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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Quando o trabalho adoece: dores e lesões por esforço repetitivo crescem no Brasil e reforçam a importância da prevenção

No Dia Mundial de combate e prevenção às LER/DORT (28 de fevereiro), especialistas alertam para os riscos e a importância do cuidado precoce

 

As Lesões por Esforço Repetitivo (LER) e os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) são condições que afetam músculos, tendões e articulações, geralmente provocadas por movimentos repetitivos, esforço excessivo ou posturas mantidas por longos períodos. Consideradas hoje uma das principais causas de afastamento do trabalho no Brasil, essas doenças atingem profissionais de diferentes setores, do escritório à indústria, e têm se tornado cada vez mais frequentes em atividades como teleatendimento, linhas de produção e indústria calçadista. Dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) apontam que 2025 registrou mais de 4,1 milhões de afastamentos por doenças ocupacionais, um número 15% superior ao de 2024, representando o nível mais alto desde 2021.


Caracterizadas por dor, inflamação e limitação de movimentos, as LER/DORT muitas vezes começam de forma discreta, com sinais como formigamento nos dedos ou desconforto no ombro ao final do expediente. No entanto, quando não identificadas precocemente, essas lesões podem evoluir e comprometer a rotina, a produtividade e a qualidade de vida. 


O professor de ortopedia da Afya Centro Universitário Itaperuna, Dr. Pedro Pilar, explica que os sinais mais comuns incluem dor persistente, sensação de peso, queimação, formigamento e perda de força. “No início, o desconforto aparece apenas durante o trabalho ou esforço repetitivo, e, com o tempo, pode surgir mesmo em repouso”, afirma.


Segundo o médico, punhos, ombros e coluna cervical estão entre as regiões mais afetadas. Além disso, o especialista destaca que o tratamento varia conforme a gravidade e pode envolver medicação, fisioterapia, mudanças ergonômicas e, em casos mais complexos, procedimentos específicos. 


Para o professor de fisioterapia da Afya Itaperuna, Dr. Raul Oliveira, a prevenção ainda é o melhor caminho e que pequenas pausas ao longo do expediente, alongamentos e ajustes na altura da cadeira e do monitor fazem diferença significativa. O profissional ressalta que a ergonomia deve ser personalizada já que cada corpo responde de uma forma.


“A avaliação individual é essencial para garantir que as orientações de saúde e ergonomia façam sentido para cada pessoa e não sejam apenas recomendações genéricas. Cada trabalhador tem um tipo de tarefa, ritmo, ambiente e organização de posto diferentes, o que exige ajustes específicos. Além disso, características físicas, como altura, proporções corporais, força, condicionamento e até histórico de dor ou lesão, mudam bastante de indivíduo para indivíduo”, afirma o fisioterapeuta.


O especialista explica, ainda, que nesses casos a reabilitação vai além do alívio da dor e inclui exercícios terapêuticos cuidadosamente planejados para recuperar mobilidade, força e resistência muscular. Segundo ele, o tratamento também envolve o desenvolvimento da consciência corporal, com foco no controle dos movimentos e na postura durante as atividades diárias e no ambiente de trabalho. Essa abordagem contribui para reduzir a sobrecarga nas articulações, corrigir vícios de movimento e diminuir o risco de recidiva, alinhando a recuperação às exigências reais de cada pessoa e de sua rotina profissional.



Direitos do trabalhador


Do ponto de vista jurídico, a professora e coordenadora do curso de Direito da Afya Itaperuna, Rayla Santos, explica que LER/DORT podem ser reconhecidas como doenças ocupacionais e equiparadas a acidente de trabalho quando há comprovação do nexo causal com a atividade exercida. Nesses casos, se a incapacidade ultrapassar 15 dias, o trabalhador pode ser encaminhado ao INSS e, uma vez reconhecida a relação com o trabalho, ter direito ao auxílio-doença acidentário. Após a alta médica, a legislação assegura estabilidade provisória de 12 meses, período em que não pode ser dispensado sem justa causa. 


Segundo Dra Rayla, a depender das circunstâncias, também pode haver indenização, especialmente, quando se comprova que a empresa contribuiu para o surgimento ou agravamento do quadro por falhas ergonômicas, excesso de jornada ou descumprimento de normas de saúde e segurança. 


“Esses direitos não são automáticos e exigem análise individual, com base em provas médicas e documentos que demonstrem a relação entre a doença e o trabalho. Por isso, recomenda-se que o empregado procure atendimento médico ao primeiro sinal de dor ou limitação funcional e comunique formalmente a empresa”, orienta.


 

6 curiosidades sobre LER/DORT que muitas pessoas não sabem

 

1. LER/DORT não acontece só com quem trabalha no computador

Muita gente associa apenas à digitação, mas qualquer atividade repetitiva ou com postura sustentada pode causar LER/DORT: cabeleireiros, costureiras, motoristas, profissionais da saúde, operadores de caixa e até quem faz trabalho doméstico intenso.


2. Dor nem sempre aparece no início  

Em muitos casos, o corpo dá sinais antes da dor forte: formigamento, sensação de peso, perda de força ou “mão cansada”.Ou seja: quando a dor aparece de forma intensa, a lesão pode já estar avançada(e isso atrasa o diagnóstico)


3. Pode virar um problema psicológico e social também

LER/DORT não afeta só músculos e tendões. A limitação funcional, afastamentos e incompreensão no trabalho podem gerar ansiedade, depressão e isolamento, especialmente quando a dor é invisível e a pessoa é desacreditada.


4. No Brasil, pode ser reconhecida como doença ocupacional (com direitos trabalhistas)

Muita gente não sabe que LER/DORT pode gerar afastamento pelo INSS como auxílio-doença acidentário (B91), estabilidade no emprego após retorno, possibilidade de indenização, dependendo do caso, ou seja: não é “só dor”, pode ter repercussão legal importante.


