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terça-feira, 23 de junho de 2026

O papel dos implantes no novo plano nacional de combate à endometriose

Enquanto Ministério da Ciência e Tecnologia lança projeto inédito de inovação contra a dor pélvica, médicos defendem que combate aos abusos estéticos não pode sufocar tratamentos que beneficiam milhares de mulheres 

 

O debate sobre a saúde da mulher ganhou tração nacional com o recente lançamento, pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), de um projeto de pesquisa e desenvolvimento voltado à endometriose, dor pélvica crônica e saúde menstrual. No evento, a ministra Luciana Santos jogou luz sobre o "verdadeiro estigma" que faz com que jovens e trabalhadoras sofram em silêncio e tenham seu desempenho severamente prejudicado.

 

O plano conecta esse marco político-científico à realidade dos consultórios: a endometriose profunda afeta mais de 7 milhões de brasileiras e leva de 7 a 10 anos para ser diagnosticada. Especialistas da Sociedade Brasileira de Medicina Personalizada (SBMP) entram no debate para alertar que, para o projeto do governo federal ter sucesso prático na ponta, o Brasil precisa blindar a ciência e garantir o acesso a terapias de alta performance — como a via dos implantes hormonais subcutâneos de liberação contínua —, separando a medicina legítima dos modismos estéticos de mercado.

 

O ginecologista Prof. Dr. Walter Pace, presidente da SBMP, corrobora o diagnóstico do MCTI e destaca que a validação tecnológica é o único caminho para interromper o sofrimento dessas mulheres."A iniciativa do Ministério da Ciência e Tecnologia em destinar recursos para pesquisar a dor pélvica é um marco histórico. Historicamente, a sociedade e a própria medicina condicionaram a mulher a acreditar que sentir dores no período menstrual era normal. Não é. Essa banalização atrasa o diagnóstico em quase uma década. Mas além de diagnosticar, precisamos tratar. Em casos de endometriose profunda e adenomiose, a via dos implantes subcutâneos de liberação contínua é uma ferramenta de precisão indispensável: ela trata a raiz da dor e interrompe hemorragias de forma estável, sem a toxicidade e a sobrecarga hepática causadas pelos medicamentos orais tradicionais. A ciência precisa avançar para proteger essas pacientes."Prof. Dr. Walter Pace, presidente da SBMP.

 

O endocrinologista Dr. Guilherme Renke, vice-presidente da SBMP, traz o olhar econômico e o alerta sobre os riscos de retrocessos regulatórios que possam punir a paciente doente."A endometriose afeta uma a cada dez mulheres em idade reprodutiva no Brasil, afastando-as do trabalho por mais de 10 horas semanais. Trata-se de um problema grave de saúde pública e de economia ativa. O investimento em tecnologia proposto pelo governo é essencial, mas o ecossistema de saúde precisa separar os abusos éticos da medicina séria. A SBMP condena veementemente o uso de hormônios para fins estéticos ou o chamado 'chip da beleza'. Contudo, o combate a esses excessos não pode se transformar em um banimento cego de uma via de administração que possui respaldo científico internacional. Proibir o acesso a implantes terapêuticos legítimos pune a mulher doente e alimenta o mercado clandestino. A regulamentação eficiente deve restringir e fiscalizar, nunca banir."Dr. Guilherme Renke, vice-presidente da SBMP.

 

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