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quinta-feira, 16 de março de 2017

Natureza e homem: amigos ou inimigos?



Aldoux Huxley, em conferência no princípio da década de 1960 ("A situação humana", edição póstuma), expôs sua posição sobre a pergunta acima a um seleto auditório de jovens. 

Apontou alguns movimentos humanos, particulares ou governamentais, que se deram em compasso harmonioso e amável com a natureza. O resultado só poderia ter sido um passo positivo no curso da evolução da humanidade. 

Entretanto, já naquela época, registrou que a maioria dos atos poderia ser definida como atos inimigos da natureza. Desmatamentos, que já se iniciavam, em várias partes do mundo, com suas negativas consequências climáticas e alterações mortais da flora e da fauna. Muitas espécies já começavam a desaparecer. A importância dessas espécies foi vista depois, quando se constatou que protegiam a natureza de predadores. Não pelos homens, mas por uma minoria de cientistas, muito pouco ouvidos. 

Começava aí a guerra do homem contra a natureza. Guerra surda e altamente prejudicial ao primeiro. A fraqueza passou a tomar conta de nosso planeta, despojado de seus mantos naturais, que não foram efeitos, mas causas de nossa evolução. Os desertos, pontos adversos no mundo natural, passaram a crescer. Os polos, extremos sensíveis do organismo, como nossos dedos, sentiram. 

O "equívoco" dos governos fiscalizadores foi cardeal. Se atingimos esse ponto admirável de conhecimentos científicos, tecnologia, bem estar social, inteligência formidável de uma espécie, foi em razão de uma conduta histórica de empatia com a natureza. Bastaria tal constatação a ver-se que não poderíamos nos desviar do caminho certo. 

Todavia, o homem impune tomou o rumo contrário. Desde esses tempos de Huxley, começou a brigar, pôs-se na condição de inimigo da natureza, matando, em larga escala, árvores para o aproveitamento de madeiras, extinguindo espécies raras para fazer casacos, emitindo poluentes que comprometem os pulmões do corpo natural. 

Em notícia do momento, o jornal britânico "The Guardian" revela as péssimas condições a que são submetidos animais de corte, vacas, ovelhas etc, que saem da UE em cubículos de navios, são chutados, torturados, erguidos pelos pés quase mortos, e que chegam a seus destinos distantes (Turquia, Croácia e outros países), amontoados e cobertos de fezes, muito embora várias manifestações judiciais, sempre teóricas, dos Tribunais europeus, tenham procurado preservá-los. 

Essa inimizade entre o homem e a natureza é um misto de crueldade dos racionais e do "non sense" e fez rarear os pontos da terra cobertos de vegetação nativa, que foram nossa "célula máter". Insurgimo-nos contra nossos próprios pais e irmãos. Somente nos últimos tempos passamos a nos preocupar com o clima, um dos efeitos necessários da natureza, em conferências internacionais que o aloprado Trump desconsiderará por completo. A vitória desse homem não fez só os americanos derrotados, mas também os "ecobobos" e seu habitat. Vejamos o futuro. 

Em suma, a resposta do conferencista, que conjeturara "O Admirável Mundo Novo", nos alerta de que devemos procurar o desenvolvimento, melhorar as condições de nossas vidas, porém em parceria amistosa e amorosa com a natureza. Se esta for vista como um "fator de produção", que devemos destruir para nos apropriarmos economicamente, eticamente cuspimos no próprio prato e, historicamente, decretamos nosso fim, com o fim da casa onde moramos e de nossa família ampla, como talvez já tenha ocorrido em outras civilizações do imenso cosmos. 





Amadeu Roberto Garrido de Paula - Advogado, um renomado jurista brasileiro com uma visão bastante crítica sobre política, assunto internacionais, temas da atualidade em geral. 




O impacto da amostra de medicamentos na prática médica



 
Representantes de laboratórios farmacêuticos visitam médicos para divulgar medicamentos, e a prática de recebê-los é pouco questionada. Os médicos argumentam que as amostras de medicamentos recebidas aumentam o acesso dos pacientes a tratamentos e as visitas ajudam na atualização médica, e parecem não ver problemas na prática. Deveriam?