5. É uma das principais causas de afastamento do trabalho

LER/DORT está entre os problemas que mais afastam trabalhadores no país. E ainda existe muito preconceito porque não aparece em exames simples. Mas são condições reais, reconhecidas pela medicina e pela legislação trabalhista.


6. LER/DORT não tem uma única causa, é um problema multifatorial

Hoje se sabe que LER/DORT não surge apenas por esforço repetitivo ou postura inadequada. Fatores emocionais (como estresse e pressão no trabalho), organização das tarefas, carga horária excessiva, falta de pausas e até hábitos de vida influenciam no desenvolvimento e na manutenção da dor. Por isso, tratar apenas o local da lesão nem sempre resolve. O modelo atual recomenda uma abordagem mais ampla, individualizada e interdisciplinar, que considere o corpo, a mente e o contexto de trabalho da pessoa.


Por fim, os especialistas defendem que empresas invistam em programas de ergonomia e qualidade de vida. Além de reduzir os afastamentos, a medida melhora produtividade e bem-estar. Dor recorrente não é parte do trabalho. Identificar sintomas precocemente, buscar orientação profissional e exigir condições adequadas são passos decisivos para evitar que um incômodo passageiro se transforme em problema crônico.

 


Afya
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Burnout parental ganha atenção e foca na saúde mental de pais e mães

 Especialista do Hospital e Maternidade Santa Joana alerta para sinais de esgotamento emocional e destaca a importância do descanso e da reorganização da rotina familiar

 

O esgotamento físico e emocional vivido por mães e pais, conhecido como burnout parental, tem se tornado cada vez mais comum diante das múltiplas demandas da vida moderna. A sobrecarga de responsabilidades, a falta de tempo para descanso e a pressão por desempenho constante na criação dos filhos impactam diretamente a saúde mental das famílias. Nesse contexto, o período de férias pode representar não apenas uma pausa na rotina, mas uma oportunidade importante de cuidado emocional.

O burnout parental se caracteriza por sintomas como exaustão intensa, irritabilidade frequente, sensação de incompetência, distanciamento emocional dos filhos e culpa constante. Diferentemente do cansaço pontual, o esgotamento se instala de forma progressiva e pode comprometer o bem-estar dos pais, a qualidade das relações familiares e até o desenvolvimento emocional das crianças.

“O burnout parental acontece quando o cuidado deixa de ser equilibrado e passa a ser sustentado apenas pelo esforço. Muitos pais vivem em estado de alerta permanente, sem pausas reais, o que leva a um desgaste profundo”, explica Eduardo A. Amaro, psicólogo e coordenador do Núcleo de Saúde Mental do Grupo Santa Joana.

 

Férias não são obrigação de produtividade 

Embora o período de férias seja socialmente associado a lazer e felicidade, ele também pode gerar expectativas irreais. Programações excessivas, cobrança por ‘aproveitar ao máximo’ e a dificuldade de se desconectar do trabalho podem transformar o descanso em mais uma fonte de estresse.

Segundo o especialista, o primeiro passo para que as férias sejam benéficas é reduzir a exigência de perfeição. “Férias não precisam ser produtivas. Elas precisam ser reparadoras. Dormir melhor, desacelerar, estar mais presente emocionalmente e reorganizar a rotina já são formas muito potentes de cuidado com a saúde mental”, destaca Eduardo.

Para pais e mães, o descanso não está necessariamente ligado a viagens longas ou grandes investimentos, mas à possibilidade de compartilhar responsabilidades, flexibilizar horários e criar momentos de conexão genuína com os filhos e sem culpa.

O burnout parental, quando não reconhecido, pode evoluir para quadros de ansiedade, depressão e conflitos familiares. Por isso, identificar os sinais precocemente e buscar ajuda profissional é fundamental.

“Se sentir constantemente exausto, irritado ou emocionalmente distante dos filhos não é sinal de fraqueza, é um alerta. Procurar apoio psicológico é um ato de responsabilidade consigo mesmo e com a família”, reforça o especialista

O cuidado com a saúde mental parental faz parte da atenção integral à família, reconhecendo que o bem-estar emocional dos pais é parte essencial do desenvolvimento saudável das crianças.

Mais do que um intervalo na agenda, as férias podem ser uma oportunidade para escuta, autocuidado e à construção de relações familiares mais equilibradas lembrando que cuidar de si também é uma forma de cuidar dos filhos.

 

Grupo Santa Joana
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Doenças Raras: Iniciativa que une pesquisa e filantropia pode se transformar em modelo capaz de mudar a realidade de 300 milhões de pacientes ‘invisíveis’

Inspirada pela ausência de alternativas de tratamento para um tipo de tumor cerebral que afeta crianças, a Medulloblastoma Initiative (MBI) mostra como investimentos direcionados e ciência colaborativa podem acelerar curas que a indústria farmacêutica não tem interesse em buscar
 

Em algum momento entre a segunda e a terceira opinião médica, Fernando Goldsztein entendeu que não havia mais nada a perguntar aos médicos. Seu filho Frederico, diagnosticado com meduloblastoma, o tumor cerebral maligno mais comum na infância, havia resistido ao tratamento padrão. A recidiva veio três anos depois do diagnóstico inicial. Especialistas em Boston foram diretos: não havia protocolo, não havia ensaio clínico promissor, não havia saída. O que havia eram medidas de controle para qualidade de vida e uma contagem regressiva de tempo, ainda que incerto.

Essa cena se repete, com variações, para centenas de milhares de famílias ao redor do mundo todos os anos. Não apenas com meduloblastoma, mas com as cerca de 7 mil condições classificadas como raras, um conjunto de doenças que, juntas, afetam cerca de 300 milhões de pessoas globalmente, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Uma população maior do que a do Brasil inteiro, dispersa em diagnósticos diversos que se traduzem em um volume de pessoas pequeno demais para justificar investimentos para a descoberta de soluções capazes de salvar mais vidas.

É nesse vazio que a Medulloblastoma Initiative (MBI) nasceu, e é nesse vazio que seu modelo pode fazer diferença muito além do câncer que lhe deu origem.


