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sexta-feira, 16 de março de 2018

Saiba como funciona o tratamento para depressão



Tristeza profunda, angústia, falta de energia e perda de interesse em atividades cotidianas são os principais sintomas da depressão. Quando essas alterações de humor são persistentes, a qualidade de vida e a capacidade produtiva de uma pessoa ficam comprometidas, podendo afetar a execução de tarefas do dia a dia, a relação com amigos e familiares e, em casos mais graves, a vontade de viver.

Além dos sintomas citados, há outros sinais que devem ser levados em conta na hora de buscar um tratamento para depressão. Entre eles estão desesperança, pessimismo, irritabilidade e problemas físicos, como aumento ou diminuição de sono, de apetite e de libido; ganho ou perda de peso anormal; dores no corpo e de cabeça; alterações gastrointestinais e falta de concentração, atenção e memória.

Segundo, Luana Harada, psiquiatra do Hospital Santa Mônica "É importante diferenciar a tristeza da depressão de períodos de tristeza que ocorrem em algumas fases da vida, como por exemplo, durante o luto ou por fatores estressores de forma geral. Existe uma tristeza que pode ser normal, e a tristeza patológica. Na depressão, a tristeza tem duração de pelo menos duas semanas, está presente na maior parte do dia e permanece durante vários dias. Paralisa, e não gera reflexão. Pode tirar a perspectiva de futuro e a alegria de fazer coisas que a pessoa sentia prazer em realizar antes - é o que chamamos de anedonia. É como ficar preso dentro da sua própria angústia e não ter mais esperança de melhorar. A visão fica mais pessimista, o sentimento de culpa e inferioridade ficam mais intensos. Dentro de um estado de tristeza intensa e persistente, sem sentir prazer em viver, sem perspectiva de futuro e marcada desesperança, temos que ficar atentos ao risco de suicídio que um episódio depressivo pode gerar".

O transtorno depressivo pode ser causado pela interação de diversos fatores biológicos, psicológicos e ambientais, ou ser um efeito secundário do uso de medicamentos indicados para curar outras doenças ou do abuso de drogas e bebidas alcoólicas, por exemplo, sendo necessário um diagnóstico diferenciado. Eventos traumáticos, baixa autoestima, histórico familiar da doença e vulnerabilidade social também são fatores de risco.

De acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 350 milhões de pessoas de diferentes idades em todo o mundo sofrem com essa doença, no Brasil afeta aproximadamente 11,5 milhões de brasileiros. Apesar de ser mais comum entre as mulheres, a depressão masculina também é expressiva e deve ser cuidada com a mesma atenção.

Diante da importância desse tema, separamos algumas questões para explicar e sanar as principais dúvidas sobre o tratamento para depressão.


Quando procurar ajuda?

O diagnóstico precoce da depressão é um dos fatores que mais contribuem para o sucesso do tratamento e para o controle da doença. Existem casos em que os sintomas se confundem com os de outras enfermidades, por isso, é importante reconhecer que há algo errado e procurar ajuda de especialistas o mais rápido possível, principalmente quando o estado depressivo demora a passar e começa a refletir em outros aspectos da vida.

Ao fazer uma avaliação completa e detalhada, a equipe de profissionais conseguirá distinguir se os sintomas são patológicos, transitórios ou decorrentes de outros problemas médicos e neurológicos, indicando o tratamento mais adequado para o nível da doença, que pode ser leve, moderado ou grave.

Algumas pessoas têm receio em procurar um tratamento especializado, pois acreditam que ficarão isoladas e sofrerão preconceito. Em consequência disso, tentam curar a depressão de formas variadas, se automedicando ou recorrendo ao consumo de drogas ilícitas e álcool, o que pode levar à piora significativa da doença e até mesmo à dependência química.

Buscar informações sobre a doença, conhecer as opções de tratamento e receber orientação profissional são as melhores formas de reverter um quadro depressivo. Outra questão essencial em todo o processo é compartilhar os problemas e contar com o apoio de parentes e amigos próximos.


Por que tratar a depressão é importante?

