Apesar
do crescimento do empreendedorismo feminino, muitas empresárias ainda assumem
todas as funções da empresa por dificuldade em delegar e liderar
estrategicamente. Especialista explica por que o excesso de controle impede o
crescimento do negócio e como mudar essa dinâmica.
O empreendedorismo feminino segue em expansão no Brasil, mas
ainda carrega uma armadilha silenciosa: a ideia de que uma boa empresária
precisa dar conta de tudo sozinha. Enquanto as redes sociais costumam exaltar
mulheres que acumulam múltiplas funções, na prática, essa sobrecarga tem
impedido muitas empresas de crescerem de forma sustentável. Quando a fundadora
concentra todas as decisões e tarefas, o negócio passa a depender
exclusivamente dela para funcionar.
Segundo dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e
Pequenas Empresas (Sebrae), cerca de 67% das mulheres empreendedoras também são
mães e dedicam, em média, 10,5 horas semanais a mais que os homens aos cuidados
com a casa e a família. Essa realidade faz com que muitas empresárias levem
para dentro da empresa a mesma lógica de assumir todas as responsabilidades,
acreditando que precisam controlar cada detalhe para que tudo aconteça da
maneira correta.
Para Alê Freitas, mentora em Liderança Feminina Aplicada ao
Negócio Real e CEO da Anima Impacto Consultoria, existe uma cobrança cultural
que faz muitas mulheres acreditarem que competência é sinônimo de dar conta de
mil tarefas ao mesmo tempo.
"Desde muito cedo, muitas mulheres aprendem que
precisam ser excelentes em tudo: na carreira, na maternidade, na casa e nos
relacionamentos. Quando empreendem, levam essa mesma mentalidade para o negócio
e passam a acreditar que precisam resolver absolutamente tudo sozinhas. Só que
isso não é liderança, é sobrecarga."
Segundo a especialista, o excesso de controle normalmente
nasce do perfeccionismo, da dificuldade em confiar na equipe e do medo de que a
empresa perca qualidade caso outras pessoas assumam responsabilidades. O
problema é que essa centralização limita o crescimento do negócio e impede que
a empresária ocupe o papel que realmente deveria exercer.
"Enquanto a dona está ocupada apagando incêndios,
respondendo mensagens, aprovando cada detalhe e resolvendo problemas
operacionais, sobra pouco tempo para pensar estrategicamente. E uma empresa só
cresce quando a líder consegue olhar para o futuro, desenvolver pessoas e criar
novas oportunidades."
Alê explica que liderar não significa estar presente em
todas as etapas do processo. Pelo contrário. Empresas sólidas são construídas
com processos bem definidos, equipes preparadas e autonomia para que as
decisões não dependam exclusivamente da fundadora. Delegar, nesse contexto,
deixa de representar perda de controle e passa a ser uma estratégia de
crescimento.
"Existe uma romantização da empresária que faz tudo
sozinha, como se isso fosse motivo de orgulho. Mas uma liderança madura não é
aquela que trabalha mais do que todos. É aquela que constrói uma empresa capaz
de funcionar, crescer e gerar resultados sem depender exclusivamente
dela."
Para a especialista, abandonar a necessidade de controlar
cada detalhe também representa uma mudança na forma como as mulheres enxergam o
próprio sucesso. Empreender não deveria significar abrir mão da saúde, da
família ou da qualidade de vida para manter o negócio funcionando.
"O sucesso não está em provar que você consegue fazer tudo. Está em construir uma empresa sustentável, onde as pessoas crescem junto com você e o negócio continua evoluindo mesmo quando você não está presente o tempo todo. Essa é a liderança que realmente transforma empresas e vidas", conclui.
Fonte: Alê Freitas — Mentora em liderança para mulheres aplicada ao negócio real e CEO da Anima Impacto Consultoria.
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