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quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

‘Dezembro Vermelho’


 Casos de AIDS em mulheres mais velhas continuam crescendo


Enquanto a cura da AIDS não vem, dezembro é o mês de conscientizar a população sobre os sintomas e formas de prevenção e contágio do vírus HIV. Apesar do número de pessoas infectadas estar em queda nos últimos anos, de acordo com relatório recente da Organização das Nações Unidas (ONU), o índice vem crescendo em mulheres entre 15 e 19 anos e também entre aquelas com mais de 60 anos. Só para se ter uma ideia da gravidade da situação na população mais velha, na última década, no Brasil, foi registrado um aumento de 103% no número de casos de AIDS entre pessoas idosas, segundo o Ministério da Saúde.

“Infelizmente hoje muitas pessoas estão deixando de se preocupar com a AIDS e não usam camisinha durante o ato sexual. O crescimento da AIDS entre adolescentes mostra a inconsequência de não usar preservativo durante o sexo. O mesmo ocorre entre as idosas com mais de 60 anos. Praticar sexo depois dos 60, dos 70 anos, exige os mesmos cuidados indicados aos mais jovens. É importante que todas as mulheres conversem com seus parceiros sobre o uso de preservativo”, alerta Juliana Pierobon, ginecologista da ALTACASA Clínica Médica, em São Paulo.

A especialista explica que as mulheres na pós-menopausa muitas vezes deixam de usar o preservativo por não correrem mais o risco de engravidar e isso acaba abrindo portas para que contraiam o vírus da AIDS. “Além de serem de uma geração anterior à AIDS e por isso muitas não têm o hábito de exigir o preservativo, ainda tem essa questão de não mais engravidar. Por isso o índice de mulheres com HIV após os 60 anos tem crescido tanto”, ressalta a médica.

Mas o mundo mudou. Hoje, a oferta de estimulantes sexuais, lubrificantes e mesmo o surgimento de aplicativos de relacionamento transformou drasticamente as relações, o que vem impactando no número de parceiros sexuais, inclusive entre mulheres mais maduras. Por isso, o uso de preservativo, seja ele o preservativo masculino – o mais usado - ou o feminino, é fundamental em todas as relações, principalmente nas casuais. É uma questão de hábito e adaptação.

O que dificulta a vida da maioria das pessoas com AIDS é o preconceito. No caso das mulheres, na maioria das vezes, a visão do HIV está ligada à promiscuidade. No Brasil, de 1980 até junho de 2017, 306.444 mulheres contraíram o vírus da Aids. “O preconceito e o medo aumentam os riscos do contágio. Muitas vezes, as mulheres se questionam se devem pedir ao parceiro para usar camisinha ou não, ou até mesmo se devem contar para ele sua condição de soropositiva. É preciso se informar, conversar com o parceiro e confiar. A segurança é a chave para uma vida sexual plena”, pontua a ginecologista da clínica Altacasa, que faz um outro alerta: “Mesmo que as chances do homem transmitir o HIV sejam maiores, as mulheres também podem ser transmissoras do vírus”.

Uma vez contraído o vírus, ainda é possível ter uma vida com qualidade. A ONU estima que, atualmente, 75% dos indivíduos que vivem com o HIV conhecem seu estado sorológico. Essa condição é importante porque, com o tratamento e o vírus indetectável, a pessoa não é capaz de transmiti-lo e ainda consegue manter uma boa qualidade de vida, sem manifestar os sintomas da Aids. O que faz com que um soropositivo tenha o vírus indetectável é o tratamento com medicamentos antirretrovirais, chamado ‘coquetel antiaids’.
No Brasil, 92% das pessoas que fazem esse tratamento já atingiram o estado de vírus indetectáveis.

E para os quase meio milhão de brasileiros em tratamento, desde janeiro de 2017, o Sistema Único de Saúde (SUS) incorporou uma nova geração de medicamentos, mais eficiente e com menos efeitos colaterais.

