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terça-feira, 14 de julho de 2026

Julho Verde alerta para o câncer de cabeça e pescoço e reforça o papel da Fonoaudiologia na recuperação de funções essenciais

Campanha chama atenção para sinais persistentes, diagnóstico precoce e acompanhamento fonoaudiológico antes, durante e após o tratamento

 

Feridas na boca que não cicatrizam, rouquidão persistente, dor ou dificuldade para engolir, alterações na voz, caroços no pescoço e perda de peso sem causa aparente são sinais que merecem atenção. Durante o Julho Verde, campanha nacional de conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço, o alerta não se restringe ao diagnóstico precoce. Também chama a atenção para um aspecto muitas vezes pouco conhecido: a necessidade de preservar e reabilitar funções essenciais, como comunicação, alimentação e respiração.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de cabeça e pescoço compreende tumores que acometem a cavidade oral, língua, faringe, laringe, tireóide, seios paranasais, tendo o tabagismo e o consumo de álcool como principais fatores de risco. Nos últimos anos, a infecção pelo HPV também passou a ter papel importante, especialmente nos tumores de orofaringe.

Em Santa Catarina, o INCA estima para 2026 1.010 novos casos de câncer de cavidade oral e 450 novos casos de câncer de laringe. Entre os subgrupos, são projetados 720 casos de câncer de lábios e cavidade oral, 50 de glândulas salivares e 240 de orofaringe. Somadas as estimativas de cavidade oral e laringe, o estado chega a 1.460 novos casos em áreas que podem comprometer diretamente a comunicação, a alimentação segura e a respiração. 

Para a fonoaudióloga Camila Ferreira Molento (CRFa 3-8304), especialista em reabilitação oncológica, o tratamento não termina quando o tumor é controlado.

“O câncer de cabeça e pescoço pode comprometer funções que fazem parte da vida diária e da identidade da pessoa. Falar, comer, engolir e respirar com segurança são capacidades que precisam ser preservadas sempre que possível e reabilitadas quando afetadas. Esse cuidado começa antes mesmo do tratamento oncológico.”

A evidência científica recomenda que o acompanhamento fonoaudiológico seja iniciado antes do tratamento, permitindo identificar alterações pré-existentes, orientar exercícios preventivos e estabelecer parâmetros funcionais para o acompanhamento. Essa abordagem, conhecida como pré-habilitação, está associada à melhor preservação da deglutição, menor dependência de alimentação por sonda e melhores resultados funcionais ao longo do tratamento.

Durante e após cirurgias, radioterapia ou quimioterapia, a Fonoaudiologia atua na avaliação e reabilitação da deglutição, voz, fala, mastigação e comunicação, reduzindo complicações, favorecendo o retorno à alimentação por via oral e contribuindo para a recuperação funcional.

A orientação permanece a mesma: sintomas persistentes por mais de duas semanas devem ser investigados. Quanto mais precoce o diagnóstico, maiores são as possibilidades de tratamentos menos agressivos e de preservação das funções que garantem independência e participação social.

“Salvar vidas é fundamental. Preservar a capacidade de falar, comer e se comunicar também faz parte do tratamento. É nesse espaço que a Fonoaudiologia exerce um papel essencial dentro da equipe multiprofissional”, finaliza a fonoaudióloga.

 

Conselho Regional de Fonoaudiologia - 3ª Região- CREFONO 3

 

Por que o excesso de telas e informações mantém o cérebro em estado permanente de alerta e ensina como criar pequenos rituais de desaceleração


Nunca tivemos acesso a tanta informação. Antes mesmo de sair da cama, muita gente já conferiu mensagens, respondeu e-mails, assistiu a vídeos curtos, leu notícias e percorreu as redes sociais. Ao longo do dia, notificações, reuniões, sons, luzes e múltiplas telas disputam a atenção do cérebro. O problema é que, para ele, essa enxurrada de estímulos quase nunca termina.

No Dia Mundial do Cérebro, celebrado em 22 de julho, a neurocientista e aromaterapeuta Daiana Petry faz um alerta: a sensação constante de cansaço pode não estar relacionada apenas ao excesso de trabalho, mas também à hiperestimulação a que estamos submetidos diariamente.

"O cérebro foi feito para receber estímulos, mas também precisa de momentos de pausa para organizar informações, consolidar memórias e regular emoções. Hoje, muitas pessoas passam o dia inteiro consumindo conteúdo sem oferecer à mente qualquer intervalo para respirar", explica.

Segundo a especialista, o descanso cerebral não significa ficar sem fazer nada. O que faz diferença é reduzir, ainda que por alguns minutos, a quantidade de informações que chegam ao sistema nervoso.

"O problema não é apenas trabalhar muito. Muitas pessoas terminam o expediente e continuam alimentando o cérebro com vídeos, mensagens, notícias e notificações. A mente muda de assunto, mas não muda de ritmo."

Os sinais de um cérebro sobrecarregado costumam aparecer de forma silenciosa: dificuldade de concentração, sensação de cansaço ao acordar, irritabilidade, esquecimentos frequentes, ansiedade, dificuldade para relaxar e a impressão de que o pensamento nunca desacelera.
 

O olfato pode ajudar o cérebro a desacelerar

Entre os caminhos para criar momentos de pausa, a aromaterapia vem despertando interesse da ciência por sua relação direta com o sistema límbico, região cerebral envolvida no processamento das emoções, da memória e das respostas ao estresse.

"O olfato é o único sentido que possui uma conexão direta com áreas cerebrais ligadas às emoções. Por isso, determinados aromas conseguem despertar sensações de acolhimento, tranquilidade e conforto quase instantaneamente", afirma Daiana.

Ela ressalta que os óleos essenciais não substituem tratamentos médicos ou psicológicos, mas podem integrar práticas de autocuidado voltadas ao bem-estar e ao relaxamento.

Entre os aromas mais utilizados para criar um ambiente de desaceleração estão:

  • Lavanda: tradicionalmente associada ao relaxamento e à redução da tensão.
  • Bergamota: conhecida por proporcionar sensação de leveza e equilíbrio emocional.
  • Laranja-doce: frequentemente relacionada ao conforto, acolhimento e bem-estar.

