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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Atendimento virtual ou pronto-socorro? Escolha errada pode aumentar filas e atrasar casos graves

Saber quando usar a telemedicina e quando buscar atendimento presencial reduz deslocamentos desnecessários, melhora o tempo de resposta e ajuda a desafogar os serviços de urgência  

 

A maior procura por serviços de saúde, especialmente em períodos de alta circulação de vírus respiratórios, tem levado muitos pacientes a uma dúvida comum: buscar um pronto atendimento virtual ou ir diretamente a um pronto-socorro presencial? A resposta depende, principalmente, da gravidade de sintomas do paciente. Sinais de gravidade como por exemplo, falta de ar importante, dores no peito, vômitos intensos, coração acelerado e febre persistente devem preferencialmente buscar o atendimento presencial.  

O pronto atendimento virtual, realizado por meio de consulta por telemedicina, é indicado para situações de adoecimento agudo mais comuns do público adulto e pediátrico como resfriados, viroses, quadros gastrointestinais e dores leves. Caso cheguem casos de maior gravidade durante a teleconsulta, o médico encaminha o paciente para um serviço presencial para continuar a avaliação.  

“O grande objetivo da Telemedicina é gerar acesso à saúde, no entanto, dentro de um contexto de Pronto-Atendimento digital conseguimos ser mais resolutivos com queixas de baixa complexidade. Caso o paciente tenha sintomas de maior gravidade é importante que se direcione imediatamente ao hospital.”, explica Ana Caroline Vicenzi, médica e diretora de Qualidade e Assistência à Saúde da Dr. Online.  

Além das queixas clínicas leves, o pronto atendimento virtual também pode ser usado para renovação de receituário de alguns tipos de medicamentos, emissão de atestado médico e declaração de comparecimento, pedidos de exames e orientações sobre saúde. A Teleconsulta do Pronto-atendimento digital segue a mesma lógica de um serviço físico, com anamnese dirigida à queixa, entendimento do histórico de saúde do paciente, realização do exame físico.   

A saúde digital também tem papel relevante na ampliação do acesso à profissionais qualificados, especialmente em um País como o brasil com dimensões continentais. Além disso, temos uma distribuição desigual de médicos nos diferentes estados, fortalecendo o uso da telemedicina na entrega de cuidados. Pacientes de regiões interioranas tem benefício significativo em ter parte de sua jornada por telemedicina, evitando deslocamentos e acelerando o processo diagnóstico e terapêutico.  

“O atendimento virtual aproxima o paciente do cuidado. Muitas vezes, uma simples orientação feita por um médico habilitado evita um agravamento do quadro, acalma o paciente e a família e consegue direcionar os próximos passos do cuidado com mais ciência e assertividade.”, afirma Ana Caroline.  

O pronto-socorro presencial, por outro lado, deve ser procurado imediatamente quando há sinais de gravidade, persistência dos sistemas ou quadros de urgência e emergência. Dores no peito, sintomas neurológicos como alterações motoras e sensitivas, picadas de animais peçonhentos, traumas com sangramento e suspeita de fratura e outras condições severas devem ser direcionadas imediatamente ao serviço presencial.  

"Nos quadros de emergências cardiovasculares, como o infarto, o tempo é um dos fatores mais importantes para o tratamento adequado, assim como nos quadros de AVC, sepse (infecção generalizada) e sangramentos volumosos, por isso a ida imediata ao atendimento físico ou o acionamento do SAMU é essencial para que o paciente receba o suporte medicamentoso e propedêutico adequado”  

A escolha adequada entre pronto atendimento virtual e presencial tem impacto direto na experiência do paciente. Quem tem sintomas leves pode receber orientação sem enfrentar deslocamentos, salas de espera cheias ou exposição a outros agentes infecciosos. Já quem apresenta uma emergência médica ganha tempo quando procura diretamente o serviço com estrutura para exames, observação e intervenção imediata.  

O uso correto de cada modalidade também ajuda a reduzir a sobrecarga dos hospitais. Quando casos simples são direcionados para o atendimento online, as equipes presenciais conseguem concentrar recursos nos pacientes mais graves. Isso pode diminuir filas, organizar melhor o fluxo de urgência e evitar atrasos em situações que dependem de resposta rápida. 

