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terça-feira, 11 de agosto de 2026

Cinco mitos sobre a amamentação que a ciência já desmentiu

Embora a amamentação seja uma das práticas mais estudadas e recomendadas pelas organizações internacionais de saúde, ainda existem crenças que geram dúvidas entre mães e famílias. Desde a ideia de que o leite materno “deixa de alimentar” depois de alguns meses até a crença de que voltar ao trabalho obriga a interromper a amamentação, muitos desses mitos continuam sendo transmitidos de geração em geração.

Por isso, marcas especializadas no acompanhamento da maternidade, como a Momcozy, juntamente com instituições de saúde, reforçam a importância de combater a desinformação com evidências científicas e ferramentas práticas que facilitem a continuidade da amamentação.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a amamentação uma das intervenções mais eficazes para proteger a saúde infantil e recomenda que ela seja exclusiva durante os primeiros seis meses de vida e continue, juntamente com uma alimentação complementar adequada, até os dois anos ou mais. No entanto, atualmente, cerca de 48% dos bebês menores de seis meses recebem aleitamento materno exclusivo em todo o mundo (dados OMS/UNICEF 2024), uma porcentagem que, embora tenha melhorado, ainda está distante da meta de 60% estabelecida para 2030.

Estes são cinco dos mitos mais frequentes que a ciência já desmentiu:


Mito 1: “Depois dos seis meses, o leite materno deixa de alimentar”. Falso. A OMS explica que, embora a partir dos seis meses os bebês precisem incorporar alimentos complementares, o leite materno continua sendo uma importante fonte de energia, nutrientes e anticorpos. Entre os seis e os doze meses, pode fornecer até metade das necessidades energéticas do bebê e continua oferecendo benefícios imunológicos durante o crescimento.


Mito 2: “Se a mãe voltar ao trabalho, deve parar de amamentar”. Falso. Organizações como o UNICEF destacam que, com planejamento, espaços adequados para a extração e a correta conservação do leite, muitas mulheres conseguem manter a amamentação após retornarem às suas atividades profissionais. A chave está na preparação prévia e no apoio do ambiente familiar e do empregador.


Mito 3: “Se o bebê pede para mamar com frequência, é porque o leite não o alimenta”. Falso. Os especialistas explicam que os recém-nascidos têm estômagos pequenos e precisam se alimentar com frequência. Além disso, a amamentação não responde apenas à fome; ela também desempenha funções relacionadas ao conforto, à regulação emocional e ao desenvolvimento do vínculo entre mãe e filho. Pedir para mamar com frequência não significa que o leite seja insuficiente.


Mito 4: “Amamentar sempre dói”. Falso. Embora seja normal sentir certa sensibilidade durante os primeiros dias, a dor persistente não deve ser considerada parte natural do processo. Segundo o UNICEF, na maioria dos casos, os desconfortos estão relacionados à posição do bebê ou à pega e podem ser resolvidos com o acompanhamento adequado de profissionais ou consultores de amamentação.


Mito 5: “Mães com baixa produção de leite devem interromper a amamentação”. Falso. A produção de leite depende de múltiplos fatores e, em muitos casos, pode melhorar com maior frequência das mamadas, uma técnica adequada de pega e o acompanhamento oportuno de profissionais de saúde. Antes de tomar decisões sobre o uso de fórmulas infantis, é sempre recomendável consultar um especialista em amamentação.

“A desinformação continua sendo um dos maiores desafios para as famílias. Muitos mitos nascem de experiências isoladas que acabam se transformando em crenças generalizadas. Hoje sabemos que as evidências científicas oferecem respostas muito mais confiáveis e que cada processo de amamentação deve ser acompanhado por informações validadas e apoio profissional, e não por recomendações baseadas exclusivamente em experiências pessoais”, afirma Christian Restrepo, professor e pesquisador do Instituto Latino-Americano da Família (ILFARUS).

Além de informações corretas, muitas mães enfrentam barreiras práticas que dificultam a manutenção da amamentação, especialmente ao retornar ao trabalho. Nesses casos, contar com ferramentas que facilitem a extração de leite de forma confortável, discreta e eficiente faz uma diferença real. Os extratores de leite sem fio, como os da Momcozy (M9, M5 e Air1), destacam-se pela longa duração da bateria e pelos ciclos de sucção ajustáveis, permitindo extrair leite em diferentes momentos do dia sem depender de cabos ou de um espaço fixo, facilitando assim a continuidade da amamentação de maneira mais flexível.

Essas soluções não substituem o acompanhamento profissional nem as informações baseadas em evidências, mas se tornam aliadas concretas para que mais mães possam alcançar suas próprias metas de amamentação sem se sentirem obrigadas a abandoná-la por falta de opções práticas.

Mais do que desmentir crenças, o verdadeiro objetivo é oferecer confiança às famílias. Ter acesso a informações baseadas em evidências, receber acompanhamento durante as primeiras semanas e compreender que cada experiência é diferente pode fazer uma diferença significativa.

 

Momcozy


Sua boca também engravida: por que a saúde bucal deve fazer parte da preparação para a gravidez

Profissionais da saúde alertam que alimentação, inflamação e microbiota oral caminham juntas antes, durante e depois da gestação.
 

Quando uma mulher decide engravidar, é comum que comece uma rotina de exames, suplementação e mudanças na alimentação. No entanto, preparar o organismo para uma gestação saudável vai muito além dos cuidados nutricionais e do acompanhamento ginecológico. A saúde deve ser compreendida de forma integrada, e isso inclui um aspecto que ainda recebe pouca atenção durante o pré-natal: a saúde bucal. 

No Agosto Dourado, mês dedicado à conscientização sobre o aleitamento materno e aos cuidados integrais com a maternidade, a nutricionista Moniele Cunha, especializada em Fertilidade Funcional Integrativa, chama a atenção para a importância da preparação do organismo antes mesmo da gravidez. 

Com mais de 16 anos de experiência clínica e atuação voltada à saúde metabólica, fertilidade e preparação de casais para a gestação, Moniele explica que fertilidade não depende apenas do sistema reprodutivo. "Preparar o organismo para uma gravidez significa olhar para a saúde como um todo. Alimentação, metabolismo, qualidade do sono, equilíbrio da microbiota, redução de processos inflamatórios e estilo de vida caminham juntos. Quanto mais equilibrado está esse organismo, melhores são as condições para uma gestação saudável”, afirma a nutricionista. 