Cinco minutos podem fazer diferença

A especialista explica que não é necessário fazer grandes mudanças na rotina para oferecer uma pausa ao cérebro. Pequenos rituais ao longo do dia podem funcionar como um sinal de transição entre momentos de alta demanda e descanso.

Ela sugere reservar cinco minutos para diminuir a iluminação, afastar o celular, respirar lentamente e utilizar um aroma agradável no ambiente. O objetivo não é "esvaziar a mente", mas reduzir temporariamente a entrada de novos estímulos.

"Vivemos tentando aproveitar cada segundo com mais informações, quando talvez o cérebro esteja justamente precisando do contrário: alguns minutos de silêncio, presença e menos estímulos. Cuidar do cérebro também é aprender a desacelerar."

O Dia Mundial do Cérebro é um convite para olhar além da produtividade. Assim como o corpo precisa de descanso para recuperar suas funções, a mente também depende de pausas para manter o equilíbrio, a criatividade e a saúde emocional. 



Daiana Petry - Aromaterapeuta, perfumista botânica, naturóloga e especialista em neurociência. Professora dos cursos de formação em aromaterapia, perfumaria botânica e psicoaromaterapia. Autora dos livros: Psicoaromaterapia, Cosméticos sólidos e Maquiagem ecoessencial. Fundadora da Harmonie Aromaterapia.
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@daianagpetry


O paradoxo do emagrecimento: por que preservar músculos é o verdadeiro segredo da longevidade


Vivemos uma revolução no tratamento da obesidade. Medicamentos como a tirzepatida mudaram radicalmente o cenário do emagrecimento, oferecendo resultados que, até poucos anos atrás, pareciam inalcançáveis sem cirurgia bariátrica. Pela primeira vez, a medicina dispõe de uma ferramenta capaz de promover perdas de peso expressivas de forma relativamente simples e segura.

 

Mas, como costuma acontecer na medicina, existe uma pergunta mais importante do que “quanto peso foi perdido”: o que exatamente foi perdido? A resposta para essa pergunta pode determinar não apenas o sucesso do tratamento, mas também a qualidade de vida e a longevidade do paciente.

 

Durante o congresso da Associação Americana de Diabetes (ADA), os resultados do estudo SURMOUNT-1 chamaram atenção ao demonstrar o potencial da tirzepatida no tratamento da obesidade. Conforme relatado pelos pesquisadores, pacientes tratados com a dose de 15 mg apresentaram perda média de peso de 20,9% em 72 semanas, resultado considerado um marco na história do tratamento clínico da obesidade.

 

No entanto, uma análise mais profunda dos dados trouxe um alerta importante. O estudo de composição corporal derivado do SURMOUNT-1 mostrou que, embora aproximadamente 75% da perda de peso tenha ocorrido às custas da gordura corporal, cerca de 25% corresponderam à perda de massa magra, incluindo tecido muscular.

 

Esse dado é frequentemente tratado como aceitável na literatura médica. Eu discordo.

 

A medicina da longevidade nos ensina que o músculo não é apenas uma estrutura responsável por movimentos ou aparência física. O músculo é um dos tecidos mais importantes do organismo humano. É um órgão metabólico, hormonal e funcional.

 

Existe uma frase frequentemente citada pelos especialistas em envelhecimento saudável: “envelhecemos pelos músculos”.

 

Não é exagero.

 

Diversos estudos mostram que a massa muscular é um dos mais fortes preditores independentes de mortalidade. Em muitos casos, ela é mais relevante para prever expectativa de vida do que o próprio Índice de Massa Corporal (IMC). Pessoas com mais massa muscular tendem a sobreviver melhor a doenças graves, manter independência funcional por mais tempo e apresentar menor risco de hospitalizações e fragilidade física.

 

O problema é que a perda muscular já acontece naturalmente com o envelhecimento. A partir da meia-idade, ocorre uma redução gradual da massa muscular, fenômeno conhecido como sarcopenia. Quando um paciente perde vários quilos de músculo durante um processo de emagrecimento acelerado, ele pode estar antecipando um processo que normalmente levaria anos para acontecer.

 

É aí que surge o paradoxo.

 

Ao mesmo tempo em que reduz gordura, melhora exames laboratoriais e diminui riscos associados à obesidade, o paciente pode estar renunciando a um dos seus maiores patrimônios biológicos: a musculatura.

 

Felizmente, isso não precisa acontecer.

 

Um dos aspectos mais importantes da nova geração de tratamentos para obesidade é compreender que a medicação não pode ser encarada como protagonista única do processo. Ela é uma ferramenta. O resultado depende da estratégia utilizada.

 

Um estudo recente citado na literatura sobre agonistas de GLP-1 e GIP demonstrou que é possível preservar — e até aumentar — a massa muscular durante o emagrecimento quando o tratamento é acompanhado por protocolos adequados de exercício e nutrição.

 

Na prática clínica, três pilares são fundamentais.

 

O primeiro é o treinamento de força. Caminhadas e atividades aeróbicas trazem inúmeros benefícios cardiovasculares, mas não são suficientes para sinalizar ao organismo que o músculo deve ser preservado. A musculação continua sendo a intervenção mais eficiente para proteger a massa muscular durante a perda de peso.

 

O segundo é a ingestão adequada de proteínas. Com a redução importante do apetite promovida pela tirzepatida, muitos pacientes passam a comer muito menos do que precisam. Isso inclui proteínas, nutriente essencial para manutenção da musculatura.

 

O terceiro pilar é a personalização do tratamento. Avaliações periódicas de composição corporal, suplementação quando necessária e ajustes individuais são medidas que fazem diferença significativa nos resultados de longo prazo.

O futuro do tratamento da obesidade não será medido apenas pela quantidade de gordura eliminada.

 

Será medido pela capacidade de reduzir gordura enquanto preservamos força, mobilidade, independência funcional e saúde metabólica.

