Sinais que
merecem atenção
Mudanças
no comportamento, como isolamento repentino, alterações de sono e alimentação,
frases de desesperança ou desistência, podem ser sinais de alerta para o
sucídio. “É preciso prestar atenção ao que muitas vezes é visto como ‘drama’ ou
‘fase’. Pequenos indícios podem revelar um grande sofrimento”, afirma a
psicóloga e neuropsicóloga Tatiana Serra, falar sobre o tema é fundamental.
“Existe um mito de que falar sobre suicídio pode incentivar alguém, mas isso
não é verdade. O silêncio, sim, pode ser fatal. Quando oferecemos escuta ativa
e sem julgamentos, abrimos caminhos para que a pessoa se sinta acolhida e
busque ajuda”, explica.
Porque falar é tão importante
Mesmo
que ainda exista receio de falar sobre suicídio, a psicóloga reforça que
conversar salva vidas. “Trazer o assunto para rodas de conversa, família ou
escola ajuda a normalizar a busca por ajuda psicológica e mostra que não há
vergonha em admitir dor emocional”, explica.
Nas redes sociais
Em
um mundo tão conectado, Tatiana ainda ressalta o papel das redes sociais também
precisa ser considerado. Segundo ela, a pressão para se adequar a padrões
irreais pode aumentar a vulnerabilidade emocional. “Entre jovens, a comparação
constante e a sensação de não ser suficiente estão entre os gatilhos mais
comuns. Precisamos educar para o uso consciente da internet e estimular espaços
de autenticidade”, orienta.
No trabalho
O
sofrimento psíquico também aparece nas empresas. “Assédio, excesso de pressão
por resultados e ausência de diálogo interno podem ampliar riscos. As
organizações precisam investir em programas de saúde mental e criar canais de
apoio ao funcionário, para que ele não se sinta sozinho em momentos de
fragilidade”, reforça a psicóloga.
Na escola
Na
adolescência, a escola é espaço essencial de prevenção. “Professores e colegas
podem ser agentes de escuta e acolhimento. Capacitar educadores para identificar
sinais de risco e criar projetos que combatam bullying são medidas
fundamentais”, acrescenta Tatiana Serra.
Como prevenir
Além da busca por apoio profissional, práticas simples podem ajudar no dia a dia. “Escrever um diário, praticar exercícios de respiração, manter uma rede de apoio e cuidar da qualidade do sono são recursos acessíveis que fazem diferença”, explica a especialista que ainda afirma que pessoas que buscaram ajuda e conseguiram ressignificar a dor são exemplos reais de que há saída. “Isso fortalece a mensagem de que pedir ajuda não é fraqueza, mas um ato de coragem”, finaliza.
Tatiana Serra - psicóloga e neuropsicóloga - CRP: 06/123778. Neuropsicóloga pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), graduada em Psicologia pela Universidade Paulista (2014), analista do Comportamento pela Universidade de São Paulo (USP). Experiência de mais de 10 anos em Análise do Comportamento e Transtorno do Espectro do Autismo e desenvolvimento de famílias e equipe.
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