O paradoxo das doenças raras

Rara, no vocabulário regulatório, não significa incomum. Nos Estados Unidos, o FDA classifica como rara qualquer doença que afete menos de 200 mil pessoas num país de 320 milhões. Pelo mesmo critério, uma condição pode atingir milhões de pacientes no mundo e ainda assim não despertar interesse comercial suficiente para motivar pesquisa privada.

O resultado é uma equação perversa: quanto mais específica a doença, menor o mercado potencial, menor o investimento em pesquisa e mais distante a perspectiva de novos tratamentos. Estimam-se que apenas quatro centavos de cada dólar destinado à pesquisa oncológica cheguem ao câncer pediátrico. Para doenças raras em geral, a proporção é igualmente sombria.

O meduloblastoma ilustra bem esse paradoxo. É o tumor cerebral pediátrico mais frequente, responsável por cerca de 20% de todos os casos em crianças, com diagnóstico concentrado entre os 5 e os 9 anos de idade. Apesar disso, o protocolo de tratamento padrão combina cirurgia, radioterapia intensa e quimioterapia de alta toxicidade numa fórmula desenvolvida nos anos 1980. Os efeitos colaterais são graves e duradouros: déficits cognitivos, alterações hormonais, perda auditiva. E em 20% a 25% dos casos, o tumor simplesmente não responde.

"O problema não é falta de ciência. É falta de decisão. Quando você cria as condições certas para os melhores pesquisadores trabalharem juntos, sem barreiras, sem competição por crédito, os resultados aparecem muito mais rápido do que o sistema tradicional faz crer", diz Goldsztein.

A frase resume a hipótese que ele decidiu testar quando, em 2021, fundou a MBI a partir de conversas com o neuro-oncologista pediátrico Roger J. Packer, do Children's National Hospital, em Washington D.C. A pergunta era direta: o que acontece quando você financia ciência colaborativa de forma estratégica, com prazos, metas e transparência total?


Um consórcio contra o relógio

O modelo da MBI rompe com quase tudo que define o financiamento científico tradicional. Não há custos administrativos, 100% dos recursos vão diretamente à pesquisa. Não há silos de informação, os dados são obrigatoriamente compartilhados entre todos os laboratórios parceiros. Não há duplicação de esforços, cada instituição recebe uma tarefa específica dentro de uma estratégia coletiva desenhada para gerar resultados de curto a médio prazos.

Em pouco mais de quatro anos, o consórcio reuniu mais de 30 especialistas em 16 instituições dos Estados Unidos, Canadá e Alemanha, e captou US$ 11 milhões em financiamento filantrópico. Dois ensaios clínicos já foram aprovados pelo FDA em tempo que especialistas descrevem como incomum para a área. Outros dois serão submetidos ao órgão em 2026.

Um dos laboratórios do consórcio iniciou testes com pacientes reais utilizando imunoterapia avançada, uma abordagem que estimula o próprio sistema imunológico a combater as células tumorais. Outro grupo desenvolve uma vacina contra o meduloblastoma baseada em tecnologia de RNA mensageiro, a mesma plataforma que revolucionou o combate à Covid-19.

"Não é uma questão de 'se' vamos encontrar a cura. É uma questão de 'quando'. E o 'quando' depende diretamente de quanto a sociedade decide investir nessa direção", afirma Goldsztein.

O reconhecimento científico veio. A publicação MIT Management destacou em 2025 a MBI como exemplo de inovação disruptiva em saúde, apresentando a iniciativa como um modelo capaz de acelerar descobertas que, pelo caminho convencional, levariam décadas para chegar aos pacientes.


Um modelo para doenças raras

O que torna a MBI relevante para além do meduloblastoma é justamente sua arquitetura. O consórcio não foi desenhado para resolver o cenário de uma doença específica, mas para provar que é possível resolver problemas deixados em segundo plano.

Doenças raras compartilham uma característica estrutural: o mercado não vai buscá-las. O retorno comercial não justifica investimentos robustos pelos grandes players do setor de saúde, e o financiamento público, disperso entre milhares de condições, não é suficiente para gerar avanços concretos. O espaço que sobra é exatamente onde a filantropia estratégica pode atuar - não como caridade, mas como capital de risco científico, com método, metas e prestação de contas.

Goldsztein projeta levar parte da pesquisa ao Brasil assim que as primeiras validações forem concluídas nos Estados Unidos. Para tanto, a MBI estabeleceu em novembro um acordo de colaboração com o Einstein Hospital Israelita, conferindo a ele o selo de Instituição Amiga do MBI e abrindo frentes para avanços no desenvolvimento de trocas de experiências e outras ativações conjuntas. Outras entidades brasileiras em breve devem também se unir ao projeto.

A ambição, porém, é maior: que o modelo da MBI sirva de referência para outras iniciativas em outras doenças raras, com outros financiadores e outros consórcios científicos replicando a mesma lógica colaborativa. "Cada família que enfrenta um diagnóstico sem resposta está vivendo uma falha do sistema, não da medicina. A ciência tem capacidade. O que falta é organização e recursos. Quando você oferece os dois, o caminho aparece", sintetiza Goldsztein.

No Dia Mundial das Doenças Raras, a história da MBI não é apenas sobre um pai que não aceitou desistir. É sobre o que acontece quando a recusa individual encontra método, financiamento e colaboração e sobre o quanto esse encontro pode significar para os 300 milhões de pessoas que sabem que o termo raro não pode ser sinônimo de sem cura.



Medulloblastoma Initiative (MBI)
www.mbinitiative.org

 

Por que a obesidade feminina após os 40 exige mais do que medicação?

Especialista explica que é resultado de fatores biológicos e emocionais e exige uma abordagem integrada 

 

O Brasil acompanha uma escalada silenciosa: o avanço da obesidade em diferentes faixas etárias, especialmente entre mulheres acima dos 40 anos. Ao mesmo tempo, cresce a procura por medicamentos injetáveis para emagrecimento, impulsionando discussões sobre soluções rápidas para um problema que é muito mais complexo do que aparenta. 