Mesmo assim, a ginecologista explica que os cuidados devem ser permanentes e que o uso do preservativo é fundamental também na relação sexual entre duas pessoas com HIV, já que as mutações e resistências do vírus são diferentes, de acordo com cada organismo. “A infecção acontece por meio de uma quantidade pequena de vírus, que sofre mutações. O sistema imune pode eliminar alguns desses vírus modificados e manter aquela mutação que mais se adaptou ao corpo. Ao fazer sexo sem preservativo com outra pessoa soropositiva e com o vírus ainda detectável, há o risco da transmissão de um subtipo de vírus mais resistente”, explica Juliana Pierobon.

O vírus HIV infecta células do sistema imunológico, destruindo ou prejudicando seu funcionamento. A infecção resulta em uma progressiva deterioração das defesas do paciente, facilitando o surgimento de outras infecções e problemas de saúde, quando não há tratamento. O vírus pode ser transmitido pelo sangue, sêmen, secreção vaginal, no ato sexual ou ao compartilhar agulhas e seringas com alguém com o HIV.

Diante de todo esse cenário, a prevenção é fundamental. Duas ações são importantes: manter hábitos que tornam o sexo seguro e fazer exames de sangue periódicos para uma detecção precoce do vírus, em caso de contaminação. O exame pode ser feito na rede pública de saúde, de forma gratuita, e o resultado é seguro e estritamente sigiloso.

Dados do UNAIDS (Programa das Nações Unidas sobre HIV/Aids) mostram que cerca de 870 mil mulheres se infectam com o HIV todos os anos no mundo, colocando a AIDS como a maior causa de mortes entre mulheres em idade reprodutiva (de 15 a 49 anos).

Saúde psicológica dos pais de bebês prematuros merece atenção



Dia a dia agitado e visitas recorrentes à UTI neonatal causam preocupação durante o processo


Durante a gestação, o sonho da maternidade acontece junto a muitas expectativas, mas o principal desejo de uma família é de que a criança seja saudável. Para os pais, o filho nascer antes das 37 semanas de gestação, assim classificado um bebê prematuro¹, pode vir carregado de medos e inseguranças em relação aos próximos passos e decisões para a saúde da criança.

“São várias as causas que levam ao parto prematuro, dentre elas destacamos a hipertensão na gestação, infecções maternas e complicações placentárias” conta a neonatologista Jucille Meneses. Dado o nascimento, a rotina árdua de consultas, exames e tratamentos após o parto, podem causar um quadro de estresse e ansiedade. A insegurança e o desconhecimento dos pais dos prematuros exige que toda a equipe que trabalha com esses recém-nascidos atendam a esta família cuidadosamente, orientando e esclarecendo todas as dúvidas, engajando a família nas decisões clinicas e estimulando a participação ativa nos cuidados com o paciente”, completa a médica.

De acordo com a literatura médica, o grau de prematuridade de uma criança é classificado de prematuro extremo (com menos de 28 semanas de gestação) ao prematuro tardio (nascidos entre a 34ª e a 37ª semana)¹. Dados do Datasus 2016, relatam o nascimento de mais de 300 mil bebês prematuros no Brasil, que representam cerca de 12% do total de nascimentos por ano.


O medo do inesperado

Após muitas tentativas, Miqueline, descobriu que estava grávida de uma forma inusitada, “eu estava no trabalho quando tive um sangramento muito forte e no hospital descobri que estava grávida de 2 meses”, conta a mãe. Hoje, ela relata o choque ao descobrir que seu filho iria nascer prematuro. “Foi traumático pois eu não estava esperando que isso fosse acontecer e também nunca tive acesso a muita informação sobre a prematuridade, logo depois do nascimento eu ainda não conseguia visitá-lo na UTI sem meu marido, estava com medo do que podia acontecer e procurei um acompanhamento psicológico para manter a calma”, completa Miqueline.

“Chegava o fim do dia e eu precisava ir embora do hospital pois não podia dormir junto ao bebê, foram inúmeras vezes em que cheguei em casa chorando”, relata a mãe. Para ela, a troca de experiências com outras mães, além do acompanhamento dos médicos, foi fundamental. “Sempre me culpei muito por ele ter nascido prematuro e foi durante o período no hospital que entendi que era normal, comecei a trocar experiências e angústias com outras mães, o que se tornou ótimo para lidar com a montanha russa de emoções que é ter um bebê na UTI”.