Essa visão integrativa também amplia o olhar para um tema que ainda recebe pouca atenção durante o pré-natal: a saúde bucal. Segundo o cirurgião-dentista Dr. Éder Gonzaga, as mudanças hormonais características da gestação alteram a composição da saliva e aumentam a resposta inflamatória do organismo, criando um ambiente mais favorável ao desenvolvimento de gengivite e doença periodontal. Esse cenário reforça a importância de incluir a saúde bucal entre os cuidados preventivos ainda na fase de planejamento da gravidez.

Foi justamente dessa conexão entre nutrição, saúde integral e odontologia que nasceu o conceito "Sua boca também engravida", tema da live promovida pela Desplac®, que propõe ampliar a discussão sobre o papel da saúde bucal antes, durante e depois da gestação.
 

O que é mito e o que é verdade?


Mito: Só preciso cuidar da minha saúde quando descobrir que estou grávida?

Moniele Cunha explica: Não. A preparação começa antes da concepção. O período pré-concepcional é importante para promover equilíbrio nutricional, reduzir processos inflamatórios, corrigir deficiências nutricionais e preparar o organismo para uma gestação saudável.
 

Mito: O bebê retira cálcio dos dentes da mãe?

Moniele Cunha comenta: Essa é uma crença antiga. O desenvolvimento do bebê depende do adequado aporte nutricional da mãe e da sua capacidade de absorção dos nutrientes. O aparecimento de problemas bucais durante a gestação costuma estar mais relacionado às alterações hormonais, mudanças alimentares, episódios de náuseas e aos desafios para manter uma rotina adequada de higiene bucal.
 

Verdade: A boca também muda durante a gravidez?

Éder Gonzaga reforça: Durante a gestação, alterações hormonais modificam a saliva, aumentam a resposta inflamatória do organismo e alteram a microbiota oral, favorecendo o aparecimento de gengivite gestacional e aumentando o risco de doenças bucais.
 

Verdade: Alimentação e saúde bucal estão conectadas?

Segundo Moniele, uma alimentação equilibrada contribui para o funcionamento adequado do organismo como um todo, incluindo a saúde da boca. A redução de processos inflamatórios e o equilíbrio metabólico fazem parte de uma abordagem integrada para mulheres que desejam engravidar.
 

Verdade: A prevenção continua sendo o melhor cuidado?

Embora cada profissional tenha sua área de atuação, existe um consenso entre especialistas: prevenção faz toda a diferença diariamente.
 

Para o cirurgião-dentista Dr. Éder Gonzaga, fundador da Desplac®, hábitos simples continuam sendo os maiores aliados da saúde bucal. “A gestação é um período de muitas transformações e, justamente por isso, a prevenção se torna ainda mais importante. Escovar corretamente os dentes, utilizar fio dental diariamente e manter consultas periódicas com o cirurgião-dentista são atitudes simples que ajudam a prevenir gengivite, cáries e outras doenças bucais. Cuidar da boca é um hábito que acompanha todas as fases da vida, inclusive antes, durante e depois da gravidez”, afirma o dentista.
 

Uma conversa que amplia o olhar sobre a saúde da mulher
 

O conceito "Sua boca também engravida" convida a uma reflexão sobre um tema ainda pouco explorado: a saúde bucal também faz parte da jornada da maternidade. Da preparação para a gravidez ao pós-parto, alimentação, saúde metabólica, microbiota, prevenção e autocuidado caminham juntos e contribuem para o bem-estar da mulher em todas as fases. 

Para aprofundar esse debate, a Desplac® promove, no dia 11 de agosto, às 18h, uma live especial com o cirurgião-dentista Dr. Éder Gonzaga e a nutricionista Moniele Cunha, especialista em Fertilidade Funcional Integrativa monielecunha. O encontro vai abordar, de forma leve e baseada em evidências científicas, como a integração entre saúde bucal e nutrição pode contribuir para uma gestação mais saudável, desde o planejamento da gravida até o pós-parto. 



Éder Gonzaga de Oliveira - cirurgião-dentista, formado pela Universidade Estadual de Londrina (1986), o Dr. Eder Gonzaga de Oliveira ampliou sua formação com curso de Saúde Pública Bucal na Universidade de Toronto, no Canadá, e construiu grande parte de sua experiência clínica na Alemanha, onde atuou até 1993. De volta ao Brasil, desenvolveu ao longo de décadas um olhar investigativo sobre as lacunas dos protocolos tradicionais de higiene bucal, especialmente o que acontece na cavidade oral durante o período noturno. Essa observação clínica foi o ponto de partida para a criação da Desplac®, gel oral formulado para atuar onde os produtos convencionais não chegam.


@desplacoficial e @monielecunha
#Desplac #DesplacnaNaturalTech26 #SaudeBucal #OralCare #Alinhadores #CuidadoInteligente #EssencialaoMaximo #livedesplac #fertilidadefuncional


O que pacientes imunodeprimidos precisam saber antes de se vacinar

Especialistas explicam quais vacinas costumam ser indicadas, os cuidados necessários e porque a imunização é parte fundamental do tratamento.


Quem está em tratamento contra o câncer, incluindo leucemias e linfomas, pessoas com doenças autoimunes, indivíduos com imunodeficiências primárias, pacientes em tratamento para doenças inflamatórias intestinais, como doença de Crohn e retocolite ulcerativa, que utilizam medicamentos imunossupressores, e pessoas transplantadas costumam ter dúvidas sobre quais vacinas podem receber e em que momento da imunização. Afinal, quais imunizantes são recomendados para quem é imunodeprimido? 

Essas são dúvidas frequentes entre pacientes imunodeprimidos, pessoas cuja resposta imunológica está reduzida em decorrência de doenças, como HIV e alguns tipos de câncer, ou de tratamentos, como quimioterapia, transplantes e medicamentos imunossupressores.

Segundo Rosana Richtmann, consultora em vacinas da Dasa e infectologista do laboratório Exame, no Distrito Federal, a vacinação é uma das principais estratégias para reduzir o risco de infecções graves, internações e complicações que podem comprometer a continuidade do tratamento.

"Existe a percepção equivocada de que pessoas imunodeprimidas não podem ser vacinadas. Na realidade, muitas delas precisam ainda mais da proteção oferecida pelas vacinas. O que muda é que a recomendação deve ser individualizada, levando em conta a doença de base, o tratamento em curso e o grau de imunossupressão." 

