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sábado, 8 de agosto de 2026

A prótese dos sonhos pode virar estria? O que avaliar antes de escolher o tamanho do silicone

Cirurgião plástico explica por que o risco de estrias após a mamoplastia não está apenas na prótese, mas na elasticidade da pele, predisposição genética e escolha do volume ideal

 

Colocar silicone costuma ser uma decisão cercada por expectativas: mais volume, colo mais marcado, proporção corporal, autoestima. Mas existe um detalhe que muitas pacientes só descobrem depois da consulta, ou, pior, depois da cirurgia, a pele também precisa “aceitar” aquela prótese.

Isso porque, em alguns casos, o aumento rápido do volume das mamas pode favorecer o surgimento de estrias, especialmente quando a paciente já tem predisposição genética, pele fina, histórico de estrias na adolescência ou desejo por implantes maiores do que o tecido consegue acomodar com segurança. 

A pergunta que muitas mulheres fazem é direta: silicone dá estria? Segundo o cirurgião plástico Dr. Luiz Anizio Wanna, a resposta exige cuidado. “Não é a prótese, sozinha, que causa a estria. O que pode causar é a distensão rápida da pele. Quando o implante escolhido exige mais elasticidade do que aquela pele consegue oferecer, as fibras podem se romper e a estria aparece”, explica.

 

Estria é uma cicatriz da pele

As estrias surgem quando há uma ruptura das fibras de colágeno e elastina, estruturas responsáveis pela sustentação e elasticidade cutânea. A American Academy of Dermatology explica que elas aparecem quando a pele estica ou encolhe rapidamente, levando ao rompimento dessas fibras e à formação de uma cicatriz interna. 

A Cleveland Clinic também descreve as estrias como cicatrizes associadas a mudanças rápidas de volume corporal, comuns em situações como gravidez, ganho ou perda de peso e aumento de massa muscular.

Na mamoplastia de aumento, a lógica é semelhante, ao inserir uma prótese, a pele da mama precisa se adaptar a um novo volume. Quando essa adaptação acontece dentro do limite do tecido, o risco tende a ser menor. Mas quando o implante é grande demais para aquela estrutura, a pele pode sofrer. 

“Existe uma diferença enorme entre o tamanho que a paciente deseja e o tamanho que o corpo dela consegue sustentar com naturalidade. A cirurgia bem planejada nasce desse equilíbrio”, afirma o Dr. Wanna.

 

O tamanho da prótese importa, mas não é o único fator

É comum associar o risco de estrias apenas a próteses muito grandes. De fato, volumes exagerados aumentam a tensão sobre a pele, principalmente em mulheres com pouca mama, pouca cobertura de tecido ou pele mais fina. Mas o tamanho não é o único ponto. 

A predisposição individual tem um papel importante. Pacientes que já tiveram estrias no quadril, nas coxas, nos glúteos ou nas mamas durante a puberdade podem apresentar maior tendência a desenvolver novas marcas quando há uma nova distensão da pele.

“Uma paciente com histórico importante de estrias precisa ser avaliada com ainda mais critério. Não significa que ela não possa colocar silicone, mas significa que talvez ela não deva escolher um volume agressivo”, explica o cirurgião. Também entram nessa conta fatores como qualidade da pele, idade, variações hormonais, gestação futura, oscilação de peso e até o formato da mama antes da cirurgia. 

 

A escolha do implante deve respeitar a pele, não apenas o desejo de volume

A mamoplastia de aumento é descrita pela American Society of Plastic Surgeons como uma cirurgia capaz de aumentar o tamanho das mamas, restaurar volume perdido após emagrecimento ou gestação e melhorar assimetrias naturais. Mas, na prática, esse planejamento não deve considerar apenas o resultado desejado no espelho. 

Para o Dr. Luiz Wanna, um erro comum é tratar a escolha da prótese como uma decisão puramente estética, baseada apenas em fotos de referência. “A paciente chega querendo o resultado de outra pessoa, mas cada pele tem uma capacidade diferente de expansão. O papel do cirurgião é explicar onde termina o desejo e onde começa o limite anatômico”, diz.

Esse limite é o que ajuda a evitar não apenas estrias, mas também outros problemas, como queda precoce das mamas, bordas aparentes da prótese, aspecto artificial e necessidade de revisão cirúrgica no futuro.

 

Estrias antigas podem melhorar com silicone?

Outra dúvida frequente é se a prótese pode “esticar” estrias antigas e deixá-las menos aparentes. Em alguns casos, quando há flacidez e a pele fica mais tensionada após o implante, algumas marcas podem parecer mais discretas. Mas isso não significa que desapareceram. 

Estrias são cicatrizes. Elas podem clarear, afinar e ficar menos evidentes com o tempo, mas não somem completamente sozinhas. Tratamentos como laser, microagulhamento e retinoides podem ajudar a melhorar o aspecto em alguns casos, de acordo com a Cleveland Clinic, mas os resultados variam conforme o tipo de estria, cor, profundidade e tempo de evolução. 

O silicone não deve ser indicado para tratar estrias. Se a paciente já tem marcas, precisa-se conversar sobre a expectativa real. Pode haver melhora visual em alguns casos, mas não é uma promessa.

 

Dá para prevenir completamente?

Não existe garantia absoluta de prevenção. Mesmo com boa técnica, bom pós-operatório e escolha adequada do implante, algumas pacientes podem desenvolver estrias por predisposição da própria pele. Mas é possível reduzir riscos com planejamento. 

Isso inclui escolher um volume proporcional, evitar aumentos exagerados, avaliar cuidadosamente a elasticidade da pele, manter o peso estável, hidratar a região e seguir corretamente as orientações médicas no pós-operatório.

 

A nova estética da mama: mais naturalidade, menos exagero

A discussão sobre estrias também acompanha uma mudança maior na cirurgia plástica, muitas mulheres estão deixando de buscar próteses enormes e passando a valorizar proporção, conforto e naturalidade.

