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sexta-feira, 16 de março de 2018

Ministério da Saúde quer vacinar 10 milhões de jovens e adolescentes contra meningite e HPV



Estudo realizado em 2017 indica que prevalência estimada do HPV nas capitais do Brasil é de 54,3%. Campanha visa aumentar a cobertura vacinal dos adolescentes de 9 a 14 anos contra o HPV e Meningite C 


O Ministério da Saúde está convocando 10 milhões de jovens e adolescentes para se vacinar contra meningite e HPV (Papiloma Vírus Humano). Nesta terça-feira (13), o ministro Ricardo Barros lançou, em Brasília, a Campanha Publicitária de Mobilização e Comunicação para a Vacinação do Adolescente contra HPV e Meningites. Deverão ser vacinadas contra o HPV, meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. Neste ano, o Ministério da Saúde está ampliando a faixa etária da vacina meningite C, que agora passa a ser 11 a 14 anos de idade. No ano passado, estavam sendo vacinados contra a doença meninas e meninas de 12 a 13 anos.

“Esta campanha está completamente de acordo com a mudança de foco que estamos implantando no Ministério da Saúde, que é priorizar a prevenção. Estamos investindo na prevenção para evitar que as pessoas fiquem doentes. O recente lançamento das novas práticas integrativas no SUS vai na mesma direção, nossos foco é o processo de saúde e não a doença”, explicou o ministro Ricardo Barros, durante o lançamento da campanha.
 
 A campanha publicitária será veiculada no período de 13 a 30 de março. No filme, dois jovens, um menino e uma menina, fogem do vírus em um cenário com inspiração nos seriados famosos que são de identificação do público jovem e dos pais. A fuga termina no momento em que os jovens entram em uma unidade de saúde e se vacinam. O filme mistura imagens reais e animação.

Com o slogan “Não perca a nova temporada de Vacinação contra a meningite C e o HPV”, a campanha conta ainda com peças publicitárias como: jingle para rádios, outdoor, envelopamento em metrô e ônibus, peças digitais e conteúdos para redes sociais, cartaz, folders. O público da campanha é formato por adolescentes (homens e mulheres) e responsáveis.

A coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, Carla Domingues, enfatiza que as vacinas contra o HPV e a meningocócica C fazem parte do calendário de rotina disponível nas unidades do SUS, durante todo o ano e que esta é uma campanha de mobilização. “É importante ressaltar que esta é uma campanha informativa e de esclarecimento e não uma campanha de vacinas. A campanha é importante para alertar as pessoas s obre a necessidade da vacinação, esclarecendo o que é mito e boato, e informações verdadeiras, baseadas em estudos científicos”, observou a coordenadora.


HPV - Desde a incorporação da vacina HPV no Calendário Nacional de Vacinação, 4,9 milhões de meninas procuraram as unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) para completar o esquema com a segunda dose, totalizando 48,7% na faixa etária de 9 a 14 anos. Já com a primeira dose, foram vacinadas 8 milhões de meninas nesta mesma faixa, o que corresponde a 79,2%. No entanto, o Ministério da Saúde alerta que a cobertura vacinal só está completa com as duas doses. Entre os meninos, 1,6 milhões foram vacinados com a primeira dose, o que representa 43,8% do público alvo. Desde 2014, início da vacinação para o HPV no SUS, foram distribuídas 32,9 milhões de doses. Para este ano, foram adquiridas 14 milhões de doses da vacina contra HPV.

No Brasil, são estimados 16 mil casos de câncer de colo do útero por ano e 5 mil óbitos de mulheres devido à doença. Mais de 90% dos casos de câncer anal e 63% dos cânceres de pênis são atribuíveis à infecção pelo HPV, principalmente pelo subtipo 16.

Estima-se que em 3 a 10% dos casos, especialmente entre as pessoas com um sistema imune comprometido (por exemplo, aqueles que vivem com HIV/aids), o vírus HPV pode persistir, levando a graves problemas de saúde.



PREVALÊNCIA HPV - Segundo estudo realizado pelo projeto POP-Brasil em 2017, a prevalência estimada do HPV no Brasil é de 54,3 %. O estudo entrevistou 7.586 pessoas nas capitais do país. Os dados da pesquisa mostram que 37,6 % dos participantes apresentaram HPV de alto risco para o desenvolvimento de câncer.

O estudo indica ainda que 16,1% dos jovens tem uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) prévia ou apresentaram resultado positivo no teste rápido para HIV ou sífilis. Os dados finais deste projeto serão disponibilizados no relatório a ser apresentado ao Ministério da Saúde até o final do ano.

O projeto POP-Brasil é uma parceria do Ministério da Saúde, o Hospital Moinhos de Vento (RS), a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Universidade de São Paulo (Faculdade de Medicina (FMUSP) - Centro de Investigação Translacional em Oncologia), Grupo Hospitalar Conceição (GHC), Secretarias Municipais de Saúde das capitais brasileiras e Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal.