E no Dia Mundial da Obesidade, celebrado em 4 de março, vale um alerta para o reconhecimento da obesidade como uma doença crônica e multifatorial, distante da ideia ultrapassada de falta de disciplina ou descuido pessoal. 

Para Juliana Romantini, treinadora corpo & mente e especialista em mindfulness e em Medicina do Estilo de Vida pela Harvard University, compreender a obesidade exige olhar para o cérebro e para o impacto acumulado do estresse ao longo da vida. “A obesidade não é preguiça, nem fraqueza. Muitas vezes, é resultado de um sistema nervoso desregulado. Quando o corpo vive em estado constante de alerta, ele ativa mecanismos de proteção e armazenamento de energia”, explica. 

O estresse crônico é um dos principais protagonistas desse cenário. A liberação contínua de cortisol favorece o acúmulo de gordura visceral, especialmente na região abdominal, além de interferir na sensibilidade à insulina e no equilíbrio metabólico. 

Após os 40 anos, esse processo tende a se intensificar. “As mulheres atravessam transições hormonais importantes. Soma-se a isso sobrecarga mental, múltiplas responsabilidades e, muitas vezes, a priorização constante das necessidades dos outros. O corpo responde a esse contexto”, explica Romantini.

 

Dormir mal também engorda – O sono insuficiente também exerce papel decisivo. Alterações hormonais provocadas por noites mal dormidas aumentam o apetite e reduzem a capacidade de perceber saciedade, criando um ciclo difícil de romper. 

Outro ponto central é a atividade física, frequentemente tratada como solução isolada. Segundo a especialista, o problema não está apenas na falta de exercício, mas na forma como ele é inserido na rotina. 

“Um sistema nervoso em exaustão não responde bem a estímulos extremos. Quando a atividade física é usada apenas como compensação ou punição, ela pode aumentar ainda mais o estresse fisiológico. O movimento precisa ser estratégico, progressivo e regulador, adaptado à fase hormonal e ao nível de energia dessa mulher”, explica. 

Ela reforça que exercícios adequados ajudam a modular o cortisol, melhorar a sensibilidade metabólica e fortalecer conexões neurais associadas ao autocontrole e à tomada de decisão, mas devem fazer parte de uma abordagem integrada. 

A compulsão alimentar também está ligada à desregulação neural. “Sob pressão constante, o cérebro busca recompensas rápidas. Alimentos ultraprocessados ativam circuitos de prazer imediato, reforçando padrões automáticos que não têm relação com fome real”, acrescenta. 

Diante desse cenário, Romantini defende uma mudança de estratégia com foco na neuroplasticidade, capacidade do cérebro de se reorganizar, que pode ajudar a criar novos padrões de resposta ao estresse, ao movimento e à alimentação.

“O cérebro aprende. Quando regulamos o sistema nervoso, melhoramos o sono e inserimos atividade física de forma inteligente, abrimos espaço para uma transformação sustentável, não baseada em culpa. Entender os mecanismos biológicos e emocionais envolvidos é um passo essencial para construir soluções mais eficazes e humanizadas para a obesidade feminina após os 40 anos”, finaliza Romantini.  

 

Juliana Romantini - referência em desenvolvimento físico-mental com 25 anos de experiência em integração de corpo e mente. Especialista em Mindfulness e certificada em Medicina do Estilo de Vida pela Harvard University, possui ampla experiência em promover práticas que equilibram o bem-estar mental e físico na busca por uma vida mais equilibrada e saudável. Graduada em Educação Física e pós-graduada em Reabilitação Cardíaca e Grupos Especiais (obesos, gestantes, hipertensos), é criadora do método Prática Integral, que há 10 anos vem transformando vidas ao promover saúde e expansão de consciência.



Mpox: exame disponível em 14 estados é capaz de diagnosticar nova variante

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Caso confirmado em Porto Alegre (RS), após 43 notificações no estado de São Paulo, pode indicar que o vírus circula pelo país 

 

A confirmação há poucas semanas de um caso de infecção por Mpox em Porto Alegre (RS) reforçou a perigosa suspeita de que o vírus está circulando pelo país. Até o momento, há 88 casos notificados, 62 só no estado de São Paulo. Os pacientes confirmados foram notificados pelas cidades Araraquara, Bauru, Capital, Caraguatatuba, Franco da Rocha, Jales, Mogi das Cruzes, Osasco, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Santo André, Santos, São João da Boa Vista, São José do Rio Preto, São José dos Campos, Sorocaba, Taubaté e Campinas –que, sozinha, informou 5 notificações. 

A transmissão da doença ocorre pelo contato com outra pessoa que esteja infectada, por materiais contaminados ou por roedores silvestres contaminados. Ao perceber possíveis sintomas, a pessoa deve procurar atendimento médico e, se possível, se isolar e evitar contato com outras pessoas. A higiene das mãos também é fundamental para evitar novas infecções. 

O diagnóstico é realizado por exames laboratoriais. O teste RT PCR Mpox, desenvolvido pelo Sabin Diagnóstico e Saúde, é capaz de detectar os casos de Mpox causados pela variante 1b. O exame é realizado em uma amostra coletada com swab, uma espécie de cotonete específico para coleta de amostras de análises clínicas.

O profissional treinado para a função faz a coleta em lesões cutâneas (pele) ou mucosas que possuam aspecto de vesículas, úlceras ou crosta. O exame está disponível para agendamento da coleta, já que o paciente deve ser manter em isolamento. “Considerando a recente reclassificação da doença como Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional pela OMS, realizamos análises de bioinformática em nosso setor de Biologia Molecular que confirmam que o teste de detecção do vírus Mpox por PCR ofertado pelo Sabin é capaz de detectar a nova variante”, explica a biomédica Graciela Martins, gerente do Núcleo Técnico Operacional (NTO) do Sabin.