 

A balança mostra quantos quilos foram embora.

 

A composição corporal mostra o que realmente importa.

 

Por isso, acredito que o verdadeiro sucesso do emagrecimento não está em criar pessoas mais leves, mas em construir pessoas metabolicamente mais fortes. Porque, no final das contas, a longevidade não depende apenas de viver mais anos.

 

Depende de chegar a esses anos com autonomia, energia e qualidade de vida.

E, para isso, preservar músculos pode ser tão importante quanto perder gordura.

 

  


Dr. Joaquim Menezes - Médico especialista em Emagrecimento definitivo, longevidade, performance física e mental. Após transformar sua própria saúde emagrecendo mais de 30 kgs, transformou a vida de mais de 12000 mil pessoas a recuperarem vitalidade, composição corporal, energia e presença. Já tratou e acompanhou mais de 2.000 pacientes com emagrecimento definitivo que utilizaram como estratégia medicamentosa o uso do Mounjaro, a tirzepatida. Atua a partir de uma visão integral — metabolismo, performance e longevidade trabalhando em sinergia — para resultados que ultrapassam o físico e devolvem energia, clareza, autoestima e presença. Sua atuação ao lado de atletas, executivos e pessoas que buscavam reencontrar vitalidade consolidou uma filosofia de cuidado profundo, preciso e humano.


Instituto Evollution


O mofo dentro da sua casa pode ser o inimigo invisível que está te deixando doente

Apesar de ter uma função biológica específica e necessária, o mofo que habita dentro de casa pode ser um perigo silencioso para crianças, idosos, asmáticos e pessoas com rinite ou imunidade baixa

 

Tempo frio sob uma chuva calma, porém contínua. Você está debaixo da coberta, deitado no sofá vendo televisão, mas algo te chama atenção na parede: o mofo está tomando conta. Quando o calor vai embora, o mofo volta a assombrar os lares brasileiros. Mais do que uma questão estética que compromete paredes e armários, a presença de fungos nos ambientes fechados é um gatilho crítico para crises respiratórias e alergias graves.

A pneumologista Karla Curado, que atende no centro clínico do Órion Complex, explica que o mofo é uma colônia de fungos que se desenvolve em ambientes úmidos, quentes e sem ventilação. “Eles fazem mal à saúde porque liberam partículas microscópicas no ar, chamadas esporos. Quando essas partículas são inaladas, podem irritar as vias respiratórias e desencadear reações inflamatórias e alérgicas, principalmente em pessoas mais sensíveis, como crianças, idosos, asmáticos e pessoas com rinite ou imunidade baixa”, explica a especialista.

Apesar dos fungos serem decompositores de matéria orgânica, sendo fundamentais para a reciclagem de nutrientes no ecossistema, quando estão proliferados em quantidade excessiva são prejudiciais para a nossa saúde. “Os esporos entram pelo nariz, que, em primeiro momento, gera tosse e espirro. Quanto mais partículas de mofo, a obstrução nasal vai ser mais intensa. Se os esporos conseguirem passar do nariz, eles podem percorrer a laringe e depois o pulmão. No fim, podem gerar complicações mais graves, como a pneumonite de hipersensibilidade, que é uma inflamação dos pulmões causada pela inalação de poeira e mofo”, conta a médica.

Além deste problema de saúde, a exposição prolongada a ambientes com bolor pode também ocasionar em ataques de rinite alérgica, crises de asma, sinusite, bronquite, tosse crônica, irritação nos olhos e na garganta. Também, é possível desenvolver condições como dermatites e alergias de pele, fibrose pulmonar e pneumonia de hipersensibilidade.

Segundo a doutora Karla Curado, muitas pessoas só percebem que os sintomas pioram quando ficam em determinados ambientes da casa, especialmente quartos, banheiros ou locais fechados com infiltração e pouca ventilação. Nesse sentido, torna-se preocupante quando o primeiro instinto é tratar somente os problemas respiratórios quando, na verdade, a causa está no ambiente.


A solução pode ir além das paredes

Não adianta apenas limpar a superfície com produtos químicos se a causa do mofo for em função da estrutura do imóvel. A umidade excessiva geralmente é fruto de infiltrações, falta de impermeabilização adequada ou baixa ventilação. Glênio Forte, proprietário da Rede da Construção Fortecon, afirma que “uma das regras de ouro na construção civil é que a impermeabilização preventiva custa uma fração minúscula da obra, enquanto consertar o estrago depois custa caro e dá dor de cabeça”.

Antes de tudo, é preciso dar atenção ao solo, explica Glênio. “O solo em que a casa será construída deve ser impermeabilizado de forma rigorosa, porque se a umidade subir pelas paredes, o mofo será um problema crônico e difícil de resolver depois que o projeto estiver pronto. Antes do assentamento dos revestimentos e pisos, as chamadas ‘áreas molhadas’ como banheiro, cozinha, lavanderia e sacadas devem receber uma camada de impermeabilizante”.

Glênio afirma que planejar ambientes ventilados e bem iluminados é essencial, como também garantir que o caimento do telhado e das lajes estejam corretos e não acumulem água da chuva. Além disso, as calhas e rufos devem ser dimensionados para afastar a água das paredes externas.

“Agora, se a casa está pronta e tem mofo, alguns itens ajudam a conter o problema, como seladores e tintas antimofo, que possuem aditivos fungicidas e bactericidas. Estes são ideais para tetos de banheiros, cozinhas e paredes internas que sofrem com condensação”, explica o empresário. Para áreas externas e lajes, ele indica mantas líquidas ou asfálticas. Por fim, ele aponta que hidrofugantes e silicones são ideais para tijolos e pedras aparentes, que impedem a água da chuva de penetrar na estrutura externa e causar manchas e mofo no lado de dentro.