“Valor em saúde é sobre entregar o cuidado adequado, para o paciente correto no menor tempo possível, de acordo com a condição clínica, diz Ana Caroline. 

Para a médica, a educação do paciente é parte essencial desse processo. Reconhecer sinais de alerta, entender o que pode ser acompanhado por telemedicina e saber quando não esperar são atitudes que tornam o cuidado mais seguro. “Quando a pessoa sabe onde procurar ajuda, ela ganha tempo, evita idas desnecessárias ao hospital e contribui para que os casos graves sejam atendidos com prioridade”, completa. 


Grupo FAPES

Dr. Online
Para saber mais, acesse: dronline.com.vc.

  

Criança que respira pela boca: quando isso afeta o sono, a fala e o desenvolvimento facial?

Otorrinolaringologista alerta que respiração bucal persistente pode estar ligada à obstruções nasais, ronco, sono ruim e alterações no crescimento da face

 

Ver uma criança dormindo de boca aberta ou respirando pela boca durante o dia pode parecer algo comum, mas, quando esse hábito é frequente, merece atenção. A respiração bucal persistente pode indicar dificuldade de passagem do ar pelo nariz e estar relacionada a quadros, como rinite, aumento de adenoide, amígdalas aumentadas, desvio de septo, sinusites de repetição ou outras obstruções das vias aéreas superiores. 

Segundo o Dr. Gustavo Meirelles, professor voluntário no Serviço de Otorrinolaringologia da Santa Casa de São Paulo e otorrinolaringologista na Clínica Dolci, em São Paulo, respirar pela boca não deve ser tratado apenas como “mania” de criança. “A respiração nasal é importante para filtrar, aquecer e umidificar o ar. Quando a criança passa a respirar predominantemente pela boca, é preciso entender se existe alguma obstrução ou inflamação impedindo a respiração adequada pelo nariz”, explica. 

Entre os sinais de alerta estão ronco frequente, sono agitado, baba no travesseiro, boca seca ao acordar, mau hálito, irritabilidade, sonolência durante o dia, dificuldade de concentração, cansaço, voz anasalada e infecções de repetição. Em alguns casos, a criança também pode apresentar pausas respiratórias durante o sono, o que exige investigação. “O sono da criança precisa ser reparador. Quando há ronco, respiração difícil ou pausas respiratórias, a qualidade do sono pode ser prejudicada, com reflexos no comportamento, na disposição e até no rendimento escolar”, afirma o médico. 

A respiração bucal crônica também pode ter impacto sobre fala, mastigação, deglutição, posicionamento da língua e desenvolvimento dentofacial. Por isso, dependendo do caso, a avaliação pode envolver uma equipe multidisciplinar, incluindo otorrinolaringologista, odontopediatra, ortodontista e fonoaudiólogo. 

“Quando a criança mantém a boca aberta por longos períodos, há uma adaptação de musculatura, língua e postura oral. Com o tempo, isso pode interferir em funções como fala, mastigação e crescimento facial. Quanto mais cedo a causa é identificada, melhor tende a ser a resposta ao tratamento”, orienta Dr. Gustavo. 

O tratamento depende da origem do problema. Em alguns casos, pode envolver controle de rinite, lavagem nasal, medicamentos, acompanhamento fonoaudiológico, tratamento odontológico ou, quando indicado, cirurgia para adenoide ou amígdalas aumentadas. 

“O ponto principal é não normalizar a criança que respira sempre pela boca. Se isso acontece durante o sono e também ao longo do dia, se há ronco ou dificuldade para respirar pelo nariz, é importante procurar avaliação especializada”, conclui.

 

Dr. Gustavo Meirelles dos Santos - Otorrinolaringologista na Clínica Dolci Otorrinolaringologia e Cirurgia Estética Facial, em São Paulo. Graduado na PUC - São Paulo. Residência em Otorrinolaringologia na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Fellow em Rinologia na Santa Casa de São Paulo. Professor voluntário no Serviço de Otorrinolaringologia na Santa Casa de São Paulo.


