Viagens, biquíni molhado, roupas apertadas, mudanças na alimentação e até o frio podem alterar o equilíbrio da região íntima. Conheça as novas tecnologias que ajudam na prevenção e recuperação da microbiota vaginal.
As férias costumam ser sinônimo de descanso, mas também
representam um período de maior vulnerabilidade para a saúde íntima feminina.
Seja no verão, com praia e piscina, ou no inverno, quando roupas mais justas e
a menor ventilação da região íntima se tornam frequentes, alguns hábitos
favorecem alterações do ambiente vaginal e aumentam o risco de infecções.
Segundo a ginecologista Dra. Alessandra Clarizia,
pós-doutora e sócia da Clarizia Saúde da Mulher, a região íntima funciona como
um ecossistema extremamente sensível, cuja proteção depende do equilíbrio entre
o pH vaginal, a microbiota e a integridade da mucosa.
"O verão favorece o contato prolongado com biquínis
úmidos e o calor local. Já no inverno, a menor ventilação da região íntima, o
uso prolongado de roupas mais espessas, alterações da imunidade e até mudanças
alimentares durante as viagens também podem modificar esse equilíbrio. Embora
os cenários sejam diferentes, ambos podem facilitar o aparecimento de
candidíase, vaginose bacteriana e outros processos inflamatórios", explica
a médica, com atuação em ginecologia regenerativa.
Os primeiros sintomas costumam surgir poucos dias após o retorno
das férias e incluem corrimento, coceira, odor desagradável, ardor ou
desconforto durante as relações sexuais. Um dos erros mais comuns, segundo a
especialista, é recorrer imediatamente à automedicação.
"Muitas mulheres repetem pomadas ou medicamentos
utilizados anteriormente, acreditando que todas as infecções são iguais. Na
prática, diferentes microrganismos podem causar sintomas semelhantes, e um
tratamento inadequado pode favorecer recorrências e dificultar a recuperação
completa."
Nos últimos anos, o cuidado preventivo da saúde íntima
passou a contar com tecnologias que auxiliam não apenas no tratamento das
infecções, mas também na recuperação da mucosa vaginal e do equilíbrio local.
Entre elas está o LED íntimo, uma tecnologia baseada em fotobiomodulação que
utiliza comprimentos específicos de luz para modular o processo inflamatório,
estimular a cicatrização dos tecidos e favorecer um ambiente mais saudável para
a microbiota vaginal.
"O LED íntimo é um procedimento não invasivo, indolor e
realizado em consultório. Quando bem indicado, pode auxiliar na recuperação da
mucosa após processos infecciosos recorrentes e contribuir para restabelecer as
condições naturais de defesa da região íntima", afirma a ginecologista.
Quando necessário, exames específicos, como testes para
análise da microbiota vaginal, colhido no consultorio, também podem
complementar a investigação, permitindo identificar alterações da microbiota
vaginal e orientar um tratamento individualizado, especialmente em mulheres com
episódios repetitivos de candidíase ou vaginose.
Para a especialista, a maior mudança dos últimos anos está
na forma como a medicina passou a enxergar essas condições.
"Hoje sabemos que não basta tratar apenas a infecção.
Precisamos recuperar o ambiente vaginal como um todo, preservando a microbiota,
fortalecendo a mucosa e reduzindo as chances de novas recorrências. Essa visão
mais preventiva tem transformado o cuidado com a saúde íntima feminina."
Com pequenas mudanças de hábito durante as férias — como trocar o biquíni molhado o quanto antes, evitar permanecer muitas horas com roupas úmidas ou muito apertadas, manter boa hidratação e procurar avaliação médica diante dos primeiros sintomas — é possível reduzir significativamente o risco de complicações e aproveitar o descanso com mais segurança.
Fonte: Dra. Alessandra Clarizia | Ginecologista, pós-doutora e sócia da Clarizia Saúde da Mulher, com atuação em ginecologia regenerativa.
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