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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Sinusite aguda ou crônica? Entenda as diferenças e quando procurar ajuda

 

Magnific

Sintomas persistentes podem estar relacionados a alergias, pólipos, alterações anatômicas e outros fatores que precisam ser investigados, alerta a Dra. Camila Marinho  



Quem já passou por uma crise de sinusite sabe como a sensação de nariz entupido, pressão no rosto, secreção e dificuldade para respirar pode atrapalhar até as atividades mais simples do dia a dia. Em alguns casos, os sintomas aparecem durante ou depois de um resfriado e desaparecem em pouco tempo. Em outros, porém, o incômodo persiste por semanas e pode se tornar recorrente, sinal de que a inflamação pode ter evoluído para um quadro crônico. Mas quais condições e hábitos favorecem o surgimento ou contribuem para a piora do problema?

“A sinusite aguda geralmente está relacionada a infecções das vias respiratórias, como resfriados e gripes, e costuma ter duração limitada. Já a forma crônica exige atenção porque os sintomas permanecem por pelo menos 12 semanas e podem estar associados a diferentes fatores, como alergias, alterações anatômicas e pólipos nasais”, explica a Dra. Camila Marinho, otorrinolaringologista do HOPE.

Entre os fatores que podem contribuir para o aparecimento ou a piora do problema estão a rinite alérgica sem controle adequado, alterações estruturais dentro do nariz, pólipos nasais, exposição à poluição e à fumaça de cigarro. Infecções respiratórias recorrentes e algumas doenças associadas, como asma, também podem aumentar a predisposição.

“A inflamação da mucosa pode dificultar a ventilação e a drenagem dos seios paranasais. Quando existem alergias, alterações anatômicas ou contato frequente com substâncias irritantes, esse processo pode se manter por mais tempo. Por isso, controlar doenças associadas e reduzir a exposição a esses agentes é importante para diminuir a frequência e a intensidade das crises”, diz a médica.

Alguns hábitos cotidianos também merecem atenção. Ambientes com poeira, mofo ou ar muito seco podem favorecer irritação das vias respiratórias. O tabagismo, inclusive a exposição passiva, é outro fator que merece ser evitado. Manter boa hidratação e realizar higiene nasal com solução salina, quando orientada pelo especialista, pode ajudar na manutenção da saúde das vias aéreas.

“Não existe um único comportamento responsável pelo desenvolvimento da sinusite. O mais comum é haver uma combinação entre predisposição individual, doenças respiratórias e fatores ambientais. Evitar fumaça, cuidar das alergias, manter os espaços ventilados e procurar avaliação médica diante de sintomas persistentes são atitudes que fazem a diferença”, afirma.

A distinção entre as formas aguda e crônica é importante também para definir a conduta. De acordo com diretrizes atualizadas da American Academy of Otolaryngology Head and Neck Surgery, sintomas que permanecem sem melhora por pelo menos dez dias ou que pioram depois de uma melhora inicial podem indicar sinusite bacteriana aguda e precisam de avaliação clínica. Já a forma crônica exige confirmação objetiva da inflamação por meio de exame médico, podendo ser utilizada endoscopia nasal ou tomografia.

“Um erro comum é considerar que toda secreção nasal significa uma infecção bacteriana e que, portanto, o antibiótico seria necessário. Isso não acontece. A causa precisa ser investigada, porque a sinusite viral não se beneficia desse tipo de medicamento. Na presença de sintomas persistentes, piora do quadro ou recorrência, o ideal é buscar o otorrinolaringologista para estabelecer o diagnóstico correto”, orienta a especialista.

Nos casos crônicos, o tratamento depende das características de cada paciente. Lavagens nasais com solução salina e medicamentos de uso tópico, como corticosteroides intranasais, podem fazer parte da abordagem. A presença de pólipos, alterações anatômicas e outras condições associadas também deve ser considerada antes da definição da estratégia terapêutica.

Um estudo publicado na revista científica The Lancet trouxe novos dados sobre o tratamento da rinossinusite crônica. A pesquisa acompanhou 514 adultos, dos quais 410 apresentavam pólipos nasais. Os participantes foram divididos em grupos que receberam diferentes abordagens terapêuticas, além do tratamento nasal com corticoide e lavagem com solução salina.

“A análise reforça que a cirurgia pode trazer benefícios importantes para pacientes com rinossinusite crônica que continuam sintomáticos apesar do tratamento medicamentoso adequado. Entre os participantes avaliados, a intervenção apresentou resultados superiores na qualidade de vida, quando comparada às estratégias que utilizaram medicamentos”, destaca a otorrinolaringologista. Entre aqueles que passaram pelo procedimento, 87% relataram melhora na qualidade de vida.

“É importante interpretar esses resultados dentro do contexto de pacientes com doença crônica que já apresentavam indicação para uma abordagem mais avançada. A cirurgia não é a primeira escolha para todos os casos. Ela pode ser considerada quando o tratamento clínico não consegue controlar adequadamente os sintomas e existe indicação definida pelo especialista”, finaliza a Dra. Camila Marinho.

A recomendação para quem apresenta obstrução nasal persistente, secreção recorrente, dor ou pressão na face, redução do olfato ou episódios frequentes é procurar avaliação com um médico otorrinolaringologista. A investigação individualizada permite diferenciar uma infecção passageira de uma doença persistente e identificar fatores que podem estar mantendo a inflamação.



Marcas do Tempo: os impactos da gravidez precoce na vida de meninas e mulheres


A pesquisa “Marcas do tempo – gravidez na adolescência e seus impactos na vida de mulheres no Brasil”, realizada pela Plan International Brasil com mais de 1.500 mulheres de todas as regiões do país, mostra que a gravidez na infância e na adolescência não é apenas um evento pontual. Seus efeitos se estendem por toda a vida, influenciando trajetórias educacionais, econômicas e sociais. 

Mais do que medir o número de casos, o estudo revela como a gravidez precoce aprofunda desigualdades já existentes. Gênero, raça/cor, renda e território são marcadores sociais da diferença que se entrecruzam, reproduzindo violências e desigualdades que podem limitar oportunidades e dificultar o acesso a direitos fundamentais, como educação, saúde e proteção integral. 

Os resultados apontam para um ciclo de violências que ocorre em três atos. O primeiro está na prevenção. Ainda hoje, o acesso à informação sobre sexualidade, direitos reprodutivos e métodos contraceptivos é insuficiente, marcado por tabus e pela ausência de políticas robustas de educação integral em sexualidade baseada em evidências e direitos, e voltada para a proteção contra violências sexuais. A pesquisa também revela que, entre as meninas que engravidaram antes dos 14 anos, vítimas do crime de estupro de vulnerável, apenas metade recebeu informações sobre o direito à interrupção legal da gravidez, mesmo nos casos previstos em lei. Existir na legislação não significa, necessariamente, existir na prática do atendimento. Sem um protocolo nacional e um fluxo integrado que orientem profissionais do sistema de garantia de direitos sobre como acolher a vítima e garantir o acesso ao direito, a informação se perde no percurso entre a lei e a prática do atendimento a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. 