Fumo passivo: mesmo quem nunca acendeu um cigarro pode sofrer as consequências do tabagism

 

Adultos, crianças e gestantes expostos ao chamado fumo passivo
 podem desenvolver problemas respiratórios e cardiovasculares

Embora seja frequentemente associado apenas aos fumantes, o tabagismo também coloca em risco a saúde de quem convive com a fumaça do cigarro. Adultos, crianças e gestantes expostos ao chamado fumo passivo podem desenvolver problemas respiratórios e cardiovasculares e, com a exposição frequente e prolongada, até aumentar o risco de alguns tipos de câncer. No Dia Nacional de Combate ao Fumo, especialistas alertam que não existe um nível seguro de exposição e reforçam a importância de ambientes livres de fumaça.

Segundo o oncologista Frederico Rocha, médico do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS), a ciência já estabeleceu uma relação clara entre o tabagismo passivo e o desenvolvimento de câncer de pulmão em pessoas que nunca fumaram. "O câncer com associação mais bem estabelecida é o câncer de pulmão. A fumaça do cigarro é reconhecida como cancerígena e aumenta o risco dessa doença mesmo em pessoas que nunca fumaram. Há ainda evidências de associação com câncer da cavidade nasal e dos seios paranasais. O risco depende da intensidade e do tempo de exposição, sendo maior quanto mais frequente e prolongado for o contato com a fumaça", explica.

A exposição involuntária acontece quando uma pessoa respira a fumaça liberada pelo cigarro ou exalada pelo fumante. Embora os efeitos mais graves, como o câncer, estejam relacionados ao contato contínuo ao longo dos anos, especialistas alertam que não existe um período de exposição considerado seguro. "Não existe um tempo mínimo considerado seguro. Mesmo exposições breves podem causar alterações no organismo, principalmente no sistema cardiovascular e respiratório. Já doenças como o câncer estão relacionadas ao efeito acumulado da exposição ao longo dos anos", destaca o médico.


Crianças e gestantes estão entre os mais vulneráveis

Os efeitos da fumaça do cigarro são ainda mais preocupantes para grupos mais sensíveis, como crianças e gestantes. A exposição pode favorecer infecções respiratórias, agravar quadros de asma, aumentar o risco de otites e comprometer o desenvolvimento do bebê durante a gestação.

Além disso, medidas adotadas por muitos fumantes, como fumar na varanda ou em áreas parcialmente abertas, não eliminam completamente o risco para quem convive no ambiente. "Embora a fumaça se disperse mais rapidamente em locais abertos, pessoas próximas ao fumante ainda podem ser expostas a substâncias tóxicas, especialmente em áreas cobertas ou com pouca circulação de ar. Abrir janelas ou fumar na varanda não elimina o risco para quem convive no ambiente", ressalta o especialista.


Parar de fumar protege toda a família

Apesar dos desafios para abandonar o cigarro, atualmente existem diferentes estratégias que aumentam as chances de sucesso, como acompanhamento médico, terapia comportamental, reposição de nicotina e medicamentos específicos, indicados conforme a necessidade de cada paciente.

"Parar de fumar é um processo que pode exigir apoio profissional. Atualmente, o tratamento pode incluir acompanhamento médico, terapia comportamental, reposição de nicotina, por meio de adesivos, gomas e pastilhas, e medicamentos específicos, quando indicados. Buscar ajuda aumenta significativamente as chances de sucesso", afirma.

Para o oncologista, deixar o cigarro representa um benefício coletivo, já que protege não apenas a saúde do fumante, mas também de todas as pessoas ao seu redor. "Fumar não prejudica apenas quem fuma. A fumaça também expõe familiares, amigos, colegas de trabalho e, principalmente, crianças e gestantes a riscos importantes para a saúde. Parar de fumar é uma decisão que protege não apenas o próprio fumante, mas também todas as pessoas ao seu redor", conclui.