Sintomas e contaminação | Segundo a OMS, a Mpox pode apresentar quadros diferentes de sintomas para casos suspeitos em humanos. Quando uma pessoa apresenta bolhas na pele de forma aguda, acompanhadas de dor de cabeça, febre acima de 38,5 °C, linfonodos inchados (ínguas), dores musculares e no corpo, dor nas costas, fraqueza e calafrios, deve procurar um médico, que vai avaliar a necessidade de exames laboratoriais para confirmar a enfermidade.

O Ministério da Saúde, por sua vez, informa que se trata de doença causada pelo vírus MPXV, do gênero Orthopoxvirus e família Poxviridae. Trata-se de uma doença zoonótica viral, em que sua transmissão para humanos pode ocorrer por meio do contato com pessoa infectada pelo vírus, materiais contaminados ou animais silvestres infectados (roedores). O MS também informou que o surto apresenta baixo nível de transmissão fora do continente africano até o momento e mantém a vigilância da doença como prioritária.

O intervalo de tempo entre o primeiro contato com o vírus até o início dos sinais e sintomas da Mpox (período de incubação) é tipicamente de três a 16 dias, mas pode chegar a 21 dias. Após a manifestação de sintomas como erupções na pele, o período em que as crostas desaparecem, a pessoa doente deixa de transmitir o vírus a outras pessoas. As erupções na pele geralmente começam dentro de um a três dias após o início da febre, mas às vezes, podem aparecer antes da febre.


Protocolo e Tratamento | Atualmente, o Ministério da Saúde recomenda o isolamento de 21 dias do paciente positivo para Mpox. A doença geralmente é autolimitada, ou seja, a enfermidade costuma desaparecer de forma espontânea, sem necessidade de tratamento. O paciente deve receber atenção clínica para aliviar os sintomas, evitando complicações graves, especialmente, em crianças, mulheres grávidas ou pessoas com imunossupressão devido a outros problemas de saúde. 



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Parceria entre Fiocruz, Merck e Nortec vai permitir a produção de medicamento oral para esclerose múltipla no Brasil

Transferência de tecnologia da cladribina oral (Mavenclad®) reforça a capacidade produtiva, garante abastecimento e traz inovação ao país


A Fiocruz, a Merck e a Nortec Química anunciaram um novo acordo de transferência de tecnologia que irá ampliar a autonomia nacional na produção de medicamentos para o tratamento de esclerose múltipla (EM). A cladribina oral, com o nome comercial Mavenclad®, já é distribuída no Sistema Único de Saúde (SUS) e agora passará a ser produzida no Brasil. Esta iniciativa fortalece o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Ceis) e amplia o acesso dos pacientes brasileiros à terapia oral de curta duração, capaz de reduzir surtos e retardar a progressão da doença. O projeto é o segundo entre Fiocruz e Merck na área terapêutica. 

"Para a Fiocruz este é um passo na sua estratégia de ampliar a carteira de produtos ofertados ao SUS. Ao mesmo tempo, estreita laços tecnológicos com seus parceiros nacionais e internacionais, diversificando sua rede de cooperações. Mais uma ação da Fundação em favor do acesso, neste caso, de um medicamento contra a esclerose múltipla. Cerca de 40 mil brasileiros convivem com a doença, sendo 85% mulheres. A importância estratégica de um laboratório público é esta: consolidar o Ceis para garantir a sustentabilidade dos programas do SUS, gerando empregos especializados, reduzindo preços e mantendo a qualidade dos produtos", afirma Mario Moreira, presidente da Fiocruz. 

O medicamento é inovador por ser o primeiro tratamento oral de curta duração e eficácia prolongada para esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR).1,2 Com administração de até 20 dias ao longo dois anos de tratamento, oferece benefício sustentado por até quatro anos, reduzindo recaídas e a progressão da doença1,2. Atualmente, é o único tratamento para esclerose múltipla incluído na Lista de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial da Saúde.3 A parceria de produção do medicamento será firmada entre o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) e a Merck. 

"Para nós, participar dessa parceria com a Merck e a Nortec é reafirmar o nosso compromisso com o fortalecimento do SUS e com a promoção do acesso a tratamentos inovadores, produzidos em território nacional. É um caminho importante para a transformação de políticas públicas em cuidado real para quem mais precisa", observa a diretora de Farmanguinhos, Silvia Santos. Ela ainda destaca a relevância do medicamento para a saúde pública brasileira. “A cladribina será o primeiro medicamento disponibilizado pelo Instituto para o tratamento da esclerose múltipla, marcando a expansão do portfólio, que atualmente contempla terapias voltadas a doenças negligenciadas e de alto valor agregado”, reforça. 

Novas análises do estudo com cladribina oral foram apresentadas no 39º Congresso do Comitê Europeu para Tratamento e Investigação em Esclerose Múltipla (ECTRIMS) e demonstraram que pacientes com EMRR tiveram a lesão neuronal reduzida em dois anos. Estudos recentes verificaram também que, ao longo de uma mediana de 11 anos de acompanhamento de 435 pacientes, 90% não precisaram de cadeira de rodas; 81,2% não necessitaram de qualquer apoio para caminhar; e 55,8% não precisaram fazer uso de nenhum outro medicamento para EM.4,5

A Merck tem mais duas parcerias com a Fiocruz em andamento no Brasil. Elas incluem a betainterferona 1a (Rebif®), também para o tratamento da esclerose múltipla, com o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) e Bionovis; e o arpraziquantel, para o tratamento da esquistossomose em crianças de três meses a seis anos, cuja tecnologia foi transferida para Farmanguinhos/Fiocruz no âmbito do Consórcio Praziquantel Pediátrico. 

“A expertise da Merck em colaborar com o setor público é resultado de uma trajetória centenária no Brasil, marcada por inovação e compromisso com a saúde. Somos pioneiros no tratamento da esclerose múltipla e nosso propósito se fortalece com essa segunda transferência de tecnologia na área”, afirma Arnaud Coelho, vice-presidente regional de Healthcare da América Latina. 