Luísa Chebabo, infectologista dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, no Rio de Janeiro, reforça que a definição do esquema vacinal deve ser feita em conjunto com a equipe médica, já que a indicação varia conforme a condição clínica, o tratamento e o momento da imunização.


Nem toda vacina é indicada para todos os pacientes

“As vacinas inativadas são consideradas seguras para a maioria das pessoas imunodeprimidas porque não contêm microrganismos vivos capazes de causar infecção. Já as vacinas vivas atenuadas, produzidas com versões enfraquecidas de vírus ou bactérias, exigem uma avaliação criteriosa, pois, em casos de imunossupressão moderada ou grave, podem representar riscos”, completa Luísa. 

Por isso, antes de atualizar o calendário vacinal, é fundamental conversar com o médico para definir quais imunizantes são recomendados e qual o momento mais adequado para recebê-los.


Quais vacinas costumam fazer parte dessa estratégia de proteção? 

Embora a indicação seja individualizada, algumas vacinas costumam integrar a estratégia de proteção de pacientes imunodeprimidos:

· Influenza: reduz o risco de gripe, complicações respiratórias e hospitalizações.

· Pneumocócicas: ajudam a prevenir infecções graves, como pneumonia e meningite.

· Hepatite B: indicada de rotina para toda a população, mas especialmente importante para pessoas vivendo com HIV, pacientes com doenças crônicas e candidatos a transplantes.

· Herpes-zóster: diminui o risco de reativação do vírus da catapora e de complicações associadas.

· Vírus Sincicial Respiratório (VSR): passou a integrar a estratégia preventiva para grupos mais vulneráveis, especialmente idosos e pessoas com maior risco de desenvolver formas graves da infecção, conforme indicação médica.
 

Mais do que prevenir infecções

Os benefícios da vacinação vão além da prevenção de doenças infecciosas. A imunização pode reduzir hospitalizações, diminuir a necessidade do uso de antibióticos e evitar interrupções em tratamentos importantes. 

"Quando conseguimos prevenir uma infecção, não estamos apenas evitando uma doença aguda. Estamos protegendo a continuidade de tratamentos oncológicos, preservando a condição clínica do paciente e reduzindo o risco de complicações que podem levar a internações ou comprometer sua qualidade de vida", afirma Luísa Chebabo. 

Outro aspecto importante é a chamada proteção indireta. Manter familiares e cuidadores com a vacinação em dia ajuda a reduzir a circulação de agentes infecciosos no convívio com pacientes mais vulneráveis.
 

Atendimento domiciliar pode ser um aliado

Sempre que possível, a vacinação deve ser atualizada antes do início de tratamentos que reduzem a resposta imunológica. Quando isso não é viável, o esquema vacinal deve ser adaptado caso a caso pela equipe médica. 

Em algumas situações, também é importante reduzir a exposição a ambientes com grande circulação de pessoas. Nesse contexto, quando houver indicação médica, a vacinação e a realização de exames em domicílio podem representar uma alternativa para pacientes mais vulneráveis, como pessoas em tratamento oncológico ou com mobilidade reduzida. Além de evitar deslocamentos desnecessários, o atendimento domiciliar contribui para a continuidade do cuidado em um ambiente mais confortável e seguro. 

Rosana Richtmann reforça que o mais importante é não adiar a conversa sobre vacinação. "Cada condição clínica exige uma avaliação individualizada. Hoje sabemos que a imunização é parte fundamental do cuidado e da proteção de pessoas com maior vulnerabilidade a infecções", finaliza. 


O corpo também tem estações: o que a Ayurveda ensina sobre o inverno

Nina Habib, fundadora da Taila Veda, explica como a Ayurveda pode ajudar a interpretar os sinais que o corpo apresenta durante o inverno e compartilha práticas simples para atravessar a estação com mais equilíbrio


Quando o inverno chega, mudamos a roupa, tiramos os casacos do armário, procuramos alimentos mais quentes e, naturalmente, passamos mais tempo dentro de casa. Mas raramente pensamos que o corpo também atravessa essa mudança. A Ayurveda, medicina tradicional da Índia praticada há milhares de anos, parte justamente desse princípio: a natureza e o organismo caminham juntos. Quando a estação muda, o corpo também muda. Esperar que ele responda da mesma forma durante todo o ano talvez seja uma das maiores causas do desencontro entre aquilo que sentimos e a forma como cuidamos de nós mesmos.

O inverno costuma ser lembrado pela pele ressecada. Mas, na visão da Ayurveda, esse é apenas o sinal mais visível de uma transformação muito maior. Os cabelos podem perder brilho, as articulações parecerem mais rígidas, o sono tornar-se mais leve, a digestão mudar e até a mente ficar mais inquieta. À primeira vista, esses acontecimentos parecem não ter relação entre si. Para a Ayurveda, porém, eles fazem parte da mesma conversa. O corpo inteiro responde às características da estação.

"Costumo dizer que o corpo também tem estações. Assim como não esperamos que uma árvore floresça no inverno, também não deveríamos esperar que o organismo respondesse da mesma maneira durante todo o ano. A Ayurveda nos convida a perceber essas mudanças antes que elas se transformem em um desconforto maior", explica Nina Habib, fundadora da Taila Veda.

Na tradição ayurvédica, cada estação desperta determinadas qualidades no organismo. O inverno é naturalmente mais frio, seco e instável. Por isso, essas mesmas características tendem a aparecer também no corpo. A pele perde oleosidade, os tecidos ficam mais secos, as articulações podem se tornar menos flexíveis e a mente pode apresentar maior dificuldade para desacelerar. A Ayurveda compreende esse conjunto de mudanças por meio do aumento de Vata, o princípio responsável pelo movimento, pela comunicação entre os sistemas do corpo e pelo sistema nervoso.

"Quando o Vata aumenta, não é apenas a pele que sente. O organismo inteiro passa a pedir mais calor, mais nutrição, mais estabilidade e mais pausa. Muitas vezes tentamos resolver apenas aquilo que conseguimos ver, quando, na verdade, o corpo está pedindo uma mudança mais profunda na forma como vivemos aquela estação", afirma Nina.

Em vez de buscar soluções pontuais, a Ayurveda propõe acompanhar o ritmo da natureza. O cuidado deixa de ser uma resposta ao ressecamento da pele e passa a ser uma maneira de preparar o organismo para atravessar o inverno com mais equilíbrio.

