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sexta-feira, 24 de julho de 2026

O que o verão e o inverno têm em comum com a saúde íntima feminina? Especialista explica por que as férias aumentam o risco de infecções

Viagens, biquíni molhado, roupas apertadas, mudanças na alimentação e até o frio podem alterar o equilíbrio da região íntima. Conheça as novas tecnologias que ajudam na prevenção e recuperação da microbiota vaginal.

 

As férias costumam ser sinônimo de descanso, mas também representam um período de maior vulnerabilidade para a saúde íntima feminina. Seja no verão, com praia e piscina, ou no inverno, quando roupas mais justas e a menor ventilação da região íntima se tornam frequentes, alguns hábitos favorecem alterações do ambiente vaginal e aumentam o risco de infecções.

Segundo a ginecologista Dra. Alessandra Clarizia, pós-doutora e sócia da Clarizia Saúde da Mulher, a região íntima funciona como um ecossistema extremamente sensível, cuja proteção depende do equilíbrio entre o pH vaginal, a microbiota e a integridade da mucosa.

"O verão favorece o contato prolongado com biquínis úmidos e o calor local. Já no inverno, a menor ventilação da região íntima, o uso prolongado de roupas mais espessas, alterações da imunidade e até mudanças alimentares durante as viagens também podem modificar esse equilíbrio. Embora os cenários sejam diferentes, ambos podem facilitar o aparecimento de candidíase, vaginose bacteriana e outros processos inflamatórios", explica a médica, com atuação em ginecologia regenerativa.

Os primeiros sintomas costumam surgir poucos dias após o retorno das férias e incluem corrimento, coceira, odor desagradável, ardor ou desconforto durante as relações sexuais. Um dos erros mais comuns, segundo a especialista, é recorrer imediatamente à automedicação.

"Muitas mulheres repetem pomadas ou medicamentos utilizados anteriormente, acreditando que todas as infecções são iguais. Na prática, diferentes microrganismos podem causar sintomas semelhantes, e um tratamento inadequado pode favorecer recorrências e dificultar a recuperação completa."

Nos últimos anos, o cuidado preventivo da saúde íntima passou a contar com tecnologias que auxiliam não apenas no tratamento das infecções, mas também na recuperação da mucosa vaginal e do equilíbrio local. Entre elas está o LED íntimo, uma tecnologia baseada em fotobiomodulação que utiliza comprimentos específicos de luz para modular o processo inflamatório, estimular a cicatrização dos tecidos e favorecer um ambiente mais saudável para a microbiota vaginal.

"O LED íntimo é um procedimento não invasivo, indolor e realizado em consultório. Quando bem indicado, pode auxiliar na recuperação da mucosa após processos infecciosos recorrentes e contribuir para restabelecer as condições naturais de defesa da região íntima", afirma a ginecologista.

Quando necessário, exames específicos, como testes para análise da microbiota vaginal, colhido no consultorio, também podem complementar a investigação, permitindo identificar alterações da microbiota vaginal e orientar um tratamento individualizado, especialmente em mulheres com episódios repetitivos de candidíase ou vaginose.

Para a especialista, a maior mudança dos últimos anos está na forma como a medicina passou a enxergar essas condições.

"Hoje sabemos que não basta tratar apenas a infecção. Precisamos recuperar o ambiente vaginal como um todo, preservando a microbiota, fortalecendo a mucosa e reduzindo as chances de novas recorrências. Essa visão mais preventiva tem transformado o cuidado com a saúde íntima feminina."

Com pequenas mudanças de hábito durante as férias — como trocar o biquíni molhado o quanto antes, evitar permanecer muitas horas com roupas úmidas ou muito apertadas, manter boa hidratação e procurar avaliação médica diante dos primeiros sintomas — é possível reduzir significativamente o risco de complicações e aproveitar o descanso com mais segurança. 



Fonte: Dra. Alessandra Clarizia | Ginecologista, pós-doutora e sócia da Clarizia Saúde da Mulher, com atuação em ginecologia regenerativa.


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