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sábado, 19 de julho de 2025

Rotina sem aulas em dias frios, psicóloga ensina a lidar

Psicóloga especialista em crianças alerta para riscos do excesso de eletrônicos, mudanças no sono e ensina como equilibrar lazer online e offline nos dias frios
 

Férias escolares de inverno e muitas famílias enfrentam o mesmo dilema: como entreter as crianças nos dias gelados sem que elas passem horas a fio diante de telas? A psicóloga e neuropsicóloga Tatiana Serra, especialista em comportamento infantil, alerta que, embora seja natural recorrer aos eletrônicos como passatempo, o excesso pode trazer consequências importantes para a saúde física e mental das crianças.

“Nos dias frios, a tendência é que as famílias fiquem mais tempo dentro de casa, e os dispositivos eletrônicos acabam se tornando o grande recurso para entreter as crianças. Mas é justamente aí que mora o risco: horas excessivas em frente às telas podem prejudicar o sono, aumentar a irritabilidade, interferir na socialização e até favorecer quadros de ansiedade ou depressão”, explica Tatiana.

Segundo a especialista, as férias de inverno exigem ainda mais atenção porque a rotina habitual das crianças é interrompida. Sem os horários fixos das aulas, muitos acabam dormindo e acordando mais tarde, o que facilita o uso prolongado de celulares, tablets e videogames, especialmente durante a noite. Além disso, a redução de atividades físicas — muito comum nos dias frios — contribui para um ciclo de sedentarismo que impacta não apenas o corpo, mas também o humor.
 

Inverno e sono: dormir mais ou menos é normal?

Outro aspecto que costuma se alterar nas férias de inverno é o padrão de sono das crianças. Tatiana Serra explica que o frio pode aumentar a vontade de ficar na cama, mas também há crianças que acabam dormindo menos, seja por estímulos noturnos (como eletrônicos) ou por alterações na rotina.

“Um pouco mais de sono nos dias frios é esperado, pois o organismo tende a querer conservar energia. Porém, quando a criança passa a dormir excessivamente, ou, ao contrário, apresenta dificuldade para pegar no sono ou desperta várias vezes à noite, é sinal de que algo não está bem — seja ansiedade, uso excessivo de telas ou mudanças emocionais”, alerta a psicóloga.

Tatiana recomenda que os pais fiquem atentos à qualidade do sono e aos horários, mesmo nas férias. A ausência de uma rotina clara pode bagunçar completamente o relógio biológico das crianças, trazendo efeitos no humor, na atenção e até na imunidade.

Como equilibrar lazer online e offline?

Para evitar que os eletrônicos dominem os dias frios, Tatiana Serra dá algumas dicas práticas para manter uma rotina mais saudável e divertida mesmo nas férias:

  • Estabeleça horários definidos para uso de telas e comunique-os claramente às crianças. “Elas precisam saber o que esperar”, orienta a psicóloga.
  • Intercale momentos online com atividades offline, como jogos de tabuleiro, leitura conjunta, culinária ou brincadeiras criativas dentro de casa.
  • Inclua pausas ativas, mesmo em ambientes internos, como circuitos de obstáculos improvisados, dança ou alongamentos.
  • Estimule a socialização presencial, quando possível e seguro, convidando amigos ou primos para atividades caseiras.
  • Cuide dos horários de sono, mantendo horários de dormir e acordar semelhantes aos do período escolar, mesmo que com alguma flexibilidade.
  • Dê o exemplo: reduza também o uso de telas dos adultos durante o tempo em família.

Para a psicóloga, férias bem aproveitadas são aquelas em que há equilíbrio entre descanso, lazer, e a oportunidade de as crianças explorarem o mundo — mesmo que, por alguns dias, ele fique restrito às paredes de casa.
 