O segundo ato acontece durante a gravidez. Muitas adolescentes enfrentam preconceito e falta de acolhimento na família, na escola e nos serviços públicos. Como consequência, a continuidade dos estudos torna-se mais difícil, comprometendo oportunidades futuras. A gestação e a maternidade precoces são hoje o principal motivo de evasão escolar entre as adolescentes. Nossa pesquisa revela que meninas que engravidam antes dos 19 anos têm 24 pontos percentuais a mais de chance de não estar estudando, e a gravidez responde por um aumento de 49 pontos percentuais na probabilidade de abandono escolar. O impacto é significativo: segundo o Ipea, concluir o ensino médio aumenta a renda ao longo da vida em cerca de 11% a 20%, o que pode representar aproximadamente R$ 480 mil a mais em ganhos ao longo de 40 anos. Quando uma menina abandona a escola em decorrência da gravidez, ela não perde apenas um ano letivo; perde oportunidades que afetam toda a sua trajetória. A Lei nº 6.202/1975 assegura à estudante gestante o direito de continuar os estudos por um regime de exercícios domiciliares a partir do oitavo mês de gestação, sem prejuízo de nota ou frequência. Mas um direito previsto em lei há quase 50 anos ainda esbarra no estigma. O julgamento moral sobre a gestação na adolescência, a falta de acolhimento por parte da comunidade escolar e a ausência de suporte prático para conciliar cuidado e estudo seguem sendo, na prática, os principais obstáculos à efetivação do direito à educação. 

O terceiro ato ocorre na maternidade. A sobrecarga do trabalho doméstico e dos cuidados com os filhos afasta muitas jovens da educação e do mercado de trabalho. A falta de creches e de serviços públicos com horários compatíveis com a realidade do trabalho formal amplia essas barreiras e contribui para a perpetuação dos ciclos de pobreza e exclusão. A pesquisa mostra que 83% das mulheres que engravidaram na infância ou adolescência relatam impactos em suas oportunidades de trabalho e geração de renda. A sobrecarga também tem um custo na saúde mental. Quando o cansaço e o esgotamento passam a ser normalizados como parte inerente da maternidade, o sofrimento deixa de ser reconhecido como algo a ser tratado e passa a ser vivido como uma obrigação a ser suportada em silêncio, o que ajuda a explicar por que, mesmo diante de uma sobrecarga maior, essas jovens mães buscam menos, e não mais, os serviços de saúde. Diante desse cenário, é fundamental avançar em políticas públicas que ofereçam condições concretas para que essas jovens mães possam permanecer na escola, acessar oportunidades de emprego digno, além de serviços públicos e individualizados de saúde mental. Iniciativas inspiradas em programas como o Pé-de-Meia, associadas à ampliação da oferta de creches e políticas de cuidado e atenção psicossocial, podem ser caminhos importantes para garantir que a maternidade não represente a interrupção definitiva dos projetos de vida dessas meninas. 

O estudo também chama a atenção para a relação entre gravidez precoce e casamento infantil. Entre as mulheres que engravidaram quando crianças ou adolescentes, 53% estão casadas ou em união estável, o dobro da proporção observada entre aquelas que não passaram por essa experiência (26%). O casamento na infância e na adolescência reduz a autonomia, restringe oportunidades educacionais e econômicas e perpetua relações de dependência e violência. De acordo com estimativas do Banco Mundial, o casamento precoce reduz em cerca de 9% os rendimentos ao longo da vida, e evitar uma união infantil pode representar um ganho de até R$ 103 mil por menina. O Brasil ocupa hoje a 6ª posição mundial em número absoluto de casamentos envolvendo meninas, e o Censo Demográfico de 2022 do IBGE identificou 34 mil crianças e adolescentes de 10 a 14 anos vivendo em união conjugal no país. Nesses casos, a relação entre gravidez e união precoces escancara algo que a linguagem do "casamento" e da "relação consensual" teima em esconder: entre uma criança de até 14 anos e um parceiro mais velho não existe consentimento válido; trata-se da naturalização do abuso sexual infantil sistemático. 

Mas as marcas do tempo não contam apenas histórias de perdas. Elas também revelam trajetórias de resistência, reinvenção e busca por autonomia. Ainda assim, não podemos depositar sobre meninas e mulheres a responsabilidade de superar sozinhas obstáculos produzidos por desigualdades estruturais e violências que deveriam ter sido evitadas. 

Enfrentar a gravidez na infância e na adolescência exige garantir acesso à informação, fortalecer os serviços públicos, promover a permanência escolar e ampliar o apoio às jovens mães no mercado de trabalho – e exige, sobretudo, levar a sério o princípio da prioridade absoluta que a Constituição Federal já atribui a crianças e adolescentes. Prioridade absoluta significa que os direitos na infância e na adolescência vêm antes de qualquer outro interesse e se traduzem, por exemplo, na existência de protocolos que garantam, na prática, o direito à interrupção legal da gravidez decorrente de violência sexual; na permanência escolar de meninas grávidas e mães adolescentes; no combate ao casamento infantil disfarçado de "relação consensual”; no cuidado com a saúde mental de jovens mães sobrecarregadas; no incentivo à inclusão produtiva de jovens mães; e no orçamento público que sustenta tudo isso, ano após ano. As evidências apresentadas pela pesquisa mostram que mudar essas trajetórias é possível. Nenhuma menina deveria ter seu projeto de vida definido por desigualdades que a sociedade tem o dever de combater.

 

Cynthia Betti - CEO da Plan International Brasil. 

Paula Alegria é coordenadora de Advocacy e Direitos Sexuais e Reprodutivos da organização.
Paula Alegria

Setembro Vermelho reforça importância dos marcadores cardíacos no diagnóstico precoce

Lucrécia Mendes, Especialista de Produtos da Bioclin, destaca o papel dos exames laboratoriais na prevenção, investigação e acompanhamento das doenças cardiovasculares e apresenta as soluções da empresa para marcadores cardíacos

 

O Setembro Vermelho amplia a conscientização sobre a prevenção, o diagnóstico precoce e o acompanhamento das doenças cardiovasculares, reforçando a importância de identificar fatores de risco e alterações que podem comprometer a saúde do coração. Entre os principais aspectos que merecem atenção estão os níveis de colesterol, triglicerídeos e glicose, além de marcadores inflamatórios e cardíacos. Nesse contexto, o diagnóstico laboratorial desempenha um papel estratégico, contribuindo para a identificação de alterações e para o acompanhamento dos pacientes.

