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terça-feira, 11 de agosto de 2026

Novo Estudo: uma em cada três mulheres não sabe que está na perimenopausa

Pesquisa publicada em julho de 2026 mostra que a incerteza chega a 42% entre mulheres de 40 a 44 anos; médicas explicam por que os sintomas são confundidos com estresse e ansiedade
 

Insônia, irritabilidade, cansaço, dificuldade de concentração e redução da libido podem indicar o início da perimenopausa. Mesmo assim, muitas mulheres não reconhecem que estão vivendo essa transição hormonal. Um estudo publicado em 14 de julho de 2026 na revista científica Menopause, da The Menopause Society, revelou que uma em cada três mulheres não sabe dizer se está nessa fase.

A pesquisa avaliou 7.640 mulheres dos Estados Unidos com 35 anos ou mais. No total, 34% estavam em dúvida sobre o próprio estágio reprodutivo. Entre aquelas de 40 a 44 anos, a incerteza chegou a 42%.

A dificuldade para interpretar os sintomas foi a principal causa da dúvida, mencionada em 56% das respostas. A falta de conhecimento e a busca por informações representaram 28%, enquanto as barreiras para obter confirmação e atendimento apareceram em 16%.

A perimenopausa é o período de transição que antecede a menopausa e pode durar de quatro a oito anos. Já a menopausa é confirmada depois de 12 meses consecutivos sem menstruar, quando não existe outra causa para a ausência da menstruação.

Segundo Dra. Tassiane Alvarenga Endocrinologista e Metabologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), , um dos equívocos mais comuns é imaginar que os hormônios diminuem de maneira contínua e previsível.

“A perimenopausa é uma fase de intensa oscilação hormonal, e não simplesmente de queda linear. É justamente nesse período, que pode durar vários anos, que a maioria dos sintomas acontece”, explica.

Alterações no sono, irritabilidade, ansiedade, névoa mental, ganho de gordura abdominal, perda de massa muscular, dores articulares, ressecamento vaginal e diminuição da libido podem surgir antes mesmo de qualquer mudança significativa no ciclo menstrual.

“Esperar a menstruação ficar irregular para considerar a perimenopausa pode atrasar por anos o reconhecimento dessa fase. Em muitas pacientes, a piora do sono, as alterações de humor e a dificuldade de concentração aparecem antes”, alerta Tassiane.

Para a ginecologista Dra. Paula Fettback, o momento da vida em que esses sintomas costumam aparecer contribui para a confusão.

“Muitas mulheres estão no auge da carreira, cuidam dos filhos, dos pais idosos e acumulam diferentes responsabilidades. Por isso, atribuem o cansaço, a insônia e a irritabilidade apenas ao estresse, quando as oscilações hormonais também podem estar envolvidas”, afirma.

Não existe um exame de sangue capaz de confirmar isoladamente a perimenopausa. Como os hormônios variam durante essa fase, o diagnóstico é principalmente clínico e considera a idade, o padrão menstrual, os sintomas e a exclusão de outras condições, como alterações da tireoide, anemia e transtornos de humor.

“O médico precisa ouvir a paciente. Os exames podem complementar a investigação, mas não substituem uma avaliação cuidadosa da história e dos sintomas”, destaca Paula.

As especialistas alertam que o maior erro é acreditar que a mulher precisa suportar os sintomas porque eles fazem parte do envelhecimento. O reconhecimento precoce permite individualizar o cuidado, que pode envolver atividade física, alimentação, melhora do sono, tratamentos não hormonais ou terapia hormonal, quando indicada.

“Ser comum não significa que o sofrimento precise ser aceito. Quando os sintomas começam a prejudicar o sono, o trabalho, os relacionamentos ou a qualidade de vida, é importante procurar avaliação médica”, finaliza Tassiane.

Reconhecer a perimenopausa precocemente permite avaliar opções individualizadas para controlar os sintomas e proteger a saúde ao longo dos anos. O acompanhamento pode envolver atividade física, alimentação, atenção ao sono, cuidados com a saúde mental, tratamentos não hormonais e terapia hormonal da menopausa quando indicada e após avaliação de riscos e benefícios. “Entender que existe uma explicação biológica para essas mudanças já traz alívio. A partir disso, é possível construir um cuidado individualizado, considerando a saúde óssea, cardiovascular, metabólica, mental e sexual da mulher”, afirma Paula.

As médicas também alertam para os riscos da automedicação e do uso de suplementos ou hormônios sem orientação. Como os sintomas podem ter diferentes causas e cada mulher apresenta histórico e necessidades particulares, o tratamento deve ser definido após avaliação médica. 


Dra. Paula Fettback - CRM 117477 SP - CRM 33084 PR - Possui graduação em Medicina pela Universidade Estadual de Londrina - UEL (2004). Residência médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP- 2007). Atua em Ginecologia e Obstetrícia com ênfase em Reprodução Humana. Estágio em Reprodução Humana na Universidade de Michigan - USA. Médica colaboradora do Centro de Reprodução Humana Mário Covas do HC-FMUSP (2016). Doutora em Ciências Médicas pela Disciplina de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Membro da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM - 2016). Médica da Clínica MAE São Paulo – SP. Título de Especialista em Reprodução Assistida Certificada pela Febrasgo (2020).


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