A depressão é uma doença incapacitante, que prejudica diversas áreas da vida do paciente, inclusive profissional, amorosa e familiar. Um paciente com um episódio depressivo leve, por exemplo, pode ter dificuldade em realizar tarefas simples e diárias; quem apresenta um quadro moderado está mais propenso a abandonar o trabalho, as responsabilidades domésticas e as atividades sociais; já aquele que apresenta episódio depressivo grave pode ter crises profundas e pensamentos suicidas frequentes.

Quando diagnosticada corretamente, a depressão deve ser tratada de maneira séria e completa, com o objetivo de amenizar os sintomas, evitar a cronificação da doença, minimizar as recaídas e aumentar a qualidade de vida do paciente. Interromper o tratamento quando há alguma melhora logo no início pode levar a consequências negativas no futuro. Assim, seguir com as orientações pelo tempo determinado pelos profissionais é fundamental para o controle do transtorno.


Qual tratamento é o mais indicado?

O melhor tratamento para depressão é aquele elaborado de forma personalizada para atender às necessidades de cada paciente. Para isso, uma equipe multidisciplinar deve ser consultada a fim de analisar as especificidades dos sintomas, acompanhar os resultados e modificar as estratégias ao longo do tempo caso seja necessário.

Ainda que não sejam universais, alguns tratamentos são mais recomendados por sua eficácia comprovada. Confira abaixo:


Psicoterapia

Em alguns casos leves, a psicoterapia pode ser suficiente para controlar e melhorar os sintomas da depressão. Existem diferentes abordagens psicoterapêuticas, tais como a terapia ocupacional, a terapia em grupo, a psicanálise, a terapia cognitivo-comportamental, entre outras. O método escolhido pode variar de acordo com os sintomas, a personalidade do paciente e a confiança no terapeuta.

De modo geral, as psicoterapias auxiliam o paciente a se conhecer melhor e a identificar seus pensamentos e comportamentos negativos de forma a buscar novas formas de lidar com os conflitos e as relações interpessoais. Esse tipo de tratamento também é indicado para os episódios depressivos moderados e graves, mas normalmente é feito em conjunto com o uso de medicamentos.


Medicamentos

Há uma grande variedade de medicamentos indicados para o tratamento da depressão, que agem de maneiras diferentes no organismo para controlar a doença. Todos devem ser administrados sob orientação médica devido a possíveis efeitos colaterais e interação com outros remédios.

Os antidepressivos são os mais conhecidos e atuam diretamente no sistema nervoso, normalizando os fluxos de neurotransmissores como a serotonina, a noradrenalina e a dopamina. O tratamento para depressão também pode incluir ansiolíticos ? utilizados para diminuir a ansiedade - e antipsicóticos - indicados em casos de perturbações psicóticas.

"Os antidepressivos serão escolhidos de acordo com perfil de efeito colateral de cada medicação e discussão destes efeitos com o paciente; quais doenças clínicas (por ex. diabetes, hipertensão) e medicações em uso (uma vez que pode existir interação medicamentosa); o uso prévio de antidepressivo que paciente possa ter feito (prevendo a chance de resposta ou não à medicação escolhida)", afirma Luana Harada.

A psiquiatra reforça "é importante frisar que o antidepressivo não tem melhora imediata, levando pelo menos 14 dias para iniciar o seu efeito, e também inicialmente pode piorar sintomas ansiosos - é uma informação que passo aos pacientes para não descontinuar o uso da medicação, caso os efeitos adversos sejam tolerados, e também há medicações usadas no início do tratamento que ajudam o desconforto no início do tratamento". O uso da medicação tem que ser contínuo durante o tratamento, existem medicações que causam desconforto caso não sejam tomadas diariamente e também atrapalham a resposta terapêutica, podendo até piorar sintomas ansiosos e depressivos.


Dia Mundial do Sono alerta para necessidade de boas noites de sono



Especialista destaca que distúrbios podem gerar diversos problemas ao organismo


Comemorado no dia 16 de março, o Dia Mundial do Sono abre interessante discussão sobre distúrbios e a necessidade de boas noites de sono para o funcionamento completo e ideal do organismo. Em conversa com o Dr. Renato Calil, pneumologista e especialista em medicina do sono do Hospital Caxias D’Or, destacamos os fatores que levam a problemas com o sono, possíveis tratamentos e dicas para noites “bem dormidas”.


