Pesquisa publicada em julho de 2026 mostra que a
incerteza chega a 42% entre mulheres de 40 a 44 anos; médicas explicam por que
os sintomas são confundidos com estresse e ansiedade
Insônia,
irritabilidade, cansaço, dificuldade de concentração e redução da libido podem
indicar o início da perimenopausa. Mesmo assim, muitas mulheres não reconhecem
que estão vivendo essa transição hormonal. Um estudo publicado em 14 de julho
de 2026 na revista científica Menopause, da The Menopause Society,
revelou que uma em cada três mulheres não sabe dizer se está nessa fase.
A
pesquisa avaliou 7.640 mulheres dos Estados Unidos com 35 anos ou mais. No
total, 34% estavam em dúvida sobre o próprio estágio reprodutivo. Entre aquelas
de 40 a 44 anos, a incerteza chegou a 42%.
A
dificuldade para interpretar os sintomas foi a principal causa da dúvida,
mencionada em 56% das respostas. A falta de conhecimento e a busca por
informações representaram 28%, enquanto as barreiras para obter confirmação e
atendimento apareceram em 16%.
A
perimenopausa é o período de transição que antecede a menopausa e pode durar de
quatro a oito anos. Já a menopausa é confirmada depois de 12 meses consecutivos
sem menstruar, quando não existe outra causa para a ausência da menstruação.
Segundo
Dra. Tassiane Alvarenga Endocrinologista e Metabologista da Sociedade
Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), , um dos equívocos mais
comuns é imaginar que os hormônios diminuem de maneira contínua e previsível.
“A
perimenopausa é uma fase de intensa oscilação hormonal, e não simplesmente de
queda linear. É justamente nesse período, que pode durar vários anos, que a
maioria dos sintomas acontece”, explica.
Alterações
no sono, irritabilidade, ansiedade, névoa mental, ganho de gordura abdominal,
perda de massa muscular, dores articulares, ressecamento vaginal e diminuição
da libido podem surgir antes mesmo de qualquer mudança significativa no ciclo
menstrual.
“Esperar
a menstruação ficar irregular para considerar a perimenopausa pode atrasar por
anos o reconhecimento dessa fase. Em muitas pacientes, a piora do sono, as
alterações de humor e a dificuldade de concentração aparecem antes”, alerta
Tassiane.
Para
a ginecologista Dra. Paula Fettback, o momento da vida em que esses sintomas
costumam aparecer contribui para a confusão.
“Muitas
mulheres estão no auge da carreira, cuidam dos filhos, dos pais idosos e
acumulam diferentes responsabilidades. Por isso, atribuem o cansaço, a insônia
e a irritabilidade apenas ao estresse, quando as oscilações hormonais também
podem estar envolvidas”, afirma.
Não
existe um exame de sangue capaz de confirmar isoladamente a perimenopausa. Como
os hormônios variam durante essa fase, o diagnóstico é principalmente clínico e
considera a idade, o padrão menstrual, os sintomas e a exclusão de outras
condições, como alterações da tireoide, anemia e transtornos de humor.
“O
médico precisa ouvir a paciente. Os exames podem complementar a investigação,
mas não substituem uma avaliação cuidadosa da história e dos sintomas”, destaca
Paula.
As
especialistas alertam que o maior erro é acreditar que a mulher precisa
suportar os sintomas porque eles fazem parte do envelhecimento. O
reconhecimento precoce permite individualizar o cuidado, que pode envolver
atividade física, alimentação, melhora do sono, tratamentos não hormonais ou
terapia hormonal, quando indicada.
“Ser
comum não significa que o sofrimento precise ser aceito. Quando os sintomas
começam a prejudicar o sono, o trabalho, os relacionamentos ou a qualidade de
vida, é importante procurar avaliação médica”, finaliza Tassiane.
Reconhecer
a perimenopausa precocemente permite avaliar opções individualizadas para
controlar os sintomas e proteger a saúde ao longo dos anos. O acompanhamento
pode envolver atividade física, alimentação, atenção ao sono, cuidados com a
saúde mental, tratamentos não hormonais e terapia hormonal da menopausa quando
indicada e após avaliação de riscos e benefícios. “Entender que existe uma
explicação biológica para essas mudanças já traz alívio. A partir disso, é
possível construir um cuidado individualizado, considerando a saúde óssea, cardiovascular,
metabólica, mental e sexual da mulher”, afirma Paula.
As
médicas também alertam para os riscos da automedicação e do uso de suplementos
ou hormônios sem orientação. Como os sintomas podem ter diferentes causas e
cada mulher apresenta histórico e necessidades particulares, o tratamento deve
ser definido após avaliação médica.
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