Essa mudança é positiva, segundo o Dr. Wanna, porque permite resultados mais elegantes e com menor sobrecarga sobre a pele. “Hoje, a paciente não quer apenas uma mama grande. Ela quer uma mama bonita, proporcional, com movimento natural e que envelheça bem. Isso exige escolher a prótese com inteligência, não por impulso”, explica. 

No fim, a questão não é ter medo do silicone, mas entender que a cirurgia começa muito antes do centro cirúrgico. Começa na avaliação da pele, na conversa honesta sobre limites e na escolha de um volume que respeite o corpo. 

Como resume o Dr. Luiz Anizio Wanna: “Antes de perguntar ‘qual prótese eu quero?’, a paciente deveria perguntar: ‘qual prótese minha pele consegue sustentar com segurança?’ Essa resposta muda completamente o resultado.”

  

Dr. Luiz Anizio Wanna - CRM 74.219 - Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, sócio fundador do Instituto Wanna, formado na Faculdade de Medicina de Vassouras (RJ). Possui Curso de Emergência Cirúrgica e de Médico Perito Examinador de Trânsito. Atuação em hospitais como: Stella Maris de Guarulhos (SP), Instituto de Pesquisa Médico Científica de São Bernardo do Campo (SP), Hospital Regional Dr. Vivaldo Martins Simões – Osasco (SP) e outros, além de participar de cursos e simpósios nacionais e internacionais.

 

Micro labial cresce entre brasileiras e ganha espaço entre influenciadoras pela busca por resultados naturais

Procedimento de micropigmentação vem conquistando espaço pela proposta de realçar a tonalidade dos lábios, reduzir a necessidade de maquiagem diária e preservar as características individuais 


A procura por procedimentos estéticos menos invasivos e com resultados discretos vem transformando o mercado da beleza. Em vez de mudanças radicais, cresce o interesse por técnicas capazes de valorizar as características individuais, diminuir a necessidade de maquiagem diária e trazer mais praticidade para a rotina. Entre elas, a micro labial, também conhecida como micropigmentação labial, passou a figurar entre os procedimentos mais procurados por mulheres que desejam melhorar o contorno, corrigir diferenças de tonalidade e devolver um aspecto saudável aos lábios.

Esse movimento acompanha a expansão do setor de estética no Brasil. Dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) mostram que o país permanece entre os maiores mercados de procedimentos estéticos do mundo, enquanto levantamentos da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC) apontam crescimento contínuo do segmento de cuidados pessoais e beleza nos últimos anos.

Luiz Ferraz, micropigmentador, sócio do Duo+ e especialista em micropigmentação estética com atuação focada em procedimentos labiais e sobrancelhas, acompanha de perto essa mudança de comportamento. Entre os atendimentos recentes está o da influenciadora Gabriela Saporito, ex-participante do Big Brother Brasil, que buscou a técnica para valorizar a tonalidade dos lábios e conquistar um acabamento mais uniforme.


O que é a micro labial e como funciona

A micro labial é um procedimento de micropigmentação estética que implanta pigmentos biocompatíveis na camada superficial da pele dos lábios por meio de um dermógrafo. A técnica tem como objetivo uniformizar a tonalidade, corrigir pequenas assimetrias visuais, redefinir o contorno e proporcionar um aspecto mais saudável aos lábios, sem aumentar seu volume.

Diferentemente dos preenchimentos com ácido hialurônico, a micro labial não modifica a estrutura dos lábios nem possui a mesma finalidade. Enquanto o preenchimento altera o volume e o contorno, a micropigmentação atua exclusivamente na cor e na definição visual da região.

"A procura mudou bastante nos últimos anos. Hoje as clientes não querem transformar os lábios. Elas querem acordar com uma aparência saudável, com cor uniforme e definição, sem depender de batom o tempo inteiro. O objetivo é valorizar a beleza que elas já têm", afirma Luiz.

Embora muitas pessoas ainda associem o procedimento à antiga maquiagem definitiva, a micro labial evoluiu significativamente. Hoje, utiliza pigmentos de alta qualidade e técnicas que respeitam o tom da pele e as características individuais de cada paciente, proporcionando um acabamento mais leve, delicado e personalizado.


Praticidade explica o aumento da procura

Segundo Luiz, um dos fatores que explicam o interesse crescente pela técnica é justamente a evolução dos equipamentos e dos protocolos utilizados. "Hoje trabalhamos com muito mais precisão. O procedimento é totalmente personalizado. Avaliamos o formato dos lábios, a tonalidade da pele e o resultado esperado antes de definir a estratégia. Isso garante um acabamento leve e sofisticado", explica.

Além do resultado estético, a praticidade tem pesado na decisão das clientes. Mulheres que mantêm uma rotina intensa encontram na micro labial uma forma de diminuir a necessidade de maquiagem diária sem abrir mão de uma aparência bem cuidada. "As pessoas querem praticidade. É muito comum ouvir de uma cliente que ela gostaria de acordar já com uma aparência bonita, sem precisar retocar batom várias vezes ao longo do dia. A micro labial entrega exatamente essa sensação", destaca o especialista.

O procedimento também passou a ganhar espaço entre influenciadoras digitais, artistas e outras personalidades públicas, cuja imagem faz parte da rotina profissional. A exposição constante diante das câmeras e das redes sociais impulsiona a busca por procedimentos que valorizem a aparência sem transmitir artificialidade.


O resultado discreto virou tendência

Para Luiz, essa mudança representa uma nova fase da estética facial. "O procedimento bem executado não chama atenção porque foi feito. Ele chama atenção porque a pessoa parece descansada, saudável e bonita. Esse passou a ser o verdadeiro diferencial", ressalta.