Tatiana Serra - psicóloga e neuropsicóloga - CRP: 06/123778. Neuropsicóloga pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), graduada em Psicologia pela Universidade Paulista (2014), analista do Comportamento pela Universidade de São Paulo (USP). Experiência de mais de 10 anos em Análise do Comportamento e Transtorno do Espectro do Autismo e desenvolvimento de famílias e equipe.


sexta-feira, 15 de maio de 2026

15/05 Dia da Família: o que as crianças realmente precisam para desenvolver um cérebro saudável?

Excesso de estímulos, agendas lotadas e falta de tempo de qualidade dentro das famílias modernas pode atrapalhar o desenvolvimento das crianças
 

Em meio à rotina acelerada, excesso de telas, agendas cheias e pressão por desempenho desde a infância, especialistas vêm fazendo um alerta importante no Dia Internacional da Família, celebrado em 15 de maio: crianças não precisam apenas de atividades, cursos e estímulos constantes — elas precisam de vínculo emocional, presença afetiva e tempo para brincar.

Segundo a psicóloga e neuropsicóloga Tatiana Serra, o cérebro infantil é profundamente influenciado pelo ambiente emocional em que a criança cresce. “O cérebro da criança muda conforme o ambiente familiar. A forma como ela é acolhida, escutada, estimulada e emocionalmente validada impacta diretamente o desenvolvimento da memória, da autoestima, da segurança emocional e até da aprendizagem”, explica.

De acordo com a especialista, muitas famílias vivem hoje um paradoxo: nunca investiram tanto no desenvolvimento infantil, mas muitas vezes oferecem cada vez menos presença emocional real.

“Temos crianças hiperestimuladas cognitivamente, mas emocionalmente cansadas. Elas fazem inglês, esporte, música, reforço, tecnologia, mas têm pouco tempo para simplesmente brincar, conversar ou viver momentos afetivos espontâneos dentro da família”, afirma Tatiana.
 

O cérebro infantil aprende pelo vínculo

A neurociência já demonstrou que as experiências emocionais da infância deixam marcas profundas no cérebro. Isso acontece porque as memórias afetivas são registradas junto aos sistemas emocionais responsáveis por sensação de segurança, pertencimento e proteção.

“É por isso que cheiros, músicas, pequenos rituais familiares e momentos simples da infância permanecem tão vivos ao longo da vida. O cérebro emocional registra aquilo que teve significado afetivo”, explica a neuropsicóloga.

Segundo Tatiana Serra, não são necessariamente os grandes eventos que constroem memórias emocionais positivas, mas sim a repetição de experiências afetivas cotidianas:

  • brincar junto;
  • ouvir com atenção;
  • acolher emoções;
  • criar sensação de segurança;
  • compartilhar tempo de qualidade.

“O cérebro infantil não precisa de perfeição. Precisa de previsibilidade emocional, conexão e presença”, destaca.


O excesso de agenda pode prejudicar o desenvolvimento emocional

Outro ponto que preocupa especialistas é o excesso de atividades estruturadas na infância. Muitas crianças passam o dia inteiro entre compromissos, telas e estímulos contínuos, sem espaço para descanso mental ou brincadeiras livres.

“O brincar é uma ferramenta fundamental de desenvolvimento cerebral. É durante a brincadeira que a criança exercita criatividade, linguagem, resolução de problemas, interação social e regulação emocional”, afirma Tatiana.

Segundo ela, o excesso de estímulos pode gerar:

  • ansiedade infantil;
  • irritabilidade;
  • dificuldade de atenção;
  • baixa tolerância ao tédio;
  • exaustão emocional precoce.

“O cérebro da criança também precisa de pausa. O tédio, inclusive, pode ser importante para estimular imaginação e criatividade”, explica.


Tempo de qualidade vale mais do que quantidade de atividades

Para a especialista, um dos maiores desafios das famílias modernas é compreender que presença afetiva não significa apenas estar fisicamente junto.

“Muitos pais estão em casa, mas emocionalmente capturados pelo celular, pelo trabalho ou pela exaustão. A criança percebe isso”, alerta.

