Com a participação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), pesquisa avalia efetividade em diagnósticos e custos do método no âmbito do SUS
A biópsia de linfonodo, seja na presença de um
tumor ou mesmo diante da suspeita de recidiva de câncer de mama, contribui para
definir o estadiamento da doença, estabelecer linhas de tratamento e avaliar
prognósticos. Mas a depender do tipo de agulha utilizada no método percutâneo,
fina ou grossa, os resultados podem ser diferentes. Se forem inconclusivos, em
geral demandam investigações complementares que expõem as pacientes a
desconforto e estresse, atrasam a condução dos tratamentos e representam
aumento de custos. Com a proposta de comparar a adequação diagnóstica da agulha
fina e da agulha grossa em biópsias, um estudo realizado no âmbito do SUS
(Sistema Único de Saúde), com a participação da Sociedade Brasileira de
Mastologia (SBM), buscou evidências para orientar protocolos nacionais.
O estudo “Biópsia por Agulha Grossa versus Punção
Aspirativa por Agulha fina para avaliação de linfonodos no câncer de mama:
precisão diagnóstica e análise de custos em um sistema de saúde público” foi
publicado pela Value in Health, revista internacional que reúne pesquisas sobre
políticas de saúde para auxiliar a tomada de decisões baseadas em evidências.
Coordenada pela mastologista Marina Diógenes Teixeira, a investigação conta com
contribuições da SBM e de importantes centros de tratamento do câncer de mama
no Brasil.
Como objetivo principal, o estudo compara a
adequação diagnóstica da Punção Aspirativa com Agulha Fina (PAAF) e da CORE
biopsy, com agulha grossa, na avaliação de linfonodos em pacientes com câncer
de mama. “Buscamos contrastar as taxas de resultados inconclusivos entre os
dois métodos de biópsia, que economicamente geram informações importantes sobre
custo-efetividade”, afirma. A pesquisa, segundo a mastologista, também se
propõe a indicar, por meio de dados baseados em situações reais, evidências
para orientar protocolos nacionais e expandir acesso equitativo ao tratamento
de câncer de mama no Brasil.
A investigação envolveu 300 mulheres submetidas à
biópsia de linfonodos axilares, supraclaviculares ou cervicais no Hospital da
Mulher (antigo Hospital Pérola Byington), unidade pública estadual, 100% SUS,
entre 2015 e 2023. Dados clínicos, radiológicos e patológicos foram extraídos
retrospectivamente de prontuários eletrônicos, utilizando-se uma ferramenta de
abstração padronizada.
Em 79 participantes (26,3%), a biópsia foi feita
com agulha fina. Em 221 (73,7%), o procedimento foi realizado com agulha
grossa. “A principal descoberta foi a taxa marcadamente maior de resultados
inconclusivos com a PAAF (agulha fina), de 50,7%, em contraste com a CORE
biopsy (agulha grossa), de 2,7%”, destaca Marina Diógenes.
O mastologista André Mattar, tesoureiro da SBM,
também participante do estudo, observa que a punção por agulha fina, conforme a
pesquisa, compromete a avaliação imunohistoquímica, que permite identificar os
“sobrenomes” dos tumores, entre eles o triplo-negativo.
A título de comparação, o especialista traz um dado
importante a partir dos exames realizados com CORE biopsy. “Na análise
imunohistoquímica, observamos uma discrepância de até 23% em um tumor
considerado primário e que depois recidivou na axila”, diz. “Isso,
definitivamente, muda nossa conduta de tratamento.”
O estudo indica que os custos das biópsias iniciais
feitas com agulha fina atingiram US$ 7.805, enquanto a estratégia com agulha
grossa totalizou US$ 9.930. “As agulhas têm custos diferentes e durante muito
tempo, principalmente no SUS, utilizamos a punção por agulha fina (PAAF) porque
é mais barata”, destaca Mattar.
No entanto, nas biópsias por PAAF com resultados
inconclusivos, houve a necessidade de novos procedimentos, que totalizaram US$
5.124, sendo que a maioria dos casos foi benigna. Em contrapartida, como revela
o estudo, as biópsias de segunda linha após resultado de agulha grossa
inconclusivo trouxeram custos significativamente menores (US$ 1.745,15) e
muitas vezes evitaram a necessidade de cirurgia.
Na análise econômica, o estudo mostra que a
abordagem inicial com biópsia por agulha grossa reduziu os custos de
diagnóstico em até 50%. “Considerando o atendimento do SUS, a busca por
eficiência e otimização de recursos, a pesquisa demonstra que como método de
biópsia de primeira linha, preferencialmente para linfonodos suspeitos, a
punção por agulha grossa traz resultados mais confiáveis, muitas vezes sem a
necessidade de novos exames, o que representa assertividade e ganho de tempo
para orientar os tratamentos, com maior conforto para as pacientes”, conclui
André Mattar.

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