A colaboração entre Merck, Fiocruz e Nortec, será formalizada com a assinatura de um termo de compromisso, integrando as ações prioritárias do Ceis. O Ceis é um pilar fundamental para garantir soberania sanitária, promover inovação tecnológica e assegurar o acesso universal a tratamentos eficazes por meio do SUS. 

“A Nortec Química tem um longo histórico de cooperações com a Fiocruz, produzindo no Brasil Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) essenciais para o SUS. A produção nacional de IFAs garante a autonomia do país no abastecimento desses produtos essenciais para a saúde pública, gera empregos, e aumenta a densidade tecnológica da indústria química no Brasil. A parceria com a Merck nos permite trazer mais este medicamento inovador e abre novas portas de pesquisa e desenvolvimento”, afirma Marcelo Mansur, Diretor Presidente da Nortec Química.

 

 Esclerose Múltipla

A doença crônica e degenerativa do Sistema Nervoso Central afeta o cérebro e a medula espinhal, causando sintomas neurológicos. Caracterizada por ser inflamatória, a esclerose múltipla pode resultar danos significativos e incapacidade progressiva. A evolução, gravidade e sintomas não são uniformes, podendo ser graves ou leves, fazendo com que o paciente demore meses ou anos para procurar assistência médica.

A prevalência da doença tem mostrado variações significativas, associadas a fatores genéticos, ambientais e socioeconômicos. No Brasil, a EM afeta cerca de 40 mil pessoas, variando de região para região. Consideram-se fatores de risco idade, sexo, genética e exposições ambientais, como a deficiência de vitamina D e o tabagismo.

 

Referências

  1. GOV.BR. Mavenclad® (cladribina oral) – Cladribina oral no tratamento de pacientes com esclerose múltipla remitente-recorrente altamente ativa, 2023. Disponível em: Link. Acesso em: 22 mai 2025.
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Ministério da Saúde orienta sobre projetos voltados a programas do Complexo Econômico-Industrial. Agência Gov, 4 jul. 2024. Disponível em: Link. Acesso em: 30 maio 2025.
  3. WHO. WHO Model List of Essential Medicines. Disponível em Link. Últmo acesso em 31/07/2025 às 11:31.
  4. GIOVANNONI, G. et al. Efficacy and safety of cladribine tablets: analysis presented at ECTRIMS 2021 [P975]. In: Congress of the European Committee for Treatment and Research in Multiple Sclerosis (ECTRIMS), 2021. [S.l.]: [s.n.], 2021.
  5. GIOVANNONI, G. et al. Analysis presented at ECTRIMS 2021 [P766]. In: Congress of the European Committee for Treatment and Research in Multiple Sclerosis (ECTRIMS), 2021. [S.l.]: [s.n.], 2021.
  6. MSIF - Atlas da Esclerose Múltipla. Disponível em chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://www.msif.org/wp-content/uploads/2020/10/Atlas-3rd-Edition-Epidemiology-report-EN-updated-30-9-20.pdf. Últmo acesso em 31/07/2025 às 11:38.

Dia Mundial das Doenças Raras: SBD alerta sobre o nevo congênito gigante

Sociedade Brasileira de Dermatologia explica os riscos e a importância do acompanhamento médico desde a infância

 

Neste mês marcado pelo Dia Mundial das Doenças Raras, em 28 de fevereiro, a atenção da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) se volta para o nevo congênito gigante, uma condição rara que pode acometer recém-nascidos, trazendo importantes implicações médicas e estéticas.

“Nevo é o termo técnico usado para pinta. Nevo melanocítico é sinônimo de pinta. Congênito é aquela pinta que está presente ao nascimento, e o nevo congênito gigante é uma pinta presente desde o nascimento, mas com um tamanho maior. Conceitualmente, considera-se gigante uma lesão que terá mais de 20 centímetros na vida adulta. O que diferencia essa condição é realmente o tamanho”, explica Dra. Flávia Bittencourt, assessora científica da SBD.

A especialista destaca ainda a raridade da condição. “Os nevos congênitos são lesões muito, muito raras, com incidência que varia de uma lesão a cada 20 mil nascimentos até uma a cada 500 mil, dependendo do tamanho”, diz a médica dermatologista.

Um dos principais pontos de atenção dessas lesões é o risco de complicações médicas, principalmente o desenvolvimento de melanoma, o tipo de câncer de pele mais grave.

“O risco de evolução para melanoma no nevo congênito gigante é baixo, algo em torno de 6% e geralmente ocorre na primeira década de vida, envolvendo células profundas, diferente do nevo pequeno, onde a malignização é algo em torno de 1%, às custas de células superficiais e, em geral, mais tardio por volta da terceira, quarta década de vida. Orientamos os pais a fazerem a palpação da lesão, ver se tem algum nódulo surgindo e, em alguns casos, realizar ultrassonografia”, explica o presidente da SBD, Dr. Carlos Barcaui.

Dr. Barcaui alerta ainda para outra complicação possível, mas também muito rara, que é a melanose neurocutânea, quando há comprometimento do sistema nervoso central. Cerca de 80% dos pacientes com nevos gigantes apresentam lesões menores, chamadas de satélites. E quanto maior o número de lesões satélites associadas ao nevo gigante, maiores as chances de algum comprometimento neurológico e de melanoma.

Os especialistas lembram que a causa do nevo congênito gigante não está relacionada a fatores genéticos específicos ou a cuidados durante a gestação. “É uma condição aleatória. As famílias querem saber se é algo que podem ter feito ou se poderá ocorrer em outros filhos, mas não há relação com hábitos ou exposições”, explica Dra. Flávia Bittencourt.

“O Dia das Doenças Raras serve para informar e conscientizar a população sobre condições pouco comuns, reforçando a importância do acompanhamento médico e do apoio às famílias afetadas por essas condições”, conclui Dr. Carlos Barcaui. 

Para saber mais sobre a saúde da pele, cabelos e unhas acesse as redes sociais @dermatologiasbd e o site www.sbd.org.br. Se informe e encontre um especialista associado à SBD na sua região.