1- Qual é a importância de uma noite de sono bem dormida na saúde e na qualidade de vida de uma pessoa?

Durante o sono, nosso organismo realiza funções importantíssimas com consequências diretas à saúde, como o fortalecimento do sistema imunológico, secreção e liberação de hormônios (hormônio do crescimento, insulina e outros), consolidação da memória, isso sem falar no relaxamento e descanso da musculatura. Sua privação provoca importantes alterações no ritmo biológico, na condição ambiental e em fatores orgânicos, como sonolência excessiva, dificuldade de concentração, déficit de memória, irritabilidade, fadiga física e mental, alteração de humor, manifestações psicopatológicas, neurológicas, voz lenta, aumento da sensibilidade dolorosa etc. Em razão disso, qualquer interferência na quantidade ou na qualidade do sono importará em sensíveis alterações nas atividades cotidianas dos indivíduos. Os distúrbios do sono podem estar relacionados com diversas doenças, entre elas, hipertensão, diabetes, depressão, obesidade. Os distúrbios do sono, como vimos, causam, entre outros males, significativa redução do alerta. O Brasil é recordista mundial em acidentes de trânsito e as duas maiores causas desses acidentes são o álcool e o sono (incidência sete vezes maior quando comparada aos motoristas em geral). Comprometem, ademais, o desempenho social da pessoa e a vida profissional.


2- Existem diferenças nas necessidades de sono das mulheres e dos homens? E nos fatores que interferem na capacidade de dormir logo e na qualidade do sono?

Normalmente cada organismo necessita de um número de horas diferente para uma boa noite de sono e isto varia muito com a idade, no entanto os estudos mostram uma tendência quando analisamos pela diferença entre mulheres e homens:

MULHERES

● Necessitam em média de 6,8 horas do sono;
● São mais vulneráveis a insônia. As mulheres que dormem com homens que roncam são três vezes mais suscetíveis;
● Preferem dormir mais cedo e acordar mais cedo;
● Levam em média apenas 9 minutos para adormecer.

HOMENS

● Precisam em média de 6,2 horas de sono;
● São mais suscetíveis a ter apneia (interrupção temporária da respiração);
● Tendem a querer dormir mais tarde e acordar mais tarde;
● Levam em média 23,2 minutos para adormecer.


3- Quando é hora de procurar ajuda médica de especialistas em sono? Que sintomas indicam isso?

Cerca de 50% da população brasileira possui algum distúrbio do sono. No geral, as principais manifestações são as apresentadas abaixo e devem seguir acompanhamento com um especialista:

- Insônia (sintoma frequente, chegando a atingir cerca de ½ de certas populações);

- Sonolência diurna excessiva (observado, principalmente, em pacientes com distúrbios respiratórios relacionados ao sono);

- Apneia do sono (afeta 4% da população mundial e é considerada o mais grave distúrbio do sono);

- Ronco;

- Sonambulismo, Pesadelos, Terror do sono, Bruxismo;

- Epilepsia do sono;

- Distúrbios dos movimentos rítmicos (movimento de membros);

- Distúrbios comportamentais (distúrbios depressivos, esquizofrenia, alcoolismo, dependência de drogas).


4- Gostaria que você listasse de 5 a 10 hábitos / atitudes / fatores externos / fatores internos que prejudicam a capacidade de a pessoa pegar no sono ou a qualidade do sono em si. E explicasse brevemente cada item.

1- Usar a cama para leitura, ver televisão ou alimentar-se. Prefira a sala ou outro ambiente. A cama deve estar
  relacionada como ato de dormir. A luminosidade da TV ou o ato de ler podem deixar a pessoa desperta;

2- Evite ficar na cama sem dormir. Se necessário levante e faça uma atividade calma até ficar sonolento novamente. Ficar na cama rolando de um lado para outro gera estresse e piora a insônia;

3- A luminosidade e ruídos no ambiente diminuem o relaxamento ao se deitar. O quarto deve estar silencioso e com baixa ou nenhuma luminosidade;

4- O uso de álcool e de cafeína (café, refrigerante, chá preto) pelo menos 6 horas antes do seu horário de dormir podem causar insônia, pois são substâncias estimulantes. O álcool ainda pode piorar o ronco e provocar insônia no meio da noite;

5- Alimentar-se próximo ao horário de dormir pode causar refluxo e insônia;

6- Cochilos durante o dia podem atrapalhar seu sono à noite;

7- O ócio pode prejudicar o sono. Procure ocupar-se durante o seu dia.