Sinais de que você é vítima do mofo

A médica Karla Curado pontua uma lista de sintomas que, se observados, provavelmente é necessário tomar providências para a manutenção do ambiente e da saúde respiratória com acompanhamento profissional:

  • Espirros frequentes;
  • Nariz entupido ou escorrendo;
  • Coceira no nariz, olhos e garganta;
  • Tosse persistente;
  • Chiado no peito;
  • Falta de ar;
  • Sensação de aperto no peito;
  • Dor de cabeça;
  • Irritação nos olhos;
  • Cansaço excessivo;
  • Falta de ar e fadiga aos mínimos esforços.

Mortes por câncer de orofaringe são cinco vezes mais frequentes em homens e quase 11% ocorrem antes dos 50 anos

Levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), com base em dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, mostra que 83,7% das mortes por câncer de orofaringe ocorreram em homens e que 10,8% dos óbitos atingiram pessoas com menos de 50 anos. A divulgação coincide com a repercussão da morte do ator Edward Boggiss, aos 49 anos, que revelou em 2024 o diagnóstico da doença

 

Entre 2020 e 2024, o Brasil registrou 11.239 mortes por câncer de orofaringe, das quais 9.408 ocorreram em homens, o equivalente a 83,7% do total. O levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), elaborado com base em dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, é divulgado na semana da morte do ator Edward Boggiss, aos 49 anos e traz um alerta sobre a doença. Boggiss havia revelado, em 2024, o diagnóstico de câncer de orofaringe. 

Os dados mostram que o câncer de orofaringe também afeta uma parcela expressiva de adultos antes da terceira idade. Entre todos os óbitos registrados no período, 1.210 ocorreram em pessoas com menos de 50 anos, o equivalente a 10,8% do total. Considerando a população com menos de 60 anos, foram 4.231 mortes, correspondendo a 37,6% dos registros. Embora o maior número absoluto de óbitos permaneça concentrado entre 60 e 69 anos, com 3.863 mortes, especialistas observam que o perfil epidemiológico desses tumores vem mudando nas últimas décadas.

"Os tumores de orofaringe, amígdala e base da língua associados ao HPV são os que mais crescem, atingindo homens mais jovens, entre 40 e 60 anos, muitos deles sem qualquer histórico de tabagismo", afirma Carlos Eduardo Santa Ritta Barreira, coordenador das Comissões de Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) e do Colégio Brasileiro de Cirurgiões.

O levantamento da SBCO mostra que a mortalidade masculina supera a feminina em praticamente todas as faixas etárias. No conjunto do período, morreram 5,1 homens para cada mulher. A diferença é ainda mais expressiva entre adultos de meia-idade. Na faixa de 40 a 49 anos, foram 930 mortes entre homens e 122 entre mulheres, uma razão de 7,6 para um. Entre 50 e 59 anos, a relação foi de 7,3 homens para cada mulher (2.655 contra 366 mortes). Já entre 60 e 69 anos, foram registrados 3.356 óbitos masculinos e 507 femininos, mantendo uma razão de 6,6 para um.

Até poucas décadas atrás, a maioria dos tumores de orofaringe estava relacionada principalmente ao tabagismo e ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Hoje, entretanto, especialistas observam um aumento consistente dos tumores associados ao HPV, sobretudo ao subtipo HPV-16. A orofaringe compreende estruturas como as amígdalas e a base da língua, regiões onde esse perfil de tumor tem apresentado crescimento em diversos países.

O levantamento da SBCO também evidencia a influência das desigualdades sociais na mortalidade pela doença. Entre os 11.239 óbitos, 61,2% ocorreram entre pessoas com até sete anos de estudo. A maior concentração foi registrada entre indivíduos com 4 a 7 anos de escolaridade, responsáveis por 2.986 mortes (26,6%), seguidos pelas pessoas com 1 a 3 anos de estudo (2.481 mortes; 22,1%) e sem escolaridade (1.409 mortes; 12,5%). Apenas 490 mortes (4,4%) ocorreram entre indivíduos com 12 anos ou mais de escolaridade. "Sem dúvida, os mais vulneráveis são os pacientes com menos acesso aos serviços de saúde, que chegam mais tarde ao diagnóstico e adoecem de forma mais grave", afirma Santa Ritta.

Além do diagnóstico precoce, uma das principais estratégias para reduzir a incidência dos tumores relacionados ao HPV é a vacinação. Embora seja amplamente conhecida pela prevenção do câncer do colo do útero, a vacina também reduz o risco de outros tumores associados ao vírus, como os cânceres de orofaringe, ânus, pênis, vulva e vagina.

No Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina contra o HPV é oferecida gratuitamente em dose única para meninas e meninos de 9 a 14 anos e também para paciente oncológico. O imunizante também está disponível para grupos com condições específicas definidas pelo Programa Nacional de Imunizações, como pessoas vivendo com HIV, transplantados de órgãos sólidos ou de medula óssea e pacientes oncológicos.

Especialistas destacam que os benefícios da vacinação sobre os cânceres de orofaringe serão observados principalmente nas próximas décadas, devido ao longo intervalo entre a infecção pelo HPV e o desenvolvimento da doença. Enquanto isso, reforçam a importância de reconhecer sintomas persistentes, como dor de garganta que não melhora, dificuldade para engolir, rouquidão, lesões na boca e caroços no pescoço, especialmente quando permanecem por mais de duas semanas.

 

Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica - SBCO


Burnout: exaustão constante e perda de interesse pelo trabalho podem indicar síndrome que afeta cada vez mais brasileiros

Especialista alerta que sintomas muitas vezes confundidos
com “cansaço normal” podem ser sinais de um quadro de
esgotamento relacionado ao trabalho e que exige atenção.
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Especialista alerta que sintomas muitas vezes confundidos com “cansaço normal” podem ser sinais de um quadro de esgotamento relacionado ao trabalho e que exige atenção 

Especialista alerta que sintomas muitas vezes confundidos com “cansaço normal” podem ser sinais de um quadro de esgotamento relacionado ao trabalho e que exige atenção

 

Depois de um dia intenso de trabalho, sentir-se cansado é esperado. O problema começa quando o descanso deixa de ser suficiente para recuperar as energias. Acordar já exausto, perder a motivação para atividades que antes faziam sentido, apresentar dificuldade para se concentrar e sentir que o rendimento caiu de forma significativa são sinais que podem indicar mais do que o desgaste da rotina. Em alguns casos, esses sintomas podem estar relacionados à Síndrome de Burnout, condição associada ao estresse crônico no ambiente de trabalho.

Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na Classificação Internacional de Doenças (CID-11) como um fenômeno ocupacional, a síndrome é caracterizada por três dimensões principais: sensação de esgotamento ou exaustão de energia; aumento do distanciamento mental ou sentimentos negativos em relação ao trabalho; e redução da eficácia profissional. O Ministério da Saúde destaca que o Burnout é resultado da exposição prolongada a situações de trabalho emocionalmente desgastantes.

O tema tem ganhado relevância diante do crescimento dos afastamentos por transtornos mentais no país. Dados da Previdência Social apontam um aumento expressivo nas concessões de benefícios por incapacidade relacionados à saúde mental nos últimos anos, refletindo uma realidade que impacta trabalhadores, empresas e o sistema de saúde. Especialistas avaliam que parte desse crescimento também está relacionada à maior conscientização sobre o diagnóstico e à procura por atendimento especializado.

Para a psicóloga e docente do curso de Psicologia da Afya Centro Universitário de Pato Branco, Suzane Skura, um dos maiores desafios é justamente diferenciar o estresse esperado da rotina profissional de um quadro que pode evoluir para o adoecimento.

"O estresse faz parte da vida e, em muitos momentos, é até esperado. O Burnout, porém, acontece quando a pessoa permanece por muito tempo exposta a uma sobrecarga emocional e física sem conseguir se recuperar. O descanso deixa de resolver, o trabalho passa a gerar sofrimento e até tarefas simples parecem exigir um esforço enorme", afirma Suzane.

Segundo a especialista, o organismo costuma emitir sinais antes que o quadro se torne incapacitante. Por isso, observar mudanças persistentes no comportamento é fundamental.

"Os sintomas nem sempre aparecem de forma intensa logo no início. Muitas pessoas começam a perceber um cansaço constante, irritabilidade, dificuldade para dormir, esquecimentos frequentes, perda de concentração e uma sensação de que nunca conseguem dar conta das demandas. Também podem surgir sintomas físicos, como dores de cabeça, tensão muscular, alterações gastrointestinais e palpitações. Quando isso se torna frequente, é importante procurar avaliação profissional", pontua a psicóloga.

Embora seja mais lembrado em profissões de alta pressão, como as da área da saúde, educação e segurança pública, o Burnout pode atingir trabalhadores de qualquer setor. Jornadas prolongadas, excesso de responsabilidades, pressão constante por resultados, falta de autonomia, conflitos interpessoais e ausência de reconhecimento figuram entre os fatores que favorecem o desenvolvimento da síndrome.

Além dos prejuízos individuais, o adoecimento mental também representa um desafio para a economia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) estimam que ansiedade e depressão provoquem a perda de cerca de 12 bilhões de dias de trabalho por ano em todo o mundo, reforçando a necessidade de ambientes profissionais mais saudáveis e políticas de prevenção.

Na avaliação da psicóloga e docente da Afya de Pato Branco, ainda existe um estigma que faz muitas pessoas adiarem a busca por ajuda.

"Existe a ideia de que pedir ajuda é sinal de fraqueza, quando, na verdade, é uma atitude de cuidado. O Burnout não acontece porque alguém é menos competente ou menos resiliente. Frequentemente, ele acomete profissionais extremamente comprometidos, que permaneceram por muito tempo ultrapassando os próprios limites", destaca Suzane.

A psicóloga ressalta ainda que o diagnóstico deve ser realizado por profissionais habilitados e que a recuperação envolve uma abordagem individualizada, podendo incluir acompanhamento psicológico, avaliação médica e mudanças na organização da rotina e das condições de trabalho.

"Quanto mais cedo os sinais forem reconhecidos, maiores são as possibilidades de recuperação e menor o impacto na vida pessoal, profissional e familiar. Cuidar da saúde mental também é uma forma de prevenir doenças e preservar a qualidade de vida", pontua.

Para ela, a principal mensagem é que o esgotamento persistente não deve ser encarado como parte natural da produtividade. Quando o trabalho deixa de ser apenas desafiador e passa a comprometer o bem-estar, o equilíbrio emocional e a saúde física, buscar orientação profissional pode ser o primeiro passo para interromper um ciclo de adoecimento.


Julho Amarelo: por que tantas pessoas convivem anos com hepatites virais sem diagnóstico

Doenças costumam evoluir de forma silenciosa e podem permanecer décadas sem sintomas. Exames laboratoriais são fundamentais para identificar a infecção precocemente e evitar complicações graves.
 

As hepatites virais continuam sendo um importante desafio de saúde pública no Brasil e no mundo. Apesar de existirem exames capazes de identificar a infecção de forma simples e acessível, milhares de pessoas convivem com o vírus durante anos sem saber. Como, na maioria dos casos, a doença evolui de maneira silenciosa, o diagnóstico costuma acontecer apenas quando já existem complicações no fígado, como cirrose ou câncer hepático. 

Durante o Julho Amarelo, campanha nacional dedicada à conscientização sobre as hepatites virais, especialistas reforçam que a realização de exames laboratoriais é a principal estratégia para interromper essa trajetória silenciosa e ampliar as chances de tratamento e cura.

"A ausência de sintomas faz com que muitas pessoas não procurem atendimento médico e só descubram a infecção em exames de rotina ou durante a investigação de alterações nas funções do fígado. Esse é um dos principais motivos pelos quais o diagnóstico laboratorial tem papel tão importante no enfrentamento das hepatites virais", explica Maria Gabriela de Lucca, médica patologista do DB Diagnóstico. 