  

Instituto de Oncologia de Sorocaba


Perfil do câncer infantojuvenil: meninos são maioria nos diagnósticos e leucemia lidera casos em ambos os sexos

Levantamentos do NAPO, do Serviço de Oncologia Pediátrica do Santa Marcelina Saúde, com apoio da TUCCA, aponta maior proporção de meninos entre os pacientes oncológicos pediátricos entre os pacientes atendidos na instituição; a leucemia linfoblástica aguda lidera os diagnósticos 


O câncer infantojuvenil segue apresentando diferenças importantes entre meninos e meninas em São Paulo. Um levantamento do NAPO, do Serviço de Oncologia Pediátrica do Santa Marcelina Saúde, em parceria com a TUCCA, identificou que 58,2% dos casos oncológicos pediátricos analisados ocorreram em pacientes do sexo masculino atendidos pelo serviço. O estudo também aponta que a leucemia linfoblástica aguda (LLA) permanece como o tipo de câncer mais frequente tanto entre meninos quanto entre meninas. 

Os dados reforçam um padrão já observado em estudos epidemiológicos nacionais e internacionais sobre câncer infantojuvenil, especialmente nas leucemias, principal grupo de tumores diagnosticados na infância.

O levantamento ajuda a caracterizar o perfil dos pacientes atendidos em um dos principais centros de referência em oncologia pediátrica do estado de São Paulo, reforçando como sexo, faixa etária e tipo tumoral influenciam o comportamento da doença e as necessidades assistenciais. 

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar 7.560 novos casos de câncer infantojuvenil por ano entre 2026 e 2028. Desse total, 3.960 casos devem ocorrer em meninos e 3.600 em meninas. 

Para o oncologista pediátrico Sidnei Epelman, coordenador do Serviço de Oncologia Pediátrica do Santa Marcelina Saúde e presidente da TUCCA, compreender o perfil epidemiológico da doença é fundamental para aprimorar estratégias de diagnóstico e assistência. 

“Quando analisamos os dados de forma aprofundada, conseguimos entender padrões importantes da doença, identificar vulnerabilidades e estruturar melhor o cuidado. O câncer infantojuvenil exige rapidez no diagnóstico e acesso a centros especializados capazes de oferecer tratamento multidisciplinar completo”, afirma.
 

Leucemias seguem como principal diagnóstico na infância 

As leucemias continuam sendo o tipo de câncer mais comum em crianças e adolescentes. Entre elas, a leucemia linfoblástica aguda concentra a maior parte dos diagnósticos pediátricos. 

No recorte analisado pelo NAPO, a LLA representou o diagnóstico mais frequentemente observado na amostra analisada em ambos os sexos, seguindo a tendência observada em bases de dados nacionais e internacionais. 

De acordo com o INCA, as leucemias, os linfomas e os tumores do sistema nervoso central estão entre as neoplasias mais frequentes na população infantojuvenil brasileira. A LLA se caracteriza pela produção descontrolada de células imaturas na medula óssea e costuma apresentar evolução rápida. Quando diagnosticada precocemente e tratada em centros especializados com protocolos modernos, as taxas de cura podem ultrapassar 80%, segundo o próprio instituto. 

Entre os sinais que merecem atenção estão palidez que não melhora, febre recorrente, manchas roxas sem motivo, dores ósseas, cansaço fora do comum e sangramentos frequentes. 

“Os tumores pediátricos têm comportamentos muito diferentes dos cânceres em adultos. Em muitos casos, são doenças agressivas, mas altamente responsivas ao tratamento. O problema é que os sintomas iniciais podem ser confundidos com doenças comuns da infância, o que muitas vezes atrasa a investigação”, explica Epelman.
 

Meninos têm mais casos de câncer pediátrico, mas a ciência ainda busca entender por quê. 

Embora as razões para a maior incidência de câncer em meninos ainda sejam tema de investigação científica, estudos internacionais já demonstraram predominância masculina em diversos tumores pediátricos, especialmente nas leucemias. Especialistas apontam que fatores biológicos, imunológicos e genéticos podem contribuir para essas diferenças, embora ainda não exista uma explicação única e definitiva. 