 

Para Lucrécia Mendes, Especialista de Produtos da Bioclin, a campanha também reforça a importância de ampliar o acesso a informações e ferramentas que contribuam para um cuidado cardiovascular mais eficiente. “O Setembro Vermelho é uma importante campanha de conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce das doenças cardiovasculares, reforçando a importância do monitoramento dos principais fatores de risco”, explica.

 

Dentro desse cenário, a Bioclin conta com um portfólio de soluções diagnósticas voltadas à prevenção, investigação e acompanhamento das doenças cardiovasculares. A empresa oferece reagentes para avaliação do perfil lipídico, controle glicêmico, marcadores inflamatórios, coagulação e marcadores cardíacos, além de soluções de point-of-care testing (POCT), que possibilitam a obtenção de resultados rápidos e podem auxiliar na tomada de decisão clínica.

 

Entre as soluções voltadas aos marcadores cardíacos está o Bioclin POCT FIA NEO, plataforma que reúne diferentes testes quantitativos. Entre eles está a Troponina HS, destinada à dosagem da Troponina I de alta sensibilidade, com limite de detecção de 0,03 ng/mL, permitindo identificar lesões miocárdicas de forma mais precoce e auxiliar na investigação da Síndrome Coronariana Aguda. A plataforma também disponibiliza o teste quantitativo de Troponina I, com sensibilidade de 0,1 ng/mL, além do teste de CK-MB Massa.

 

Outro destaque é o Painel Cardíaco K341-4, que realiza, em uma única análise, a dosagem quantitativa de Troponina I, CK-MB Massa e Mioglobina. A combinação permite avaliar marcadores que apresentam diferentes características e cinéticas durante uma possível lesão cardíaca. A Mioglobina pode apresentar elevação mais precoce, enquanto a CK-MB surge posteriormente e a troponina apresenta maior especificidade para lesão miocárdica e permanece elevada por mais tempo.

 

“A utilização do Painel Cardíaco é especialmente importante na avaliação e no monitoramento de pacientes com suspeita de infarto agudo do miocárdio. A análise conjunta de diferentes marcadores pode contribuir para uma avaliação mais ampla do quadro, sempre considerando o momento da coleta e a evolução clínica do paciente”, destaca Lucrécia.

 

Além dos marcadores relacionados à investigação de lesões cardíacas, a Bioclin possui soluções destinadas à avaliação da insuficiência cardíaca, como os testes para BNP e NT-proBNP. Ambos são marcadores utilizados no auxílio à avaliação e ao acompanhamento da insuficiência cardíaca, de acordo com os protocolos adotados pelos serviços de saúde.

Um dos diferenciais da plataforma Bioclin POCT FIA NEO é a possibilidade de obtenção de resultados quantitativos de maneira rápida e prática. O equipamento conta com bateria com autonomia de aproximadamente oito horas, característica que favorece a mobilidade e permite sua utilização em diferentes setores e ambientes hospitalares, inclusive em situações em que o resultado precisa estar disponível próximo ao paciente.

 

“A plataforma foi desenvolvida para proporcionar resultados rápidos, praticidade e segurança, aliando tecnologia a uma operação simples e intuitiva. Essa característica pode contribuir para otimizar o fluxo de atendimento e disponibilizar informações laboratoriais em menor tempo”, afirma a especialista.

 

No atendimento de emergência, a agilidade na obtenção de resultados pode ser especialmente relevante. Em pacientes com suspeita de Síndrome Coronariana Aguda, por exemplo, a disponibilidade rápida de informações laboratoriais pode auxiliar a equipe médica na avaliação do quadro e na tomada de decisões. Nesse contexto, o conceito de que “tempo é miocárdio” reforça a importância de reduzir o intervalo entre a chegada do paciente, a investigação diagnóstica e a definição da conduta clínica.

 

Lucrécia ressalta, no entanto, que os marcadores cardíacos não devem ser interpretados isoladamente. A avaliação de uma possível lesão miocárdica deve considerar o conjunto de informações clínicas disponíveis, incluindo sintomas, eletrocardiograma, histórico do paciente e resultados de exames seriados, especialmente no caso das troponinas.

 

Para a especialista, a conscientização promovida pelo Setembro Vermelho também deve estimular a adoção de hábitos mais saudáveis e o acompanhamento regular da saúde. “Cuidar da saúde cardiovascular é um compromisso que deve fazer parte da rotina de toda a população. A adoção de hábitos saudáveis, aliada ao acompanhamento médico regular e à realização de exames periódicos, permite identificar fatores de risco precocemente e aumentar as chances de prevenção e controle das doenças cardiovasculares”, afirma.



Após dez anos, SUS atualiza protocolo para endometriose e amplia opções de tratamento hormonal

Documento teve participação do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, por meio do Proadi-SUS, e inclui desogestrel e DIU com levonorgestrel entre as opções de primeira linha para o controle da doença

 

O Ministério da Saúde publicou a nova versão do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Endometriose, que atualiza as recomendações nacionais para diagnóstico, tratamento e acompanhamento de pacientes atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O documento substitui o protocolo anterior, de 2016, e teve o apoio metodológico da Unidade de Avaliação de Tecnologias em Saúde (UATS) do Hospital Alemão Oswaldo Cruz em sua elaboração, em parceria com o Ministério da Saúde, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). 

Entre as principais mudanças está a ampliação das alternativas hormonais disponíveis no SUS. O novo protocolo contempla o desogestrel e o dispositivo intrauterino liberador de levonorgestrel (DIU-LNG), tecnologias incorporadas ao sistema público em 2025. Contraceptivos orais combinados e progestágenos são considerados tratamentos hormonais de primeira linha. No caso do DIU-LNG, o protocolo prevê seu uso para pacientes com contraindicação ou não adesão aos contraceptivos orais combinados. 

Para o Dr. Rogério Felizi, ginecologista e coordenador do Centro Especializado em Endometriose do Hospital Alemão Oswaldo Cruz a atualização representa um avanço importante na assistência às pacientes com endometriose, especialmente pela ampliação das possibilidades terapêuticas e pela valorização do diagnóstico clínico. “A atualização do protocolo é importante porque incorpora novas opções de tratamento e reforça uma abordagem mais individualizada da endometriose. Isso permite considerar as características e necessidades de cada paciente na definição da estratégia terapêutica, além de contribuir para reduzir atrasos no diagnóstico e no início do cuidado.” 

O PCDT também atualiza a abordagem diagnóstica. Embora a laparoscopia já tenha sido considerada padrão-ouro para a identificação da doença, o documento ressalta que, em situações selecionadas, é possível considerar o diagnóstico presuntivo e discutir o início do tratamento a partir da história clínica e do exame físico, sem necessariamente aguardar confirmação cirúrgica. Exames como ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e ressonância magnética também podem auxiliar no diagnóstico e no planejamento cirúrgico. 