Segundo Miqueline, o medo persistiu até o momento em que o bebê recebeu a alta pois tinha receio de que sua inexperiência pudesse prejudicar a saúde do filho. “Depois que ele foi para casa, passamos um ano todo com cuidados específicos e evitando visitas. Foi quando ele completou um ano que começamos a levá-lo para passear e hoje conseguimos ter uma vida normal”, conclui a mãe emocionada.


A importância do contato

A experiência de Elisangela foi um pouco diferente. Após quatro fertilizações, ela realizou o desejo de ser mãe no ano passado. “A minha bolsa estourou com 25 semanas após uma dor nas costas, comecei a perder muito líquido e ter contrações que me levaram ao parto normal”, contou a mãe. Elisangela relata que não tinha noção que era possível parir um bebê com poucas semanas de gestação e ficou muito preocupada quanto a sobrevivência da filha.

“Foi muito dolorido ver a minha filha na UTI, de início ela teve algumas hemorragias, de grau um a grau quatro. Comecei a consultar informações na internet o que fez com que ficasse ainda mais preocupada e só tranquilizasse depois de uma consulta com a neurologista”, conta a mãe. Segundo ela, o que a acalmou durante o processo foi o contato com outras histórias de bebês prematuros de amigos e familiares. “Procurei gastar energia em ver minha filha bem, passava os dias no hospital e ia embora só para dormir. A presença do meu marido foi essencial para o processo, se eu não ficasse calma, eu não conseguiria produzir leite para ela”.

Hoje voluntária da ONG Prematuridade, associação de pacientes para pais de bebês prematuros, Elisangela reforça a importância da confiança nos médicos e em outras mães. “É preciso confiar muito na equipe do hospital, eles são uma nova família para o seu filho. Além disso, contar com o apoio de quem está passando pela mesma situação é essencial para entendermos o cenário e tomarmos as melhores decisões para o bebê”, concluí.






Grupo Chiesi



Referências 
1.    Manual de neonatologia. Secretaria do Estado de São Paulo. Agosto, 2015. https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/3905402/mod_resource/content/1/manual_de_neonatologia.pdf. Acesso em 28/11/2018. 

Uso de óculos de sol não é apenas estético. Ele também previne câncer ocular



O retinoblastoma é o câncer ocular mais comum em crianças pequenas. Ele atinge a retina e é visível nas fotografias, já que evidencia um brilho branco em um dos olhos da criança. Já entre os adultos, há dois tipos de câncer que merecem muita atenção: o melanoma e o linfoma.  De acordo com o oftalmologista Renato Neves, diretor-presidente do Eye Care Hospital de Olhos, em São Paulo, ainda existe o câncer que tem origem em outro órgão, como mamas ou pulmão, por exemplo, e depois acaba atingindo os olhos. Em todos os casos, o diagnóstico precoce aumenta as chances de cura. Mas o ideal, segundo o médico, é apostar na prevenção através do uso de óculos de sol.

“Os fatores de risco para o melanoma ocular incluem pele clara, olhos claros (verdes ou azuis), idade superior a 45 anos, histórico de câncer na família e excesso de exposição dos olhos ao sol. Vale ressaltar que pessoas que trabalham no campo, em alto-mar, ou nas praias também têm risco aumentado para a doença por conta da superexposição aos raios ultravioleta (UVA e UVB). Por isso, é fundamental proteger sempre bem os olhos com óculos escuros – mesmo em dias nublados. O uso de boné ou chapéu em dias ensolarados também é altamente indicado, até mesmo para quem tem olhos castanhos”, afirma o oftalmologista.

Neves diz que o tumor ocular, quando diagnosticado e tratado logo no início, tem grandes chances de cura. “Quando, ao invés daquele reflexo vermelho provocado pelo flash da máquina fotográfica, os pais notam um reflexo branco nos olhos do bebê, devem levá-lo a um oftalmologista sem demora. O retinoblastoma é um tipo comum de câncer infantil, causado pelo crescimento de um tumor na camada celular da retina. Hereditariedade é fator de risco que corresponde a apenas 10% dos casos. Os outros 90% ainda têm causas desconhecidas. Portanto, é importante prestar muita atenção aos olhos do bebê desde que nasce – conferindo sempre os reflexos nas fotos”.