Os dados do NAPO também mostram como o perfil epidemiológico do câncer infantojuvenil pode variar entre diferentes grupos, o que ajuda a orientar estratégias de assistência, investigação clínica e planejamento em saúde pública. Para o Dr. Neviçolino Pereira de Carvalho Filho, oncologista pediátrico e coordenador do NAPO, compreender essas diferenças é fundamental para aprimorar a forma como os serviços de saúde se preparam para atender crianças e adolescentes com câncer. 

“Quando analisamos características como sexo, idade e tipos de tumores mais frequentes, conseguimos identificar padrões que ajudam a direcionar recursos, estruturar linhas de cuidado e fortalecer a pesquisa em oncologia pediátrica. Esses dados são ferramentas importantes para entender a realidade dos pacientes e melhorar continuamente a assistência oferecida”, afirma. 

Além de apontar predominância masculina, o levantamento do NAPO evidencia a necessidade de ampliar a produção de dados em oncologia pediátrica no país, uma área que ainda carece de dados de base populacional. A relevância desse monitoramento é reforçada pelo fato de o câncer já ser a principal causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos no Brasil, segundo o INCA. 

“Dados epidemiológicos são essenciais para orientar políticas públicas e melhorar a resposta do sistema de saúde. Sem informação de qualidade, o diagnóstico precoce também fica comprometido”, conclui Neviçolino. 



TUCCA
www.tucca.org.br


Combinação de fármacos ajuda a reparar lesões nos nervos


De acordo com o estudo, as lesões do nervo periférico são observadas em cerca de
 2% a 5% de todos os casos de trauma. Já a neuropatia periférica
(uma categoria mais ampla) afeta de 2% a 8% da população em geral
Shutterstock)

Experimentos com animais mostram que medicamentos já existentes no mercado para tratar hepatite, esclerose múltipla e alcoolismo reduzem a inflamação e protegem os neurônios após traumas graves, melhorando a recuperação motora e sensorial

 

Dois estudos realizados por pesquisadores brasileiros apontam um caminho promissor para o tratamento de lesões graves do sistema nervoso. Em experimentos com animais, combinações de medicamentos favoreceram a reparação do tecido afetado e protegeram as células nervosas, conseguindo controlar a inflamação e melhorar a recuperação funcional. Os resultados abrem perspectivas para o desenvolvimento de novos tratamentos para seres humanos.

Desenvolvidos no Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp), com apoio da FAPESP, os trabalhos reforçam evidências recentes de que, para recuperar lesões nervosas graves, não basta reconectar os nervos, mas também é necessário controlar a inflamação, proteger os neurônios e preservar as conexões durante o processo de regeneração.

Os nervos funcionam como fios elétricos que conduzem sinais entre o cérebro, a medula espinhal e o restante do corpo. A conexão dos nervos espinhais com a medula se dá por meio de uma espécie de “mão dupla”: raízes dorsais (posteriores) conduzem informações sensoriais (como dor, tato e temperatura) para a medula, enquanto as ventrais (anteriores) levam os comandos motores dela para os músculos.

Lesões nas raízes próximas à medula espinhal, dependendo da gravidade, podem comprometer a comunicação entre o sistema nervoso e os músculos, causando perda de movimentos e de sensibilidade.

Essas lesões são provocadas, por exemplo, por traumas (acidentes de trânsito e quedas) ou outras condições, como hérnia de disco e tumores. Além da interrupção dos axônios (as extensões dos neurônios), elas também desencadeiam inflamação persistente, perda de conexões entre essas células e, em alguns casos, morte de neurônios motores. Embora a cirurgia seja o tratamento padrão, a regeneração costuma ser lenta e, muitas vezes, incompleta.

Em uma das pesquisas, publicada na edição de junho da IBRO Neuroscience Reports, o grupo avaliou em camundongos com lesão por esmagamento da raiz ventral duas combinações de fármacos: o NeuroBoost (NB), composto por TEMPOL (4-hidroxi-TEMPO) e dimetilfumarato (DMF); e o NeuroHeal (NH), que alia acamprosato (utilizado no tratamento do alcoolismo, por exemplo) e ribavirina (usada contra hepatite C).