A mudança é especialmente relevante diante do atraso ainda observado no correto diagnóstico da doença. Segundo o PCDT, o intervalo entre o início dos sintomas e o diagnóstico pode chegar, em média, a 8 a 12 anos. A identificação precoce e o encaminhamento adequado para atendimento especializado são apontados pelo documento como fundamentais para melhorar os resultados do tratamento. 

A endometriose é uma doença ginecológica inflamatória crônica caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina, principalmente em estruturas da pelve. Entre as manifestações mais frequentes estão dor pélvica, cólicas menstruais intensas, dor durante as relações sexuais e infertilidade. Os sintomas podem repercutir nas atividades cotidianas, no trabalho, nos estudos, na vida social, na intimidade e no bem-estar emocional. 

No Brasil, estudo citado pelo novo protocolo aponta prevalência de 6,4% entre mulheres em idade reprodutiva, percentual que pode chegar a 34,2% entre mulheres sintomáticas atendidas em serviço especializado.

O tratamento deve ser individualizado e pode envolver medicamentos hormonais ou não hormonais, cirurgia ou a combinação dessas estratégias. A escolha considera fatores como intensidade dos sintomas, extensão e localização da doença, idade, desejo de engravidar e potenciais efeitos adversos. O objetivo é controlar a dor e melhorar a qualidade de vida e, quando desejado, preservar ou restaurar a fertilidade. 

O protocolo também reconhece que pessoas transgênero podem viver com endometriose e ressalta que as recomendações não devem resultar em exclusão ou discriminação de pacientes em razão de identidade ou das diferentes experiências relacionadas à condição. 

O novo PCDT tem caráter nacional e deve orientar estados, Distrito Federal e municípios na organização do acesso, dos fluxos assistenciais e dos procedimentos relacionados ao cuidado das pessoas com endometriose no SUS. 

O documento completo do PCDT pode ser acessado no portal da CONITEC( Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde). Link

 

Hospital Alemão Oswaldo Cruz

 

Parceria entre Univali e UFRJ fortalece pesquisas sobre sequelas da Covid-19

iStock 2K Studio
Estudo em rede aborda mecanismos da dor pós-Covid; colaboração destaca inserção do PPGCF em projetos científicos de impacto nacional

 

Um estudo realizado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em colaboração com diferentes universidades nacionais e internacionais, incluindo a Universidade do Vale do Itajaí (Univali), investigou os mecanismos ligados à dor crônica pós-Covid — sequela que afeta até 40% das pessoas diagnosticadas com a doença.

A colaboração científica contou com a participação do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da Univali (PPGCF), por meio da realização de experimentos específicos nos laboratórios da instituição, sob coordenação da professora Nara Lins Meira Quintão.

A cooperação entre os grupos de pesquisa da Univali e da UFRJ tem se consolidado e desempenha um papel fundamental para otimizar os recursos científicos e fortalecer a investigação em ambos os centros de pesquisa. Ambas as instituições fazem parte do INCT INOVAMED, coordenado pelo professor João B. Calixto, um dos órgãos financiadores deste trabalho.

“As colaborações científicas com os professores Giselle Passos e Robson da Costa, hoje docentes da UFRJ, vêm desde a nossa formação em farmacologia na UFSC. Trata-se de uma parceria madura, que traz crescimento não só em técnicas, mas também em discussões — algo extremamente essencial na pesquisa científica", destaca a professora Nara Lins Meira Quintão, do PPGCF da Univali.

A união de esforços entre diferentes programas de pós-graduação do país reforça a relevância da integração acadêmica para acelerar respostas a desafios de saúde pública, além de proporcionar experiência prática de alto nível aos estudantes envolvidos.

“Todos os trabalhos desenvolvidos em parceria com a UFRJ têm como princípio fundamental o envolvimento dos acadêmicos da Pós-Graduação, inclusive na discussão dos resultados e na escrita dos artigos. A participação dos alunos é algo que tanto eu quanto o professor José Roberto Santin, também coordenador do grupo de pesquisa, prezamos muito", finaliza.


Entenda os mecanismos da dor pós-Covid identificados no estudo

A investigação científica avança ao mapear os caminhos biológicos que mantêm o sintoma ativo mesmo após a eliminação do vírus do organismo. Os achados mostram que a infecção inicial desencadeia um processo neuroinflamatório persistente, capaz de alterar a sinalização dos neurônios sensoriais e deixar o sistema de dor do corpo em constante estado de alerta.

Ao esclarecer como essas alterações nervosas ocorrem na prática, o trabalho pavimenta o caminho para a busca de terapias mais assertivas e focadas no manejo dessa sequela. Além do avanço científico, a colaboração reforça a importância do intercâmbio entre diferentes programas de pós-graduação do país.

Para a Univali, a atuação em rede valida a estrutura de seus laboratórios e garante aos estudantes uma vivência prática direta em projetos de impacto nacional.

O estudo completo pode ser acessado pelo link:
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0889159126006999


Inteligência artificial poderá acelerar pesquisas contra a gripe e a resistência aos antibióticos

 Institut Pasteur de São Paulo e empresa francesa Tekkare unem pesquisadores em dois projetos voltados a desafios considerados prioritários pela Organização Mundial da Saúde; parceria consolida aproximação iniciada durante missão oficial francesa ao IPSP.

 

O Institut Pasteur de São Paulo (IPSP) e a empresa francesa Tekkare anunciaram uma colaboração internacional para desenvolver aplicações de inteligência artificial capazes de acelerar pesquisas em duas áreas consideradas prioritárias pela saúde pública mundial: o desenvolvimento de vacinas contra influenza e o enfrentamento da resistência aos antimicrobianos. 

Firmada por 12 meses, a colaboração prevê o uso da plataforma OIP Discovery, desenvolvida pela Tekkare, por pesquisadores do IPSP nas áreas de bacteriologia, vacinologia e infectologia. Além de disponibilizar acesso à plataforma, treinamento e desenvolvimento conjunto de funcionalidades, a empresa contará com a expertise científica dos pesquisadores brasileiros para validar, aperfeiçoar e expandir os recursos da ferramenta em aplicações reais de pesquisa. A parceria não envolve financiamento de pesquisas nem desenvolvimento conjunto de produtos comerciais, mas a construção colaborativa de ferramentas de apoio à investigação científica. 

Os pesquisadores trabalharão inicialmente em dois projetos. O primeiro busca desenvolver um fluxo computacional baseado em inteligência artificial para selecionar, de forma mais rápida e precisa, candidatos a antígenos para vacinas de RNA autoamplificável contra influenza. A proposta integra dados de vigilância genômica, incluindo amostras ambientais de esgoto, informações imunológicas e modelos estruturais das proteínas virais para reduzir o intervalo entre a identificação das variantes circulantes e a definição dos componentes das futuras vacinas. 

