Banhos quentes, baixa ingestão de água e abandono do protetor solar estão entre os hábitos que mais comprometem a saúde dermatológica durante a estação
Com a chegada do inverno, a pele passa a
enfrentar uma combinação de fatores que favorece o ressecamento, a
sensibilidade e a perda da sua principal função de proteção. As baixas
temperaturas, a redução da umidade do ar, os banhos mais quentes e demorados e
a menor ingestão de líquidos contribuem para a diminuição da hidratação natural
da pele e comprometem a camada de gordura responsável por impedir a perda de
água e proteger contra agressões externas.
Como consequência, é comum surgir a sensação de
pele repuxada e áspera, descamação, vermelhidão, coceira e aumento da
sensibilidade. Além do desconforto, o período também pode representar um
desafio para pessoas que já convivem com doenças dermatológicas, como a
dermatite atópica, a psoríase e a rosácea. A dermatologista Lara Fileti, do
Hospital São Francisco de Mogi Guaçu, explica que o inverno não é a causa
dessas condições, mas a alteração da barreira cutânea favorece a piora dos
sintomas e pode provocar períodos de maior inflamação e irritação.
“O inverno não afeta a pele apenas por causa do
frio. O principal impacto está na dificuldade que a pele passa a ter para reter
a água e manter sua barreira de proteção. Quando essa barreira fica
comprometida, a pele se torna mais vulnerável, seca e suscetível a irritações”,
explica a Dra Lara.
Embora o ressecamento seja uma consequência comum
em todas as idades, a forma como ele acontece varia conforme a fase da vida.
Nas crianças, especialmente nos primeiros anos, a barreira cutânea ainda está
em processo de maturação, o que facilita a perda de água e aumenta a
predisposição ao ressecamento, irritações e piora de doenças como a dermatite
atópica.
Nos adultos, os principais fatores estão
relacionados aos hábitos adotados durante a estação, como banhos mais quentes,
redução da ingestão de líquidos e permanência prolongada em ambientes
climatizados. Já nos idosos, o envelhecimento natural da pele reduz a produção
de lipídios e a capacidade de retenção de água, tornando a pele mais fina,
sensível e propensa a descamação, coceira e inflamações.
Erros comuns podem agravar problemas
Um dos principais desafios do inverno é que
alguns hábitos comuns para lidar com o frio acabam prejudicando ainda mais a
saúde da pele. O banho quente e prolongado, por exemplo, apesar de proporcionar
conforto imediato, remove a camada de gordura natural que protege a pele e
evita a perda de hidratação. Outro erro frequente é deixar de usar hidratantes
justamente no período em que a pele mais necessita de reposição de água e
reparação da barreira cutânea.
A redução do consumo de líquidos também merece
atenção. Como a sensação de sede costuma diminuir nos meses frios, muitas
pessoas passam a beber menos água, mas a hidratação adequada do organismo
continua sendo importante para a manutenção da pele.
Da mesma forma, o uso do protetor solar não deve
ser interrompido durante o inverno. Mesmo em dias nublados, a radiação
ultravioleta permanece presente e continua contribuindo para o envelhecimento
precoce e para o aumento do risco de câncer de pele.
Outro comportamento que exige cuidado é o aumento
do uso de ácidos, esfoliantes e procedimentos mais agressivos durante o
inverno. Embora muitas pessoas aproveitem a estação para realizar tratamentos
dermatológicos, produtos e procedimentos utilizados sem orientação adequada
podem intensificar o ressecamento e a sensibilidade da pele.
Pequenas mudanças, grande diferença!
Para manter a pele saudável durante os meses
frios, uma das medidas mais importantes é aplicar o hidratante logo após o
banho, quando a pele ainda está levemente úmida. Esse momento favorece a
retenção de água e potencializa a ação do produto. Na escolha do hidratante,
fórmulas com ingredientes como ureia, glicerina, ceramidas, ácido hialurônico e
pantenol são indicadas por contribuírem para a hidratação, o conforto e a
recuperação da barreira cutânea.
“O melhor hidratante é aquele que consegue não
apenas aumentar a quantidade de água na pele, mas também ajudar na reconstrução
e no fortalecimento da barreira de proteção. A combinação de agentes
umectantes, emolientes e reparadores costuma trazer melhores resultados no
inverno”, destaca a especialista.
O couro cabeludo também sofre com o frio
Os cuidados também devem se estender ao couro
cabeludo. Durante o inverno, condições como dermatite seborreica, caracterizada
por descamação, coceira e oleosidade, podem apresentar piora devido ao
ressecamento da barreira cutânea, ao uso frequente de água quente e às mudanças
na rotina de lavagem dos cabelos.
Pessoas com psoríase também podem perceber
aumento dos sintomas, e alguns indivíduos apresentam queda de cabelo sazonal
relacionada a alterações no ciclo capilar e a mudanças de hábitos durante a estação.
“Para proteger o couro cabeludo e os fios, é
recomendado evitar água muito quente, manter uma frequência de lavagem adequada
às necessidades individuais, investir na hidratação dos cabelos, especialmente
em fios quimicamente tratados, e evitar o abafamento excessivo causado pelo uso
prolongado de gorros, toucas e chapéus”, orienta a Dra Lara Fileti.
Com cuidados simples e ajustes na rotina, é
possível atravessar o inverno preservando a saúde da pele e evitando o
agravamento de problemas dermatológicos. A estação exige atenção redobrada, mas
pequenas mudanças de hábito podem fazer uma grande diferença na manutenção da
hidratação, da proteção e do equilíbrio da pele.
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