Já o melanoma ocular pode atingir tanto a parte interna do globo ocular (úvea), quanto a membrana que reveste e protege a córnea (conjuntiva). “O melanoma ocular costuma ser assintomático, daí a importância da prevenção. Queixas de alterações visuais constantes, ‘moscas volantes’, flashes luminosos, e até mesmo descolamento da retina geralmente surgem quando a doença se encontra num estágio com prognóstico pouco favorável. Normalmente, esse tipo de câncer ocular acomete pessoas entre 40 e 60 anos de idade, sendo necessário fazer um mapeamento da retina, bem como uma ultrassonografia, além dos exames oftalmológicos comuns”, diz o médico.

“Pessoas com o sistema imunitário mais vulnerável, como pacientes em tratamento de Aids, são mais suscetíveis ao câncer ocular do tipo linfoma. Embora raro, é mais facilmente percebido, já que implica no crescimento anormal de uma massa de tonalidade rósea sobre a conjuntiva – atrapalhando a visão até mesmo quando se esconde nos cantos das pálpebras. Somente a biópsia poderá dizer quando é um tumor benigno ou maligno. De todo modo, o tratamento com radioterapia logo no início da doença tem se mostrado promissor. Diante desse quadro, é muito importante que as pessoas compreendam que os óculos de sol são muito mais do que um acessório estético – sendo fundamentais para a prevenção da doença”, conclui o oftalmologista.




Fonte: Prof. Dr. Renato Augusto Neves - cirurgião-oftalmologista, diretor-presidente do Eye Care Hospital de Olhos, em São Paulo – www.eyecare.com.br

O futuro da oncologia: o que é e como funciona a medicina personalizada



Por mais que muitas vezes se fale na busca de uma “cura para o câncer” como se essa fosse uma doença única, o termo é usado como um guarda-chuva para designar mais de 200 tipos diferentes de câncer. Mais do que um santo-graal da medicina moderna, a busca por formas de curar e impedir o avanço de tumores já é um objetivo antigo.

Historicamente, a oncologia, especialidade médica dedicada ao estudo e tratamento do câncer, teve como primeira forma de abordagem a cirurgia. Em uma realidade de milhares de anos atrás, antes mesmo da descoberta da anestesia e da assepsia, as cirurgias oncológicas possuíam baixos índices de cura acompanhados por altas taxas de morbidade e mortalidade.

Foi apenas o passar dos anos, acompanhado pelo desenvolvimento técnico-científico, que a oncologia pôde se desenvolver e buscar taxas de sucesso cada vez maiores. Estes saltos foram, sobretudo, impulsionados pela evolução de outras áreas da medicina, como microscopia, anatomia patológica, anestesiologia, radiologia, radioterapia e quimioterapia. Agora, os especialistas que atuam na luta contra o câncer podem estar em vias de se prepararem para mais um salto, talvez o mais importante até então: a medicina personalizada.


Uma nova medicina

Segundo médico patologista e presidente da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP), Clovis Klock, a medicina personalizada dentro da oncologia é apontada como o futuro para o tratamento do câncer. “Sem dúvida, quando falamos em oncologia, é o que podemos chamar de nova medicina. Isso se aplica principalmente a patologia, que encontra na medicina personalizada um leque muito grande para diagnóstico”, afirma.

O patologista é o responsável pelo diagnóstico microscópico dos cânceres. Analisando o material proveniente das cirurgias ou as biópsias dos tumores com a ajuda do microscópio, ele redige um laudo anatomopatológico, em que várias características desse câncer serão descritas: dentre as quais podemos destacar o tipo histológico, o grau de diferenciação, se há invasão vascular e como estão as margens cirúrgicas. Com a medicina personalizada, isso deve ir mais além

“Ela permite que o profissional dite os rumos que serão tomados para o combate da doença. A tendência é de que boa parte dos cânceres possam ser tratados de forma personalizada. Hoje há alguns tumores para os quais usamos esses protocolos e a tendência é ampliar essa prática, principalmente em casos quando os tumores não respondem aos métodos terapeúticos aplicados atualmente”, ressalta.
 

