O trabalho do
setor filantrópico é fundamental para reduzir desigualdades e transformar vidas
de milhões de brasileiros
Minha caminhada profissional
de mais de 30 anos me deu a oportunidade de trabalhar em diversos setores, como
indústria multinacional, mercado financeiro e engenharia. Mas posso dizer que o
setor filantrópico é o que me proporciona grande alegria em servir. Como
presidente e um dos fundadores do Fórum Nacional das Instituições Filantrópicas
(FONIF), acredito na missão de lutar para que as pessoas sempre tenham acesso a
serviços básicos e gratuitos fundamentais para uma vida digna, saudável e
próspera.
Para garantir estes direitos,
o Brasil precisa da ajuda das instituições filantrópicas. Desde a fundação da
Santa Casa de Santos, em 1543, estas instituições permanecem orientadas pela
missão e pelo carisma de amor e cuidado. Ao longo de mais de quatro séculos, as
filantrópicas brasileiras construíram um legado fundamental para o país. E o
impacto positivo desse trabalho pode ser comprovado com os resultados da
pesquisa “A contrapartida do Setor filantrópico no Brasil”.
Uma iniciativa do FONIF, o
estudo tem como base de dados os números oficiais da Receita Federal e dos
ministérios da Cidadania, da Saúde e da Educação, e foi conduzido pela DOM
Strategy Partners e auditado pela AUDISA - Auditores Associados. A pesquisa
mostra que, em 2020, coube às 27.384 instituições filantrópicas detentoras da
certificação de entidades beneficentes de assistência social (cebas) a tarefa
de realizar 230 milhões de procedimentos hospitalares e ambulatoriais; conceder
quase 800 mil bolsas de estudo na educação básica e no ensino superior e
disponibilizar mais de 625 mil vagas para pessoas em situação de
vulnerabilidade social.
Ainda de acordo com a
pesquisa, a contrapartida tangível e intangível das instituições filantrópicas
de Saúde, Educação e Assistência social certificadas pelo CEBAS em 2020
foi de aproximadamente R$ 139 bilhões, ou seja, 9,79 vezes maior que o valor de
R$ 14 bilhões da imunidade tributária recebida naquele ano.
Mesmo com os retornos
tangíveis à sociedade, ainda há problemas no horizonte a serem resolvidos. O
déficit de financiamento é o maior deles. A tabela SUS não é reajustada há 17
anos, e os recursos repassados pelo governo para pagar procedimentos
hospitalares de média e alta complexidade, além da atenção básica de saúde são
insuficientes para cobrir os custos. As instituições de Educação sofrem com
instabilidades no edital do Prouni e o setor de Assistência Social carece da
criação de mecanismos de financiamento e subsídio para continuar atendendo a
população.
Apesar de todas as
dificuldades, o que mantém as instituições filantrópicas motivadas a seguirem
fortes é o propósito genuíno da filantropia – literalmente um profundo amor à
humanidade. Mas para proteger esse trabalho, a sociedade precisa reconhecer o
valor dos professores, médicos, enfermeiros, administradores, assistentes
sociais e todos os colaboradores das filantrópicas. São eles que, diariamente,
estão na linha de frente lutando para salvar vidas, transformar realidades e
oferecer oportunidades dignas para mais e mais brasileiros.
Custódio Pereira - presidente do Fórum Nacional das
Instituições Filantrópicas (FONIF)
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