A escolha pela micro labial também está relacionada à possibilidade de personalização. A técnica permite ajustar intensidade da cor, formato visual e acabamento de acordo com as características de cada paciente, preservando sua identidade facial. O resultado costuma ser sutil, mas suficiente para devolver vivacidade aos lábios e minimizar diferenças de pigmentação provocadas pelo envelhecimento, pela exposição solar ou por fatores genéticos.

Antes da realização da técnica, o especialista recomenda uma avaliação individual para identificar possíveis contra indicações, definir a expectativa da cliente e escolher o pigmento mais adequado para cada caso. O procedimento deve ser realizado por profissional habilitado, após avaliação clínica individual. A durabilidade varia conforme fatores como metabolismo, exposição solar, cuidados após o procedimento e características da pele, sendo recomendados retoques periódicos para manutenção do resultado.

Mais do que uma tendência entre influenciadoras e personalidades públicas, a micro labial reflete uma mudança no comportamento do consumidor de estética. O foco deixa de ser a transformação e passa a ser a valorização das características individuais, combinando tecnologia, personalização e resultados discretos que vêm definindo uma nova geração de procedimentos estéticos no Brasil.



Luiz Ferraz - empresário e especialista em micropigmentação e estética labial, com mais de 10 anos de atuação na área da beleza. Graduado em Administração com ênfase em Marketing, possui formação técnica no Brasil e na Itália, incluindo o Método CC Lips e Biotek Milano. Sócio e CMO do DUO+, lidera o fortalecimento técnico do Beauty Society, elevando o padrão de excelência operacional e formação profissional no setor.
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HYROX: 5 dicas para praticar com segurança a modalidade que une força e resistência

Da avaliação física ao descanso entre os treinos, confira os principais cuidados para estrear e evoluir no esporte sem colocar a saúde em risco

 

Cardio ou funcional? Se você já ouviu falar de corrida fitness, ou das competições de HYROX, sabe que não precisa mais escolher. A modalidade propõe um circuito de exercícios funcionais intensos inspirados nos movimentos do crossfit, como a puxada de trenó, remo, burpees, intercalados por oito trechos de 1 km de corrida. O desafio é a combinação de resistência aeróbica e força em uma mesma bateria de treinos. 

Mais do que uma moda fitness, o HYROX tem ganhado adeptos por entregar algo que muita gente procura no treino: um objetivo claro, evolução mensurável e a sensação de superação a cada prova. Consultamos médico do esporte, cardiologista e ortopedista da Rede Américas para explicar tudo que você precisa saber sobre os desafios da modalidade, cuidados antes de estrear na pista e como evoluir seus objetivos com segurança.

Imagem: Divulgação, gerada por IA

Avalie seu condicionamento físico antes de começar

Embora a modalidade tenha sido comercialmente desenhada para unir praticantes de diferentes níveis de condicionamento físico de esportes já conhecidos como corredores, triatletas, atletas de endurance e iniciantes que buscam superar limites, a preparação deve ser gradual, especialmente para quem está começando.

Segundo o médico do esporte do Hospital Nove de Julho, Pablius Braga, o erro mais comum em qualquer prática é tentar acompanhar o ritmo de atletas mais experientes logo nos primeiros treinos. "É preciso planejar e respeitar uma progressão de treinamento. Uma boa avaliação periódica do seu condicionamento físico vai ajudar no desenvolvimento de uma base de força e resistência. Aprender a técnica correta dos exercícios, da própria corrida e até entender os tempos corretos de recuperação muscular, são essenciais para a adaptação do organismo", explica.

O tempo de preparação para começar a participação em provas oficiais também pode variar de acordo com histórico de cada praticante. Para quem já treina corrida e musculação, por exemplo, entre 8 e 12 semanas de treinamento específico é um tempo dentro da recomendação necessária. Já pessoas sedentárias ou com pouca experiência vão precisar de bem mais tempo para construir condicionamento de forma segura e se adaptar de forma segura ao regulamento da prova. "Mais importante do que cumprir um prazo é chegar à prova bem-preparado e com a saúde bem protegida, reduzindo o risco de lesões e aumentando as chances de uma boa experiência", afirma.



 Evite as lesões mais comuns

O ortopedista Gustavo Sanchez, do Hospital Alvorada Moema, em São Paulo, explica que a combinação entre corrida e força impõe uma alta demanda às articulações dos joelhos, tornozelos, quadris, ombros e coluna lombar. A fadiga muscular também pode ser uma questão durante o treino. "É uma prova longa, o que pode levar a fadiga muscular a interferir na biomecânica, ou seja, na forma como o corpo se movimenta durante os exercícios, aumentando o risco de sobrecarga nas articulações.", explica.

Essa demanda intensa, principalmente quando o iniciante aumenta a carga ou o volume dos treinos de forma acelerada, pode causar tendinites, dores nos joelhos e na região lombar, fascite plantar, lesões no tendão de Aquiles, estiramentos musculares e problemas no manguito rotador, por exemplo. Já o excesso de corrida sem adaptação adequada, também pode fazer surgir fraturas por estresse.



Esteja com o coração em dia

Não pratica nenhum outro esporte e quer começar pelo HYROX? O cardiologista Alexandre Galvão, do Hospital Samaritano Higienópolis, em São Paulo, explica que iniciar uma atividade física é, na grande maioria dos casos, uma excelente decisão para a saúde. No entanto, pessoas sedentárias há muito tempo, com fatores de risco cardiovasculares, como hipertensão, diabetes, obesidade e tabagismo, ou com doença cardiovascular já diagnosticada devem realizar uma avaliação cardiológica antes de iniciar um treinamento de alta intensidade. Pessoas com histórico familiar de morte súbita ou de doença cardíaca precoce também merecem uma investigação mais cuidadosa. “O objetivo não deve ser apenas fazer algo difícil ou seguir uma modalidade que está na moda. Desafiar o próprio corpo com inteligência significa treinar de forma progressiva, respeitando os próprios limites e buscando melhorar a saúde cardiovascular de maneira segura e sustentável”, afirma o especialista.