MENINGOCÓCICA C - Desde ano passado, já foram vacinados 32% do público-alvo, restando ainda 10 milhões de adolescentes. Para este ano, foram adquiridas 15 milhões de doses da vacina contra meninigite. A meta é vacinar 80% do público-alvo. Além de proporcionar proteção, a ampliação alcançará o efeito da imunidade de rebanho, ou seja, a proteção indireta das pessoas não vacinadas. O esquema vacinal para esse público será de um reforço ou uma dose única, conforme a situação vacinal.

Dados recentes enfatizam a necessidade da vacinação de adolescentes, com o intuito de reduzir o número de portadores da bactéria em nasofaringe. Recentes pesquisas constatam a ausência de anticorpos protetores poucos anos após a vacinação de lactentes e crianças mais novas. A vacinação de adolescentes proporcionará proteção direta impedindo o deslocamento do risco de doença para esses grupos etários.



VACINAÇÃO NAS ESCOLAS - O Ministério da Saúde considera de fundamental importância participação das escolas para reforçar a adesão dos jovens à vacinação e, consequentemente atingir o objetivo de redução futura do câncer de colo de útero, terceiro tipo de câncer mais comum em mulheres e a quarta causa de óbito por câncer no país.

“Vamos insistir para ampliar a cobertura vacinal e insistir na escola, onde podemos fazer uma potencialização da imunização e assim diminuir a prevalência do HPV, que hoje está muito alta, acima de 50% nos jovens brasileiros”, ressaltou o Ministro da Saúde.

O Ministério da Saúde enviou ao Ministério da Educação material informativo sobre as doenças. A ideia é estimular os professores a conversem com os alunos e familiares sobre o tema. O Brasil é o primeiro país da América do Sul e o sétimo do mundo a oferecer a vacina HPV para meninos em programas nacionais de imunizações.

“Com a publicação da portaria que incluiu a vacinação no Programa Saúde na Escola, agora temos os marcos legais e a garantia institucional para levar a prevenção e à saúde às escolas brasileiras. Nesta campanha, vamos pedir ao MEC que solicite às escolas o envio ao Ministério da Saúde da programação de vacinação em cada unidade escolar”, explicou o ministro.


Pesquisadores do Butantan descobrem forma de controlar a liberação de hormônios do estresse



Estudo é resultado de linha de pesquisa que investiga a relação entre o estresse e a depressão


Pesquisadores do Instituto Butantan, órgão vinculado à Secretaria do Estado da Saúde e um dos maiores centros de pesquisa biomédicas do mundo, conseguiram inibir a secreção do hormônio liberado em situações de estresse, o adrenocorticotrófico (ACTH), também chamado de corticotrofina.

Trabalhando com dois tipos de estresse, o físico e o psicológico, os pesquisadores conseguiram mostrar que dois mediadores podem controlar separadamente estes estresses. A vasopressina parece controlar os estresses físicos, enquanto o fator de liberação da corticotrofina (CRH) parece relacionado aos estresses psicológicos. Dessa forma, ao bloquear receptores de vasopressina, a resposta ao estresse físico foi impedida, e, bloqueando receptores de CRH foi possível bloquear melhor o estresse psicológico.

“O que fizemos foi tentar bloquear os receptores de vasopressina e de CRH para avaliar como ocorria a resposta na cobaia ao submetê-la ao estresse físico e psicológico e assim suprimimos a resposta hormonal, a liberação de ACTH e consequente liberação de corticosterona em qualquer tipo de estresse”, explica Lanfranco Troncone, responsável pelo Laboratório de Farmacologia.  

A descoberta é resultado da linha de pesquisa que investiga a relação entre o estresse e a depressão. O progresso das investigações sobre as estruturas cerebrais responsáveis pela resposta ao estresse permitirá, no futuro, a manipulação dessas estruturas e a compreensão dos mecanismos que são um gatilho à depressão.

“Outro ponto é conseguir melhorar os testes que são feitos para novos medicamentos contra a doença Com isso vamos torná-los mais confiáveis e haverá uma redução no custo do desenvolvimento de novos fármacos”, ressalta Adriana de Toledo Ramos, bióloga responsável pela pesquisa.

Atualmente os tratamentos medicamentosos contra a depressão envolvem várias tentativas e adequações. Mudança de remédios, doses e frequência de administração são frequentes, fazendo com que a terapia seja longa e muitas vezes falha.

O simples bloqueio de receptores de vasopressina e CRH pode não ter ação antidepressiva mas estas e outras questões ainda precisam ser investigadas.

“É neste ponto que paramos e continuaremos com a investigação. Vamos mapear as áreas cerebrais que estão envolvidas no estresse físico e psicológico para ver se conseguimos manipular esses locais até chegar à resposta esperada”, finaliza Lanfranco.

O artigo “Suppression of adrenocorticotrophic hormone secretion by simultaneous antagonism of vasopressin 1b and CRH-1 receptors on three different stress models” foi publicado na revista Neuroendocrinology. 2006;84(5):309-16 por Adriana T. Ramos, Sergio Tufik e Lanfranco R. P. Troncone.



