Baixas temperaturas reduzem inchaço, desconforto e exposição solar. Especialista explica por que a estação favorece procedimentos nas pernas
O inverno começa em 21 de junho. Com ele, chegam as
temperaturas baixas, o ar seco e os dias mais curtos. A maioria das pessoas
associa essa época a roupas grossas, cobertores e sopas quentes. O que pouca
gente sabe é que o frio também transforma o calendário da saúde vascular. Para
quem precisa tratar varizes, microvarizes ou outros problemas nas pernas, os
meses de junho a agosto oferecem condições ideais.
O Brasil registrou mais de 75 mil casos de trombose
em 2024 e ultrapassou 36 mil novos diagnósticos apenas no primeiro semestre de
2025, segundo dados do Ministério da Saúde divulgados em 2025. Atualmente, o
país registra cerca de 200 novos casos de trombose por dia, também de acordo
com dados da pesquisa.
O calor do verão sempre atrapalha a recuperação de
procedimentos vasculares. As altas temperaturas dilatam os vasos sanguíneos,
aumentam o inchaço nas pernas e exigem cuidados redobrados com a exposição
solar. Pacientes que fazem escleroterapia (aplicação de substâncias para
eliminar vasos) ou cirurgias de varizes precisam evitar sol forte por semanas.
Usar meias de compressão no calor também se torna um suplício. Muitas pessoas
adiam o tratamento justamente por causa dessas dificuldades.
O frio contrai naturalmente os vasos sanguíneos, o
que reduz o inchaço pós-procedimento e diminui a sensação de peso nas pernas.
As roupas compridas, como calças e meias-calças, protegem a pele do sol sem
esforço extra. Quem precisa usar meias de compressão elásticas (as famosas
meias médicas) sente muito menos calor desconfortável. Em vez de sofrer com o
acessório apertado sob o sol de 35 graus, o paciente usa a meia dentro da calça
ou da calça legging, sem chamar atenção e sem suar.
“No inverno, a procura por tratamentos de varizes
aumenta de 40 a 60%. As pacientes planejam o procedimento para junho ou julho e
aproveitam os meses frios para fazer todas as sessões. Quando o verão chega,
elas já estão com as pernas prontas para saias, shorts e biquínis”,
compartilha a Dra. Haila Almeida, médica cirurgiã vascular e fundadora do Instituto Alphaveins,
clínica referência em medicina vascular de alta performance.
A especialista explica que os tratamentos vasculares mais comuns no inverno incluem a escleroterapia com espuma ou líquido para vasos pequenos e médios, a laser transdérmico para microvarizes e os procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos, como a ablação por radiofrequência ou laser endovenoso para varizes maiores. Todos esses métodos têm um período de recuperação que exige cuidados específicos. A falta de sol forte e o uso natural de roupas compridas facilitam o pós-operatório.
Outra vantagem do inverno diz respeito à prática de
atividades físicas. Após procedimentos vasculares, os médicos recomendam
caminhadas leves para estimular a circulação e evitar complicações, como a
trombose. No calor extremo, muitas pessoas abandonam as caminhadas por causa do
desconforto ou do risco de desidratação. No inverno, caminhar no início da
manhã ou no fim da tarde torna-se um hábito agradável.
“Já a hidratação, ao contrário
do que muita gente pensa, também merece atenção no frio. O ar seco e a baixa
sensação de sede levam muitas pessoas a beber menos água. Um sangue mais
espesso circula com mais dificuldade e aumenta o risco de formação de coágulos.
É recomendado manter a ingestão de líquidos mesmo sem sentir sede. Chás quentes
e água em temperatura ambiente cumprem bem esse papel”, afirma a especialista.
Os cuidados após os procedimentos não mudam
radicalmente no inverno. O paciente ainda precisa usar meias de compressão pelo
tempo determinado pelo médico, evitar banhos muito quentes (que dilatam os
vasos) e não cruzar as pernas por longos períodos. A diferença é que o
desconforto causado pelas altas temperaturas desaparece. O que no verão vira
motivo de desistência, no inverno se transforma em rotina tranquila.
O planejamento dos tratamentos vasculares exige uma
consulta prévia com o especialista. Durante a avaliação, o cirurgião vascular
faz um exame clínico e um ultrassom Doppler para mapear as veias comprometidas.
A partir desse diagnóstico, ele define a técnica mais adequada para cada caso.
“Alguns
pacientes resolvem tudo em uma única sessão. Outros precisam de três ou quatro
aplicações espaçadas ao longo de semanas. Justamente por isso, começar o
tratamento no início do inverno garante que tudo fique pronto até a primavera,
compartilha a Dra Haila.
As varizes não se tratam apenas de um problema
estético. Elas causam dor, sensação de peso, inchaço nas pernas, coceira e até
feridas que demoram a cicatrizar. Nos casos mais graves, a doença venosa
crônica compromete a qualidade de vida, limita a capacidade de caminhar e
interfere no sono. Tratar as varizes significa recuperar o bem-estar e prevenir
complicações maiores, como a trombose venosa superficial.
Para quem sofre com problemas nas pernas, junho,
julho e agosto são a melhor oportunidade do ano para resolver de vez a questão.
O planejamento começa agora. As pernas agradecem quando o verão chegar.


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