Uma das práticas mais tradicionais é a oleação do corpo. Óleos vegetais de natureza mais aquecedora, como o óleo de gergelim, são utilizados há milhares de anos na Ayurveda para nutrir a pele e ajudar a preservar sua oleosidade natural durante os meses frios. Além de hidratar, a oleação representa um gesto de proteção diante de uma estação que tende naturalmente ao ressecamento.

Foi justamente dessa reflexão que nasceu um dos principais conceitos da Taila Veda: "A pele também come". Durante décadas aprendemos a perguntar de onde vêm os alimentos que colocamos no prato, mas quase nunca fazemos a mesma pergunta sobre aquilo que aplicamos diariamente na pele. "Não porque a pele se alimenta da mesma forma que o intestino, mas porque ela também está em contato todos os dias com aquilo que escolhemos oferecer ao nosso corpo. Quando mudamos esse olhar, o óleo deixa de ser apenas um cosmético e passa a fazer parte de uma filosofia de cuidado", explica Nina.

Outra prática tradicional é a Abhyanga, a automassagem com óleo morno. Presente nos textos clássicos da Ayurveda há milhares de anos, ela ajuda a nutrir a pele, favorecer o conforto das articulações, reduzir a sensação de rigidez e oferecer ao corpo um momento de desaceleração. "Não é a duração do ritual que faz diferença, mas a constância. Alguns minutos antes do banho já são suficientes para transformar a forma como atravessamos o inverno".

Durante essa estação, a Ayurveda também recomenda uma atenção especial à rotina. Dormir em horários regulares, consumir alimentos preparados na hora, preferir refeições quentes, evitar longos períodos de jejum e respeitar momentos de descanso são atitudes que ajudam o organismo a responder melhor às mudanças do ambiente. Na visão ayurvédica, cuidar do inverno não significa apenas proteger a pele, mas preservar o equilíbrio do corpo como um todo.

Para Nina, talvez esse seja um dos maiores ensinamentos da Ayurveda. "A natureza nunca espera que uma árvore produza frutos durante todas as estações. Cada fase possui uma necessidade diferente, e o corpo segue essa mesma inteligência. O cuidado começa quando deixamos de esperar que ele permaneça igual o tempo inteiro e passamos a compreender aquilo que cada estação nos pede".

A Ayurveda não procura apenas explicar por que a pele resseca no inverno. Ela também convida a fazer uma pergunta maior: de que forma o meu corpo está respondendo às mudanças da natureza? Talvez a saúde não esteja em resistir aos ciclos, mas em aprender a caminhar com eles. Afinal, assim como a primavera nunca tenta ser inverno, o corpo também não precisa permanecer o mesmo durante toda a vida. É justamente na capacidade de se adaptar que reside uma de suas maiores formas de inteligência.

 

Taila Veda -Fundada em 2018 por Nina Habib, a Taila Veda nasceu para traduzir a sabedoria da Ayurveda em rituais de cuidado para a vida contemporânea. Inspirada nos conhecimentos da medicina tradicional indiana, a marca desenvolve óleos ayurvédicos, cosméticos naturais e materiais educativos que convidam as pessoas a construir uma relação mais consciente com o corpo, respeitando seus ritmos e a inteligência da natureza. A filosofia da Taila Veda parte da ideia de que o autocuidado não deve ser uma resposta apenas quando algo está em desequilíbrio, mas uma prática cotidiana de presença, observação e constância. Esse olhar deu origem a um dos principais conceitos da marca: “A pele também come”, que traduz a proposta de oferecer à pele o mesmo cuidado dedicado à escolha, à origem e ao preparo daquilo que nutre o corpo.



Novo Estudo: uma em cada três mulheres não sabe que está na perimenopausa

Pesquisa publicada em julho de 2026 mostra que a incerteza chega a 42% entre mulheres de 40 a 44 anos; médicas explicam por que os sintomas são confundidos com estresse e ansiedade
 

Insônia, irritabilidade, cansaço, dificuldade de concentração e redução da libido podem indicar o início da perimenopausa. Mesmo assim, muitas mulheres não reconhecem que estão vivendo essa transição hormonal. Um estudo publicado em 14 de julho de 2026 na revista científica Menopause, da The Menopause Society, revelou que uma em cada três mulheres não sabe dizer se está nessa fase.

A pesquisa avaliou 7.640 mulheres dos Estados Unidos com 35 anos ou mais. No total, 34% estavam em dúvida sobre o próprio estágio reprodutivo. Entre aquelas de 40 a 44 anos, a incerteza chegou a 42%.

A dificuldade para interpretar os sintomas foi a principal causa da dúvida, mencionada em 56% das respostas. A falta de conhecimento e a busca por informações representaram 28%, enquanto as barreiras para obter confirmação e atendimento apareceram em 16%.

A perimenopausa é o período de transição que antecede a menopausa e pode durar de quatro a oito anos. Já a menopausa é confirmada depois de 12 meses consecutivos sem menstruar, quando não existe outra causa para a ausência da menstruação.

Segundo Dra. Tassiane Alvarenga Endocrinologista e Metabologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), , um dos equívocos mais comuns é imaginar que os hormônios diminuem de maneira contínua e previsível.

“A perimenopausa é uma fase de intensa oscilação hormonal, e não simplesmente de queda linear. É justamente nesse período, que pode durar vários anos, que a maioria dos sintomas acontece”, explica.

Alterações no sono, irritabilidade, ansiedade, névoa mental, ganho de gordura abdominal, perda de massa muscular, dores articulares, ressecamento vaginal e diminuição da libido podem surgir antes mesmo de qualquer mudança significativa no ciclo menstrual.

“Esperar a menstruação ficar irregular para considerar a perimenopausa pode atrasar por anos o reconhecimento dessa fase. Em muitas pacientes, a piora do sono, as alterações de humor e a dificuldade de concentração aparecem antes”, alerta Tassiane.

Para a ginecologista Dra. Paula Fettback, o momento da vida em que esses sintomas costumam aparecer contribui para a confusão.

“Muitas mulheres estão no auge da carreira, cuidam dos filhos, dos pais idosos e acumulam diferentes responsabilidades. Por isso, atribuem o cansaço, a insônia e a irritabilidade apenas ao estresse, quando as oscilações hormonais também podem estar envolvidas”, afirma.

Não existe um exame de sangue capaz de confirmar isoladamente a perimenopausa. Como os hormônios variam durante essa fase, o diagnóstico é principalmente clínico e considera a idade, o padrão menstrual, os sintomas e a exclusão de outras condições, como alterações da tireoide, anemia e transtornos de humor.

