Com avanço da tecnologia e pressão por
eficiência, Edson Teixer, da IRKO Rio de Janeiro, defende que companhias
precisam estruturar políticas, treinamento e segurança para não perder
competitividade
A inteligência artificial deixou de ser
uma aposta restrita às áreas de tecnologia e passou a fazer parte da rotina de
diferentes departamentos nas empresas. O desafio, agora, é outro: transformar o
uso individual e muitas vezes informal dessas ferramentas em processos estruturados,
seguros e capazes de gerar ganhos reais de produtividade, afirma Edson Teixer,
sócio-diretor da IRKO Rio de Janeiro.
A mudança já aparece em estudos
globais. Levantamento da McKinsey aponta que 88% das organizações já usam IA
regularmente em ao menos uma função de negócio, mas cerca de dois terços ainda
não começaram a escalar a tecnologia de forma ampla na empresa. O mesmo estudo
mostra que 62% das companhias já testam ou utilizam agentes de IA, sistemas
capazes de planejar e executar etapas de trabalho com maior autonomia.
Esse movimento reforça uma nova fase da
transformação digital. Se os primeiros anos da IA generativa foram marcados por
experimentação e automação de tarefas pontuais, a próxima etapa tende a ser
definida pela capacidade das empresas de redesenhar fluxos de trabalho,
estabelecer regras claras de uso e preparar profissionais para atuar em
conjunto com sistemas inteligentes.
Para Teixer, a principal questão deixou
de ser se as empresas devem ou não usar IA. “O maior erro hoje é acreditar que
não usar inteligência artificial reduz riscos. Na prática, acontece o
contrário. Se a companhia não cria uma política estruturada, os colaboradores
acabam utilizando ferramentas pessoais sem qualquer controle de segurança”,
afirma.
Na avaliação do executivo, a tecnologia
está provocando uma mudança no perfil do trabalho corporativo. Atividades
repetitivas e operacionais tendem a ser cada vez mais automatizadas, enquanto
os profissionais passam a assumir funções mais analíticas, consultivas e
estratégicas. “Estamos migrando de um modelo baseado em execução operacional
para um modelo em que as pessoas atuam como analistas e revisores estratégicos.
A IA executa tarefas repetitivas, enquanto os profissionais ganham tempo para
pensar, analisar e se relacionar melhor com os clientes”, explica.
Na IRKO, esse processo vem sendo
tratado como uma transformação cultural. Há cerca de um ano, a empresa passou a
incentivar oficialmente o uso de IA entre seus colaboradores, com licenças
corporativas para lideranças, treinamentos internos e o desenvolvimento do
próprio “Chat IRKO”, uma plataforma criada para ampliar a segurança, o controle
e a governança no uso da tecnologia. As iniciativas foram lideradas por Teixer,
que identificou o potencial da IA ainda nos primeiros anos de avanço da tecnologia
e buscou especialização na área em instituições como Stanford e Harvard.
A empresa também já testa aplicações
mais avançadas, incluindo agentes de IA voltados à execução de tarefas de forma
autônoma. Para Teixer, esse avanço não elimina a importância do conhecimento
humano – cresce, na verdade, a necessidade de profissionais capazes de
orientar, revisar e aplicar a tecnologia com visão crítica.
“Quem vai sair na frente não é
necessariamente quem tem mais dinheiro ou a melhor tecnologia. É quem consegue
implementar uma cultura de inovação. O diferencial não é mais falar sobre IA,
mas demonstrar o que ela efetivamente entrega em produtividade, inovação e
competitividade”, afirma.
A tendência dialoga com uma preocupação
crescente no mercado de trabalho. O Fórum Econômico Mundial aponta que a
transformação tecnológica, incluindo IA e automação, será uma das principais
forças de mudança no emprego até 2030, exigindo novas estratégias de
qualificação e adaptação das organizações.
Para Teixer, o mercado brasileiro ainda
está em estágio inicial de adoção estruturada da tecnologia. Muitas empresas já
permitem o uso de ferramentas de IA, mas poucas transformaram esse uso em
estratégia estruturada, com governança, capacitação e integração aos processos
de negócio.
“O mercado ainda está engatinhando. Existe muita gente falando sobre IA, mas poucas empresas realmente implementando processos estruturados, seguros e estratégicos. As pessoas não serão substituídas pela IA. Elas serão substituídas por profissionais que saibam usar IA de forma inteligente”, conclui.
Nenhum comentário:
Postar um comentário