O segundo projeto pretende construir um atlas global da resistência antimicrobiana, integrando dados microbiológicos, consumo de antibióticos, informações epidemiológicas e variáveis ambientais para permitir o monitoramento da evolução da resistência bacteriana em diferentes regiões do mundo. A plataforma utilizará modelos de inteligência artificial para identificar padrões, prever tendências e oferecer suporte à vigilância epidemiológica e às políticas de uso racional de antibióticos. 

“Poucos projetos são tão inovadores quanto a construção de um atlas global da resistência antimicrobiana. É nesse tipo de iniciativa que nossa capacidade de engenharia aplicada a dados de saúde e inteligência artificial realmente faz a diferença — e é esse tipo de colaboração que queremos desenvolver com instituições de pesquisa em todo o mundo”, afirmou Robin Sarfati, diretor de Tecnologia (CTO) da Tekkare. 

A aproximação entre o IPSP e a Tekkare foi fortalecida durante a visita oficial da delegação da Região Île-de-France ao Institut Pasteur de São Paulo, realizada em fevereiro deste ano. Na ocasião, a presidente do Conselho Regional da Île-de-France, Valérie Pécresse, liderou uma missão composta por autoridades acadêmicas, diplomáticas e representantes de empresas francesas ligadas à inovação, entre elas a Tekkare. O encontro, promovido e organizado pelo Business France, teve como objetivo ampliar as possibilidades de cooperação científica entre Brasil e França e abriu caminho para a formalização desta colaboração. 

"A visita da delegação francesa representou muito mais do que um encontro institucional. Ela criou um ambiente propício para aproximar pesquisadores, universidades e empresas em torno de desafios comuns da saúde global. Esta parceria é um exemplo concreto de como a cooperação internacional pode acelerar a produção de conhecimento e fortalecer a inovação científica", afirma Paola Minoprio, diretora executiva do IPSP. 

Segundo Rúbens Alves, pesquisador responsável pelos projetos desenvolvidos pelo IPSP no âmbito da parceria, a inteligência artificial não substitui a pesquisa científica, mas amplia significativamente sua capacidade. "Estamos falando de transformar um volume gigantesco de informações dispersas em conhecimento útil para a tomada de decisões científicas. A plataforma nos permitirá integrar dados que hoje estão distribuídos em diferentes bases, identificar padrões que dificilmente seriam percebidos apenas por análises convencionais e acelerar etapas importantes da pesquisa, sempre mantendo o rigor científico." 

Ao longo dos próximos meses, as equipes trabalharão conjuntamente no aprimoramento da plataforma, na integração de novas bases de dados e no desenvolvimento de funcionalidades específicas para infectologia. O acordo também prevê a elaboração de um artigo científico em coautoria entre pesquisadores das duas instituições, consolidando os resultados obtidos durante a colaboração.

 

Institut Pasteur de São Paulo - IPSP


Dia Mundial da Alfabetização: Quando a dificuldade para aprender pode ser um problema de saúde?

 

Freepix 
Pediatra do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), orienta sobre sinais de alerta e a importância da avaliação precoce

 

Nem toda dificuldade escolar significa um problema de saúde. Cada criança tem seu próprio ritmo de desenvolvimento e aprendizagem, mas, quando dificuldades para ler, escrever, compreender, memorizar ou manter a atenção persistem e passam a interferir na rotina e na autoestima, é importante investigar. Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram que 66% das crianças da rede pública atingiram, em 2025, o padrão nacional de alfabetização esperado ao final do 2º ano do ensino fundamental. O índice avançou em relação aos 59,2% de 2024, mas cerca de um terço dos estudantes ainda não alcançou o nível esperado. A meta nacional é superar 80% até 2030. No Dia Mundial da Alfabetização, celebrado em 8 de setembro, o cenário reforça a importância de acompanhar o desenvolvimento infantil e identificar precocemente possíveis dificuldades. 

Segundo Daniela Gandolphi de Carvalho Nucci, médica pediatra do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), alguns sinais merecem atenção quando são persistentes, desproporcionais à idade e não apresentam melhora mesmo com apoio pedagógico. Entre eles estão dificuldades contínuas para reconhecer letras, relacionar sons e letras, ler, escrever ou compreender textos; erros frequentes; dificuldade para memorizar sequências e instruções; demora excessiva na realização de tarefas e rendimento irregular. Recusa escolar, irritabilidade, ansiedade, dores de cabeça ou de barriga antes das aulas e frases como “eu sou burro” ou “não consigo aprender” também podem indicar que a criança está enfrentando dificuldades. “A atenção deve estar voltada principalmente para a evolução individual da criança. A comparação mais importante não deve ser com os colegas, mas com a evolução da própria criança e com as oportunidades de aprendizagem que ela recebeu”, afirma. 

A dificuldade de aprendizagem não está necessariamente relacionada à capacidade intelectual. Uma criança pode apresentar bom raciocínio, criatividade e compreensão oral e, ainda assim, ter dificuldades específicas. Na dislexia, por exemplo, podem surgir dificuldades para associar letras e sons, ler com fluência, perceber rimas, separar palavras em sílabas e memorizar sequências. Antes da alfabetização, esses sinais não permitem fechar um diagnóstico, mas indicam a necessidade de acompanhar o desenvolvimento. 

Isso também vale para o TDAH. Ser distraída ou agitada ocasionalmente não significa que a criança tenha o transtorno. Os sintomas precisam ser persistentes, aparecer em mais de um ambiente, como casa e escola, e provocar prejuízos reais na aprendizagem, organização ou relações. 

Problemas de visão e audição também podem ser confundidos com dificuldades de aprendizagem. Aproximar muito o rosto de livros e telas, ter dificuldade para copiar da lousa, perder a linha durante a leitura, apresentar dores de cabeça, pedir repetidamente que algo seja dito novamente ou aumentar muito o volume da televisão são sinais que merecem atenção. “A alfabetização depende de várias habilidades que começam a se desenvolver muito antes da entrada na escola. A avaliação deve considerar o desenvolvimento infantil como um todo, e não apenas a leitura ou as notas”, explica Daniela. 

A avaliação não significa necessariamente um diagnóstico. O primeiro passo é conversar com a escola e procurar o pediatra, levando exemplos concretos das dificuldades e informações sobre o desenvolvimento da criança. Conforme o caso, podem participar da investigação profissionais como fonoaudiólogo, oftalmologista, otorrinolaringologista, psicólogo, neuropsicólogo, psicopedagogo, terapeuta ocupacional, neuropediatra ou psiquiatra infantil. “Avaliar não significa necessariamente diagnosticar um transtorno; significa compreender o perfil da criança e oferecer a ajuda adequada no momento certo”, ressalta a especialista. 