Ao combinar corrida com exercícios funcionais, o coração precisa se adaptar continuamente a diferentes intensidades de esforço, mantendo um elevado nível de batimentos durante praticamente toda a prova. Alguns desconfortos podem aparecer quando iniciamos uma prática intensa a qual nosso corpo não estava acostumado, mas alguns sintomas nunca ser ignorados. Dor ou pressão no peito, falta de ar desproporcional ao esforço, tontura, desmaio e palpitações persistentes, por exemplo. “Nesses casos, o exercício deve ser interrompido imediatamente e é fundamental procurar avaliação médica”, alerta.



Aprenda a ouvir os sinais do corpo

Quem começa uma nova prática esportiva também precisa aprender a interpretar novos sinais do próprio organismo. Sentir cansaço e dor muscular nos dias seguintes a um treino intenso faz parte do processo de adaptação. O problema é quando o desconforto deixa de ser muscular e passa a comprometer a execução dos movimentos ou não melhora com o descanso.

"O normal é sentir fadiga muscular e a chamada dor muscular tardia, que costuma surgir entre 24 e 48 horas após o treino e diminuir progressivamente. Já uma dor localizada em uma articulação ou tendão, que piora durante o exercício, causa inchaço, limita os movimentos ou persiste por vários dias merece investigação", explica o ortopedista Gustavo Sanchez. Outro sinal de alerta é quando a dor faz o praticante mudar a forma de correr ou executar os exercícios, já que essas compensações podem desencadear novas lesões.

Alexandre complementa que nem sempre o excesso de treinamento aparece apenas como dor. "Fadiga persistente, queda inexplicada de desempenho, frequência cardíaca mais elevada do que o habitual para um mesmo tipo de treino e dificuldade de recuperação entre as sessões são sinais de que o organismo pode estar sobrecarregado", afirma. Nesses casos, a recomendação é reduzir temporariamente a carga de treino e procurar avaliação médica caso os sintomas persistam.


Descanso também é parte do treino

Para reduzir o risco de lesões e evoluir no HYROX, Pablius lembra que a organização da rotina é tão importante quanto o treinamento em si. O médico do esporte recomenda combinar treinos de corrida, força e exercícios específicos da modalidade, alternando sessões mais intensas com dias de recuperação. A hidratação deve ser mantida ao longo de todo o dia, enquanto a alimentação precisa garantir energia para os treinos e favorecer a recuperação muscular, com atenção ao consumo de carboidratos e proteínas. "Dormir entre sete e oito horas por noite é um dos fatores que mais contribuem para uma boa performance esportiva. É durante o descanso que o organismo promove o reparo e a remodelação das fibras musculares estimuladas pelo treino, além de consolidar as adaptações que tornam o músculo mais forte e resistente” afirma.

 

Cabelo cheiroso o dia inteiro? Descubra 5 truques que transformam a rotina capilar

Da aplicação do óleo capilar à rotina de limpeza e hidratação, veja como conquistar fios que permanecem naturalmente frescos e perfumados


Você já percebeu como o cabelo pode perder o frescor poucas horas após a lavagem, mesmo quando a rotina de cuidados está em dia? Essa sensação de “recém-lavado” que se dissipa ao longo do tempo costuma ter menos relação com fragrância e mais com o equilíbrio entre couro cabeludo, fibra capilar e ambiente.

Esse comportamento está diretamente ligado à forma como os fios respondem aos locais ao longo do dia. Quando há acúmulo de resíduos, variações na produção de oleosidade ou aumento da porosidade da fibra, o cabelo passa a reter mais partículas externas e perde com mais facilidade a sensação de frescor inicial.

Em contrapartida, quando a rotina capilar é construída com foco em equilíbrio, e não apenas em limpeza, o fio mantém um aspecto mais harmônico: a cutícula permanece alinhada, a fibra preserva sua integridade e o couro cabeludo sustenta um estado mais regulado.

“Um cabelo saudável não é apenas aquele que parece limpo, mas aquele que mantém estabilidade ao longo do dia”, explica Marina Groke, diretora da Escova Express, rede de escovarias e tratamentos capilares. “Quando há equilíbrio entre couro cabeludo, microbioma e fibra capilar, o fio reduz sua capacidade de absorver odores externos e sustenta uma sensação de frescor mais duradoura”, completa.

Para a especialista, esse resultado é construído de forma contínua. “Não se trata de um produto isolado, mas de uma rotina que respeita a fisiologia do couro cabeludo e a integridade da fibra”, completa.

A seguir, confira os principais pilares indicados pela profissional que ajudam a manter esse efeito de cabelo naturalmente cheiroso ao longo do dia.

 

Couro cabeludo

O couro cabeludo é o ponto de origem da qualidade do fio. Quando está equilibrado, com microbioma estável e produção de oleosidade regulada, a fibra tende a crescer mais uniforme e menos reativa a fatores externos.

A ozonioterapia capilar, por exemplo, atua nesse contexto por meio da aplicação de uma mistura de oxigênio e ozônio diretamente no couro cabeludo. O procedimento favorece a oxigenação local e contribui para um ambiente mais equilibrado. “Do ponto de vista fisiológico, o ozônio atua na melhora da microcirculação e pode contribuir para o equilíbrio do couro cabeludo”, explica Marina. “Isso reduz condições que favorecem excesso de oleosidade e melhora a qualidade do fio desde a raiz”, acrescenta.


Óleo capilar

O óleo capilar atua como um agente de selagem da fibra capilar, ajudando a reduzir a porosidade e a manter a hidratação interna do fio. Quando bem aplicado, contribui para uma superfície mais uniforme e menos suscetível a interferências externas.