“O médico precisa ouvir a paciente. Os exames podem complementar a investigação, mas não substituem uma avaliação cuidadosa da história e dos sintomas”, destaca Paula.

As especialistas alertam que o maior erro é acreditar que a mulher precisa suportar os sintomas porque eles fazem parte do envelhecimento. O reconhecimento precoce permite individualizar o cuidado, que pode envolver atividade física, alimentação, melhora do sono, tratamentos não hormonais ou terapia hormonal, quando indicada.

“Ser comum não significa que o sofrimento precise ser aceito. Quando os sintomas começam a prejudicar o sono, o trabalho, os relacionamentos ou a qualidade de vida, é importante procurar avaliação médica”, finaliza Tassiane.

Reconhecer a perimenopausa precocemente permite avaliar opções individualizadas para controlar os sintomas e proteger a saúde ao longo dos anos. O acompanhamento pode envolver atividade física, alimentação, atenção ao sono, cuidados com a saúde mental, tratamentos não hormonais e terapia hormonal da menopausa quando indicada e após avaliação de riscos e benefícios. “Entender que existe uma explicação biológica para essas mudanças já traz alívio. A partir disso, é possível construir um cuidado individualizado, considerando a saúde óssea, cardiovascular, metabólica, mental e sexual da mulher”, afirma Paula.

As médicas também alertam para os riscos da automedicação e do uso de suplementos ou hormônios sem orientação. Como os sintomas podem ter diferentes causas e cada mulher apresenta histórico e necessidades particulares, o tratamento deve ser definido após avaliação médica. 


Dra. Paula Fettback - CRM 117477 SP - CRM 33084 PR - Possui graduação em Medicina pela Universidade Estadual de Londrina - UEL (2004). Residência médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP- 2007). Atua em Ginecologia e Obstetrícia com ênfase em Reprodução Humana. Estágio em Reprodução Humana na Universidade de Michigan - USA. Médica colaboradora do Centro de Reprodução Humana Mário Covas do HC-FMUSP (2016). Doutora em Ciências Médicas pela Disciplina de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Membro da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM - 2016). Médica da Clínica MAE São Paulo – SP. Título de Especialista em Reprodução Assistida Certificada pela Febrasgo (2020).


A inteligência artificial na dermatologia: o que já está mudando na prática clínica


A inteligência artificial deixou de ser uma tecnologia distante para ocupar espaço cada vez maior dentro da medicina. Na dermatologia, especialidade diretamente ligada à observação clínica da pele, esse avanço já começa a transformar etapas importantes do diagnóstico, do acompanhamento dos pacientes e da própria organização da prática médica.

Como grande parte das avaliações dermatológicas depende da análise visual de lesões, manchas e alterações cutâneas, o uso de sistemas capazes de interpretar imagens amplia as possibilidades de apoio ao raciocínio clínico e ao acompanhamento da evolução dos casos. Ferramentas voltadas à comparação de imagens, identificação de padrões e documentação clínica contribuem para avaliações mais organizadas e auxiliam o especialista na rotina do consultório.

Em situações como o acompanhamento de lesões pigmentadas, por exemplo, recursos tecnológicos conseguem comparar registros feitos em diferentes períodos e permitem observar alterações sutis ao longo do tempo. Esse suporte pode favorecer uma análise mais detalhada e complementar a avaliação realizada pelo médico.

Além da análise de imagens, a tecnologia também começa a impactar outras etapas do atendimento. Prontuários mais integrados, sistemas de apoio à anamnese e plataformas capazes de organizar informações clínicas ajudam a otimizar processos e oferecem uma visão mais ampla do histórico e da evolução de cada paciente.

Ao mesmo tempo, o crescimento acelerado da inteligência artificial na saúde também exige cautela. Questões relacionadas à responsabilidade médica, validação científica e limites éticos precisam acompanhar essa evolução, uma vez que a tecnologia representa um avanço importante, mas não elimina a necessidade de supervisão profissional nem substitui a experiência clínica construída pela observação, pelo conhecimento técnico e pela avaliação individual de cada caso.

Outro ponto importante envolve a popularização de aplicativos e plataformas que prometem análises automáticas da pele. Embora essas ferramentas despertem interesse crescente, é fundamental diferenciar informação tecnológica de avaliação médica qualificada. Quando utilizadas sem critério ou sem acompanhamento especializado, elas podem gerar interpretações equivocadas, ansiedade desnecessária e até atrasar a busca por atendimento adequado.

Na prática clínica, a inteligência artificial tende a funcionar como um recurso complementar, capaz de ampliar possibilidades técnicas e auxiliar o especialista em diferentes etapas do atendimento. Ainda assim, a medicina continua a exigir algo que nenhuma tecnologia consegue reproduzir integralmente: a capacidade humana de interpretar cada paciente de forma individual, considerando não apenas imagens e dados, mas também contexto, histórico e particularidades clínicas.

A tendência é que a inteligência artificial contribua para uma dermatologia cada vez mais precisa, organizada e eficiente. No entanto, o avanço tecnológico só fará sentido se permanecer associado ao olhar médico, ao julgamento clínico e ao cuidado individualizado que são essenciais na relação entre médico e paciente.
  

Francisco Le Voci - presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD)


Anvisa libera e iFood, Rappi e Mercado Livre podem entregar medicamentos

IMAGEM: Marcello Casal Jr.
Agência Brasil 
Medida permite a entrega de medicamentos por aplicativos, mas mantém exigências sanitárias para farmácias e plataformas digitais


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou nesta segunda-feira (10/08), a entrega de medicamentos por aplicativos e plataformas digitais. A resolução, publicada no Diário Oficial da União (DOU), cita lei de março de 2026, que passou a autorizar farmácias e drogarias regularmente licenciadas a contratar canais digitais e plataformas de comércio eletrônico para logística e entrega de medicamentos aos consumidores.

Em comunicado, a Anvisa afirma que as revogações de resoluções e medidas preventivas que proibiam a comercialização e a propaganda de medicamentos nas plataformas iFood, Rappi, Mercado Livre, Submarino e Americanas não isentam as empresas nem a Shopee, cuja revogação foi anunciada da última quinta-feira, 6, de cumprir "integralmente a regulamentação sanitária aplicável."