Ela explica que pequenos momentos de conexão verdadeira têm enorme impacto no desenvolvimento emocional infantil:

  • refeições sem telas;
  • conversas antes de dormir;
  • brincadeiras espontâneas;
  • demonstrações de afeto;
  • escuta ativa.

“O cérebro infantil se desenvolve na relação. Crianças precisam sentir que pertencem, que são vistas e emocionalmente importantes dentro da família”, afirma.


A infância emocional molda a vida adulta

Segundo Tatiana Serra, experiências afetivas vividas nos primeiros anos influenciam diretamente a maneira como o cérebro responderá ao estresse, às relações e à autoestima na vida adulta.

“A infância é o período de maior neuroplasticidade do cérebro humano. É quando se constroem muitas das bases emocionais que acompanham a pessoa pelo resto da vida”, finaliza.
 

Tatiana Serra - psicóloga e neuropsicóloga. Neuropsicóloga pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), graduada em Psicologia pela Universidade Paulista (2014), analista do Comportamento pela Universidade de São Paulo (USP). Com mais de uma década de experiência trabalhando com indivíduos e famílias afetadas pelo transtorno do espectro autista, é também autora de dois livros, um dos quais é um best-seller.
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segunda-feira, 18 de maio de 2026

Dia da Família: o que as crianças realmente precisam para desenvolver um cérebro saudável?

 Excesso de estímulos, agendas lotadas e falta de tempo de qualidade dentro das famílias modernas pode atrapalhar o desenvolvimento das crianças

 

Em meio à rotina acelerada, excesso de telas, agendas cheias e pressão por desempenho desde a infância, especialistas vêm fazendo um alerta importante no Dia Internacional da Família, celebrado em 15 de maio ultimo: crianças não precisam apenas de atividades, cursos e estímulos constantes — elas precisam de vínculo emocional, presença afetiva e tempo para brincar.

Segundo a psicóloga e neuropsicóloga Tatiana Serra, o cérebro infantil é profundamente influenciado pelo ambiente emocional em que a criança cresce. “O cérebro da criança muda conforme o ambiente familiar. A forma como ela é acolhida, escutada, estimulada e emocionalmente validada impacta diretamente o desenvolvimento da memória, da autoestima, da segurança emocional e até da aprendizagem”, explica.

De acordo com a especialista, muitas famílias vivem hoje um paradoxo: nunca investiram tanto no desenvolvimento infantil, mas muitas vezes oferecem cada vez menos presença emocional real.

“Temos crianças hiperestimuladas cognitivamente, mas emocionalmente cansadas. Elas fazem inglês, esporte, música, reforço, tecnologia, mas têm pouco tempo para simplesmente brincar, conversar ou viver momentos afetivos espontâneos dentro da família”, afirma Tatiana.
 

O cérebro infantil aprende pelo vínculo

A neurociência já demonstrou que as experiências emocionais da infância deixam marcas profundas no cérebro. Isso acontece porque as memórias afetivas são registradas junto aos sistemas emocionais responsáveis por sensação de segurança, pertencimento e proteção.

“É por isso que cheiros, músicas, pequenos rituais familiares e momentos simples da infância permanecem tão vivos ao longo da vida. O cérebro emocional registra aquilo que teve significado afetivo”, explica a neuropsicóloga.

Segundo Tatiana Serra, não são necessariamente os grandes eventos que constroem memórias emocionais positivas, mas sim a repetição de experiências afetivas cotidianas:

  • brincar junto;
  • ouvir com atenção;
  • acolher emoções;
  • criar sensação de segurança;
  • compartilhar tempo de qualidade.

“O cérebro infantil não precisa de perfeição. Precisa de previsibilidade emocional, conexão e presença”, destaca.


