Especialista
destaca que os dois alimentos oferecem benefícios, mas alerta que o excesso de
açúcar nas receitas típicas pode comprometer as vantagens nutricionais
Com a chegada das festas juninas, uma dúvida
costuma surgir entre os amantes das delícias típicas da
temporada, afinal, entre milho e amendoim, qual é a opção mais saudável?
Presentes em receitas tradicionais que vão da pamonha à paçoca, os dois
alimentos são protagonistas dos arraiais brasileiros, mas possuem
características nutricionais bem diferentes.
Segundo Paula Macedo, nutricionista e docente
do curso de Graduação em Nutrição da Faculdade Santa Marcelina, a comparação exige
uma análise cuidadosa, já que milho e amendoim pertencem a grupos
alimentares diferentes. Enquanto o milho é um cereal rico em
carboidratos complexos, o amendoim é uma leguminosa oleaginosa, da mesma
família dos feijões, reconhecida pelo elevado teor de proteínas, gorduras boas
e compostos antioxidantes.
“O amendoim apresenta uma densidade nutricional
muito elevada, com proteínas de
qualidade, gorduras-mono e poli-insaturadas, vitamina
E e resveratrol, substâncias associadas à proteção cardiovascular e à
ação antioxidante. Já o milho se destaca pelo fornecimento de energia, pelas
fibras que auxiliam no funcionamento intestinal e pelos carotenoides
importantes para a saúde ocular”, explica a nutricionista, que
ressalta ainda que a melhor escolha depende dos objetivos individuais.
Para pessoas que buscam ganho de massa muscular ou seguem estratégias
alimentares com menor consumo de carboidratos, o amendoim pode ser mais vantajoso
devido ao seu perfil proteico e lipídico. Por outro lado, o milho pode ser uma
excelente alternativa para quem necessita de energia para atividades físicas ou
busca maior saciedade com menor densidade calórica.
Apesar dos benefícios nutricionais dos dois
alimentos, a profissional destaca que a forma de consumo durante as
festas juninas merece atenção. Isso porque, na prática, o milho costuma
aparecer com mais frequência em preparações próximas de sua forma natural, como
a espiga cozida, enquanto o amendoim geralmente é incorporado a receitas com
grandes quantidades de açúcar, como pé de moleque e paçoca. “Do ponto de
vista do comportamento alimentar, o milho leva certa vantagem porque é
consumido com mais frequência em sua forma in natura. Já o amendoim costuma
estar associado a preparações muito açucaradas. No entanto, quando o milho é
utilizado em receitas como curau, canjica, bolos e pudins, a diferença entre
eles diminui bastante”, afirma.
A docente da Faculdade Santa
Marcelina alerta ainda que a adição de ingredientes como açúcar refinado,
leite condensado e manteiga modifica significativamente o perfil nutricional
das receitas. Embora o amendoim preserve suas gorduras boas e o milho mantenha
parte das fibras, esses benefícios não são suficientes para neutralizar os
impactos metabólicos provocados pelo excesso de açúcar e gordura.
“Esses ingredientes transformam preparações
naturalmente nutritivas em alimentos altamente palatáveis, que estimulam o
consumo excessivo. As fibras e os compostos bioativos ajudam a reduzir um pouco
a velocidade de absorção dos açúcares, mas o resultado continua sendo
uma receita com elevada carga calórica e glicêmica quando consumida em
excesso”, explica.
Para quem deseja aproveitar as festividades
sem abrir mão do equilíbrio alimentar, a nutricionista recomenda
priorizar preparações mais simples. Entre as opções à base de amendoim, o
torrado é considerado a melhor escolha, por manter suas propriedades
nutricionais sem adição de açúcar. A paçoca artesanal, preparada com menor
quantidade de ingredientes industrializados, também pode ser uma alternativa
mais equilibrada. Já entre os derivados do milho, a espiga cozida continua
sendo a opção mais nutritiva, enquanto a pamonha salgada pode funcionar como
uma refeição intermediária com menor impacto glicêmico em comparação às versões
doces.
De acordo com a profissional, o principal segredo
para manter uma alimentação saudável durante o período junino está na
moderação. “As festas juninas fazem parte da nossa cultura e não devem ser
encaradas com restrições excessivas. O mais importante é fazer escolhas
conscientes, priorizando alimentos menos processados e equilibrando o consumo
das sobremesas típicas. Dessa forma, é possível aproveitar o melhor da tradição
sem comprometer a saúde”, conclui.
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