8- Exercícios no período noturno podem alterar o sono. O ideal é que se faça atividades físicas regularmente, porém evite exercícios fortes no final do dia, prefira os períodos da manhã ou almoço. No final do dia, os exercícios precisam ser mais leves como alongamento ou caminhadas, e pelo menos 4 horas antes de dormir.

9- Deitar e se levantar em horários irregulares. Procure sempre deitar e se levantar em horários regulares todas as noites.

10- Deitar na cama para dormir sem estar com sono. A pessoa poderá ter dificuldade para dormir.


5- Temperaturas mais baixas ajudam a pegar no sono? Como acontece esse processo?

Em geral, a temperatura ideal para dormir fica entre 21 e 23 °C, o que é considerado um clima ameno, como o da primavera ou do outono. Além disso, o corpo pode sofrer com o excesso de frio. Um dos principais incômodos causados pelo ar mais frio, sempre mais seco, é o ressecamento das vias aéreas, o que pode exacerbar alergias e abrir caminho para doenças infecciosas, causadas por vírus, fungos e bactérias.

Por isso, além de manter uma temperatura amena no ambiente, é preciso deixá-lo o mais arejado possível, e caso necessite usar ar condicionado, deve-se manter os filtros do ar condicionado sempre limpos. O ideal é limpar os filtros a cada seis meses, mesmo que você só utilize o aparelho de vez em quando. O calor excessivo durante a noite é uma das principais causas de insônia. A temperatura elevada do corpo impede que a pessoa pegue no sono. A pressão sanguínea se eleva com o calor e o organismo fica num estado de alerta. Ao contrário, o ambiente mais frio convida ao sono. Ele resfria o corpo e estimula a circulação periférica, mantendo pés e mãos mais aquecidos, pois estimulam o sono.


6- A primeira hora de sono tem uma importância enorme para a construção dos músculos dos atletas. É verdade? Como acontece?

Na primeira fase do sono, o corpo relaxa, descontrai os músculos que passam muito tempo durante o dia tensos. A respiração fica mais suave, melhorando a pressão sanguínea. Geralmente é o sono leve, onde você experimenta um entrar e sair do sono, sendo facilmente acordado. O movimento dos olhos e os movimentos do corpo desaceleram. Você pode experimentar movimento espasmódico de pernas ou outros músculos.


7-  A ida excessiva ao banheiro a noite pode prejudicar a qualidade do sono?

Sim. Quando acordamos no meio da noite, fragmentamos o sono e consequentemente diminuímos o tempo de permanência nas fases mais tardias e relaxantes do sono (sono REM). Não podemos esquecer que, às vezes, acordar à noite para ir ao banheiro é sinônimo de distúrbio do próprio sono, como por exemplo os pacientes com síndrome de apneia obstrutiva


8-  O que fazer no caso de pessoas que bebem muita água e costumam acordar mais de duas vezes para ir ao banheiro?

Ingerir líquidos é importante para manter o equilíbrio do nosso corpo, porém, orientamos que seja ingerido no máximo um copo com água ao deitar para dormir. Durante o sono normal é ocasionada a queda da pressão arterial e por outras questões relacionadas a alguns hormônios, o nosso sistema urinário passa a diminuir a taxa de filtração e consequentemente acabamos formando menos volume de urina no período do sono e na maioria das vezes não acordamos à noite para urinar. Orientamos estas pessoas que normalmente acordam para ir ao banheiro que evitem uso de bebidas alcoólicas no período noturno, que avaliem possíveis riscos para síndrome de apneia do sono ou o uso de medicamentos, tais como, diuréticos ou chás naturais.


9-  Chás ou calmantes naturais podem ajudar essas pessoas a dormirem melhor e não acordarem tanto?

Sim. Alguns chás, tais como camomila, maracujá, valeriana, erva-cidreira, lavanda, entre outros, auxiliam no relaxamento e consequentemente ajudam na indução do sono.



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