O excesso de agenda pode prejudicar o desenvolvimento emocional

Outro ponto que preocupa especialistas é o excesso de atividades estruturadas na infância. Muitas crianças passam o dia inteiro entre compromissos, telas e estímulos contínuos, sem espaço para descanso mental ou brincadeiras livres.

“O brincar é uma ferramenta fundamental de desenvolvimento cerebral. É durante a brincadeira que a criança exercita criatividade, linguagem, resolução de problemas, interação social e regulação emocional”, afirma Tatiana.

Segundo ela, o excesso de estímulos pode gerar:

  • ansiedade infantil;
  • irritabilidade;
  • dificuldade de atenção;
  • baixa tolerância ao tédio;
  • exaustão emocional precoce.

“O cérebro da criança também precisa de pausa. O tédio, inclusive, pode ser importante para estimular imaginação e criatividade”, explica.


Tempo de qualidade vale mais do que quantidade de atividades

Para a especialista, um dos maiores desafios das famílias modernas é compreender que presença afetiva não significa apenas estar fisicamente junto.

“Muitos pais estão em casa, mas emocionalmente capturados pelo celular, pelo trabalho ou pela exaustão. A criança percebe isso”, alerta.

Ela explica que pequenos momentos de conexão verdadeira têm enorme impacto no desenvolvimento emocional infantil:

  • refeições sem telas;
  • conversas antes de dormir;
  • brincadeiras espontâneas;
  • demonstrações de afeto;
  • escuta ativa.

“O cérebro infantil se desenvolve na relação. Crianças precisam sentir que pertencem, que são vistas e emocionalmente importantes dentro da família”, afirma.


A infância emocional molda a vida adulta

Segundo Tatiana Serra, experiências afetivas vividas nos primeiros anos influenciam diretamente a maneira como o cérebro responderá ao estresse, às relações e à autoestima na vida adulta.

“A infância é o período de maior neuroplasticidade do cérebro humano. É quando se constroem muitas das bases emocionais que acompanham a pessoa pelo resto da vida”, finaliza.
 

Tatiana Serra - psicóloga e neuropsicóloga. Neuropsicóloga pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), graduada em Psicologia pela Universidade Paulista (2014), analista do Comportamento pela Universidade de São Paulo (USP). Com mais de uma década de experiência trabalhando com indivíduos e famílias afetadas pelo transtorno do espectro autista, é também autora de dois livros, um dos quais é um best-seller.
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Janeiro Branco


Psicóloga fala sobre a saúde mental e a campanha do mês 


Criada em 2014, a campanha Janeiro Branco visa psicoeducação da população em geral e das autoridades públicas, conscientizando-as sobre a importância da saúde mental e emocional. A campanha busca estratégias e ações de políticas públicas, sociais e culturais para que o adoecimento emocional seja discutido e, assim, prevenido e evitado.

Durante todo o mês de janeiro, diversos profissionais da saúde e da psicologia realizam, sem fins lucrativos, palestras, cursos, entrevistas e atividades em geral, com a finalidade de promoção da saúde emocional das pessoas. “Através de palestras presenciais e/ou online, levamos informações sobre as diversas possibilidades de cuidados com a saúde mental e, assim, atendemos ao primeiro princípio da campanha: o tema da Saúde Mental e da Saúde Emocional em máxima evidência na sociedade. Para isso, são feitas divulgações, através da internet, panfletagem abordando os temas de saúde emocional e as formas de prevenção, construindo, fortalecendo e disseminando uma cultura para Saúde Mental na humanidade”, esclarece Tatiana Serra, diretora e psicóloga do Núcleo Tatiana Serra.

Janeiro foi escolhido para a campanha por ser o primeiro mês do ano, momento em que as pessoas fazem uma reflexão de vida, traçam novos planos e um novo estilo de vida. Os criadores da campanha aproveitaram esse clima para lembrar a importância de cuidar da mente.  “Durante todo o mês de janeiro, promovemos o acolhimento das pessoas e refletimos sobre possíveis ações de mudança de estilo de vida, contribuindo para a valorização da subjetividade humana e o combate ao adoecimento emocional das pessoas”, comenta a especialista.