Entendendo o inimigo

O segredo para acessar tanta informação? Segundo a vice-presidente da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP), Katia Ramos Moreira Leite, a chave para isso está em técnicas específicas chamadas de Patologia Molecular e Imuno-histoquimica. De maneira geral, elas permitem a descrição das anormalidades específicas em genes responsáveis pelo controle da proliferação, morte e instabilidade celular. É a identificação das anormalidades que favorecem o crescimento e a progressão do câncer que traz a oportunidade do desenvolvimento de moléculas capazes de controlar essas alterações.

“Mutações, translocações, perdas e amplificações de genes importantes para o funcionamento das células podem ser avaliadas por testes moleculares, são conhecidos como biomarcadores de comportamento e, mais importante, de resposta às novas terapias alvo-moleculares. Os tumores são diagnosticados não mais como antigamente, quando a sua origem era o elemento mais importante. Hoje a caracterização das anormalidades moleculares é mais importante e revela a etiologia da neoplasia que pode ser tratada de modo específico”, ressalta.

Assim, o diagnóstico informado pela medicina personalizada permite que a luta contra o câncer seja mais fácil. “Com esse diagnóstico ainda mais preciso e tratamentos também mais direcionados, podemos esperar melhor prognóstico para muitos tipos de tumores que hoje têm mortalidade alta, melhorando a sobrevida do paciente”, explica Katia.
 

Um tratamento para chamar de seu

Assim como no caso das infecções, que antigamente eram todas tratadas com o uso de sangrias, uma vez que não havia conhecimento detalhado sobre o que causava as doenças, a oncologia tem passado pela mesma revolução. Ao descobrir informações específicas sobre uma neoplasia, graças à ajuda da medicina personalizada, é possível traçar um tratamento mais específico com grandes chances de respostas positivas e menos efeitos colaterais.

“As técnicas de Patologia Molecular e a Imuno-histoquimica, aliadas à medicina personalizada, abrem as portas para esse campo muito amplo para a Patologia. Podemos inclusive traçar um panorama histórico. Antigamente, o médico patologista era aquele que atuava apenas nos bastidores, sem contato com ninguém e apenas em seu laboratório ao microscópio. Hoje chegamos a um papel de protagonista, em que o patologista é um dos atores das equipes multidisciplinares, passando de um diagnóstico puro para peça chave na definição do prognóstico e indicação da melhor conduta terapêutica. A medicina personalizada coloca esse profissional em uma posição de destaque, pois muitas vezes é ele quem vai ditar os rumos a serem tomados pelos tratamentos mais modernos”, finaliza Clovis Klock.

7 motivos para fazer checkup médico anual



Entenda como o cuidado com a saúde, ligado à realização de exames, pode aumentar as chances de cura de doenças se diagnosticadas precocemente


Final de ano é sempre tempo de rever o que foi feito e, claro, separar um tempinho para listar os objetivos para 2019. Parece clichê, mas cuidar da saúde, ir para academia e se alimentar de maneira mais saudável estão sempre na lista da maioria das pessoas.

No entanto, nem todos dão atenção especial àquele checkup anual para conferir o seu estado de saúde e fazer exames básicos.

Em meio a tantas dúvidas sobre o checkup anual, o professor do setor de uro-oncologia da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) e responsável pelo setor de cirurgia robótica urológica no Hospital Brasil e rede D’Or, Dr. Marcos Tobias Machado, esclarece os principais pontos sobre a realização de exames de rotina.
Veja a seguir:


1) Quais são os principais objetivos para a realização dos exames anuais?

A prevenção de desenvolvimento de doenças através das medidas de orientação, detecção de doenças precoces graves com possibilidade de cura e melhorar a qualidade de vida por meio de bons hábitos.


2) Qual idade é recomendada para o início dos exames?

Sempre recomendamos que checkups sejam feitos todos os anos, principalmente para verificar condições de exames básicos, como colesterol, triglicerídeos e dosagens hormonais. A partir dos 40 anos a atenção deve ser ainda maior, pois começa a aumentar o aparecimento de doenças cardiovasculares e degenerativas.