Em casa, a família pode contribuir estabelecendo uma rotina previsível, dividindo as tarefas em etapas menores, fazendo pausas e valorizando esforços e avanços. Evitar comparações, cobranças excessivas e rótulos também é fundamental. “Gritos, ameaças, castigos e horas seguidas de exercícios tendem a aumentar a ansiedade e não corrigem uma dificuldade de aprendizagem. A criança precisa compreender que ter dificuldade não significa ser menos inteligente e que pedir ajuda também faz parte de aprender”, finaliza Daniela.

 

Vera Cruz Hospital


Alerta do smartwatch é caso de pronto-socorro?

Tecnologia pode contribuir para o diagnóstico de arritmias, mas não detecta infarto; é preciso saber interpretar os dados e reconhecer sinais de gravidade

 

O paciente chega ao pronto-socorro com palpitação, abre o celular e mostra ao médico o que, até pouco tempo atrás, dificilmente faria parte de uma consulta de emergência: o registro do próprio batimento cardíaco captado pelo smartwatch. O comportamento, que está se tornando cada vez mais comum, já começa até a mudar a forma como algumas doenças cardiovasculares são investigadas.

No Hcor, o cardiologista Dr. Alexandre Abla observa um aumento claro na chegada de pacientes ao pronto-socorro com registros de frequência cardíaca e eletrocardiogramas feitos por relógios inteligentes, principalmente por adultos jovens, entre 30 e 40 anos. “Esses dados podem ser especialmente úteis em casos de sintomas intermitentes, quando o paciente sente uma alteração no coração, mas chega ao hospital depois que o episódio já terminou”, explica. 

O médico estima, com base na sua experiência clínica que, entre os que buscam atendimento de emergência após alertas relacionados ao ritmo cardíaco, cerca de 60% a 70% apresentam alguma arritmia confirmada posteriormente. “Métodos tradicionais, como o Holter, monitoram a atividade cardíaca por um período determinado, mas podem não coincidir com o momento em que uma arritmia surge. O smartwatch é interessante porque pode registrar o que está acontecendo e isso ajuda muito a fechar diagnósticos de arritmias”, completa. 

O especialista ressalta, porém, que o dispositivo pode ser muito útil em identificar alterações do ritmo cardíaco, mas não detecta infarto e não substitui avaliação médica. “Os dispositivos que possuem função de eletrocardiograma geralmente fazem uma leitura de uma única derivação, enquanto a investigação de um infarto exige avaliação médica e exames apropriados, incluindo o eletrocardiograma convencional de 12 derivações”, ressalta.

 

Nem todo alerta significa doença cardíaca 

Outro ponto de atenção é que o relógio pode registrar alterações na frequência cardíaca sem que exista necessariamente uma arritmia. Café em excesso, estresse, privação de sono, ansiedade e desidratação podem provocar taquicardia, uma aceleração do ritmo normal do coração. Além disso, o próprio dispositivo pode gerar registros inadequados. Se o relógio estiver frouxo ou mal adaptado, pode captar um dado errado. 

Por isso, o que aparece na tela deve ser tratado como uma informação para investigação, e não como um diagnóstico pronto. “No pronto-socorro, a equipe considera os registros trazidos pelo paciente, mas com cautela, levando em conta o modelo do aparelho, a qualidade da informação e a necessidade de confirmação por exames médicos. Quando uma arritmia é identificada, o paciente pode ser encaminhado para investigação complementar”, conta. 

A orientação também depende dos sintomas. Segundo o Dr. Abla, mal-estar importante ou sintomas súbitos devem levar o paciente imediatamente a uma emergência. Já um registro isolado, sem sintomas relevantes, pode ser discutido com o cardiologista em uma avaliação ambulatorial. 

A American Heart Association (Associação Americana de Cardiologia) orienta que pacientes compartilhem com seus profissionais de saúde as informações de wearables quando houver alertas de alteração do ritmo, justamente porque esses dados podem contribuir para a investigação de fibrilação atrial.

 

Entre prevenção e ansiedade 

O avanço do monitoramento contínuo, no entanto, traz um paradoxo: quanto mais o paciente sabe sobre o próprio corpo, maior pode ser a ansiedade relacionada a qualquer pequena alteração. Para o Dr. Abla, o fenômeno merece atenção. “Um monitoramento contínuo pode gerar uma ansiedade em caso de ausência de monitorização. Se estou sem meu relógio ou não carreguei o aparelho, posso me sentir vulnerável, frágil ou exposto”, revela. 

O objetivo, portanto, não é transformar o usuário em um fiscal permanente do próprio pulso, mas utilizar a tecnologia de forma direcionada. Na avaliação do cardiologista, os smartwatches podem ser especialmente interessantes para pacientes com risco de arritmia que apresentam sintomas difíceis de documentar ou para pessoas que já têm diagnóstico de arritmia e precisam acompanhar seus sintomas. 

A tecnologia pode colocar uma nova ferramenta nas mãos do paciente e uma nova fonte de informação para o médico. Mas, entre o alerta do relógio e uma decisão clínica, continua existindo uma etapa indispensável: a avaliação profissional.

 

Hcor


"Síndrome da vagina de Barbie": por que a vulva perfeita não existe — e quando a cirurgia íntima deve realmente ser indicada

Magnific
Especialista explica como a busca por uma anatomia íntima "lisa" e uniforme ganhou força e em quais situações procedimentos como ninfoplastia e labioplastia têm indicação

 

Durante décadas, a Barbie ajudou a construir uma ideia de corpo feminino marcado por proporções cuidadosamente definidas, sem assimetrias aparentes ou características que fugissem do padrão. É justamente dessa imagem de perfeição e uniformidade que surge a expressão “síndrome da vagina de Barbie”, usada para descrever a busca por uma vulva com aparência lisa, regular e com os pequenos lábios pouco ou nada visíveis. O problema é que, na anatomia real, não existe uma vulva que siga esse molde, e tentar transformar a imagem da boneca em referência médica pode fazer com que características absolutamente normais sejam percebidas como defeitos.

Para a ginecologista e especialista em cirurgia íntima Dra. Mariana Macedo, a comparação ajuda a entender como um padrão visual pode influenciar a percepção que as mulheres têm da própria anatomia. “A vulva não foi desenhada para seguir um padrão estético único. Existem inúmeras variações de tamanho, formato, coloração, simetria e projeção dos pequenos lábios, e todas essas características podem fazer parte de uma anatomia normal”, afirma a especialista.