A primeira combinação apresentou efeitos positivos na redução da reatividade de astrócitos e micróglias – células de suporte e defesa do sistema nervoso –, favorecendo a regeneração. E resultou em melhora da sobrevivência dos neurônios motores 14 dias após o tratamento em comparação com o grupo-controle.

Já o NeuroHeal aumentou a sobrevivência neuronal a partir do sétimo dia e reduziu a astrogliose – uma reação de defesa dos astrócitos, que aumentam de tamanho e número para tentar conter os danos e reparar o tecido.

Nos estágios iniciais após a lesão, os dois tratamentos diminuíram a presença de linfócitos Th1, células do sistema imunológico que favorecem a inflamação. Também foi observado um equilíbrio na produção de moléculas (citocinas) pró e anti-inflamatórias após sete dias, sugerindo que os medicamentos modulam a resposta imune.

Imagem microscópica da medula espinhal usada no estudo com NeuroBoost e
NeuroHeal mostra astrócitos (verde), neurônios (vermelho) e núcleos das células (azul);
 as duas combinações reduziram a reatividade dos astrócitos após a lesão
(
imagem: Alexandre Leite Rodrigues de Oliveira/IB-Unicamp)

No outro estudo, que foi capa da revista ACS Chemical Neuroscience de abril, os pesquisadores testaram, em ratos submetidos à secção completa (neurotomia) do nervo ciático, uma técnica combinando polietilenoglicol (capaz de fundir rapidamente axônios rompidos) com o antioxidante TEMPOL, que, embora já fosse conhecido por seu potencial neuroprotetor, ainda não havia sido incorporado a protocolos de fusão axonal para reparo nervoso.

Esse procedimento a que os animais foram submetidos resultou em neurotmese, a forma mais grave de lesão do nervo periférico, caracterizada pela secção completa dele e pela perda das funções motoras e sensoriais. Em casos clínicos, essa secção pode ser causada por traumas, como cortes, lacerações ou lesões associadas a fraturas graves. Uma característica desse tipo de lesão é a degeneração Walleriana, processo em que o axônio separado do corpo celular degenera após a lesão, embora o nervo mantenha alguma capacidade de regeneração.

Os resultados mostraram que a técnica promoveu uma recuperação motora e sensorial superior à obtida por meio de cirurgia convencional. Os animais tratados apresentaram melhor condução dos impulsos nervosos, maior preservação da estrutura dos nervos, menor inflamação e melhor manutenção das conexões nervosas.

“Há um dogma de que a degeneração Walleriana é algo inexorável na pós-lesão do nervo periférico. O que demonstramos foi a possibilidade de mitigá-la em praticamente 50% com a preservação dos axônios, uma redução bastante significativa. Observamos isso por meio de quantificações feitas com base em uma metodologia de microscopia especial. Agora estamos fazendo experimentos adicionais no laboratório para otimizar esse processo, unindo a técnica à impressão 3D de membranas. A ideia é ter uma abordagem multimodal para o reparo, aliando cirurgia, fusão e suporte mecânico”, explica o professor Alexandre Leite Rodrigues de Oliveira, coordenador do Laboratório de Regeneração Nervosa do IB-Unicamp e autor correspondente dos dois artigos.

Embora os trabalhos tenham investigado modelos diferentes de lesão – um em raízes nervosas próximas à medula espinhal e outro no nervo ciático –, ambos buscaram estratégias para proteger neurônios e favorecer a regeneração do sistema nervoso após danos graves.


Impacto

De acordo com o estudo, as lesões do nervo periférico são observadas em cerca de 2% a 5% de todos os casos de trauma. Já a neuropatia periférica (uma categoria mais ampla) afeta de 2% a 8% da população em geral. Esta última é caracterizada por danos ou disfunções nos nervos que conectam o cérebro e a medula espinhal ao resto do corpo, resultando em sintomas como dor crônica, formigamento, fraqueza ou perda de sensibilidade, frequentemente nas mãos e nos pés.

