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sábado, 20 de junho de 2026

O cansaço de coerência: O esgotamento que não aparece nos exames, mas afeta milhões de pessoas


"Eu acordo cansado. Trabalho sentado. Não faço esforço físico. Mesmo assim, me sinto exausto."

Essas frases fazem cada vez mais sentido e se encaixam na vida de muita gente. O cansaço parece ter se transformado em uma epidemia silenciosa. Mas, se o corpo não está correndo maratonas, de onde vem tanta exaustão?

Segundo a psicóloga e neuropsicóloga Tatiana Serra, muitas vezes a resposta está em um tipo de desgaste pouco percebido: o cansaço de coerência.

"Existe um esgotamento que não nasce do excesso de tarefas, mas da distância entre aquilo que a pessoa sente, acredita e deseja e a forma como ela está vivendo. É um desgaste silencioso, que consome energia todos os dias", explica.
 

O cansaço de ter múltiplos papéis

A psicóloga observa que muitas pessoas passam anos cumprindo expectativas externas, assumindo papéis, metas e compromissos sem questionar se aquilo realmente faz sentido para elas.

São profissionais que permanecem em carreiras que já não trazem propósito. Pessoas que mantêm relacionamentos esvaziados. Indivíduos que vivem para atender demandas de todos ao redor, seja dos filhos, da família ou dos amigos mas perderam a conexão com as próprias necessidades.

"O cérebro trabalha constantemente para sustentar essa desconexão. Existe um esforço emocional enorme para continuar funcionando quando a vida está desalinhada com quem a pessoa é de verdade", afirma Tatiana.

Esse fenômeno pode gerar sintomas que muitas vezes são confundidos apenas com estresse ou falta de descanso.
 

Sinais do cansaço emocional:

  • Sensação constante de cansaço;
  • Falta de motivação;
  • Irritabilidade;
  • Dificuldade de concentração;
  • Sensação de vazio;
  • Perda do entusiasmo por atividades que antes davam prazer;
  • Sensação de estar sempre no automático.


O descanso que não recupera

Outro sinal frequente desse esgotamento invisível é perceber que nem férias, finais de semana ou horas extras de sono parecem resolver o problema.

A pessoa descansa o corpo, mas continua carregando conflitos emocionais não reconhecidos.

"Muitas vezes o indivíduo acredita que precisa apenas de férias, quando na verdade precisa de reflexão, autoconhecimento e mudanças de direção. O problema não é a falta de descanso, mas a falta de alinhamento", explica a neuropsicóloga.

Ela conta que nem todo cansaço é físico. “Muitas vezes estamos exaustos porque passamos tempo demais tentando ser quem esperam que sejamos e pouco tempo sendo quem realmente somos", afirma.
 

Como recuperar energia emocional?

Tatiana Serra explica que a solução nem sempre envolve grandes mudanças radicais, mas sim um processo gradual de reconexão consigo mesmo.

Algumas atitudes podem ajudar:

Reservar momentos de silêncio e reflexão;

Identificar atividades que geram satisfação genuína;

Observar o que está drenando energia emocional;

Aprender a estabelecer limites;

Buscar apoio psicológico quando necessário;

Revisitar valores, objetivos e prioridades.
 

Tatiana Serra - psicóloga e neuropsicóloga. Neuropsicóloga pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), graduada em Psicologia pela Universidade Paulista (2014), analista do Comportamento pela Universidade de São Paulo (USP). Com mais de uma década de experiência trabalhando com indivíduos e famílias afetadas pelo transtorno do espectro autista, é também autora de dois livros, um dos quais é um best-seller.
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