3) Como a frequência do checkup é estabelecida?

Deve ser estabelecida pelo médico que está acompanhando o paciente, a frequência varia de acordo com o estado de saúde da pessoa. No entanto, pessoas com bom histórico de saúde podem realizar exames anuais.


4) Quais são os exames mais comuns e sua função?

-Hemograma: exame de sangue para avaliar para identificar possíveis alterações, como infecções, anemia e leucemia.

-Pressão arterial: faz o acompanhamento da hipertensão arterial.

-Exame de urina: avaliar o funcionamento dos rins e detectar possíveis infecções no trato urinário.

-Exame de fezes: analisa as funções digestivas.

-Colesterol total e frações: calcula o risco de entupimentos nas artérias e doenças cardiovasculares.

-Glicemia em jejum: exame de sangue que mede a taxa de glicose na circulação sanguínea.


5) Além do checkup, o que é necessário fazer?

É preciso manter uma alimentação regrada e fazer atividades físicas para garantir uma vida saudável. A mudança de hábitos pode ser considerada uma forma de prevenção para evitar o desenvolvimento de uma doença.


6) Quando tratamos de doenças nos aparelhos genitais, quais são as principais diferenças e exames?

A variação vai de acordo com o sexo, as mulheres são atendidas pelo ginecologista e os homens pelo urologista.

Após a obtenção da história clínica e do exame físico detalhado, incluindo o toque vaginal para as mulheres e o toque retal para ambos os sexos, são solicitados os seguintes exames:

-Urina e creatinina: avaliam doenças renais;

-PSA (Antígeno Prostático Específico): este em especial é realizado para em homens na avaliação das doenças da próstata;

-Ultrassonografias: abdômen; de próstata (homens) e pélvico (para avaliação de útero e ovários em mulheres).


7) Quais são os fatores que levam os homens a cuidar menos da saúde do que as mulheres?

O trabalho excessivo e falta de tempo, a falta de costume de fazer prevenção, além do receio de detecção de doença como sinal de fraqueza. É preciso quebrar estes paradigmas para ter uma vida mais saudável.





Dr. Marcos Tobias Machado - Formado em Medicina pela Santa Casa, Dr. Marcos Tobias Machado acumula experiência e conhecimento em diversas instituições, tendo destaque para residência médica no Hospital das Clínicas da USP, fellowship em uro-oncologia na Universidade de Miami, especialização em laparoscopia e robótica no H.Henri Mondor em Paris, desenvolvendo cirurgias minimamente invasivas mais complexas, além de atualmente ser chefe do setor de uro-oncologia e cirurgia robótica em urologia do Hospital Brasil e urologista dos Hospitais da rede D’Or – Bartira, Assunção e São Caetano do Sul.

Uma nova era no combate ao câncer de pele


Oncologista afirma que graças aos novos tratamentos disponíveis, pacientes poderão conviver com a doença que é o tipo de câncer mais incidente no Brasil e no mundo


O câncer de pele não melanoma corresponde a cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no Brasil. Segundo o Instituto Nacional do Câncer, INCA é o mais frequente no país. A boa notícia é que medicamentos modernos para tratamentos específicos para cada tipo de tumor de pele já estão disponíveis no Brasil. Vismodegib, Pembrolizumab e Avelumab são drogas aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) indicados para tratar carcinoma basocelular em estágio avançado, melanoma metastático e carcinoma de células de Merkel. Estes são os nomes dos tipos de câncer de pele mais comuns.

“Novas drogas estão surgindo num ritmo incrível e com objetivo de controlar os vários caminhos pelos quais o câncer de pele pode crescer”, afirma o oncologista Vinícius Correa da Conceição, do SOnHe - Sasse Oncologia e Hematologia, grupo de médico com atuação em hospitais de Campinas-SP.

