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Ao longo de mais de 24 anos trabalhando com
turismo, do varejo de viagens ao turismo corporativo e incentivo, já acompanhei
centenas de pessoas nessa experiência. Algumas chegaram ao embarque sem
passaporte válido; outras bloquearam o cartão na primeira compra fora do Brasil
por falta de aviso ao banco; e tem a clássica: a mala de 32 quilos para uma
viagem de cinco dias.
Não existe jeito exato para evitar todas as surpresas
durante uma viagem internacional, principalmente se for a primeira vez, e a
graça de viajar é justamente isso. Mas existem erros que se repetem e que são
simples de evitar com um pouco de antecedência. Por esse motivo, separei cinco
dicas que sempre indico:
- Passaporte
e visto: não deixe para última hora
Parece óbvio, mas é o erro mais comum. O passaporte
precisa ter validade mínima de seis meses além da data de retorno, muitos
países recusam a entrada mesmo com o documento válido se essa margem não for
cumprida. Além disso, verifique se o destino exige visto para brasileiros: os
Estados Unidos, por exemplo, exigem o ESTA para entrada sem visto, e esse
processo precisa ser feito com antecedência. Faça essa verificação com pelo
menos 90 dias de antecedência. Renovação de passaporte e processos de visto
costumam demorar mais do que as pessoas esperam. Outro ponto que muita gente
ignora são as vacinas obrigatórias ou recomendadas para o destino, já que
alguns países africanos e sul-americanos exigem comprovante de vacinação contra
febre amarela na entrada, e a falta desse documento pode impedir o embarque.
Para verificar de forma prática tudo o que é exigido: visto, vacinas, documentos
e restrições atualizadas, vale usar o Sherpa (joinsherpa.com), uma plataforma
gratuita que reúne os requisitos de entrada de cada país em tempo real. Uma
consulta de cinco minutos pode evitar uma surpresa no aeroporto.
- Dinheiro:
a combinação certa faz diferença
Nunca viaje com apenas uma forma de pagamento. O
ideal é combinar cartão de crédito internacional (avise o banco antes de viajar
para não ter a compra bloqueada por suspeita de fraude), cartão pré-pago em
moeda estrangeira e uma quantia em dinheiro físico para os primeiros momentos:
táxis, gorjetas, compras em mercados locais. Evite trocar moeda no aeroporto de
chegada: as taxas costumam ser as piores do destino. Pesquise casas de câmbio
com antecedência ou saque em caixas automáticos locais usando seu cartão.
- Seguro-viagem:
não é custo, é proteção
Uma consulta médica nos Estados Unidos pode custar
mais de US$ 500 sem seguro. Uma hospitalização, dezenas de milhares. O
seguro-viagem cobre emergências médicas, extravio de bagagem, cancelamentos e atrasos
de voo. E o custo, comparado ao risco, é pequeno. Alguns destinos, como os
países da Europa que exigem visto Schengen, tornam o seguro obrigatório. Mas
mesmo onde não é, eu sempre recomendo. Uma viagem bem planejada não termina bem
só por sorte
- A
mala: leve menos do que você acha que precisa
Depois de acompanhar grupos para mais de 20 países,
aprendi que o viajante de primeira viagem sempre superlota a mala, enquanto o
viajante experiente aprende a viajar com menos. Roupas versáteis, adequadas ao
clima, em peças que combinam entre si: esse é o critério. Consulte as regras da
companhia aérea sobre peso e dimensões de bagagem de mão e despachada antes de
fazer as malas. Excesso de bagagem custa caro e começa a viagem com estresse
desnecessário.
- Conectividade:
resolva antes de embarcar
Chegar em um país estrangeiro sem internet é uma
situação que gera muito mais ansiedade do que as pessoas imaginam. Mapas,
tradutores, aplicativos de transporte, comunicação com a família, tudo depende
de conexão. Chips internacionais e eSIMs são as opções mais práticas e
econômicas hoje. Pesquise antes de embarcar qual a melhor solução para o seu
destino e ative tudo ainda no Brasil. Resolver isso no aeroporto de chegada,
cansado após um voo longo, é o cenário que você quer evitar.
Do passaporte à conectividade, cada detalhe bem resolvido antes do embarque transforma ansiedade em confiança. A primeira viagem ao exterior marca a vida, e o que determina se essa memória vai ser de descoberta ou de estresse é, quase sempre, o quanto a pessoa se preparou. Não precisa ser perfeito. Precisa ser planejado.
Cristiano Moraes -
Especialista em turismo e Diretor do Grupo Unika

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