A expressão também chama atenção para uma mudança na forma como algumas mulheres chegam ao consultório: não necessariamente por uma queixa física, mas com a expectativa de alcançar um determinado resultado visual. Para Dra. Mariana, esse contexto torna a consulta ainda mais importante. “Quando a motivação é exclusivamente estética, precisamos entender de onde vem essa expectativa e o que a paciente espera que a cirurgia mude na própria vida. A indicação não deve ser construída a partir da promessa de uma aparência específica”, explica.

Na avaliação, a ginecologista considera a intensidade e a frequência do desconforto, em quais situações ele aparece e quanto interfere na rotina. A investigação também ajuda a descartar outras causas para sintomas como dor, irritação ou desconforto, evitando atribuir automaticamente a uma característica anatômica uma queixa que pode ter outra origem.

“Dor durante a relação, por exemplo, não deve ser atribuída automaticamente ao tamanho dos pequenos lábios. É preciso investigar toda a região, o histórico da paciente e as circunstâncias em que o sintoma acontece antes de concluir que uma cirurgia será a solução”, esclarece a especialista.

 

Quando a cirurgia íntima pode fazer sentido

Ninfoplastia e labioplastia entram na discussão quando a avaliação identifica uma relação consistente entre a anatomia e a queixa apresentada. O procedimento envolve a redução ou remodelação dos pequenos lábios, com planejamento definido de acordo com as características de cada paciente.

A especialista ressalta que a cirurgia exige equilíbrio entre a correção da queixa e a preservação da função. “Na cirurgia íntima, retirar tecido não é simplesmente uma questão de diminuir. É preciso respeitar a vascularização, a inervação, a simetria possível e a função da região. Por isso, o planejamento individual faz diferença no resultado”, afirma.

Outro ponto importante é alinhar expectativas. A cirurgia não elimina todas as características naturais da vulva nem deve ser apresentada como uma transformação completa da região. O resultado esperado precisa ser discutido previamente, incluindo o que o procedimento consegue modificar e quais aspectos permanecerão.

“Uma indicação responsável inclui saber quando não operar. Se não encontramos uma relação clara entre a anatomia e o incômodo apresentado, ou se a expectativa da paciente não é compatível com o que o procedimento consegue oferecer, precisamos conversar sobre isso antes de qualquer decisão”, afirma.

Esse cuidado ganha relevância quando a procura pelo procedimento surge após comparações com conteúdos da internet. Nesses casos, a consulta serve também para contextualizar o que é possível modificar cirurgicamente e quais resultados pertencem mais ao imaginário estético do que à prática médica.

  

Dra. Mariana Macedo - médica ginecologista, especialista em Cirurgia Íntima e Ginecologia Regenerativa, com atuação voltada ao cuidado integral da saúde feminina. Sua abordagem combina excelência médica, atendimento humanizado e as mais modernas tecnologias para oferecer tratamentos seguros, naturais e personalizados. Atende nos estados de São Paulo e da Paraíba, dedicando-se a promover saúde, bem-estar e autoestima.


AACD amplia produção científica internacional com cinco novas pesquisas

Estudos abrangem ortopedia pediátrica, fisiatria e neurocirurgia, reforçando a integração entre ciência e prática assistencial na Instituição

 

A AACD ampliou sua produção científica internacional com cinco trabalhos desenvolvidos por profissionais da Instituição, recentemente publicados ou aceitos para publicação em periódicos científicos de relevância internacional. Os estudos abrangem as áreas de ortopedia pediátrica, fisiatria e neurocirurgia, sobre diferentes temas relacionados à assistência e à reabilitação de pessoas com deficiência física. 

O resultado reforça a participação da AACD na produção e disseminação de conhecimento científico e amplia a presença de seus profissionais no cenário internacional. Além do reconhecimento acadêmico, os trabalhos têm relação direta com a prática clínica, contribuindo para o planejamento terapêutico e a tomada de decisão das equipes de saúde.

 

Sobre os Estudos:

Ortopedia pediátrica: Hastes telescópicas e não telescópicas no tratamento da osteogênese imperfeita

Uma pesquisa liderada pelo Dr. Rafael Yoshida, ortopedista pediátrico da AACD, avaliou o uso de hastes intramedulares telescópicas e não telescópicas no tratamento cirúrgico de crianças com osteogênese imperfeita, condição que causa fragilidade óssea. Publicada no Journal of Children's Orthopaedics, periódico oficial da Sociedade Europeia de Ortopedia Pediátrica (EPOS), a revisão sistemática reuniu 36 pesquisas, com 1.711 pacientes e 2.459 ossos tratados. Os resultados mostraram que as hastes telescópicas estiveram associadas a menores taxas de revisão cirúrgica e maior sobrevida dos implantes. 

Ainda nessa área, um estudo liderado pelo Dr. Mauro Morais, ortopedista pediátrico e supervisor do Laboratório de Marcha da AACD, analisou dados de 98 pacientes com diplegia espástica submetidos à transferência do músculo reto femoral. A pesquisa, publicada no Journal of Pediatric Orthopedics, avaliou a relação entre o ganho de amplitude de movimento do joelho e a capacidade funcional de caminhada em pessoas com paralisia cerebral, reforçando a importância de olhar para diferentes desfechos funcionais na avaliação de resultados cirúrgicos.

 

Fisiatria: Pesquisas na área

Dois trabalhos conduzidos pela Dra. Anny Michelly Binha, médica fisiatra da AACD, em coautoria com a Dra. Valeria Casseto Silveira e a Dra. Amanda Victoria Casagrande, tratam do manejo de distúrbios do tônus muscular em centros de reabilitação, contemplando públicos infantil e adulto. Os estudos foram aceitos para publicação no International Journal of Physical Medicine & Rehabilitation, ampliando a disseminação do conhecimento produzido na área de reabilitação e dando visibilidade à experiência dos profissionais da AACD.

 

Neurocirurgia: Técnicas de fusão lombar e risco de reoperação

No Hospital Ortopédico AACD, que realiza cerca de 8 mil cirurgias por ano (aproximadamente 60% delas relacionadas a doenças degenerativas), uma pesquisa liderada pelo Dr. Eduardo Iunes, médico ortopedista do Hospital Ortopédico AACD, comparou duas estratégias de fusão lombar anterior (ALIF): o procedimento isolado e aquele associado à fixação posterior. O estudo identificou que o ALIF isolado esteve associado a um risco significativamente maior de reoperação por pseudoartrose sintomática, indicando que a fixação posterior complementar pode oferecer maior confiabilidade mecânica em pacientes selecionados.

 

Pesquisa e assistência caminham juntas

Para a AACD, a produção científica está diretamente ligada ao compromisso com a evolução da assistência. Ao aproximar conhecimento científico e prática clínica, os estudos contribuem para o aprimoramento contínuo das estratégias de tratamento e reabilitação, além de permitirem o intercâmbio de conhecimento com pesquisadores e especialistas de outros países.

