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quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Por que a sífilis congênita ainda acontece mesmo quando a gestante faz pré-natal?

No Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita, celebrado em 17 de outubro, SPI chama atenção para falhas no diagnóstico e no tratamento que ainda permitem a transmissão da infecção para o bebê

 

O terceiro sábado de outubro, dia 17, marca o Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita. Mesmo sendo uma infecção que pode ser diagnosticada por testes simples e tratada durante a gestação, a transmissão para o bebê ainda é um desafio no país, inclusive entre mulheres que fizeram acompanhamento pré-natal. 

Os dados nacionais mais recentes disponíveis no Boletim Epidemiológico de Sífilis do Ministério da Saúde ajudam a dimensionar o problema. Apenas no primeiro semestre de 2025, foram notificados 12.130 casos de sífilis congênita em menores de um ano no Brasil. Entre esses casos, 83,5% das mães haviam realizado pelo menos uma consulta de pré-natal. Entretanto, somente 60,4% tiveram a sífilis diagnosticada durante esse acompanhamento. Em 30,4% dos casos, o diagnóstico materno ocorreu apenas no momento do parto ou da curetagem. Os números são preliminares e consideram notificações realizadas até 30 de junho de 2025. 

Para a Sociedade Paulista de Infectologia (SPI), os dados reforçam que realizar o pré-natal é fundamental, mas não basta: é preciso garantir testagem no momento correto, diagnóstico precoce, tratamento adequado e acompanhamento ao longo de toda a gestação. 

“Uma mulher pode estar fazendo o pré-natal e ainda assim existir uma oportunidade perdida de prevenção. O diagnóstico pode acontecer tarde, o tratamento pode não ser concluído adequadamente ou pode ocorrer uma nova infecção depois de um teste inicial negativo. Por isso, a qualidade e a continuidade do cuidado são essenciais”, explica o infectologista Dr. Paulo Roberto Abrão Ferreira, da SPI. 

Outro dado chama atenção. Entre os casos de sífilis congênita registrados no primeiro semestre de 2025, apenas 4,3% das mães tiveram esquema de tratamento classificado como adequado; em 54,3%, o tratamento foi considerado inadequado e, em 32,3%, não foi realizado. 

A sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum e pode ser transmitida para o bebê durante a gestação. Sem tratamento adequado, pode estar associada a aborto, prematuridade, natimortalidade, alterações ósseas, surdez, cegueira, comprometimento neurológico e morte neonatal. A maior parte dos bebês infectados, porém, pode não apresentar sintomas ao nascer, o que reforça a importância do diagnóstico materno e do acompanhamento da criança exposta. 

O Ministério da Saúde recomenda a testagem para sífilis na primeira consulta do pré-natal, preferencialmente no primeiro trimestre, novamente no terceiro trimestre e no momento do parto ou em caso de aborto, além de novas avaliações diante de situações de risco. Em caso de diagnóstico, a gestante deve receber tratamento adequado e ser acompanhada durante a gravidez; as parcerias sexuais também precisam ser avaliadas e tratadas quando indicado para reduzir o risco de reinfecção. 

“Sífilis congênita é evitável. Quando ela acontece, é importante olhar para toda a linha de cuidado: quando a gestante foi testada, quando recebeu o diagnóstico, se iniciou e completou o tratamento e se houve possibilidade de reinfecção. O objetivo do pré-natal não é apenas realizar consultas, mas garantir que essas oportunidades de prevenção sejam efetivamente aproveitadas”, reforça o especialista.

 

fonte:
Sociedade Paulista de Infectologia


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