Quando há uma lesão por esmagamento da raiz espinhal ventral, o organismo desencadeia uma intensa resposta inflamatória. Embora essa reação seja importante para remover células danificadas, se for excessiva pode provocar a morte de mais neurônios e dificultar a regeneração dos nervos.

Por isso, pesquisadores buscam tratamentos com efeitos tanto neuroprotetores – capazes de preservar neurônios e suas conexões, reduzindo o dano – como imunomoduladores – com o objetivo de regular a resposta do sistema imunológico para conter a inflamação prejudicial sem bloquear os mecanismos naturais de reparo. Juntas, essas ações aumentam as chances de recuperação dos movimentos e da função nervosa.

“Considero muito promissora essa linha de reposicionamento de fármacos. São medicamentos que passaram por ensaios clínicos, já foram aprovados pelos órgãos reguladores e estão sendo aplicados em pacientes em outros contextos. É o caso do dimetilfumarato, usado como primeira linha na terapia para esclerose múltipla. Já o TEMPOL não é usado como remédio atualmente, mas é uma droga que pode ser empregada em medicamentos no futuro”, diz Oliveira.

Os trabalhos receberam apoio da FAPESP por meio de sete projetos (18/05006–018/17554–223/02615–423/16415–722/11348-722/13353-8 e 24/09568-4).

O artigo Neuroprotection and immunomodulation after treatment with NeuroBoost and NeuroHeal following ventral root crush in mice pode ser lido em: ibroneuroreports.org/article/S2667-2421(26)00028-X/.

O artigo TEMPOL enhances polyethylene glycol axon fusion following sciatic nerve transection in adult rats pode ser lido em: pubs.acs.org/doi/10.1021/acschemneuro.5c00677.

 


Luciana Constantino

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/combinacao-de-farmacos-ajuda-a-reparar-lesoes-nos-nervos/58896



O Enigma do Diagnóstico: Por que Autismo e TDAH são frequentemente confundidos com Bipolaridade?

Muitos adultos vivem hoje em um ciclo exaustivo de trocas de medicação e diagnósticos que parecem nunca explicar, de fato, quem eles são. É comum encontrar pessoas que passaram décadas tratando um suposto transtorno bipolar, mas que nunca sentiram a melhora esperada. Para o neurologista Dr. Matheus Trilico, referência no atendimento de adultos neurodivergentes, essa confusão ocorre porque o que parece ser uma instabilidade de humor pode ser, na verdade, a manifestação de um cérebro com Autismo e TDAH: uma combinação conhecida como AUTDAH.


A Sobreposição que Confunde Médicos e Pacientes

A dificuldade em diferenciar essas condições reside na semelhança dos sintomas superficiais. A impulsividade, a agitação e as oscilações emocionais são marcas tanto da bipolaridade quanto do TDAH e do autismo. No entanto, o Dr. Matheus Trilico ressalta que a origem desses comportamentos é o que define o caminho do tratamento.

Enquanto a bipolaridade se manifesta em crises ou episódios que vêm e vão, o autismo e o TDAH são traços do neurodesenvolvimento. Isso significa que eles não são "fases", mas sim a forma como o cérebro sempre funcionou, desde a mais tenra infância.

A coexistência entre o autismo e o TDAH é extremamente frequente. Dados científicos apontam que entre 50% e 70% das pessoas no espectro autista também apresentam critérios para o TDAH. Para o neurologista, essa junção cria um custo funcional muito alto: o indivíduo pode ter o foco profundo do autista, mas ser constantemente interrompido pela desatenção do TDAH, resultando em uma exaustão mental que mimetiza uma depressão ou uma crise de irritabilidade.


O Risco Real de Comorbidades

Embora a confusão diagnóstica seja um problema, o Dr. Trilico alerta que o risco de um adulto neurodivergente desenvolver, de fato, o transtorno bipolar é real e significativamente maior do que na população comum. Estatísticas mundiais mostram que o risco de bipolaridade é cerca de nove vezes maior em autistas. No caso de adultos com TDAH, esse risco é 8,7 vezes superior. Estima-se que quase 17% das pessoas diagnosticadas com transtorno bipolar também convivam com o TDAH sem saber.