A combinação de óleos vegetais nas fórmulas potencializa esse efeito: o óleo de abacate atua na reposição lipídica mais profunda, o óleo de coco auxilia na retenção de água dentro da fibra e o óleo de argan contribui para o alinhamento da cutícula com ação antioxidante. Junto a esses compostos, a vitamina E complementa essa ação ao proteger contra o estresse oxidativo.

“Esses ativos fortalecem a estrutura da fibra e melhoram sua coesão. Quando o fio está menos poroso, ele reduz a absorção de partículas externas e mantém por mais tempo a sensação de frescor”, pontua Marina.

 

Hidratação

A hidratação mantém o equilíbrio hídrico da fibra capilar, o que influencia diretamente sua estrutura e comportamento ao longo do dia. Fios bem hidratados apresentam cutícula mais alinhada e superfície mais homogênea. Esse estado favorece uma superfície mais uniforme, menos suscetível ao acúmulo de resíduos de partículas externas e melhora a estabilidade da textura capilar, contribuindo para uma percepção prolongada de limpeza.

 

Limpeza

A forma como o couro cabeludo é higienizado interfere diretamente em sua estabilidade, uma vez que limpezas agressivas podem comprometer a barreira natural e gerar oscilações na produção de oleosidade. Esse desequilíbrio impacta a sensação de frescor ao longo do dia, mesmo quando o cabelo está visualmente limpo.

“Um couro cabeludo sensibilizado tende a perder estabilidade regulatória. Isso afeta diretamente a consistência da sensação de limpeza entre as lavagens”, reforça a especialista.

 

Constância

O frescor dos fios está diretamente ligado à regularidade dos cuidados diários. Quando couro cabeludo, fibra capilar e hidratação trabalham em equilíbrio, o cabelo tende a manter uma condição mais estável e duradoura ao longo do dia.

Segundo Marina, não se trata de um resultado imediato, mas de um processo contínuo de construção. Ela explica que, quando esses pilares estão alinhados, o cabelo tende a manter a sensação de frescor por mais tempo, sem depender de intervenções frequentes ao longo do dia. 

 

 Escova Express


Como a estética ajuda a proteger a pele no inverno?

Docente alerta sobre os efeitos do frio na pele e dá dicas práticas para manter a saúde e a beleza


Com a chegada do inverno, os casacos saem do armário, mas um cuidado essencial muitas vezes é deixado de lado: a saúde da pele. Segundo Ana Claudia Cunha, professora do curso de Estética e Cosmética da Faculdade Santa Marcelina, o clima frio, o vento e a baixa umidade comprometem a barreira de proteção cutânea, favorecendo o ressecamento, a descamação e até o agravamento de doenças dermatológicas como psoríase, urticária e dermatite atópica. 

"Banhos quentes e demorados, tão comuns nesta época, pioram ainda mais o quadro ao removerem a oleosidade natural da pele", explica a especialista. Ela alerta para sintomas frequentes nesta época, como coceira, rachaduras nos lábios, nas mãos e nos pés, além da vermelhidão. 

Para manter a pele saudável, é essencial adotar uma rotina de hidratação adequada ao tipo de pele. Peles secas devem optar por hidratantes mais densos, com ureia, ceramidas e pantenol. Já peles oleosas ou mistas se beneficiam de fórmulas oil-free, com ativos como niacinamida, ácido salicílico e ácido hialurônico. No caso das peles maduras, que tendem a ficar mais sensíveis durante a menopausa, Ana Claudia recomenda o uso de ativos antissinais como o retinol. 

Outro erro comum durante o inverno é o abandono do protetor solar. “Mesmo em dias nublados ou frios, os raios UVA continuam incidindo sobre a pele, favorecendo o envelhecimento precoce, o surgimento de manchas e aumentando o risco de câncer de pele”, explica. O ideal é manter o uso diário de protetor com FPS 30 ou mais, reaplicando a cada duas a três horas em caso de exposição prolongada, mesmo em ambientes internos com luz artificial. 

O inverno também é a estação mais indicada para tratamentos estéticos como peelings químicos, luz pulsada e lasers, justamente pela menor incidência solar. “Procedimentos que geram inflamação, como esses, podem causar manchas se forem feitos no verão, por isso é no frio que eles encontram o cenário ideal”, explica. 

Entre os cuidados simples e eficazes para o dia a dia, Ana Claudia recomenda: banhos mornos e rápidos, sabonetes suaves, hidratação logo após o banho, atenção especial aos lábios e extremidades e, claro, consumo regular de água, mesmo que a sede não apareça. 

 

Faculdade Santa Marcelina

 

Maquiagem masculina invisível: o visual “sem maquiagem”, mas com a pele corrigida

 

Créditos: @mouraacarlos
CO ASSESSORIA
“Existe uma nova vaidade masculina: o homem quer parecer bem, descansado e seguro, mas sem que ninguém diga que ele está maquiado”, afirma o maquiador Carlos Moura

Olheiras suavizadas, brilho controlado e pele mais uniforme, mas sem aparência de base ou corretivo. Antes concentrada em editoriais, campanhas e tapetes vermelhos, a maquiagem masculina começa a entrar na rotina de homens que querem melhorar a aparência sem que o uso dos produtos seja percebido.

Para o maquiador e fotógrafo Carlos Moura, a mudança revela uma relação mais prática dos homens com a própria imagem. “Eles não procuram necessariamente uma transformação. Querem corrigir o que incomoda, melhorar a apresentação e continuar parecendo eles mesmos”, afirma.

Conhecido como maquiagem invisível, o efeito começa com uma pele bem preparada e utiliza produtos leves apenas nas áreas necessárias. Hidratantes com cor ajudam a uniformizar o rosto, enquanto corretivo e pó translúcido podem suavizar olheiras, pequenas marcas e excesso de brilho sem esconder completamente a textura natural da pele.

Segundo Carlos, o segredo está na escolha do tom e na quantidade aplicada. “O corretivo precisa acompanhar exatamente a cor da pele e ser usado apenas onde existe necessidade. Quando o produto é muito claro ou a cobertura é pesada, o resultado aparece. Quanto menor a quantidade, mais natural será o acabamento”, explica.

