O que muitas executivas sentem no próprio corpo é exibido em
pesquisas que mostram como a queda hormonal afeta a rotina no trabalho, porém o
combate deve começar muito antes
Com o aumento da expectativa de vida e o avanço dos movimentos contra o etarismo nas empresas, as mulheres têm conseguido se manter ativas dentro das organizações corporativas, após os 50 anos. O estudo OCDE Employment Outlook 2025, promovido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revelou que entre 2010 e 2023 a taxa de emprego de mulheres com idade entre 50 e 54 anos cresceu 10,4%. Porém, pesquisadores da saúde apontam um desafio oculto para além do etarismo: os efeitos da menopausa na performance profissional. A boa notícia é que a medicina do estilo de vida é avanço real na prevenção e enfrentamento desses sintomas.
“Temos décadas de vitórias históricas que vão desde a entrada no mercado de trabalho, o direito ao voto, a licença maternidade, o acesso a cargos de liderança e, como luta mais recente, a preservação do espaço profissional após os 50 anos. Porém, junto com essa conquista precisamos alertar as organizações para a necessidade de observar peculiaridades da mulher que sofre com alterações físicas e emocionais, com a chegada da menopausa”, alerta Júlia Pinheiro, gerontóloga do Age & Health Center, primeiro centro de gerenciamento da longevidade brasileira a partir das décadas de vida.
Júlia baseia sua fala em evidências científicas como o estudo de 2023, publicado pela Universidade de Oxford (https://doi.org/10.1093/occmed/kqad078), que mostra dados específicos quanto os impactos da menopausa na vida profissional.
* Fadiga (54%)
* Dificuldade para dormir (47%)
* Dificuldade de concentração (44%)
* Problemas de memória (40%)
Segundo a executiva, nessas condições, especialmente quando expostas a cargos de liderança, as mulheres mais uma vez estão sendo levadas à condição de estresse e pressão muito acima do que seus pares masculinos, menos impactados pelos distúrbios hormonais na fase sênior da vida.
“Hoje em dia, temos a nosso favor muitos recursos disponíveis em
programas de cuidado da saúde multi e interdisciplinares que, quando aplicados
especialmente de forma preventiva, podem ajudar a mulher na travessia da
menopausa de forma muito mais confortável. E esses programas olham para a
mulher em diferentes fases da vida a partir dos 20 anos de idade”, informa
Júlia.
Sintomas começam muito antes
A médica do Age & Health, Heloisa Lepiani, que tem como foco a medicina do Estilo de Vida, diz que em o que mais ouve na prática clínica de mulheres com idade acima dos 50 anos é que estão muito cansadas, sem energia, com o sono desregulado, com o peso maior do que gostariam e com uma sensação de não se reconhecerem mais no próprio corpo, além de baixa libido pela vida.
No entanto, a médica afirma que embora sejam sintomas mais evidentes após a menopausa, raramente começam nessa fase. Na maioria das vezes, segundo Heloísa, são sintomas que resultam de anos — às vezes décadas — de sono insuficiente, estresse crônico, sedentarismo, consumo predominante de alimentos ultraprocessados, sobrecarga emocional e pouco espaço para o autocuidado. “Com a queda fisiológica dos hormônios femininos, esperada nessa faixa etária, o que já não estava bem tende a se intensificar”, diz a médica.
De acordo com Heloísa, por ser multifatorial os sintomas da
menopausa demandam abordagem holística. Conversar e explicar o que é
fisiológico dessa fase e reforçar os pilares da saúde — alimentação adequada,
prática regular de exercício físico, manejo do estresse e redução do consumo de
álcool — é fundamental e deve caminhar junto com avaliação individualizada
sobre a terapia hormonal, segundo a especialista.
Como dica para mitigar os efeitos da menopausa, Heloisa sugere que a prevenção comece muito antes do marco fisiológico, para a maioria das mulheres após os 50 anos:
20–30 anos: construção de hábitos, saúde reprodutiva, prevenção metabólica e educação em autocuidado.
30–40 anos: manejo do estresse crônico, atenção à saúde mental, gestação e pós-parto, prevenção do ganho de peso e do sedentarismo.
40–50 anos: transição hormonal, preservação de massa muscular, cuidado com o sono e a saúde emocional.
50–60 anos: manejo dos sintomas da menopausa, prevenção cardiovascular, manutenção de força, cognição e saúde sexual
60+ anos: promoção de autonomia, equilíbrio, prevenção da fragilidade e preservação da independência funcional.
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