Atualmente, doenças como ansiedade e depressão vêm crescendo pelo mundo. As mudanças ocorridas na sociedade contemporânea contribuem para o desenvolvimento de doenças relacionadas à mente. “A campanha traz a oportunidade do acesso às informações, transmitidas pelos mais diversos especialistas na área, que contribuem para o desenvolvimento e a disseminação do conceito de ‘psicoeducação’ entre as pessoas e as instituições sociais; contribuindo para o desenvolvimento e a valorização de políticas públicas relativas aos universos da Saúde Mental”, finaliza.






Tatiana Serra – Psicóloga. Diretora/psicóloga do Núcleo Tatiana Serra - Intervenção e Formação Comportamental. Neuropsicóloga pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP). Psicóloga clínica com ênfase em ansiedade e transtornos do desenvolvimento, especializando-se em Análise do Comportamento pela USP.


sábado, 20 de junho de 2026

O cansaço de coerência: O esgotamento que não aparece nos exames, mas afeta milhões de pessoas


"Eu acordo cansado. Trabalho sentado. Não faço esforço físico. Mesmo assim, me sinto exausto."

Essas frases fazem cada vez mais sentido e se encaixam na vida de muita gente. O cansaço parece ter se transformado em uma epidemia silenciosa. Mas, se o corpo não está correndo maratonas, de onde vem tanta exaustão?

Segundo a psicóloga e neuropsicóloga Tatiana Serra, muitas vezes a resposta está em um tipo de desgaste pouco percebido: o cansaço de coerência.

"Existe um esgotamento que não nasce do excesso de tarefas, mas da distância entre aquilo que a pessoa sente, acredita e deseja e a forma como ela está vivendo. É um desgaste silencioso, que consome energia todos os dias", explica.
 

O cansaço de ter múltiplos papéis

A psicóloga observa que muitas pessoas passam anos cumprindo expectativas externas, assumindo papéis, metas e compromissos sem questionar se aquilo realmente faz sentido para elas.

São profissionais que permanecem em carreiras que já não trazem propósito. Pessoas que mantêm relacionamentos esvaziados. Indivíduos que vivem para atender demandas de todos ao redor, seja dos filhos, da família ou dos amigos mas perderam a conexão com as próprias necessidades.

"O cérebro trabalha constantemente para sustentar essa desconexão. Existe um esforço emocional enorme para continuar funcionando quando a vida está desalinhada com quem a pessoa é de verdade", afirma Tatiana.

Esse fenômeno pode gerar sintomas que muitas vezes são confundidos apenas com estresse ou falta de descanso.
 

Sinais do cansaço emocional:

  • Sensação constante de cansaço;
  • Falta de motivação;
  • Irritabilidade;
  • Dificuldade de concentração;
  • Sensação de vazio;
  • Perda do entusiasmo por atividades que antes davam prazer;
  • Sensação de estar sempre no automático.


O descanso que não recupera

Outro sinal frequente desse esgotamento invisível é perceber que nem férias, finais de semana ou horas extras de sono parecem resolver o problema.

A pessoa descansa o corpo, mas continua carregando conflitos emocionais não reconhecidos.

"Muitas vezes o indivíduo acredita que precisa apenas de férias, quando na verdade precisa de reflexão, autoconhecimento e mudanças de direção. O problema não é a falta de descanso, mas a falta de alinhamento", explica a neuropsicóloga.

Ela conta que nem todo cansaço é físico. “Muitas vezes estamos exaustos porque passamos tempo demais tentando ser quem esperam que sejamos e pouco tempo sendo quem realmente somos", afirma.
 

Como recuperar energia emocional?

Tatiana Serra explica que a solução nem sempre envolve grandes mudanças radicais, mas sim um processo gradual de reconexão consigo mesmo.