A aplicação também precisa considerar barba, pelos faciais, poros e linhas de expressão. Em vez de apagar todas as características do rosto, a proposta é retirar o aspecto de cansaço e controlar a oleosidade, mantendo a identidade de quem usa. Esse cuidado já fazia parte da rotina de muitos homens, mesmo quando eles evitavam chamar os produtos de maquiagem.

O movimento também mostra uma mudança na forma como o público masculino enxerga a própria apresentação. Produtos para esconder olheiras, reduzir vermelhidão ou uniformizar a pele passaram a ser vistos como recursos de cuidado pessoal, assim como o corte de cabelo, a barba bem-feita ou a escolha da roupa. Carlos ressalta que um acabamento imperceptível exige precisão. “Quanto mais natural precisa parecer, maior é o cuidado com tom, quantidade e aplicação. O melhor resultado é quando dizem que o homem está com uma aparência ótima, mais descansado e seguro, mas ninguém consegue identificar o que foi feito”, conclui.

  

Soft copper: a cor de cabelo que conquistou as famosas

Divulgação

De Juliette a Gigi Hadid, tonalidade acobreada suave ganha espaço no visagismo por valorizar a beleza natural e permite diferentes interpretações de acordo com o estilo de cada pessoa
 


O universo da beleza vive uma fase de valorização da naturalidade, e uma das apostas que ganha força em 2026 é o soft copper, tonalidade que combina reflexos dourados, acobreados e nuances quentes para criar um resultado iluminado e sofisticado. Diferentemente dos ruivos mais intensos, a proposta é trabalhar o cobre de maneira delicada, criando profundidade e luminosidade sem deixar o cabelo com aparência excessivamente artificial.

A tendência acompanha uma mudança no próprio conceito de visagismo. Em vez de simplesmente reproduzir uma cor que está em alta, a proposta é encontrar uma tonalidade que converse com a pele, os olhos, os traços, a rotina e a personalidade de cada pessoa. O resultado é um cabelo que segue a tendência, mas continua preservando a identidade de quem o usa.

Entre as famosas que ajudam a popularizar diferentes versões do cobre estão Juliette Freire, que já apostou em uma interpretação mais dourada da tonalidade; Gigi Hadid, referência nos tons acobreados contemporâneos; Emma Stone, conhecida pelas diferentes versões de ruivo sofisticado; Nicole Kidman, que transita pelo chamado copper blonde; Amy Adams, com cabelos que passeiam entre o ruivo natural e o strawberry blonde; e Julia Roberts, que marcou gerações com suas tonalidades acobreadas.

Para Kelly Taise, visagista do Espaço Hi, em São Paulo, justamente a possibilidade de personalização explica parte do sucesso do soft copper.

"O soft copper representa uma mudança na forma como enxergamos a coloração. Hoje, as pessoas não querem apenas copiar uma tendência, elas querem encontrar uma cor que converse com sua imagem, sua rotina e sua personalidade. O cobre suave permite essa personalização porque pode ser mais dourado, mais rosado ou mais intenso dependendo da proposta."

A escolha da nuance, porém, não deve ser feita apenas pela referência de uma celebridade. A mesma cor pode produzir efeitos completamente diferentes dependendo da base do cabelo, da tonalidade da pele, dos olhos e até da imagem que a pessoa deseja transmitir.

"O visagismo trabalha com harmonia. Nem todo cobre precisa ser igual. Para algumas pessoas, um cobre dourado vai trazer luminosidade; para outras, uma mistura com tons de caramelo ou canela pode criar um resultado muito mais elegante. A cor ideal é aquela que valoriza a beleza natural", explica Kelly.

Por ser mais suave, o soft copper também se tornou uma alternativa para quem deseja transformar o visual sem necessariamente partir para uma mudança radical. A tonalidade pode ser adaptada para cabelos castanhos, loiros ou que já passaram por processos de iluminação, permitindo diferentes níveis de intensidade.

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"O cobre suave é uma excelente porta de entrada para quem quer experimentar uma nova imagem. Ele traz personalidade, mas mantém uma aparência natural. É uma transformação que chama atenção pela elegância, não pelo exagero", afirma a especialista.

O corte também interfere diretamente no resultado. Camadas leves, comprimentos médios, franjas personalizadas e texturas que preservam o movimento natural dos fios podem ajudar a revelar as diferentes nuances da coloração. Quando a luz encontra diferentes superfícies do cabelo, os reflexos dourados e acobreados ganham profundidade.

"Uma cor bonita precisa conversar com o corte. O movimento faz com que a luz reflita de maneiras diferentes, criando profundidade e deixando o cobre mais sofisticado. O conjunto entre corte, cor e finalização é o que constrói uma imagem equilibrada."

A manutenção é outro ponto importante. Por mais natural que seja a proposta, cabelos coloridos precisam de cuidados para preservar brilho, uniformidade e saúde dos fios. Hidratação, reconstrução e produtos específicos para cabelos coloridos ajudam a prolongar o resultado, especialmente porque o aspecto luminoso é uma das principais características do soft copper.

"O soft copper só funciona quando o cabelo está saudável. O brilho é parte fundamental dessa estética. Um fio bem cuidado potencializa a cor e transmite aquela sensação de cabelo sofisticado e cheio de vida", destaca Kelly.

A estética também pode ser estendida para a maquiagem e para o estilo pessoal. Tons terrosos, pele iluminada e uma maquiagem mais fresca costumam criar uma composição harmônica com a tonalidade acobreada, sem disputar atenção com o cabelo.

"O visagismo olha para a pessoa como um todo. Quando fazemos uma mudança de cabelo, precisamos pensar na harmonia com maquiagem, estilo pessoal e mensagem que aquela imagem transmite. O soft copper combina muito com uma beleza mais autêntica e elegante."