 

AACD
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Artrose: 5 hábitos para preservar a saúde das articulações

Cerca de 528 milhões de pessoas vivem com artrose no mundo e 60% dos casos ocorrem em mulheres, segundo a OMS

 

A artrose ainda é muito associada ao envelhecimento, mas o diagnóstico pode aparecer mais cedo, inclusive entre mulheres na faixa dos 40 anos. Dores articulares persistentes, rigidez e perda de mobilidade podem fazer parte da rotina de pacientes que estão longe da terceira idade.

Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 528 milhões de pessoas vivem com artrose no mundo e as mulheres representam 60% desse total, e essa maior incidência está relacionada a uma combinação de fatores hormonais, metabólicos, genéticos e mecânicos.

Embora fatores como idade e predisposição genética não possam ser modificados, alguns hábitos ajudam a reduzir o risco de desenvolver artrose ou a desacelerar sua evolução. O diagnóstico precoce também aumenta as chances de controlar os sintomas e preservar a função das articulações.

O Dr. Lucas Ribeiro Leite, Médico Ortopedista e Traumatologista, Especialista em Cirurgia do Joelho e Medicina Desportiva e consultor DMC Group, explica quais cuidados podem ajudar a proteger as articulações.


1) Diga não ao sedentarismo

A prática regular de exercícios ajuda a fortalecer a musculatura responsável pela estabilidade articular, melhoram o equilíbrio e contribuem para reduzir a dor. Isso ganha ainda mais importância durante o climatério e a menopausa, fases em que é comum ocorrer perda de massa muscular.

“Nessa fase da vida, é comum a perda de massa muscular, e os músculos têm papel decisivo na proteção das articulações. Fortes, eles funcionam como amortecedores naturais, estabilizam o movimento e distribuem as cargas que, de outra forma, recairiam diretamente sobre a cartilagem. Quando essa musculatura enfraquece, as articulações ficam mais expostas ao desgaste, por isso, manter ou recuperar a massa muscular com exercícios de força é uma das formas mais eficazes de proteger joelhos e quadris”, ressalta Dr. Lucas.


2) Não espere a dor ficar insuportável

Dor persistente nas articulações não deve ser encarada simplesmente como consequência da idade. Outros sinais de artrose incluem rigidez, especialmente ao acordar ou depois de períodos prolongados de repouso, sensação de travamento, estalos frequentes e redução gradual da mobilidade.

“É muito comum ouvir no consultório pacientes dizerem que a dor apareceu depois de subir escadas, caminhar longas distâncias ou permanecer muito tempo sentadas. Aos poucos, começam também a surgir dificuldades para agachar, praticar exercícios ou realizar atividades simples do cotidiano. O problema é que esses sinais costumam ser atribuídos ao cansaço, à rotina ou simplesmente à idade. Com isso, há uma demora em procurar avaliação médica, o que permite à doença continuar evoluindo silenciosamente”, destaca o ortopedista.


3) Cuide do peso corporal

Manter o peso corporal adequado ajuda a diminuir a sobrecarga sobre joelhos e quadris. O excesso de peso e a obesidade também estão relacionados a processos inflamatórios no organismo, o que pode contribuir para o desenvolvimento ou agravamento da artrose.

O tecido adiposo produz substâncias inflamatórias e, por isso, a doença pode surgir ou se agravar até mesmo em articulações que não suportam peso, como as mãos. Doenças metabólicas, como obesidade e diabetes, também são fatores relevantes. Nesse contexto, cuidar do peso e manter hábitos que favoreçam a saúde metabólica são medidas importantes para a saúde das articulações.


4) Trate lesões e não ignore os sinais do corpo

Lesões acumuladas ao longo da vida estão entre os fatores que podem contribuir para o desenvolvimento da artrose. Por isso, o tratamento adequado de lesões esportivas também faz parte dos cuidados com as articulações.

O diagnóstico precoce combina avaliação clínica e exames complementares. Durante a consulta, o médico analisa o histórico e os sintomas, além de verificar sinais como dor, inchaço, rigidez, limitação dos movimentos e alterações na biomecânica da articulação, como explica o especialista. Em alguns casos, exames laboratoriais também podem ser solicitados para auxiliar no diagnóstico e descartar outras doenças articulares inflamatórias, como a artrite reumatoide.

“A radiografia permite identificar sinais característicos da artrose, como o estreitamento do espaço articular, a formação de osteófitos (popularmente conhecidos como "bicos de papagaio") e demais alterações no osso. Em situações específicas, exames como ressonância magnética podem ser indicados para uma avaliação mais detalhada das estruturas articulares, especialmente quando há suspeita de lesões associadas ou quando os sintomas não correspondem aos achados da radiografia”.


5) Mantenha as articulações em movimento

Mais do que evitar o sedentarismo, é importante manter uma rotina que favoreça a mobilidade e a força muscular. Exercícios, fortalecimento e reeducação do movimento fazem parte das estratégias utilizadas no tratamento da artrose. O tratamento pode incluir fisioterapia, controle do peso e medicamentos. Além disso, os avanços da medicina ampliaram as opções terapêuticas disponíveis.

“A utilização de ortobiológicos é um bom exemplo. Recursos como o PRP e o SFV - fração rica em células mesenquimais e fatores de sinalização - podem ajudar a melhorar a dor e a função, criando um ambiente biológico mais favorável dentro da articulação. Essas possibilidades abrem uma nova perspectiva para o tratamento da artrose, especialmente a do joelho, e no Brasil já são uma realidade, sendo o presente, não o futuro”, ressalta.


Artrose não é sinônimo de envelhecimento

A artrose é uma doença complexa, resultado da interação entre fatores mecânicos, biológicos e inflamatórios. Por isso, não deve ser encarada apenas como consequência natural do envelhecimento.

“Hoje sabemos que o quadro não acontece apenas porque uma articulação foi "usada demais". Trata-se de uma doença complexa, resultado da interação entre fatores mecânicos, biológicos e inflamatórios”, diz o especialista.

Para as mulheres, atenção especial deve ser dada ao período do climatério e da menopausa. A redução dos níveis de estrogênio pode interferir na manutenção da cartilagem e de outras estruturas articulares, favorecendo processos inflamatórios e acelerando o desgaste das articulações.

“A maior mudança que precisamos fazer é cultural. Sentir dor persistente nas articulações antes dos 50 anos não deve ser considerado normal, muito menos um preço inevitável do envelhecimento. Quanto mais cedo a artrose é reconhecida, maiores são as oportunidades de preservar movimento, autonomia e qualidade de vida. E, felizmente, hoje contamos com recursos muito mais eficazes do que há alguns anos para ajudar o paciente a continuar vivendo com liberdade e sem que a doença determine seus limites”, conclui Dr. Lucas Ribeiro Leite.


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