Uma pesquisa mostrou que 61% dos médicos entrevistados acredita que o contato com representantes não influencia a sua prática, mas apenas 16% pensam o mesmo em relação a outros médicos, sugerindo que boa parte destes profissionais enxerga essa influência, mas se vê blindada contra ela. Pura ilusão: outra pesquisa mostrou que em alguns cenários mais de 90% das prescrições não foram de drogas de escolha dos médicos, mas sim de amostras de laboratórios, e o principal argumento utilizado foi "reduzir os custos para o paciente".

Como temos cada vez mais doenças crônicas que demandam medicamentos de uso continuado, o retorno atrai investimentos: nos EUA, em 2001, o valor investido em marketing pelas maiores empresas correspondia a 30% do faturamento, enquanto apenas 12% deste eram investidos em pesquisas. O montante investido nessas ações era de US$ 30 bilhões em 2005, sendo 84% em promoção de medicamentos (incluindo suas amostras).

Os representantes usam amostras de medicamentos como estratégia principal para promover seu uso, se aproveitando da formação médica insuficiente e da dificuldade do acesso a medicamentos. Esta ação é pouco discutida pelas leis e normas que regem a profissão médica: o Código de Ética do Conselho Federal de Medicina (CFM) diz apenas que é vedado ao médico exercer a profissão com “interação ou dependência de indústria farmacêutica", sem qualquer detalhamento do que significa esta interação.

É preocupante como poucos médicos percebem o poder da influência desta relação com a indústria e por isso não discutem o assunto mais a fundo. Representantes de laboratório não são fontes confiáveis de atualização para médicos pois fornecem apenas os dados (e as amostras de medicamentos) que interessam às suas empresas, não os que interessam a nós e aos nossos pacientes. Médicos que se submetem a essa estratégia de marketing assumem o risco de prejudicar seus pacientes, e da pior maneira possível: com a crença de que estão ajudando.


Rodrigo Lima - diretor de comunicação da Sociedade Brasileira de Medicina de Família



Combate à pirataria: uma questão de honestidade




Um estudo publicado pelo pesquisador Jordi MacKenzie, da Universidade Macquire, em Sidney, na Austrália, revelou que não há indícios concretos de que políticas punitivas reduzam a pirataria nos países onde são aplicadas.

Somei essa informação a uma pesquisa de 2015, realizada pelo CNI que concluiu que 71% dos brasileiros consomem produtos piratas e entendi que existe a normalização do crime de pirataria e que isso é consequência da falta de entendimento das consequências que envolvem a prática de um crime. 

Do impacto social que a pirataria tem quando diminui a capacidade da economia de ser criativa, crescer e gerar empregos. Quando prejudica toda a sociedade pelo não pagamento de impostos e encargos trabalhistas. Quando tira das mãos dos trabalhadores o ganho justo pelo seu trabalho já que o crime de pirataria estimula o trabalho informal, impactando os ganhos daqueles que trabalham na legalidade. 

Sem falar no impacto ambiental, uma vez que a indústria pirata não se compromete com eficiência energética de sua produção ou de seus produtos. E por último e não menos importante: trata-se de um crime.

Quando a sociedade em massa decide normalizar e em apoiar o crime organizado ao consumir conscientemente um produto pirata, ela passa a viver num eterno contrassenso moral. 

Como é possível essa mesma sociedade, exigir honestidade e ética de sua classe política, justamente quando não consegue atuar de maneira ética? Neste momento de reflexão, toda a questão foi reduzida a apenas um fator: honestidade. 

É impactante pensar que os indivíduos escolheram trocar valores morais e éticos, por necessidades efêmeras e não se sentem mal por isso. Quanto você vale? 

Essa reflexão é muito importante se queremos um mundo mais justo e igualitário. Apontar o dedo para fora e exigir uma conduta ideal é ineficiente se cada um de nós não for um ponto positivo na corrente.





Marici Ferreira - presidente da ABRALAssociação Brasileira de Licenciamento e diretora de redação das revistas Zero à Três e Espaço Brinquedo, especializadas no segmento infantil.



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