Apesar de parecer uma transformação relativamente simples, chegar ao cobre desejado exige avaliação profissional. A cor final depende da base atual, do histórico químico, da condição dos fios e da tonalidade que se pretende alcançar. Em alguns casos, pode ser necessário preparar o cabelo antes da coloração para preservar sua estrutura.

Para Kelly, esse planejamento é justamente o que diferencia uma tendência reproduzida de uma transformação realmente personalizada.

"Uma tendência só faz sentido quando respeita a individualidade. Antes de escolher o soft copper, é importante avaliar a saúde do cabelo, entender a rotina da pessoa e construir uma cor que ela consiga manter. O melhor resultado é aquele que une tendência e identidade."

Mais do que uma simples cor da temporada, o soft copper representa uma mudança na maneira de pensar a transformação dos cabelos. A tendência permite brincar com diferentes intensidades e reflexos, mas mantém como principal característica a busca por um resultado que pareça pertencer naturalmente à pessoa.

No fim, talvez seja justamente essa combinação entre tendência e individualidade que explique por que o cobre suave deixou de ser apenas uma referência entre celebridades e passou a ocupar espaço entre as principais apostas de beleza para 2026.

 

A cirurgia que não aparece redefine o padrão da estética facial

Busca por intervenções mais sutis cresce entre pacientes de alta renda e impulsiona técnicas profundas que preservam identidade e expressão


O Brasil segue como o segundo maior mercado global de cirurgia plástica, atrás apenas dos Estados Unidos, mas os consultórios de alto padrão agora testemunham uma revolução silenciosa. A era da transformação radical deu lugar à era da preservação, se antes o sinal de status era exibir o resultado de uma intervenção, hoje, no mercado de luxo, o maior sinal de sofisticação é a dúvida. O "rosto operado" passou a ser percebido não como um símbolo de cuidado, mas como um erro estratégico de branding pessoal. 

Na perspectiva da cirurgiã plástica Dra. Danielle Gondim, formada pelo Instituto Ivo Pitanguy e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, esse movimento reflete uma mudança de valor entre pacientes de alta renda. “Hoje, o maior sinal de sofisticação estética é não parecer operado. Existe uma preocupação real com identidade, expressão e imagem pessoal”, afirma. 

A especialista explica que o excesso estético passou a ser percebido como risco, inclusive no campo profissional e social. “Durante anos, houve uma valorização de transformações visíveis. Agora, o que se busca é manter a essência. Quando a intervenção chama mais atenção do que a pessoa, há uma perda de identidade”, diz.


A virada de percepção sobre o excesso estético 

Esse reposicionamento também acompanha mudanças no entendimento do envelhecimento facial. Em vez de tratar apenas sinais superficiais, como rugas ou volume, técnicas mais profundas passaram a ganhar espaço por atuarem na estrutura da face. É o caso do Deep Plane Facelift, que reposiciona músculos e tecidos abaixo das camadas superficiais, promovendo resultados mais duradouros e naturais. Diferente das técnicas convencionais que podem deixar o aspecto de "pele esticada", o foco aqui é o reposicionamento muscular, garantindo que a face mantenha sua dinâmica e movimentação natural. 

A valorização da naturalidade também dialoga com aspectos emocionais e comportamentais. Um levantamento da consultoria McKinsey aponta que consumidores de alta renda têm priorizado cada vez mais autenticidade e bem-estar em decisões relacionadas à imagem pessoal, incluindo estética e saúde. A tendência reflete um consumidor que busca "investimentos silenciosos", onde a percepção de saúde e vigor sobrepõe a necessidade de exibicionismo. A percepção de coerência entre aparência e identidade tem ganhado peso na construção de confiança e credibilidade. 


Técnicas estruturais ganham protagonismo 

Na prática clínica, isso se traduz em abordagens mais individualizadas e, muitas vezes, combinadas. Procedimentos como blefaroplastia, browlift e enxerto de gordura são planejados de forma integrada para preservar características únicas e evitar padronizações. “Cada face tem uma história. Quando seguimos um padrão, perdemos aquilo que torna o paciente reconhecível. O objetivo não é mudar, é restaurar”, afirma.

Outro fator que impulsiona essa mudança é o acesso à informação, pacientes chegam mais conscientes e exigentes, questionando resultados e buscando referências mais discretas. “Existe um repertório maior. As pessoas comparam, analisam e entendem melhor o que querem evitar. Isso elevou o nível da demanda”, diz a cirurgiã.

Esse novo olhar também influencia a escolha do momento da intervenção. Em vez de esperar sinais avançados, pacientes mais jovens têm optado por procedimentos preventivos e estruturais, com foco em longevidade estética. “Intervir antes permite resultados mais sutis. Quando você age no início, consegue preservar, não precisa reconstruir”, afirma.

Essa mudança de paradigma transforma a cirurgia plástica em uma ferramenta de gestão de imagem a longo prazo, e não apenas uma solução de curto prazo para o envelhecimento. 


Naturalidade como novo valor da estética 

A tendência aponta para uma estética menos sobre transformação e mais sobre continuidade. Em um segmento que sempre esteve associado à visibilidade, o valor passa a estar justamente no oposto. “O melhor resultado é aquele que ninguém identifica como cirurgia. A pessoa parece descansada, mais jovem, mas continua sendo ela”, conclui.