Fevereiro e altas temperaturas acendem alerta para assaduras: o que muda no cuidado com o bebê no verão

Com calor intenso e maior transpiração, especialistas orientam sobre  ajustes simples na rotina que ajudam a proteger a pele delicada dos pequenos 

 

Fevereiro é tradicionalmente um dos meses mais quentes do ano no Brasil — e, junto com as altas temperaturas, cresce também a incidência de assaduras e irritações na pele dos bebês. O calor excessivo, combinado ao uso contínuo de fraldas, cria um ambiente mais úmido e propício para inflamações, exigindo atenção redobrada de pais e cuidadores. Por isso, Huggies traz orientações do pediatra Miguel Liberato sobre pequenos ajustes na rotina que podem fazer diferença significativa no conforto e na saúde da pele infantil durante o verão. 

A pele do bebê é naturalmente mais fina e sensível. Em dias quentes, o aumento da transpiração e da umidade na região coberta pela fralda favorece a maceração da pele — deixando-a mais vulnerável a irritações causadas pelo atrito e pelo contato prolongado com urina e fezes.  Por isso, segundo o médico, durante o calor intenso, a frequência de troca de fraldas deve ser maior. “Embora não exista um número fixo definido, a recomendação é aumentar a vigilância e, na prática, realizar trocas mais frequentes para ajudar a preservar a integridade da barreira cutânea e permitir um melhor monitoramento do volume urinário, o que também é relevante para avaliar a hidratação da criança durante o calor”, conta. Segundo ele, essa conduta deve sempre ser individualizada, considerando o padrão de evacuação, a sudorese, os sinais de irritação e as condições ambientais. 


Redobrando atenção no verão 

Existem alguns erros que são bem comuns que pais e cuidadores cometem no uso da fralda durante os dias mais quentes. Um deles é que muita gente aumenta o tempo entre as trocas para evitar “incomodar” o bebê e as trocas insuficientes prolongam o contato da pele com urina e fezes, aumentando o atrito. A higienização inadequada, seja por limpeza insuficiente após evacuações ou pelo uso de produtos irritantes também contribuem para a irritação da pele. “Apertar demais a fralda, reduzindo a ventilação ou manter o bebê por longos períodos com roupas muito quentes também são questões que podem agravar o problema”, revela. 

O uso de fraldas com baixa capacidade de absorção também é um fator importante pois retém calor e umidade. “Além de observar esses aspectos ao escolher a fralda, os pais devem prestar atenção no ajuste anatômico adequado para reduzir atrito, o uso de materiais com menor potencial irritativo e a ausência de fragrâncias excessivas”, revela. Hoje há tecnologias que diminuem o contato direto da pele com fezes líquidas também contribuem para manter a região mais seca e proteger a barreira cutânea. “O uso de talcos não é recomendado, tanto pelo risco respiratório quanto pelo possível efeito irritativo. Muitas vezes, os sinais iniciais de irritação são subestimados, o que retarda intervenções mais simples e que poderiam evitar a progressão da assadura para quadros mais extensos ou infecciosos”, completa. 

Outra recomendação para evitar assaduras e manter a pele do bebê saudável é a a aplicação regular de cremes de assaduras, como os que contêm petrolato e óxido de zinco, após as trocas. “Sempre que possível, é ideal também permitir períodos curtos sem fralda para ajudar na ventilação da pele”, indica, acrescentando que dar banhos regulares, com secagem cuidadosa, aplicação consistente de cremes de assaduras, ambientes ventilados e o uso de roupas leves são medidas importantes. 



Quando a assadura passa a exigir avaliação médica? 

Quando as lesões persistem por mais de três a sete dias ou quando, apesar das medidas adequadas, há piora progressiva do quadro ou surgimento de pápulas ou pústulas satélites sugestivas de candidíase. “Também é importante procurar avaliação se as lesões apresentarem líquido, erosões extensas ou ulceração, dor forte, irritabilidade ou alteração do comportamento da criança, presença de febre ou sinais sistêmicos”, explica. Quando o aspecto das lesões levanta suspeita de outros diagnósticos, como psoríase, dermatite atópica ou infecção bacteriana pode ser necessário tratamento específico, como antifúngicos ou antibióticos tópicos, além de investigação diagnóstica adequada. 

 

CANETAS EMAGRECEDORAS E A QUEDA DE CABELO, O QUE FAZER?

 Depois do boom das Canetas Emagrecedoras,consultórios registram aumento na queda de cabelo

 

As famosas Canetas Emagrecedoras vem sendo cada vez mais utilizadas, tanto com o foco inicial no controle da diabete quanto no emagrecimento; mas o que não se fala muito é em relação à queda de cabelo que pode estar relacionada com este tratamento.

Quando a pessoa utiliza alguma medicação para emagrecimento, a queda de cabelo não acontece diretamente relacionada com a medicação; ela se dá por todo o cenário envolvido.

Muitas vezes o que acontece é que o paciente passa a se alimentar de uma forma menos nutritiva, por conta da saciedade que a medicação gera, não conseguindo ingerir a quantidade de nutrientes necessária.

Se a pessoa não tiver atenção em relação a isso, pode acontecer um déficit de vitaminas e de nutrientes importantes para o fortalecimento do cabelo, e isso pode gerar queda. Nutrientes comuns neste caso: Ferro, Vitamina B12, Zinco, Cobre. É preciso estar atento e acompanhar nos exames.

Também pode ocorrer a queda capilar em função do emagrecimento repentino. É muito saudável emagrecer, mas o organismo sente quando é brusco, pois gera um estresse metabólico. A pessoa perder muitos quilos em pouco tempo... eis um fator comum de queda de cabelo, associado à medicação.

Acompanhamento do Dermatologista: Então, meu conselho para quem quer emagrecer e fazer uso de medicação, se já tiver um quadro prévio de cabelo mais ralo, mais fininho e com medo de perder os fios, que faça também um acompanhamento com o médico dermatologista, especialista em cabelos.