Ainda de acordo com a Anvisa, a liberação foi motivada por um questionamento formal em relação à Lei 15.357/2026. "Entretanto, é importante ressaltar que a revogação de resoluções da vigilância sanitária não implica em autorização automática de comercialização de produtos farmacêuticos. A aplicação do parágrafo 6º do artigo 6º da Lei 5.5991/1973 está condicionada à regulamentação que ainda será editada pela Agência." 

 

Estadão Conteúdo

Fonte: https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/anvisa-libera-e-ifood-rappi-e-mercado-livre-podem-entregar-medicamentos


Frio exige atenção ao coração: confira sete cuidados para reduzir o risco de doenças cardiovasculares no inverno

 Com a chegada das baixas temperaturas, a atenção à saúde deve ir além das doenças respiratórias. Evidências científicas recentes mostram que o frio também aumenta significativamente o risco de problemas cardiovasculares. Dados apresentados pelo Instituto do Coração (InCor) durante o 46º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP), realizado em 2026, apontam que temperaturas abaixo de 14°C podem estar associadas a um aumento de até 30% nas mortes por doenças cardiovasculares. Além disso, estudos publicados em 2025 demonstram que ondas de frio elevam a incidência de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e descompensação da insuficiência cardíaca, com maior impacto entre idosos e pessoas com hipertensão, diabetes e outras doenças crônicas.

A explicação está na resposta natural do organismo ao frio. Para preservar a temperatura corporal, ocorre a vasoconstrição, ou seja, o estreitamento dos vasos sanguíneos, que aumenta a pressão arterial e faz o coração trabalhar mais intensamente. Em pessoas com hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade ou histórico de doenças cardiovasculares, esse esforço adicional pode favorecer eventos graves, como infarto, AVC e outras complicações circulatórias.

A partir desse cenário, cardiologista e coordenador de Cardiologia da Rede D’Or Regional Leste, Guilherme Saba, listou sete medidas que ajudam a proteger a saúde cardiovascular durante o inverno:


1. Não interrompa a prática de exercícios físicos

Nos meses frios, o sedentarismo tende a aumentar, o que contribui para o agravamento dos fatores de risco cardiovasculares. A recomendação é manter uma rotina de atividades físicas, preferencialmente nos horários mais quentes do dia e sempre realizando um aquecimento antes do exercício. Além de melhorar a circulação, a prática regular ajuda a controlar a pressão arterial, o colesterol e a glicemia.


2. Monitore a pressão arterial

Como o frio provoca a contração dos vasos sanguíneos, a pressão arterial tende a subir naturalmente. Pessoas hipertensas devem redobrar a atenção, mantendo o acompanhamento médico, utilizando corretamente os medicamentos prescritos e realizando medições periódicas.


3. Evite exageros na alimentação típica da estação

Fondue, caldos, carnes gordurosas e alimentos ricos em sódio costumam ganhar espaço no inverno. Embora possam fazer parte da alimentação, o consumo excessivo favorece o aumento da pressão arterial e do colesterol. O ideal é manter uma dieta equilibrada, rica em frutas, legumes, verduras, fibras e proteínas magras, além de não descuidar da hidratação.


4. Proteja-se do frio

Manter o corpo aquecido reduz a necessidade de uma resposta intensa de vasoconstrição. Roupas adequadas, especialmente para proteger cabeça, mãos e pés, ajudam o organismo a manter a temperatura corporal com menor sobrecarga ao sistema cardiovascular.


5. Não ignore sintomas de alerta

Dor ou pressão no peito, falta de ar, suor frio, palpitações, tontura e dor irradiando para braço, costas ou mandíbula exigem atendimento médico imediato. Quanto mais rápido o tratamento é iniciado em casos de infarto ou AVC, maiores são as chances de recuperação e menores os riscos de sequelas.


6. Mantenha consultas e exames preventivos em dia

O inverno é um período estratégico para reforçar o acompanhamento de doenças crônicas. Pessoas acima dos 50 anos ou que possuam fatores de risco devem manter consultas regulares para controlar pressão arterial, diabetes e colesterol.


7. Cuide também do sono e do estresse

Dormir bem e controlar o estresse contribuem para o equilíbrio da pressão arterial e da frequência cardíaca. Associados à prática de exercícios e à alimentação saudável, esses hábitos reduzem significativamente o risco cardiovascular ao longo de todo o ano.

Embora o frio aumente a probabilidade de eventos cardiovasculares, especialistas reforçam que grande parte desses casos pode ser evitada com prevenção, acompanhamento médico e controle dos fatores de risco. Manter hábitos saudáveis durante o inverno é uma das formas mais eficazes de proteger o coração e reduzir a ocorrência de complicações graves.


Mês dos pais: por que os homens precisam cuidar da saúde vascular mais cedo?

Estudo publicado neste ano mostra que o risco de doenças cardiovasculares começa a se diferenciar entre homens e mulheres já por volta dos 35 anos

 

Neste mês em que comemoramos o Dia dos Pais, uma pauta importante vai além da homenagem. A data é uma oportunidade para conscientizar sobre a saúde masculina, especialmente quando o assunto é a circulação sanguínea. Um estudo publicado em janeiro deste ano no Journal of the American Heart Association mostrou que os homens começam a desenvolver doenças cardiovasculares anos antes das mulheres e que essa diferença surge mais cedo do que se imaginava.

A pesquisa acompanhou mais de cinco mil pessoas durante mais de 30 anos e revelou que o risco cardiovascular passa a divergir por volta dos 35 anos, principalmente em razão da doença coronariana, caracterizada pelo entupimento das artérias que irrigam o coração. O levantamento analisou dados do estudo CARDIA (Coronary Artery Risk Development in Young Adults), uma das maiores pesquisas de acompanhamento de adultos desde a juventude nos Estados Unidos.

Segundo a Dra. Haila Almeida, médica cirurgiã vascular e fundadora do Instituto Alphaveins, esse dado reforça a necessidade de os homens mudarem a forma como encaram a própria saúde. "Ainda existe a ideia de que doenças cardiovasculares são um problema da terceira idade, mas elas começam a se desenvolver décadas antes. Quanto mais cedo o homem adotar hábitos saudáveis e realizar acompanhamento médico, maiores são as chances de prevenir complicações graves", explica.

A especialista destaca que o atraso no diagnóstico pode favorecer problemas como infarto, AVC e doença arterial periférica, que compromete a circulação das pernas e impacta diretamente a qualidade de vida.

