Psicóloga especialista em
crianças alerta para riscos do excesso de eletrônicos, mudanças no sono e
ensina como equilibrar lazer online e offline nos dias frios
Férias escolares
de inverno e muitas famílias enfrentam o mesmo dilema: como entreter as
crianças nos dias gelados sem que elas passem horas a fio diante de telas? A
psicóloga e neuropsicóloga Tatiana Serra, especialista em comportamento
infantil, alerta que, embora seja natural recorrer aos eletrônicos como
passatempo, o excesso pode trazer consequências importantes para a saúde física
e mental das crianças.
“Nos dias frios, a
tendência é que as famílias fiquem mais tempo dentro de casa, e os dispositivos
eletrônicos acabam se tornando o grande recurso para entreter as crianças. Mas
é justamente aí que mora o risco: horas excessivas em frente às telas podem
prejudicar o sono, aumentar a irritabilidade, interferir na socialização e até
favorecer quadros de ansiedade ou depressão”, explica Tatiana.
Segundo a
especialista, as férias de inverno exigem ainda mais atenção porque a rotina
habitual das crianças é interrompida. Sem os horários fixos das aulas, muitos
acabam dormindo e acordando mais tarde, o que facilita o uso prolongado de
celulares, tablets e videogames, especialmente durante a noite. Além disso, a
redução de atividades físicas — muito comum nos dias frios — contribui para um
ciclo de sedentarismo que impacta não apenas o corpo, mas também o humor.
Inverno e
sono: dormir mais ou menos é normal?
Outro aspecto que
costuma se alterar nas férias de inverno é o padrão de sono das crianças.
Tatiana Serra explica que o frio pode aumentar a vontade de ficar na cama, mas
também há crianças que acabam dormindo menos, seja por estímulos noturnos (como
eletrônicos) ou por alterações na rotina.
“Um pouco mais de
sono nos dias frios é esperado, pois o organismo tende a querer conservar
energia. Porém, quando a criança passa a dormir excessivamente, ou, ao
contrário, apresenta dificuldade para pegar no sono ou desperta várias vezes à
noite, é sinal de que algo não está bem — seja ansiedade, uso excessivo de
telas ou mudanças emocionais”, alerta a psicóloga.
Tatiana recomenda
que os pais fiquem atentos à qualidade do sono e aos horários, mesmo nas
férias. A ausência de uma rotina clara pode bagunçar completamente o relógio
biológico das crianças, trazendo efeitos no humor, na atenção e até na
imunidade.
Como equilibrar
lazer online e offline?
Para evitar que os
eletrônicos dominem os dias frios, Tatiana Serra dá algumas dicas práticas para
manter uma rotina mais saudável e divertida mesmo nas férias:
- Estabeleça
horários definidos para uso de telas e
comunique-os claramente às crianças. “Elas precisam saber o que esperar”,
orienta a psicóloga.
- Intercale
momentos online com atividades offline,
como jogos de tabuleiro, leitura conjunta, culinária ou brincadeiras
criativas dentro de casa.
- Inclua
pausas ativas, mesmo em ambientes internos, como circuitos
de obstáculos improvisados, dança ou alongamentos.
- Estimule
a socialização presencial, quando possível e seguro,
convidando amigos ou primos para atividades caseiras.
- Cuide
dos horários de sono, mantendo horários de
dormir e acordar semelhantes aos do período escolar, mesmo que com alguma
flexibilidade.
- Dê o
exemplo: reduza também o uso de telas dos adultos
durante o tempo em família.
Para a psicóloga,
férias bem aproveitadas são aquelas em que há equilíbrio entre descanso, lazer,
e a oportunidade de as crianças explorarem o mundo — mesmo que, por alguns
dias, ele fique restrito às paredes de casa.
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