De acordo com o Ministério da Saúde, as hepatites B e C respondem pela maior parte dos casos de hepatite crônica no país. A infecção pode permanecer assintomática por décadas, enquanto provoca inflamação progressiva no fígado. Quando surgem sintomas como cansaço persistente, pele e olhos amarelados, dor abdominal ou urina escura, muitas vezes a doença já apresenta comprometimento significativo do órgão. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 304 milhões de pessoas vivem com hepatite B ou C crônica no mundo. Apesar disso, a maioria desconhece a própria condição. Estima-se que apenas uma parcela dos infectados tenha recebido diagnóstico, o que dificulta o início do tratamento e favorece a transmissão dos vírus. 

As hepatites virais são causadas por diferentes vírus e apresentam formas distintas de transmissão. A hepatite A está relacionada principalmente ao consumo de água e alimentos contaminados. Já as hepatites B e C podem ser transmitidas por contato com sangue contaminado, compartilhamento de objetos perfurocortantes, relações sexuais desprotegidas e, em alguns casos, da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto. 

O diagnóstico é realizado por meio de exames laboratoriais específicos, capazes de identificar tanto a presença do vírus quanto a resposta imunológica do organismo. Em situações confirmadas, exames complementares também ajudam a avaliar o grau de comprometimento do fígado e acompanhar a resposta ao tratamento. 

"O laboratório é uma peça fundamental na jornada do paciente. A confirmação da infecção, a diferenciação entre infecção ativa e contato prévio com o vírus, além do monitoramento da carga viral e da função hepática, fornecem informações essenciais para que o médico defina a melhor estratégia terapêutica", destaca a especialista. 

Além do diagnóstico precoce, a prevenção continua sendo um dos pilares no combate às hepatites. A vacinação contra a hepatite B está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS), assim como medidas de segurança envolvendo materiais perfurocortantes, testagem de sangue, uso de preservativos e adoção de boas práticas de higiene.
 

DB Diagnósticos


Não é irritação, é protagonismo hormonal


Por muito tempo, a menopausa foi tratada como um problema a ser escondido. Hoje, mulheres reivindicam informação, qualidade de vida e o direito de viver essa fase sem culpa, sem estigma e sem abrir mão do próprio bem-estar. Ela interrompe uma reunião para ligar o ventilador. Dorme mal há meses. Esquece compromissos que antes administrava sem esforço. Chora por motivos que nem sempre consegue explicar. Ou simplesmente perdeu a paciência para tolerar situações que antes aceitava em silêncio. Durante muito tempo, a resposta para tudo isso foi a mesma: "é a menopausa".

A frase, quase sempre dita em tom de brincadeira ou desqualificação, ajudou a transformar uma fase natural da vida feminina em sinônimo de descontrole emocional. Mas a ciência conta uma história bem diferente. “A menopausa não é um colapso. É uma transição biológica complexa, marcada por mudanças hormonais que afetam praticamente todos os sistemas do organismo, do cérebro aos ossos, da pele ao coração”, explica Izabelle Gindri, especialista em saúde hormonal,  PhD em Engenharia Biomédica pela UTD (University of Texas, Dallas), cientista, farmacêutica, cofundadora e CEO da bio meds Brasil.

É difícil separar onde termina o efeito dos hormônios e começa a mudança de perspectiva que acompanha essa etapa da vida. Mais do que isso, ela costuma coincidir com um momento em que muitas mulheres também vivem outras transformações, filhos que deixam a casa, pais envelhecendo, auge da carreira profissional, redefinição de relacionamentos e um novo olhar sobre si mesmas.

A menopausa é oficialmente confirmada após doze meses consecutivos sem menstruar. Antes disso, porém, existe a perimenopausa, fase em que os níveis de estrogênio e progesterona oscilam intensamente. É justamente aí que surgem os sintomas que tantas mulheres descrevem como uma sensação de "não reconhecer mais o próprio corpo".

As ondas de calor são apenas a face mais conhecida do problema. Alterações no sono, ansiedade, dificuldade de concentração, redução da libido, ressecamento vaginal, fadiga persistente, ganho de gordura abdominal e oscilações de humor podem aparecer de forma simultânea e comprometer significativamente a qualidade de vida.

Apesar disso, ainda existe uma tendência cultural de minimizar essas queixas. Muitas mulheres escutam que "isso passa", "faz parte da idade" ou "é preciso aprender a conviver". Mas não deveria ser assim.

A boa notícia é que a medicina avançou. Hoje, a terapia de reposição hormonal voltou a ocupar um lugar importante no tratamento dos sintomas da menopausa, depois de anos cercada por medo e desinformação.

Os números mostram que a conversa sobre menopausa deixou de ser um tema de nicho para se tornar uma questão de saúde pública. Estima-se que mais de 1 bilhão de mulheres no mundo estejam na pós-menopausa, e esse contingente continua crescendo à medida que a expectativa de vida aumenta. Cerca de 75% delas apresentam sintomas vasomotores, como ondas de calor e suores noturnos, e aproximadamente um quarto relata manifestações intensas o suficiente para comprometer o trabalho, o sono, a vida sexual e a saúde mental.

Depois de duas décadas marcadas pelo receio em relação à terapia hormonal, as principais sociedades médicas internacionais passaram a defender uma abordagem mais individualizada. As recomendações mais recentes da International Menopause Society (IMS) reforçam que a terapia hormonal continua sendo o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores da menopausa e também desempenha papel importante na prevenção da perda óssea em mulheres elegíveis. A indicação, no entanto, deve considerar idade, tempo desde a menopausa, histórico clínico e fatores de risco individuais.

Para a cientista Izabelle Gindri, o entendimento atual é muito mais sofisticado. “Quando indicada para mulheres saudáveis, especialmente antes dos 60 anos ou nos primeiros dez anos após a menopausa, a reposição hormonal apresenta benefícios que frequentemente superam os riscos. Ela reduz as ondas de calor, melhora o sono, protege a saúde óssea, ajuda na lubrificação vaginal e pode devolver qualidade de vida a mulheres que convivem diariamente com sintomas incapacitantes”, avalia a especialista.

Isso não significa que seja uma solução universal. O tratamento precisa ser individualizado. Histórico familiar, doenças pré-existentes, estilo de vida e objetivos da paciente fazem parte da decisão. Em alguns casos, terapias não hormonais também oferecem bons resultados.

