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quarta-feira, 24 de junho de 2026

Falta de sangue nos hemocentros pode afetar desde cirurgias de aneurisma até procedimentos de emergência no cérebro

Campanha Junho Vermelho reforça importância da doação contínua; especialistas alertam que estoques baixos podem comprometer atendimentos neurológicos de alta complexidade 

 

O baixo estoque de sangue nos hemocentros das grandes cidades pode trazer consequências que vão muito além do atendimento à vítimas de acidentes. Em diversas especialidades médicas, incluindo a neurocirurgia, a disponibilidade de hemocomponentes é fundamental para garantir a realização segura de procedimentos complexos e o atendimento de emergências que exigem resposta imediata. 

Durante o Junho Vermelho, campanha nacional de conscientização sobre a doação de sangue, especialistas chamam atenção para um problema recorrente: a redução dos estoques em diferentes regiões do país. A situação pode impactar desde cirurgias programadas até procedimentos de urgência realizados em pacientes com aneurismas cerebrais, traumatismos cranianos e outras condições neurológicas graves. 

Segundo a Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN), embora nem toda cirurgia cerebral exija transfusão sanguínea, diversos procedimentos apresentam risco de sangramento e dependem da disponibilidade de sangue para garantir segurança ao paciente e à equipe médica. 

"Em neurocirurgia, frequentemente lidamos com situações em que cada minuto faz diferença. Em casos como aneurisma cerebral roto, traumatismos cranianos graves e algumas cirurgias vasculares complexas, a disponibilidade imediata de sangue pode ser determinante para o sucesso do tratamento e para a recuperação do paciente", explica a Dra. Vanessa Milanese, neurocirurgiã e Diretora de Comunicação da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia. 

Dependendo da complexidade do caso, uma única cirurgia pode demandar múltiplas bolsas de sangue e seus componentes. Além disso, pacientes submetidos a procedimentos extensos podem necessitar de reposição durante e após a operação. 

Os reflexos dos estoques reduzidos não atingem apenas os casos de emergência. Quando os níveis de sangue ficam abaixo do recomendado, hospitais podem ser obrigados a reorganizar agendas cirúrgicas, priorizando pacientes em estado mais grave e adiando procedimentos eletivos. 

Embora essa seja uma medida adotada para preservar a segurança assistencial, especialistas alertam que os adiamentos podem gerar sofrimento adicional aos pacientes que aguardam tratamento e aumentar o risco de agravamento de algumas condições clínicas. 

"A população costuma lembrar da doação de sangue em momentos de tragédia ou grandes campanhas, mas os hospitais dependem de um fluxo constante de doadores para atender demandas diárias. O sangue não pode ser fabricado e possui prazo de validade, por isso a reposição precisa ser contínua", destaca a especialista. 

Pacientes submetidos a cirurgias de aneurismas, tumores cerebrais, malformações vasculares e traumatismos cranianos estão entre aqueles que podem necessitar de suporte transfusional. Além da neurocirurgia, o sangue também é essencial para tratamentos oncológicos, transplantes, cirurgias cardíacas e atendimentos de emergência em diversas especialidades. 

Uma única doação pode beneficiar até quatro pessoas, já que o sangue coletado é separado em componentes como hemácias, plaquetas, plasma e crioprecipitado, utilizados conforme a necessidade de cada paciente.
 

Como doar

De acordo com o Ministério da Saúde, podem doar sangue pessoas saudáveis com idade entre 16 e 69 anos, desde que a primeira doação tenha sido realizada antes dos 60 anos. Menores de 18 anos precisam de autorização dos responsáveis. No dia da doação, é necessário estar bem alimentado, descansado e apresentar documento oficial com foto. 

Para os especialistas, transformar a doação em um hábito regular é uma das principais estratégias para garantir a manutenção dos estoques e evitar impactos no atendimento à população. 

"Quando alguém doa sangue, dificilmente sabe quem será beneficiado. Mas essa doação pode estar diretamente ligada à realização de uma cirurgia cerebral, ao atendimento de uma emergência neurológica ou à recuperação de um paciente em estado grave. É um gesto simples que tem potencial para salvar muitas vidas", conclui.
 

SBN - associação de médicos que exercem a especialidade de Neurocirurgia no Brasil. Mantém atividades regulares e ininterruptas no treinamento, ensino e formação do médico especialista em Neurocirurgia, seguindo protocolos e padrões que a colocam entre as melhores do mundo, conforme reconhece a WFNS – World Federation of Neurosurgical Societies. Site: portalsbn.org / Instagram sbn.neurocirurgia


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