Durante a entrevista, a médica pode comentar:

  • Por que os homens desenvolvem doenças cardiovasculares e vasculares mais cedo que as mulheres;
  • O que explica essa diferença entre os sexos e por que ela aparece já a partir dos 35 anos;
  • Quais sinais costumam ser ignorados, como dores nas pernas ao caminhar, sensação de peso, inchaço e cansaço frequente;
  • Os principais fatores de risco, como sedentarismo, tabagismo, colesterol alto, hipertensão e diabetes;
  • Como prevenir doenças vasculares com mudanças simples no estilo de vida e acompanhamento médico regular.

Além de conscientizar os pais, a pauta também convida filhos e familiares a incentivarem os homens a realizar consultas e exames preventivos antes que as doenças se manifestem de forma mais grave. 



Dra. Haila Almeida -Médica cirurgiã vascular com atuação focada em tratamentos de vasinhos e varizes por meio da tecnologia a laser. É fundadora e líder do Instituto Alphaveins, clínica reconhecida por seu padrão de excelência em medicina vascular de alta performance. Com sólida formação e vivência prática, alia conhecimento técnico, gestão estratégica e experiência humana para ir além do tratamento, promovendo também o autocuidado, longevidade e autoestima, com foco em resultados reais, segurança e uma experiência verdadeiramente memorável. À frente do Alphaveins, coordena uma equipe multidisciplinar, desenvolve protocolos exclusivos e mantém-se atualizada com as mais recentes tecnologias no campo da cirurgia vascular. Reconhecida por sua liderança inspiradora e conhecimento prático, mantém atuação ativa também como comunicadora nas redes sociais, promovendo informação acessível e conscientização sobre cuidados vasculares. Mais informações: https://www.instagram.com/hailaalmeidaa/


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40 meses contra 11: acesso ao tratamento ainda separa pacientes com o mesmo câncer de pulmão no SUS e na rede privada

Magnific
Estudos mostram que o acesso desigual aos exames moleculares e às terapias-alvo ainda limita a medicina de precisão no Brasil e impacta diretamente os resultados do tratamento

 

Um comprimido tomado diariamente, em casa, capaz de bloquear o crescimento do tumor de forma muito mais direcionada do que a quimioterapia convencional. Esse tratamento existe, está disponível no Brasil e representa um dos maiores avanços da medicina de precisão no câncer de pulmão. 

Ele é indicado para pacientes cujo tumor apresenta uma alteração no gene ALK, encontrada em cerca de 5% dos casos de câncer de pulmão de não pequenas células, sobretudo entre pessoas mais jovens e que nunca fumaram.
 

O desafio, hoje, já não está em descobrir qual tratamento funciona. Está em garantir que ele chegue ao paciente certo, no momento certo. Dois estudos conduzidos pelo Grupo Brasileiro de Oncologia Torácica (GBOT) e publicados na JCO Global Oncology, revista científica da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), mostram que o acesso desigual aos testes moleculares e às terapias-alvo ainda influencia diretamente os resultados do tratamento no Brasil. 

Entre pacientes com tumores que apresentam alteração no gene ALK, aqueles atendidos pela saúde suplementar permaneceram, em média, 40 meses sem progressão da doença, enquanto os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) tiveram uma mediana de 11 meses. Três anos após o diagnóstico, 87% dos pacientes da rede privada permaneciam vivos, contra 61% dos atendidos pelo SUS. 

Para o oncologista William Nassib William Jr., líder nacional da especialidade de tumores torácicos da Oncoclínicas, esses números mostram que o desafio da oncologia brasileira hoje não está apenas em desenvolver novos medicamentos, mas em garantir que as inovações cheguem, de fato, aos pacientes. 

"O câncer de pulmão deixou de ser uma doença única. Hoje sabemos que existem diferentes subtipos moleculares e cada um deles responde melhor a tratamentos específicos. Identificar essas alterações é fundamental para definir a estratégia terapêutica mais adequada para cada paciente."
 

O tratamento começa antes do primeiro remédio 

A medicina de precisão parte de um princípio simples: compreender a biologia do tumor antes de definir o tratamento. Para isso, o primeiro passo é realizar testes moleculares capazes de identificar alterações genéticas como ALK, EGFR, ROS1, BRAF, MET e outras que podem ser alvo de terapias específicas.
 

Sem esse exame, o médico não consegue saber se o paciente é candidato a um tratamento direcionado e, muitas vezes, a quimioterapia convencional acaba sendo iniciada como primeira opção. 

"Hoje, o teste molecular deixou de ser um exame complementar. Ele faz parte do diagnóstico do câncer de pulmão avançado e é indispensável para que possamos oferecer um tratamento personalizado", explica o oncologista. 

É justamente nessa etapa que começam as diferenças entre os sistemas público e privado. Um dos estudos ouviu mais de 150 oncologistas de diferentes regiões do país para entender como esses exames são incorporados à prática clínica. Enquanto 94% dos médicos da saúde suplementar relataram ter acesso rotineiro aos testes moleculares, esse percentual cai para 44% entre os profissionais que atuam no SUS. 

Entre as principais dificuldades apontadas estão a ausência de financiamento para os exames, limitações estruturais dos serviços públicos e o tempo necessário para obtenção dos resultados. Em muitos casos, diante da necessidade de iniciar rapidamente o tratamento, a quimioterapia começa antes mesmo da conclusão da investigação molecular.
 

Quando o tratamento ideal não chega ao paciente 

A consequência dessa dificuldade aparece nos próprios dados do estudo. Entre os pacientes identificados com alteração no gene ALK em 12 hospitais brasileiros, apenas 20% eram provenientes do SUS, apesar de aproximadamente três quartos da população brasileira dependerem exclusivamente da rede pública. 

Segundo William William, esse número sugere que muitos pacientes sequer chegam a descobrir que possuem uma alteração genética tratável. "Quando o teste não é realizado, esses pacientes deixam de ser identificados como candidatos às terapias-alvo. É uma oportunidade perdida antes mesmo da definição do tratamento." 

Mesmo quando a alteração genética é identificada, uma nova barreira surge: o acesso aos medicamentos. Segundo os pesquisadores, terapias consideradas padrão internacional para tumores ALK-positivos estão amplamente disponíveis na saúde suplementar, enquanto sua utilização permanece bastante limitada em grande parte da rede pública. 

Embora o SUS tenha incorporado o crizotinibe em 2022 e o brigatinibe em 2025, a implementação dessas tecnologias ainda enfrenta dificuldades relacionadas ao financiamento e à logística de distribuição. 