Outro avanço importante está na personalização permitindo que o tratamento seja adaptado às necessidades de cada mulher. Essa mudança de entendimento aconteceu após a reavaliação dos resultados do histórico estudo Women's Health Initiative (WHI).

 

MENOPAUSA RESSIGNIFICADA

Talvez a maior transformação não esteja nos medicamentos. Está na forma como a menopausa vem sendo ressignificada. Pela primeira vez, uma geração de mulheres se recusa a aceitar que envelhecer signifique desaparecer. Elas seguem ocupando cargos de liderança, empreendendo, redescobrindo a sexualidade, iniciando novos relacionamentos, praticando esportes e reivindicando espaço em uma sociedade que historicamente celebrou apenas a juventude feminina.

“Falar sobre hormônios deixa de ser apenas uma conversa médica. Torna-se uma discussão sobre autonomia, saúde, mercado de trabalho, autoestima e direitos. Porque talvez aquela mulher considerada "difícil" apenas tenha deixado de silenciar desconfortos, de aceitar sobrecargas e de colocar as necessidades de todos acima das suas”, reforça Izabelle Gindri.

A menopausa muda os hormônios. Mas também muda prioridades. E isso não deveria ser visto como um problema. Talvez seja justamente o começo de um novo protagonismo.


Fluxo menstrual intenso pode ser um sinal de alerta para a saúde da mulher

Nem toda menstruação intensa é motivo de preocupação, mas mudanças no padrão do sangramento devem ser investigadas. Especialistas orientam como reconhecer esses sinais

 

A intensidade do fluxo menstrual varia de mulher para mulher e pode mudar ao longo da vida, sendo geralmente classificada como leve, moderada ou intensa. Em muitos casos, essas diferenças fazem parte da fisiologia e não representam um problema de saúde. No entanto, quando o sangramento é excessivo, prolongado ou passa a interferir na rotina e na qualidade de vida, ele pode ser um sinal de alerta para condições que vão desde alterações hormonais até doenças ginecológicas que exigem diagnóstico e tratamento. Por isso, especialistas da Rede Américas, segunda maior rede de hospitais privados do Brasil, orientam como reconhecer as características do fluxo menstrual e identificar quando ele foge do padrão habitual é um passo importante para a saúde feminina e para a busca por avaliação médica especializada.
 

Como funciona o fluxo menstrual?

O fluxo menstrual é resultado da descamação do endométrio, tecido que reveste o interior do útero e se prepara todos os meses para uma possível gestação. Quando a gravidez não acontece, esse revestimento é eliminado pelo organismo por meio da menstruação. Em geral, o sangramento dura entre três e sete dias e pode variar em intensidade ao longo desse período, sendo mais intenso nos primeiros dias e diminuindo gradualmente. A quantidade de sangue e o padrão do fluxo podem ser diferentes de uma mulher para outra, sem que isso represente, necessariamente, um problema.
 

Como identificar quando o fluxo menstrual é intenso?

De forma geral, considera-se intenso o fluxo que exige a troca de absorventes ou coletores em intervalos muito curtos, provoca vazamentos frequentes, elimina com frequências coágulos grandes ou se prolonga por mais de sete dias. Além do impacto na rotina, e gerar um desconforto durante a menstruação para as mulheres, o fluxo intenso pode em alguns casos quando acompanhado de outros sintomas, ser um indicativo de que algo a mais está se apresentando no organismo, sendo o recomendado a busca por orientação médica.
 

Como administrar o fluxo menstrual intenso no dia a dia?

Lidar com um fluxo menstrual intenso exige alguns cuidados para reduzir o desconforto e evitar impactos na rotina. Escolher o absorvente, coletor menstrual ou calcinha absorvente mais adequado ao volume do sangramento, manter a troca nos intervalos recomendados e acompanhar possíveis mudanças no padrão menstrual são medidas que ajudam no dia a dia. No entanto, essas estratégias aliviam os sintomas, mas não substituem a investigação da causa. Quando o fluxo é excessivo ou recorrente, o tratamento deve ser individualizado e pode incluir desde medicamentos até procedimentos específicos, dependendo do diagnóstico.

"É comum que as pacientes busquem apenas alternativas para controlar o sangramento, mas o mais importante é entender por que ele está acontecendo. Hoje, existem diferentes opções de tratamento, que vão desde medicamentos hormonais e não hormonais até procedimentos minimamente invasivos ou cirurgias, quando indicadas. A escolha depende da causa do fluxo intenso, da idade da paciente, do desejo reprodutivo e do impacto que esse sangramento causa na sua qualidade de vida. O objetivo é oferecer um tratamento que seja eficaz e preserve o bem-estar da mulher." explica Altamiro Ribeiro, ginecologista do Hospital Santa Paula em São Paulo.
 

Quando esse fluxo precisa ser investigado?

Embora as variações na intensidade da menstruação possam ocorrer em diferentes fases da vida, alguns sinais indicam a necessidade de avaliação médica. O fluxo menstrual deve ser investigado quando passa a ser significativamente mais intenso do que o habitual, dura mais de sete dias, ocorre entre os ciclos menstruais, reaparece após a menopausa ou vem acompanhado de dor intensa, fadiga, tonturas ou outros sintomas que afetam a qualidade de vida. Nesses casos, a consulta com um ginecologista é importante para identificar a causa do sangramento e descartar condições que podem exigir tratamento.

“Muitas mulheres convivem durante anos com um fluxo menstrual intenso acreditando que essa é uma característica normal do próprio corpo. Porém pode estar relacionado a alterações hormonais, miomas, adenomiose, distúrbios de coagulação e outras condições que têm tratamento quando diagnosticadas corretamente”, explica Agatha Medrado, ginecologista da clínica AMO, em Salvador.

