chefs, já faz parte do menu do sushi chef Allan
Beckmann, do restaurante Satori Omakase. Para ele, o limão caviar vai muito
além de um ingrediente exótico e se tornou uma ferramenta criativa para a
construção de experiências gastronômicas.
“A
textura dele, quase lúdica, dialoga naturalmente com preparos que valorizam
pureza, contraste e precisão. Como no omakase, que ele pode ser mais do que um
acabamento bonito, torna-se um elemento de linguagem. Ao lado de um peixe branco,
de uma vieira ou de um niguiri cuidadosamente montado, ele realça o sabor sem
encobrir a identidade do ingrediente principal.”
Segundo
Allan, o limão caviar amplia o repertório técnico e sensorial dos chefs,
permitindo finalizações mais refinadas e composições contemporâneas. O
crescente interesse de restaurantes pelo fruto reflete uma gastronomia cada vez
mais conectada à experiência do cliente e à busca por ingredientes capazes de
unir sabor, textura e apresentação.
Da
alta gastronomia para o campo
Trata-se
de um material que atende a nichos de mercado e, por conta desse perfil, abre
novas oportunidades aos citricultores brasileiros, já que a variedade do IAC
tem potencial para a produção nacional do fruto. Sua comercialização tem foco
nas capitais brasileiras. No exterior, é consumido na União Europeia, Estados
Unidos e Japão.
Ele
também é chamado Finger lime, como é conhecido fora do Brasil. A
tradução é lima de dedo, por conta do formato alongado. A variedade Faustrime
pertence à espécie Microcitrus australasica, mesma família das frutas
cítricas tradicionais, como laranjas, limões e tangerinas. O Siciliano e o
Tahiti pertencem ao gênero Citrus.
Por
trás da seleção da variedade Faustrime está um patrimônio genético único. O
Centro de Citricultura do IAC, em Cordeirópolis, mantém o maior Banco de
Germoplasma de citros do mundo, com cerca de 1.700 materiais genéticos trazidos
de diferentes países. É essa diversidade que permite aos pesquisadores
desenvolver e selecionar novas variedades, como o limão caviar, fruta
originária da Austrália. Apesar do nome, ele pertence a uma espécie diferente
dos limões mais conhecidos pelos consumidores, como o Siciliano e o Tahiti,
embora faça parte da mesma família das frutas cítricas.
Este tipo de limão tem produção precoce e pode ser colhido a partir do segundo ano de plantio, mas a maior produtividade é obtida a partir de quatro anos do ciclo. “As características das árvores são bem diferentes de outros citros e apresentam muitos espinhos nos pés, o que exige maior cuidado do produtor durante a colheita. A plantas possuem, ao longo do ano, múltiplas floradas resultando nos frutos”, relata a pesquisadora.
Ganhos para a saúde dos citros
Mundialmente,
cientistas vêm trabalhando com Microcitrus nos Programas de Melhoramento
Genético, principalmente de porta-enxertos, porque o limão caviar tem mostrado
uma tolerância maior ao Greening, doença que afeta a citricultura.
“Vimos
vários estudos em países que estão produzindo novas combinações de
porta-enxerto que tenham tolerância ao HBL (greening). Nesse caso, o ideal é
adotar um sistema que combine porta-enxerto e a copa da planta tolerantes à
doença”, acrescenta Bastianel.
Além
da pesquisa desenvolvida pelo instituto, a Secretaria de Agricultura e
Abastecimento também atua para garantir a conformidade fitossanitária da
cultura. Por meio da Defesa Agropecuária, são realizados os procedimentos
relacionados à certificação fitossanitária e ao controle do trânsito vegetal,
contribuindo para a segurança da produção e para o acesso dos produtores aos
mercados nacional e internacional.



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