O acompanhamento com exames e reposição de vitaminas e nutrientes, além de tratamentos que mantém o cabelo mais fortalecido, estimulando o cabelo a se manter nesta fase de crescimento.

Lembrando sempre que a prevenção é a melhor estratégia, ou seja, agir antes de iniciar o plano de emagrecimento. O ideal é buscar controle e tratamento antes de deixar acontecer a queda intensa e os danos acontecerem, pois a recuperação fica mais difícil; mesmo assim, há muito a ser feito!

Como opções de tratamento capilar, temos medicações que podem ser utilizadas em casa, outras em consultório, como é o caso dos Lasers e da aplicação de medicação no couro cabelo. Estes tratamentos vão ajudar a reduzir os danos.

Uma dieta balanceada rica em frutas e vegetais, atividade física moderada e frequente, além do gerenciamento de estresse são boas práticas que recomendo, inclusive, para a saúde capilar. Espero ter ajudado e até o próximo artigo.



Dra Priscilla Pereira - Médica Dermatologista Priscilla Pereira (CRM 147255, RQE 50593) é de Juiz de Fora (MG). Mora em São Roque e atende em consultórios nas cidades de São Roque e Ibiúna. Médica formada na ‘Universidade Federal de Juiz de Fora’. Fez Residência Médica em Dermatologia pela ‘Universidade de Mogi das Cruzes’. Especialização em Tricologia, Cosmiatria e Laser pela ‘Universidade de Mogi das Cruzes’. Transplante Capilar ‘Barcelona Hair Clinic’. Especialista em Dermatologia pela ‘Sociedade Brasileira de Dermatologia’. É membro titular da ‘Sociedade Brasileira de Dermatologia’.
@drapriscilla_dermatologista
Agendamentos, WhatsApp: 11 1197834-5269
#umadermatoparachamardesua


Artrose acomete cerca de 15 milhões de brasileiros e 80% da população mundial acima dos 65. Especialista indica o que fazer


A artrose, também conhecida como osteoartrite, é uma doença caracterizada pelo desgaste da cartilagem que reveste as articulações do corpo, o que dificulta os movimentos e pode causar dor crônica. A condição atinge principalmente pessoas maduras e representa um importante problema de saúde pública.

 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), atualmente cerca de 80% da população mundial com mais de 65 anos apresenta algum grau de artrose. No Brasil, a doença acomete aproximadamente 7% da população, o que corresponde a cerca de 15 milhões de pessoas, segundo dados do Ministério da Saúde. 

Embora o envelhecimento seja o principal fator de risco, outras condições podem contribuir para o desenvolvimento da artrose, como obesidade — já que o excesso de peso sobrecarrega as articulações —, prática de exercícios físicos excessivos ou sem orientação adequada, histórico familiar, doenças reumatológicas e traumatismos, como acidentes e lesões articulares.

 

*Artrose de quadril: impacto significativo na qualidade de vida* 

A artrose de quadril, também chamada de osteoartrite do quadril, é uma doença degenerativa que afeta essa articulação e atinge cerca de 10 milhões de brasileiros, segundo o Ministério da Saúde.

 

De acordo com o médico ortopedista e especialista em quadril, Dr. Mateus Jerônimo, os principais sintomas incluem dor persistente, rigidez, limitação dos movimentos e perda progressiva da mobilidade, impactando diretamente a qualidade de vida.

 

"O diagnóstico precoce e o acompanhamento médico são fundamentais para retardar a progressão da doença, evitar complicações e preservar a autonomia do paciente", adverte. 

 

De forma geral, considerando todos os tipos de osteoartrose:

• Cerca de 60% dos casos ocorrem em mulheres;

• Aproximadamente 73% das pessoas com artrose têm mais de 55 anos;

• Embora os homens possam apresentar mais alterações visíveis em exames de imagem, as mulheres tendem a relatar mais dor e artrose sintomática;

• Globalmente, o pico de novos casos ocorre entre 60 e 64 anos.

 

*Principais tratamentos para a artrose de quadril* 

 Segundo o médico, o tratamento inicial é, na maioria dos casos, conservador, baseado em:

• Fisioterapia, com foco no fortalecimento muscular, melhora da amplitude dos movimentos e controle da dor;

• Uso de analgésicos e anti-inflamatórios, especialmente durante crises;

• Mudanças no estilo de vida, como controle do peso corporal e adaptação das atividades físicas.

 

"Em alguns casos, podem ser indicadas terapias complementares, como infiltrações articulares, incluindo o uso de hidrogéis ou ácido hialurônico, que auxiliam na lubrificação da articulação e no alívio dos sintomas, sempre sob avaliação médica", indica Jerônimo.

 

*Quando a cirurgia se torna necessária* 

Quando os tratamentos conservadores não apresentam os resultados esperados e a dor passa a limitar significativamente a vida do paciente, a alternativa mais eficaz pode ser a cirurgia de artroplastia de quadril, procedimento que substitui a articulação comprometida por uma prótese.

 

A cirurgia pode ser realizada por meio da técnica convencional ou com o auxílio de tecnologia robótica, sendo esta última considerada mais precisa e segura, pois permite maior controle no posicionamento da prótese, melhor alinhamento e potencial redução de complicações.

 

“Hoje, as cirurgias de quadril são cada vez mais seguras, com técnicas avançadas que proporcionam recuperação mais rápida, menos dor no pós-operatório e melhora significativa da qualidade de vida dos pacientes”, conclui o especialista.

  

Dr. Mateus Jerônimo - Especializado em prótese total do quadril, o médico realiza cirurgias em hospitais de excelência como Sírio-Libanês, Vila Nova Star, Beneficência Portuguesa, Hospital Alemão Oswaldo Cruz e Santa Casa de Santos. É membro titular da Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ) e da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT). Foi coordenador de ortopedia em hospitais de referência. Além da prótese do quadril, tem experiência em cirurgias complexas da pelve e do acetábulo, área restrita a poucos especialistas. Ao longo de sua formação, também serviu como médico no Exército Brasileiro e no Batalhão da Guarda Presidencial.


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