O problema não está apenas na incorporação dos medicamentos, mas no modelo de financiamento. "A medicina de precisão parte do princípio de que nem todo tratamento é adequado para todos os pacientes. O objetivo é identificar quem realmente vai se beneficiar de uma determinada terapia. Para que isso aconteça no SUS, é preciso um modelo de financiamento que acompanhe essa lógica”, comenta o especialista, que também é um dos autores do estudo. 

Os reflexos dessas barreiras aparecem nos desfechos clínicos observados pelo segundo estudo do GBOT, que analisou prontuários de mais de 100 pacientes tratados entre 2015 e 2020 em 12 hospitais brasileiros. 

Além da menor sobrevida observada entre pacientes atendidos pelo SUS, os pesquisadores verificaram que o intervalo entre o surgimento dos primeiros sintomas e o diagnóstico costuma ser mais que duas vezes maior quando comparado ao observado na saúde suplementar. 

Para o oncologista, essas diferenças são consequência de uma sucessão de obstáculos enfrentados ao longo da jornada do paciente. "Não existe um único fator responsável. O atraso no diagnóstico, a dificuldade para realizar os testes moleculares, o acesso limitado às terapias-alvo e o tempo necessário para que esses medicamentos estejam disponíveis acabam se somando e influenciando os resultados." 

Nos últimos anos, o Brasil avançou na incorporação de terapias-alvo e de exames moleculares, mas especialistas defendem que ainda é necessário reduzir a distância entre a aprovação dessas tecnologias e sua disponibilidade na prática clínica. 

"O conhecimento científico já existe. Sabemos identificar quais pacientes podem se beneficiar e temos medicamentos capazes de mudar a história natural da doença. O próximo passo é garantir que esse avanço esteja disponível para todos, independentemente da rede de atendimento", conclui William William. 

Recentemente, o Ministério da Saúde anunciou a incorporação gradual de 23 novos medicamentos oncológicos de alto custo, entre eles brigatinibe, gefitinibe, erlotinibe e durvalumabe, utilizados também no tratamento do câncer de pulmão. Segundo a pasta, a ampliação da oferta deve beneficiar mais de 112 mil pacientes e faz parte da implementação do Componente da Assistência Farmacêutica em Oncologia (AF-Onco), iniciativa criada para padronizar protocolos clínicos e tornar mais eficiente a aquisição e a distribuição desses medicamentos na rede pública.


Oncoclínicas&Co,
www.oncoclinicas.com

60% dos brasileiros ignoram exame de gordura no fígado, e especialista alerta que pessoa magra também corre risco

Estudo revela que 62% temem a condição, mas a maioria desconhece o termo técnico e o perigo da "esteatose em falsos saudáveis". Hepatologista explica por que a balança engana
 

Se você acha que gordura no fígado é um problema exclusivo de quem está acima do peso, é melhor rever os seus conceitos. Dados de pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha em parceria com a farmacêutica Novo Nordisk mostram que o cenário é alarmante: 62% da população temem o diagnóstico de gordura no fígado, mas 60% não sabem qual exame identifica a condição. Além disso, apenas 20% dos brasileiros conhecem o termo técnico "esteatose hepática", e a grande maioria desconhece que a doença avança de forma completamente silenciosa.

Dra. Patrícia Almeida, hepatologista da Sociedade Brasileira de Hepatologia e doutora pela USP, desmistifica o assunto. Segundo a especialista, o peso na balança está longe de ser o único indicador de saúde hepática.

"O peso é apenas um dos fatores envolvidos. O que realmente importa é a saúde metabólica. Uma pessoa pode ter um IMC normal e, ainda assim, apresentar aumento de gordura visceral, resistência à insulina, predisposição genética, alterações da microbiota intestinal ou hábitos de vida que favorecem o acúmulo de gordura no fígado", destaca a médica. "Em outras palavras: não é a balança que determina a saúde do fígado."


O perigo mora nos hábitos (e no silêncio do corpo)

Mesmo sem excesso de peso, rotinas modernas baseadas em alimentação rica em ultraprocessados, bebidas açucaradas e excesso de frutose, além de sedentarismo, baixa massa muscular, sono insuficiente, estresse crônico e o consumo frequente de álcool em quantidades consideradas "sociais", abrem portas para o problema.

A gravidade é potencializada pelo fato de a esteatose hepática ser uma doença silenciosa. Na grande maioria dos casos, o paciente não sente dor na região do fígado. Quando os sintomas aparecem, costumam ser vagos, como cansaço persistente, indisposição ou alterações discretas em exames de rotina.

"Esperar sintomas para investigar não é uma boa estratégia. O fígado não enxerga apenas o peso. Ele responde ao conjunto dos nossos hábitos, da nossa genética e da nossa saúde metabólica", reforça Dra. Patrícia Almeida.


Como investigar e reverter o quadro?

O diagnóstico inicial pode ser feito por avaliação clínica e exames laboratoriais, complementados por ultrassom ou métodos modernos como a elastografia hepática (FibroScan), que avalia o grau de gordura e fibrose sem necessidade de biópsia.

A especialista recomenda que pessoas magras também fiquem atentas e investiguem o fígado caso apresentem diabetes, pré-diabetes, colesterol ou triglicerídeos alterados, hipertensão, histórico familiar de doença hepática, enzimas hepáticas elevadas ou achados incidentais em exames de imagem.

O tratamento em indivíduos magros não foca na perda de peso, mas na melhoria metabólica global. A adoção de uma dieta rica em alimentos in natura, redução de açúcares, prática de exercícios físicos regulares (com foco em ganho de massa muscular), higiene do sono, controle do estresse e moderação com o álcool são as chaves para proteger o órgão.




Dra. Patrícia Almeida - CRM SP 159821 - Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal do Ceará (2010). Residência Médica em Clínica Médica no Hospital Geral Dr César Cals em Fortaleza-CE- (2011-12). Residência em Gastroenterologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo-(USP RP) (2013/15). Aprimoramento em Hepatologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP RP)- (2016). Aprimoramento em Transplante de fígado no Hospital das clínicas da Universidade de São Paulo (USP RP) (2017). Observership no Jackson Memorial Hospital em Miami/EUA 2017. Doutorado em Hepatologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Título de Especialista em Gastroenterologia pela FBG Título em Hepatologia pela SBH. Hepatologista do Hospital Israelita Albert Einstein


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