Nova regra dá menos benefício à saúde animal do que
à humana e pode pressionar preços em clínicas e hospitais veterinários
A
reforma tributária em fase final de regulamentação pode tornar mais caro o
cuidado com cães e gatos em todo o país. As novas regras estabelecem um
tratamento tributário menos favorável para os serviços veterinários em
comparação à saúde humana, o que tende a pressionar os preços de consultas,
exames, cirurgias e internações em clínicas e hospitais especializados.
Na
prática, enquanto consultas, exames e internações médicas para pessoas terão um
tratamento tributário mais favorecido, os serviços veterinários ficarão com uma
carga maior. Isso significa que procedimentos comuns do dia a dia dos tutores,
como consultas de rotina, exames laboratoriais e de imagem, cirurgias e
internações para pets, tendem a ficar mais caros. Além disso, itens essenciais
para quem tem animais de estimação, como a alimentação dos pets, não foram
incluídos entre os produtos com redução de impostos, ampliando a pressão sobre
o orçamento das famílias.
Segundo
Marcelo Costa Censoni Filho, sócio do Censoni Advogados Associados,
especialista em Direito Tributário e CEO do Censoni Tecnologia Fiscal e
Tributária, a distinção criada pela reforma não reflete a
realidade do setor. “A medicina veterinária moderna utiliza a mesma tecnologia,
estrutura e complexidade da medicina humana. Hospitais veterinários hoje contam
com UTI, exames avançados e tratamentos de alta complexidade. Criar uma
diferença tributária entre essas duas áreas é uma distorção que penaliza quem
busca atendimento de qualidade”, afirma.
O
impacto tende a ser mais severo para famílias de baixa renda. Com o aumento dos
custos, tutores podem adiar consultas preventivas, interromper tratamentos
contínuos ou buscar alternativas informais, o que compromete o bem-estar dos
animais e pode gerar reflexos indiretos na saúde pública, especialmente no
controle de doenças transmissíveis.
Censoni também alerta para os riscos ao próprio setor. “Clínicas de pequeno e médio porte já operam com margens apertadas. Uma carga tributária maior pode levar à redução de serviços, fechamento de estabelecimentos ou estímulo à informalidade”, explica.
A regulamentação da reforma ainda está em debate no Congresso, abrindo espaço para ajustes. Para o tributarista, o tema vai além de uma discussão setorial. “O cuidado com os animais deixou de ser supérfluo e passou a fazer parte da rotina das famílias brasileiras. Corrigir essa distorção é uma questão de coerência tributária, equidade social e saúde pública”, conclui.
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