O mais comum e com incidência crescente nos últimos anos é o carcinoma basocelular, que também é o menos agressivo, raramente se espalhando para outros órgãos. O tratamento padrão é a cirurgia e em alguns casos radioterapia. No entanto, quando mais agressivo, este tumor pode destruir estruturas ao redor do local em que surgiu, comprometendo a funcionalidade e estética, principalmente quando ocorre na face, em locais como nariz e orelhas. “Para os casos em que o tumor se espalha para outros órgãos, existe a novidade: a medicação chamada Vismodegib, que age inibindo uma via de sinalização celular chamada hedeghog, ativada em 90% dos casos mais avançados de basocelular”, explica o oncologista.

Para um outro tipo de câncer de pele (mais raro, mas muito agressivo!), o carcinoma de células de Merkel, um tipo de tumor neuroendócrino de pele com poucas opções de tratamento - no qual a quimioterapia convencional com platina era o mais usado, trazendo resultados ruins e com muita toxicidade - mais uma vez a imunoterapia veio para mudar a evolução também deste tipo de câncer de pele. “Tivemos, recentemente, a aprovação no Brasil da medicação Avelumab, um anti-PDL-1, trazendo resultados promissores e com menos efeitos colaterais”, afirma o oncologista.

Por fim, há novidades ainda para o tipo melanoma, o mais temido e agressivo (e com incidência também crescente). Até 2011 não havia nenhum tratamento com eficácia comprovada e muitas pessoas morriam rapidamente em decorrência de suas metástases. A aprovação da imunoterapia Ipilimumab, em 2011, foi a primeira medicação a aumentar o tempo de vida dos pacientes. E, desde então, novos medicamentos foram desenvolvidos e, hoje, estão disponíveis. “Existem hoje, no Brasil, três opções de imunoterapia para melanoma: Nivolumab, Pembrolizumab, (que é a novidade), e Ipilimumab, podendo ainda ser feita a associação de dois medicamentos como Nivolumab+Ipilimumab. Estas medicações mudaram a história natural da terrível doença e, atualmente, os pacientes vivem mais e melhor”, explica.


Estamos em risco: prevenção, sempre!

Apesar do desenvolvimento de novos tratamentos, muito mais eficazes e com menor toxicidade, os tumores de pele quando muito avançados ainda comprometem a qualidade de vida e causam a morte de um grande número de pacientes.

“Por isso, o ideal continua sendo a prevenção, visto que a maior parte dos cânceres de pele é evitável. Vivemos em um país tropical, com alta incidência solar, com dias muito quentes. Estamos mais expostos aos riscos que a radiação solar traz. Além disso, estamos próximos do fim do ano e época de férias escolares, momentos propícios para viagens e diversão, mas também época em que mais nos colocamos em risco aos danos causados pelo sol”, conclui o especialista.


Para um futuro próximo

Outro tumor de pele muito frequente é o chamado carcinoma epidermoide (CEC), mais agressivo que o basocelular e com maior chance de causar metástase para linfonodos e outros órgãos. Seu tratamento geralmente também é com cirurgia ou radioterapia, mas nos casos avançados e metastáticos o tratamento usual é com quimioterapia. Infelizmente, para esse tipo de tumor a quimioterapia tem baixas respostas e não existem estudos que comprovem o seu impacto na melhora tanto da qualidade quanto do tempo de vida. “A imunoterapia, medicamentos que ativam o sistema imunológico do próprio paciente contra o câncer, tem mostrado resultados promissores no tratamento dos tumores de pele.  Recentemente foi aprovado pelo FDA, nos EUA, a droga imunoterápica Cimiplimab, um anti-PD-1, que mostrou taxas de resposta de 47% em pacientes com CEC de pele avançado. Esta medicação ainda não foi aprovada pela Anvisa e, portanto, ainda não está disponível no Brasil, mas esperamos em breve tê-la como opção”, almeja o médico.


Dados

O câncer de pele é o mais comum no Brasil e no mundo, correspondendo a aproximadamente 33% de todos os tumores malignos (165.580 novos casos são estimados pelo Instituto Nacional do Câncer, INCA, para 2018, sendo 51% em homens). Dentre os seus subtipos, os cânceres de pele não melanomas são os mais frequentes, mas geralmente menos letais. Já o melanoma, que representa cerca de 4% dos tumores de pele, se não diagnosticado na fase inicial da doença tem alta mortalidade.





