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terça-feira, 23 de junho de 2026

Frio aumenta risco cardiovascular e exige atenção redobrada com o coração

Baixas temperaturas podem elevar a pressão arterial, sobrecarregar o sistema circulatório e favorecer eventos graves, como infarto e AVC 

 

Com a chegada do inverno, os cuidados com a saúde vão além das doenças respiratórias. As baixas temperaturas também podem impactar diretamente o sistema cardiovascular, especialmente em pessoas com hipertensão, diabetes, colesterol alto, histórico de infarto, tabagismo, obesidade ou doenças cardíacas pré-existentes. 

No frio, o organismo tende a contrair os vasos sanguíneos para preservar a temperatura corporal. Esse mecanismo, chamado vasoconstrição, pode aumentar a pressão arterial e exigir mais esforço do coração para bombear o sangue. Em pessoas mais vulneráveis, essa sobrecarga pode contribuir para o aumento do risco de eventos como infarto, AVC, arritmias e descompensação de doenças cardíacas. 

De acordo com o Dr. Élcio Pires Junior, cirurgião cardiovascular e coordenador de cirurgia cardiovascular nos Hospitais da Rede D’Or e no Hospital Bom Clima de Guarulhos, o frio não deve ser visto como um fator isolado, mas como um agravante importante para quem já possui fatores de risco. 

“O frio provoca uma resposta natural do corpo, que é a contração dos vasos sanguíneos. Isso pode elevar a pressão arterial e aumentar o trabalho do coração. Para quem já tem hipertensão, doença coronariana, diabetes ou outros fatores de risco, esse período exige atenção maior”, explica o Dr. Élcio. 

O especialista alerta que sintomas como dor ou pressão no peito, falta de ar, suor frio, palpitações, desmaio, fraqueza súbita, alteração na fala, confusão mental ou perda de força em um lado do corpo devem ser avaliados imediatamente, pois podem indicar eventos cardiovasculares graves. 

“Muitas pessoas confundem sintomas cardíacos com mal-estar passageiro, ansiedade ou desconforto causado pelo frio. Dor no peito, falta de ar e sinais neurológicos súbitos nunca devem ser ignorados. Nesses casos, procurar atendimento rápido pode salvar vidas”, reforça. 

Além da vasoconstrição, outros hábitos comuns no inverno podem piorar o risco cardiovascular, como redução da atividade física, menor ingestão de água, alimentação mais calórica, maior consumo de álcool e pior controle da pressão arterial. Por isso, a prevenção deve incluir manutenção dos medicamentos prescritos, acompanhamento médico regular, hidratação, alimentação equilibrada, controle da pressão e prática segura de atividade física. 

“O paciente não deve suspender remédios por conta própria nem relaxar no controle da pressão durante o inverno. A prevenção cardiovascular precisa ser contínua, mas nos meses frios alguns cuidados se tornam ainda mais importantes”, afirma o médico. 

Segundo o Dr. Élcio, idosos e pessoas com doenças cardiovasculares já diagnosticadas devem evitar exposição prolongada a temperaturas muito baixas, manter-se bem agasalhados e ficar atentos à piora de sintomas habituais. 

“O frio pode funcionar como um gatilho em quem já tem o sistema cardiovascular mais vulnerável. O ideal é antecipar cuidados, manter o tratamento em dia e procurar assistência diante de qualquer sinal de alerta”, conclui.

  

Fonte:

Dr. Élcio é coordenador de cirurgia cardiovascular nos Hospitais da Rede D'Or, do Hospital Bom Clima de Guarulhos e cirurgião cardiovascular dos hospitais Hospitalis de Barueri e Hospital Blanc de São Paulo. É membro especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular e membro internacional da The Society of Thoracic Surgeons dos EUA. Pode contribuir em pautas sobre problemas cardiovasculares, explicando como funcionam os tratamentos e procedimentos, além de formas de prevenção e sinais das doenças.
Dr. Elcio Pires Junior (@drelciopiresjr) • Fotos e vídeos do Instagram




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