Algumas atitudes podem ajudar:

Reservar momentos de silêncio e reflexão;

Identificar atividades que geram satisfação genuína;

Observar o que está drenando energia emocional;

Aprender a estabelecer limites;

Buscar apoio psicológico quando necessário;

Revisitar valores, objetivos e prioridades.
 

Tatiana Serra - psicóloga e neuropsicóloga. Neuropsicóloga pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), graduada em Psicologia pela Universidade Paulista (2014), analista do Comportamento pela Universidade de São Paulo (USP). Com mais de uma década de experiência trabalhando com indivíduos e famílias afetadas pelo transtorno do espectro autista, é também autora de dois livros, um dos quais é um best-seller.
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segunda-feira, 8 de setembro de 2025

No Brasil, a cada 45 minutos uma pessoa tira a própria vida, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS)

 

Sinais que merecem atenção

Mudanças no comportamento, como isolamento repentino, alterações de sono e alimentação, frases de desesperança ou desistência, podem ser sinais de alerta para o sucídio. “É preciso prestar atenção ao que muitas vezes é visto como ‘drama’ ou ‘fase’. Pequenos indícios podem revelar um grande sofrimento”, afirma a psicóloga e neuropsicóloga Tatiana Serra, falar sobre o tema é fundamental. “Existe um mito de que falar sobre suicídio pode incentivar alguém, mas isso não é verdade. O silêncio, sim, pode ser fatal. Quando oferecemos escuta ativa e sem julgamentos, abrimos caminhos para que a pessoa se sinta acolhida e busque ajuda”, explica.


Porque falar é tão importante

Mesmo que ainda exista receio de falar sobre suicídio, a psicóloga reforça que conversar salva vidas. “Trazer o assunto para rodas de conversa, família ou escola ajuda a normalizar a busca por ajuda psicológica e mostra que não há vergonha em admitir dor emocional”, explica.


Nas redes sociais

Em um mundo tão conectado, Tatiana ainda ressalta o papel das redes sociais também precisa ser considerado. Segundo ela, a pressão para se adequar a padrões irreais pode aumentar a vulnerabilidade emocional. “Entre jovens, a comparação constante e a sensação de não ser suficiente estão entre os gatilhos mais comuns. Precisamos educar para o uso consciente da internet e estimular espaços de autenticidade”, orienta.


No trabalho

O sofrimento psíquico também aparece nas empresas. “Assédio, excesso de pressão por resultados e ausência de diálogo interno podem ampliar riscos. As organizações precisam investir em programas de saúde mental e criar canais de apoio ao funcionário, para que ele não se sinta sozinho em momentos de fragilidade”, reforça a psicóloga.


Na escola

Na adolescência, a escola é espaço essencial de prevenção. “Professores e colegas podem ser agentes de escuta e acolhimento. Capacitar educadores para identificar sinais de risco e criar projetos que combatam bullying são medidas fundamentais”, acrescenta Tatiana Serra.


Como prevenir

Além da busca por apoio profissional, práticas simples podem ajudar no dia a dia. “Escrever um diário, praticar exercícios de respiração, manter uma rede de apoio e cuidar da qualidade do sono são recursos acessíveis que fazem diferença”, explica a especialista que ainda afirma que pessoas que buscaram ajuda e conseguiram ressignificar a dor são exemplos reais de que há saída. “Isso fortalece a mensagem de que pedir ajuda não é fraqueza, mas um ato de coragem”, finaliza. 



Tatiana Serra - psicóloga e neuropsicóloga - CRP: 06/123778. Neuropsicóloga pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), graduada em Psicologia pela Universidade Paulista (2014), analista do Comportamento pela Universidade de São Paulo (USP). Experiência de mais de 10 anos em Análise do Comportamento e Transtorno do Espectro do Autismo e desenvolvimento de famílias e equipe.


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