Além das lesões físicas, acidentes
dentro de casa podem comprometer a autonomia, a saúde emocional e a convivência
social da população idosa
No Dia Mundial de Prevenção de Quedas,
especialistas da TeleHelp, líder em teleassistência no Brasil, chamam atenção
para os efeitos que acidentes domésticos podem gerar na rotina da população
idosa. Casos de queda podem levar à perda de independência, ao isolamento e à
redução da qualidade de vida.
"As quedas estão entre os eventos
que mais comprometem a autonomia da pessoa idosa. Muitas vezes, o impacto vai
além da lesão física e desencadeia um processo de perda de confiança, redução
da circulação pela cidade, diminuição das atividades sociais e até isolamento.
Quando o medo de cair passa a orientar as escolhas do dia a dia, estamos diante
de uma questão que afeta diretamente a qualidade de vida e o envelhecimento
saudável", comenta Marília Berzins, doutora em Saúde Pública, especialista
em Gerontologia e consultora técnica da TeleHelp.
Dados da empresa, líder em teleassistência no Brasil, mostram que as quedas seguem como o principal motivo de acionamento do serviço de emergência. Entre os locais com maior incidência de ocorrências estão o quarto (43%) e o banheiro (23%), ambientes onde os idosos passam grande parte do tempo e que concentram fatores de risco como pisos escorregadios, iluminação inadequada e perda de mobilidade.
“Isso
mostra como o envelhecimento exige acompanhamento contínuo e como as famílias
precisam de suporte para lidar com questões que vão muito além de situações
críticas”, comenta José Carlos Vasconcellos, presidente-fundador da TeleHelp.
O
receio em relação às quedas não se limita ao ambiente doméstico e também
aparece em estudos sobre a população idosa no Brasil. Dados do estudo
ELSI-Brasil, uma das principais pesquisas sobre envelhecimento no País,
coordenada pela Fundação Oswaldo Cruz e pela Universidade Federal de Minas
Gerais, mostram que 42,7% dos idosos que vivem em áreas urbanas têm medo de
cair por causa da má qualidade de calçadas e vias públicas próximas de casa.
Entre pessoas com 80 anos ou mais, o índice chega a 63,1%. O levantamento
também aponta que cerca de 20,9% dos idosos sofreram quedas nos 12 meses
anteriores à pesquisa.
A
pesquisa identificou ainda que 12,1% dos idosos brasileiros consideram sua
vizinhança muito insegura em relação à violência, fator que contribui para o
isolamento social e reduz a circulação e participação social dessa população.
Os
impactos desse cenário também recaem sobre as famílias responsáveis pelo
cuidado de pessoas idosas. Um dos reflexos é o crescimento da chamada “geração
sanduíche”: adultos que cuidam dos filhos e, ao mesmo tempo, começam a assumir
responsabilidades crescentes com pais idosos. A rotina, frequentemente marcada
por culpa, vigilância constante, sobrecarga mental e falta de rede de apoio,
impacta diretamente a saúde emocional dessas famílias.
Esse
movimento acompanha o envelhecimento da população e o prolongamento do período
em que filhos adultos precisam apoiar os pais, justamente em uma fase da vida
em que muitos ainda estão criando crianças. Um estudo da University College
London, publicado na revista Public Health, analisou cerca de 4 mil cuidadores
entre 2009 e 2020 e apontou queda significativa no bem-estar, especialmente
entre pessoas que dedicam mais de 20 horas semanais ao cuidado de familiares
idosos. Entre os principais impactos identificados estão piora do sono,
exaustão e dificuldade de concentração.
Diante
desse cenário, Vasconcellos afirma que a teleassistência surge como uma rede de
apoio complementar para idosos e familiares. “A tecnologia não substitui o
afeto nem a presença da família, mas oferece segurança, rapidez no atendimento
e autonomia para a pessoa idosa. Muitas ocorrências poderiam ter consequências
mais graves sem um acionamento imediato. No caso das quedas, a rapidez no
atendimento pode ser determinante, já que episódios como esses costumam
provocar fraturas, internações, medo, perda de autonomia e isolamento social
entre idosos”, explica.
Entre
os receios mais comuns relatados por idosos atendidos pela TeleHelp estão
sofrer quedas (62%), não conseguir pedir ajuda (49%) e “dar trabalho” à família
(22%). Os dados, obtidos a partir de uma análise com cerca de 6 mil usuários da
base da empresa, ajudam a explicar a sensação de “plantão constante” vivida por
familiares e cuidadores.
A
TeleHelp também destaca que o comportamento dos acionamentos é semelhante em
todo o Brasil, mostrando que o tema não está restrito aos grandes centros
urbanos, mas reflete uma demanda nacional por soluções de cuidado contínuo e
envelhecimento seguro.
“Prevenção,
adaptação dos ambientes e resposta rápida fazem toda a diferença para reduzir
riscos e preservar a segurança da pessoa idosa no dia a dia”, conclui José
Carlos.

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