Superproteção e negligência: extremos na educação dos filhos causam prejuízos permanentes



Especialistas afirmam que ausência ou excesso de controle dos pais podem aumentar as chances da criança sofrer ou praticar bullying


A preocupação com todos os perigos que rodeiam crianças e adolescentes faz com que um número cada vez maior de pais assumam uma postura altamente controladora. O que essas pessoas talvez não saibam é que, agindo assim, em vez de proteger, podem causar enormes prejuízos a seus filhos. Especialistas afirmam que é natural que os pais se preocupem e queiram acompanhar de perto a vida e rotina de suas crianças, mas, segundo eles, é preciso cuidado para que a atenção e a participação permaneçam dentro de um limite saudável. 

Na outra ponta, a negligência também pode promover estragos. Especialistas sugerem que a falta de supervisão e proteção, seja por meio de cuidados físicos, emocionais ou sociais, pode acarretar insegurança e vulnerabilidade. "A criança cresce achando que não é amada e sem estabelecer vínculos afetivos que serão fundamentais para o amadurecimento emocional e para a construção das relações que ela terá que criar e manter ao longo da vida", afirma a psicóloga e consultora do Conquista Solução Educacional, Lidia Weber. Segundo ela, em muitos casos, a omissão e ausência dos pais, derivadas da falta de amor, de tempo e descaso, acabam fazendo com que os filhos desenvolvam comportamentos hostis e agressivos.

Uma pesquisa da Universidade de Warwick, nos Estados Unidos, aponta que o comportamento dos pais tem influência direta nas atitudes dos filhos. Dados coletados por 70 estudos diferentes, envolvendo mais de 200 mil crianças, mostram que a forma como os pais conduzem a educação pode aumentar as chances da criança sofrer e também praticar bullying. A pesquisa inclui entre os comportamentos negativos dos pais a superproteção e a negligência. "Tal constatação deixa claro que o bullying não é um problema apenas das escolas. Os pais têm um papel muito importante nessa questão e devem ser alertados e encorajados a adotarem práticas positivas na condução do ambiente familiar", afirma Lidia.

A psicóloga lembra que a ciência psicológica estuda as Práticas Educativas Parentais há mais de 50 anos - tempo suficiente para se saber que os pais são, sim, o principal fator de influência para o desenvolvimento infanto-juvenil e que suas marcas - positivas ou negativas - podem ser levadas para a vida adulta. “Embora não exista um manual para educar filhos, a ciência já sabe o que traz resultados positivos e o que traz resultados negativos quando se trata de educar crianças e jovens. Não é apenas opinião, é ciência”, ressalta Lidia.

Segundo ela, as práticas educativas adotadas pelos pais podem ser consideradas fatores de proteção ou de risco. “Envolvimento, relacionamento afetivo, comunicação positiva, a existência de regras, monitoria e apresentação de bom modelo moral são fatores que aumentam a probabilidade de resultados positivos. Por outro lado, entende-se como fatores de risco a punição corporal, comunicação negativa, como gritos e xingamentos, clima conjugal ruim por parte dos pais e a ausência dos fatores positivos apontados acima”, descreve Lidia.

No caso do bullying, a psicóloga ressalta que depende diretamente do que crianças e jovens aprenderam com seus pais sobre valores morais, respeito, e assertividade. Uma pesquisa do Núcleo de Análise do Comportamento da Universidade Federal do Paraná (UFPR), realizada em cinco capitais brasileiras, revela que crianças que mais praticam agressão direta têm pais permissivos (ou superprotetores), seguidos por pais negligentes e, depois, pelos autoritários. Segundo Lidia, a pesquisa mostra que as únicas que apresentam baixa probabilidade de se envolver em bullying, seja como vítima ou como agressora, são aquelas que têm pais que adotam práticas educativas positivas. “Educar e socializar um filho é a tarefa mais complexa que existe e, na atualidade, é muito mais difícil do que era há algumas décadas. É preciso se libertar de modelos inadequados trazidos da nossa infância, olhar para os dados apresentados pela ciência e se preparar adequadamente para a tarefa. As escolas devem oferecer apoio aos pais, oferecendo cursos, palestras e estimulando o debate sobre o tema”, finaliza Lidia.

O professor Jacir Venturi, coordenador na Universidade Positivo, também coloca como fundamental a relação entre família e escola. Para ele, é natural os pais cometerem erros. Segundo Jacir, uma das formas dos pais equilibrarem isso é estabelecerem uma parceria com a escola. “É necessário que tanto o familiar, quanto a criança, valorizem o ambiente escolar, onde ela desenvolverá a tolerância e a ponderação diante do erro, preparando-se para uma vida em que as falhas e conflitos são inevitáveis” explica. Para Venturi, o comportamento dos pais é o que irá definir a trajetória dos filhos. Ele coloca como essencial que haja diálogo e sinergia entre família e escola. “Pais e professores são como duas asas de um pássaro: se não tiverem a mesma cadência, não haverá uma boa direção para nossas crianças e jovens”, defende o coordenador.


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