"A principal recomendação é observar mudanças no padrão menstrual. Se a mulher percebe que o fluxo aumentou de forma importante, passou a durar mais tempo ou começou a comprometer suas atividades diárias, esse é um sinal de que a situação merece investigação. O sangramento intenso não deve ser encarado como algo normal apenas porque ocorre há muitos anos. Em muitos casos, ele é um sintoma de doenças ginecológicas que podem ser diagnosticadas e tratadas, além de aumentar o risco de anemia quando não recebe a devida atenção", explica Vitória Espíndola, ginecologista do Hospital Brasília, no Distrito Federal.
 

Quais são os tratamentos para o fluxo menstrual intenso e por que os exames de rotina são importantes

O tratamento para o fluxo menstrual intenso depende da causa do sangramento e deve ser definido após avaliação médica. Em alguns casos, mudanças no estilo de vida e o uso de medicamentos hormonais ou não hormonais podem ser suficientes para controlar o problema. Quando o fluxo está relacionado a condições como miomas, adenomiose, pólipos ou outras alterações ginecológicas, podem ser indicados procedimentos minimamente invasivos ou cirurgias. Por isso, a automedicação e o uso contínuo de medicamentos para apenas reduzir o sangramento não são recomendados sem orientação profissional.

Os exames ginecológicos de rotina desempenham um papel essencial na identificação precoce dessas alterações, muitas vezes antes mesmo do surgimento de complicações. A avaliação clínica, aliada a exames como ultrassonografia pélvica, exames laboratoriais e outros complementares quando indicados, permite esclarecer a origem do fluxo intenso e direcionar o tratamento mais adequado para cada paciente. Além de controlar os sintomas, o acompanhamento regular contribui para prevenir consequências como anemia, preservar a saúde reprodutiva e promover mais qualidade de vida.
 

Rede Américas


Lipedema não é falta de dieta. É uma doença que ainda demora para ser reconhecida

Especialista explica por que a alimentação faz parte do tratamento, mas não é a causa nem a solução isolada da doença

 

Dietas restritivas, exercícios intensos e inúmeras tentativas de emagrecer pernas ou braços fazem parte da rotina de muitas mulheres. Quando os resultados não aparecem, a conclusão costuma ser a mesma: faltou disciplina. Em muitos casos, porém, o problema nunca foi falta de esforço, mas um diagnóstico que demorou para chegar. 

O lipedema é uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura, principalmente nos membros inferiores e, em alguns casos, também nos braços. Dor, sensibilidade, inchaço, sensação de peso e facilidade para o surgimento de hematomas estão entre os sintomas mais frequentes. Apesar de atingir milhões de mulheres, a doença ainda é frequentemente confundida com obesidade, o que atrasa o diagnóstico e o início do tratamento. 

A influência hormonal é considerada um dos principais fatores envolvidos na doença. Estudos indicam que alterações na sinalização do estrogênio podem contribuir para o desenvolvimento e a progressão da doença, o que ajuda a explicar por que os sintomas frequentemente aparecem ou se intensificam durante a puberdade, a gravidez e a menopausa. 

O Consenso Brasileiro sobre Lipedema, publicado em 2025, reforça que a doença continua sendo subdiagnosticada e exige uma abordagem multidisciplinar. O documento também estima que cerca de 12,3% das mulheres brasileiras apresentem sinais compatíveis com a condição. 

Além das manifestações físicas, o impacto emocional também merece atenção. Estudo publicado em 2025 na revista Frontiers in Global Women's Health identificou que 50,9% das mulheres avaliadas apresentavam sintomas depressivos moderados ou graves, reforçando que o diagnóstico tardio pode comprometer significativamente a qualidade de vida. 

Para Flávia Lucena, nutricionista, psicóloga e especialista em comportamento alimentar, uma das consequências mais profundas do lipedema é fazer com que muitas mulheres passem anos acreditando que fracassaram, quando, na realidade, conviviam com uma doença ainda pouco reconhecida. 

"Grande parte das mulheres chega ao consultório acreditando que falhou. Elas fizeram dietas, mudaram hábitos, aumentaram a atividade física e, ainda assim, não conseguiram o resultado esperado. Quando finalmente recebem o diagnóstico, percebem que passaram muito tempo tentando resolver uma doença como se fosse falta de força de vontade." 

Segundo a especialista, a alimentação tem papel importante no tratamento, mas não deve ser encarada apenas como uma estratégia para perder peso. O plano alimentar é individualizado e busca controlar processos inflamatórios, preservar a massa muscular, aliviar sintomas e favorecer a saúde metabólica. Mais do que isso, ajuda a paciente a construir uma relação mais equilibrada com a comida e com o próprio corpo. 

"Não existe uma dieta capaz de eliminar o lipedema. O tratamento começa quando a paciente entende que cuidar da alimentação é diferente de tentar corrigir um corpo que responde de forma diferente. A comida deixa de ser uma punição e passa a ser uma ferramenta de cuidado." 

Flávia explica que essa mudança de perspectiva também transforma a relação com a alimentação. "Quando a mulher deixa de acreditar que seu corpo é resultado de falta de disciplina, ela consegue fazer escolhas mais conscientes e sustentáveis. Comer deixa de ser uma tentativa permanente de corrigir o próprio corpo e passa a integrar um tratamento que considera sua saúde física, emocional e comportamental." 

O tratamento envolve acompanhamento multiprofissional e pode incluir médicos, nutricionistas, fisioterapeutas, educadores físicos, terapia compressiva, suporte psicológico e, em alguns casos, cirurgia. Quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores são as chances de controlar a progressão da doença, preservar a mobilidade e proporcionar melhor qualidade de vida.

 

Flávia Lucena - nutricionista e psicóloga, especialista em comportamento alimentar e criadora do Método Nutrição com Acolhimento®. Sua abordagem integra nutrição clínica funcional, psicologia comportamental e escuta aprofundada da relação das pessoas com a alimentação, promovendo uma visão que considera não apenas aspectos físicos, mas também emocionais, sociais e comportamentais do ato de comer. Atua com foco na construção de uma relação mais consciente, flexível e sustentável com a alimentação, auxiliando pacientes em diferentes fases da vida por meio de atendimentos presenciais e online.


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