Vinícius Correa da Conceição - oncologista graduado pela Unicamp, visiting fellow no serviço de oncologia do Instituto Português de Oncologia (IPO). Médico assistente da Oncologia da Unicamp, com função docente junto aos graduandos da medicina e residentes da disciplina de oncologia. Como membro do Grupo SOnHe – Sasse Oncologia e Hematologia, Vinícius é oncologista do Hospital Vera Cruz, no Instituto Radium de Campinas e do Hospital Santa Tereza. Membro titular da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) e da Sociedade Europeia de Oncologia (ESMO).



Sobre o Grupo SOnHe

O Grupo SOnHe - Sasse Oncologia e Hematologia, é formado por oncologistas e hematologista que fazem o atendimento oncológico humanizado e multidisciplinar no Hospital Vera Cruz, Hospital Santa Tereza e Instituto do Radium, três importantes centros de tratamento de câncer em Campinas. A equipe oferece excelência no cuidado oncológico e na produção de conhecimento de forma ética, científica e humanitária, por meio de uma equipe inovadora e sempre comprometida com o ser humano. O SOnHe é formado pelos oncologistas: André Deeke Sasse, David Pinheiro Cunha, Vinicius Correa da Conceição, Vivian Castro Antunes de Vasconcelos, Adolfo Scherr, Rafael Luiz, Fernanda Proa Ferreira e Susana Ramalho.


terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Primeira corrida em prevenção e combate à surdez já é neste domingo



O evento é beneficente e acontece no Eixo Sul, às 7h


Brasília vai receber neste domingo (16/12), a primeira edição da corrida beneficente Caminhos da Audição: Prevenção e Combate à Surdez. A corrida visa conscientizar a população sobre a importância dos cuidados com a saúde auditiva. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que a deficiência auditiva atinge 9,7 milhões de brasileiros.

O evento, que já está em seu terceiro lote de ingressos, acontece no Eixo Sul, a partir das 7h. Todo o lucro será destinado às causas sociais. Será beneficiado o Instituto Social do Iborl, que trabalha no diagnóstico de perda auditiva e doação de aparelhos para a população carente do Distrito Federal, e para ações do Instituto de Extensão e Pesquisa do Iborl, a fim de ampliar a divulgação dos cuidados e o financiamento de pesquisas e projetos voltados à saúde auditiva da população.

Os participantes podem escolher entre três percursos de prova: caminhada de 2 km e corridas de 6 km e 12 km.


Os kits

Todos os participantes vão receber o kit da corrida, composto por: camiseta, viseira, sacochila, número de peito, chip de cronometragem e kit fruta, sendo este só no dia da prova. A entrega será realizada nos dias 14 e 15 de dezembro. Na sexta-feira, 14, os participantes podem retirar suas camisetas, viseiras e sacochilas, na matriz do Instituto, que fica no Edifício Dr Crispim, na Asa Norte, das 8h às 18h. Na véspera da corrida, 15, os kits podem ser pegos de 9h às 13h, no auditório da Biblioteca Nacional de Brasília - 1º andar.


E a premiação?

Os primeiros lugares feminino e masculino serão premiados. Todos receberão um par de aparelho auditivo, com valor estimado em R$ 10 mil para doação, além de troféu e medalha. A ação ocorrerá no final das provas para pacientes da Associação Brasileira de Surdos Oralizados (Abrasso).

Os vencedores vão receber ainda uma quantia em dinheiro. O ganhador da corrida de 12 km ganhará R$ 500; 6km R$ 300 e caminhada de 2km R$ 100.





Serviço

1ª Corrida Caminhos da Audição
Quando: 16/12- 7h
Onde: Eixo Sul, na altura da quadra 102/ 103
Inscrições: Central da Corrida
III - 3° lote do dia 10/12 até o dia 12/12 - R$ 120,00.
Entrega dos Kits: 14/12 - 8h às 18h - Matriz do Instituto Brasiliense de Otorrinolaringologia (Iborl) - ST
SMHN QD 02 BL C – SALA 515 – ED. DR. CRISPIM – ASA NORTE
15/12 - 9h às 14h - na Biblioteca Nacional de Brasília - 1º Andar - Auditório.
Mais informações: (61) 3328-6009


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