Especialista
alerta que restrições severas prejudicam o desempenho físico, comprometem o
ganho de massa muscular, alteram a produção hormonal e favorecem o efeito
sanfona.
Com a grande popularização das dietas da moda e da busca por
resultados rápidos, muitas pessoas acreditam que reduzir drasticamente a
quantidade de alimentos é o caminho mais eficiente para emagrecer. No entanto,
quando essa estratégia é associada à prática regular de exercícios físicos, os
resultados podem ser justamente o oposto do esperado. Restrições alimentares
severas comprometem o rendimento nos treinos, dificultam o ganho de massa
muscular e aumentam as chances de recuperar o peso perdido.
Segundo a Sociedade Internacional de Nutrição Esportiva
(ISSN), uma ingestão energética insuficiente pode reduzir a capacidade de
recuperação muscular, prejudicar adaptações ao treinamento e favorecer a perda
de massa magra, especialmente em pessoas fisicamente ativas. A deficiência
calórica prolongada também está associada a alterações hormonais e redução do
metabolismo basal.
De acordo com a nutricionista funcional Ana Paula Matos, um
dos maiores erros de quem deseja emagrecer é acreditar que quanto menos se
come, maior será a perda de peso. "O organismo precisa de energia para
manter todas as funções vitais e também para responder aos estímulos do
exercício físico. Quando a alimentação é insuficiente, o corpo entra em um
mecanismo de economia de energia, reduz o metabolismo e passa a preservar
gordura enquanto utiliza massa muscular como fonte energética", explica.
Essa perda de massa muscular representa um prejuízo
importante para quem busca emagrecer. Além de comprometer força, disposição e
desempenho durante os treinos, o músculo desempenha papel fundamental no gasto
energético diário. Quanto menor a quantidade de massa magra, menor tende a ser
o metabolismo, tornando o processo de emagrecimento mais lento.
Outro impacto frequente está na recuperação muscular. Sem
quantidade adequada de proteínas, carboidratos, vitaminas e minerais, o
organismo encontra dificuldade para reparar os tecidos após o exercício. O
resultado pode ser aumento da fadiga, dores musculares prolongadas e maior
risco de lesões.
"As pessoas costumam associar alimentação apenas ao
emagrecimento, mas ela também determina a qualidade do treino. Um organismo mal
nutrido não consegue sustentar intensidade, recuperar adequadamente a
musculatura nem evoluir na prática de atividade física", afirma Ana Paula.
As dietas muito restritivas também podem provocar alterações
hormonais. A redução exagerada da ingestão calórica interfere na produção de
hormônios relacionados ao metabolismo, à saciedade e até à saúde reprodutiva.
Em mulheres, por exemplo, restrições prolongadas podem causar irregularidades
menstruais e aumentar o risco de deficiência de nutrientes importantes para a
saúde óssea.
Outro efeito bastante comum é o chamado efeito sanfona. Após
períodos prolongados de privação alimentar, muitas pessoas apresentam episódios
de compulsão alimentar ou dificuldade em manter a dieta restritiva, recuperando
rapidamente o peso perdido e, muitas vezes, ganhando ainda mais gordura
corporal.
"Quando a alimentação é baseada em proibições extremas,
ela dificilmente se sustenta a longo prazo. O emagrecimento saudável acontece
com mudanças graduais, que respeitam a rotina, a prática de exercícios e as
necessidades individuais de cada pessoa", destaca a nutricionista.
Segundo Ana Paula, quem pratica atividade física deve
compreender que alimentação e treino caminham juntos. O objetivo não deve ser
apenas consumir menos calorias, mas oferecer ao organismo os nutrientes
necessários para preservar a massa muscular, favorecer a recuperação e
estimular um metabolismo mais eficiente.
"O emagrecimento não depende de passar fome. Ele acontece
quando existe equilíbrio entre alimentação, atividade física, descanso e
acompanhamento profissional. Comer bem não atrapalha o resultado; pelo
contrário, é uma das principais ferramentas para alcançá-lo de forma saudável e
duradoura", conclui.
Instagram: @anapaulamattosnutri
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