 


Danielle Gondim - cirurgiã plástica especializada em face, com reconhecimento internacional. Desde a infância interessada pelas artes, formou-se no Instituto Ivo Pitanguy, onde também atuou como docente por quase cinco anos. Ao longo da carreira, realizou fellowships nos principais serviços de cirurgia plástica do mundo, incluindo centros liderados por Dr. Nayak e Ben Talei, nos Estados Unidos, e por Dr. Francisco Bravo, em Madri. Membro das associações Internacional, Americana e Brasileira de Cirurgia Plástica, é frequentemente convidada a palestrar em congressos relevantes da especialidade no Brasil e no exterior. Em 2025, foi premiada por seu trabalho no Congresso Mundial de Cirurgia Plástica da ISAPS, realizado em Singapura, reconhecimento concedido a um grupo restrito de especialistas. Sua agenda internacional inclui ainda convites para palestras no congresso da sociedade espanhola de cirurgia plástica, em Madri. Criadora da técnica Singular Restore®, alia ciência e arte para alcançar resultados naturais, nos quais a jovialidade se destaca sem evidência de intervenção cirúrgica. Seu trabalho é pautado pela individualidade facial e pela preservação da identidade de cada paciente. Procurada por pacientes de diferentes países, também recebe semanalmente médicos do Brasil e do exterior interessados em conhecer sua abordagem técnica. Para mais informações, acesse o site, instagram ou pelo Linkedin.



Fonte de pesquisa

International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS)
https://www.isaps.org/discover/about-isaps/global-statistics/

McKinsey & Company
https://www.mckinsey.com/industries/consumer-packaged-goods/our-insights/the-future-of-beauty



Por que profissionais de alta performance estão abandonando cirurgias com longas recuperações

 

O Brasil realizou mais de 2,1 milhões de procedimentos cirúrgicos estéticos em 2024, mantendo-se entre os maiores mercados do mundo, segundo levantamento da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), divulgado em 2025. Mas um movimento menos visível tem chamado a atenção dentro dos consultórios: a mudança nos critérios que levam alguém a escolher um procedimento.

Na minha prática como cirurgião plástico, percebo que o paciente atual não avalia apenas o resultado estético. Ele passou a considerar também o impacto da cirurgia sobre a rotina, o trabalho, os exercícios físicos e a própria saúde.

Esse comportamento é especialmente evidente entre empresários, executivos, profissionais liberais e pessoas que ocupam posições de liderança. Para esse público, ficar semanas afastado das atividades deixou de ser uma condição naturalmente aceita. O tempo passou a ser um ativo tão valioso quanto o próprio resultado.


A valorização do tempo como ativo de luxo

O fenômeno acompanha uma mudança mais ampla observada no mercado premium. Segundo o Global Wellness Institute, a economia global do bem-estar movimentou mais de US$6,3 trilhões e continua crescendo impulsionada por longevidade, saúde preventiva e qualidade de vida.

O consumidor de alta renda passou a valorizar soluções que entregam resultados sem exigir grandes interrupções na vida pessoal ou profissional. Essa lógica já transformou setores como hotelaria, mobilidade, alimentação e saúde preventiva. Agora começa a influenciar também a cirurgia plástica.

Nesse contexto, procedimentos minimamente invasivos vêm ganhando espaço porque reduzem o impacto fisiológico da intervenção e permitem uma recuperação mais compatível com a rotina moderna.


O avanço das técnicas menos invasivas

Uma das transformações mais relevantes dos últimos anos foi a evolução dos procedimentos voltados ao contorno corporal.

Durante décadas, a lipoaspiração tradicional esteve associada a cirurgias mais extensas, anestesia geral, maior resposta inflamatória e períodos prolongados de recuperação. Hoje, a tecnologia permite abordagens mais personalizadas para pacientes que apresentam gordura localizada em áreas específicas.

É o caso da Minilipolaser, técnica que desenvolvi ao longo da minha trajetória profissional com o objetivo de reduzir o impacto do procedimento sobre o organismo.

A principal diferença está na proposta. Em vez de tratar grandes áreas corporais de forma padronizada, o procedimento é adaptado às necessidades reais de cada paciente. Quando indicado para áreas localizadas, pode ser realizado com anestesia local associada à sedação, sem necessidade de anestesia geral.

Na prática, isso contribui para menor resposta inflamatória, preservação da massa muscular, recuperação mais rápida e retorno antecipado às atividades habituais quando comparado aos modelos cirúrgicos mais tradicionais.


Quando saúde e estética passam a caminhar juntas

Existe ainda uma mudança importante acontecendo na forma como os pacientes enxergam a cirurgia plástica.

Cada vez mais, o procedimento deixa de ser encarado como um evento isolado e passa a integrar um projeto mais amplo de saúde, composição corporal e longevidade.

Antes da cirurgia, cresce a preocupação com exames, alimentação, condicionamento físico e qualidade metabólica. Depois do procedimento, aumenta a busca pela manutenção dos resultados por meio de hábitos saudáveis e acompanhamento médico.

Na minha visão, essa é a direção mais relevante para o futuro da especialidade.

A cirurgia plástica não deve ser uma interrupção da saúde. Ela pode ser uma oportunidade para que o paciente se reconecte com ela.

O que observo é que a nova geração de pacientes não busca apenas mudar a aparência. Busca melhorar a forma como vive, trabalha e envelhece. E isso está transformando não apenas as técnicas cirúrgicas, mas também o próprio papel da medicina estética.

 


Dr. Alexandre Peruzzo Cremers 26736 /Rqe 34441 - cirurgião plástico em Porto Alegre, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), mentor de médicos em gestão e marketing, proprietário de clínicas de alto padrão e ex-professor da ULBRA, onde atuou por cinco anos. Formado em Medicina em 2001 e em Cirurgia Plástica em 2008, construiu sua trajetória com foco em técnicas minimamente invasivas, recuperação rápida, personalização e integração entre estética, saúde e longevidade. Ao longo da carreira, desenvolveu a Minilipolaser, técnica minimamente invasiva para remoção de gordura localizada, baseada na adaptação do procedimento às necessidades reais de cada paciente. Sua atuação parte da tese de que a cirurgia plástica deve ser uma oportunidade de reaproximação do paciente com a própria saúde, com atenção à preservação do metabolismo, da massa muscular, da rotina e dos hábitos de vida.
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Clínica do Dr. Alexandre Peruzzo
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