Essa conexão não é por acaso. Segundo o neurologista, existe uma sobreposição genética e neurobiológica entre essas condições. Familiares de primeiro grau de quem tem TDAH, por exemplo, possuem uma chance quase duas vezes maior de apresentar bipolaridade. “Essa herança compartilhada faz com que o diagnóstico exija um olhar muito mais profundo do que apenas observar os sintomas do momento; é preciso reconstruir toda a história de vida do paciente”, ressalta Dr. Matheus.


O Fenótipo Clínico e os Desafios do Tratamento

Quando a bipolaridade se soma ao autismo ou ao TDAH, o quadro costuma ser mais complexo. O médico observa que, nesses casos, os sintomas de humor tendem a aparecer muito mais cedo, em média quatro anos antes do que em pessoas que não são neurodivergentes. Além disso, existe um risco aumentado para episódios mistos e tentativas de suicídio, o que torna a precisão do diagnóstico uma questão de segurança vital.

Outro ponto crítico é a tolerabilidade aos remédios. O Dr. Matheus Trilico explica que o cérebro neurodivergente costuma ter uma disfunção sensorial acentuada e reage de forma muito mais sensível a efeitos colaterais de antidepressivos e antipsicóticos. “Por isso, a estratégia terapêutica deve ser personalizada: a prioridade é sempre estabilizar o humor antes de tratar a desatenção ou a hiperatividade, evitando que o uso de estimulantes possa desencadear uma crise de mania”, alerta o neurologista.


O Diagnóstico como Ferramenta de Estratégia

Receber o diagnóstico correto na vida adulta não é sobre ganhar um rótulo, mas sobre ganhar clareza. Muitos pacientes passaram a vida sendo chamados de desorganizados, intensos ou instáveis, carregando um peso de incompreensão que afeta o trabalho e os relacionamentos. Compreender a própria neurobiologia permite que o diagnóstico seja usado como uma ferramenta de estratégia para gerenciar a vida com mais dignidade e menos sobrecarga.

Para o Dr. Trilico, o objetivo final é sempre a funcionalidade e o bem-estar. Entender como as peças da sua história se encaixam é o que permite parar de lutar contra o próprio cérebro e começar a trabalhar a favor dele.

As peças se encaixam quando você entende como seu cérebro e mente funcionam.

 


Dr. Matheus Luis Castelan Trilico — CRM 35805/PR | RQE 24818. NEUROLOGISTA, Médico formado pela Faculdade Estadual de Medicina de Marília (FAMEMA); Neurologista com residência médica pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC-UFPR); Mestre em Medicina Interna e Ciências da Saúde pelo HC-UFPR; Pós-graduado em Transtorno do Espectro Autista (TEA).
 https://www.instagram.com/drtrilico.neuro/
Mais artigos sobre TEA e TDAH em adultos podem ser vistos no portal do neurologista: https://blog.matheustriliconeurologia.com.br/



Por que algumas doenças de pele pioram no frio?

Canva 
 
Banhos quentes prolongados não são indicados
Banhos quentes e prolongados, excesso de sabonete, redução da hidratação e menor exposição da pele à luz solar estão entre os fatores que favorecem crises no frio 

 

Com a chegada das baixas temperaturas ao Rio Grande do Sul, pacientes com dermatites e outras doenças inflamatórias da pele podem perceber aumento do ressecamento, da coceira, da descamação e das irritações. A Sociedade Brasileira de Dermatologia – Secção do Rio Grande do Sul (SBD-RS) alerta que a combinação entre clima frio, banhos quentes e prolongados, uso excessivo de sabonetes e hidratação inadequada compromete a barreira de proteção da pele e pode contribuir para a piora dos sintomas.

Segundo a dermatologista especialista da SBD-RS, Dra. Clarissa Prati, um dos principais problemas do inverno é a dificuldade de conservar a hidratação natural da pele. A água muito quente e o tempo excessivo no chuveiro favorecem a retirada da camada de oleosidade responsável pela proteção cutânea.

“A principal orientação é reduzir o tempo de banho e utilizar sabonete apenas nas áreas em que ele realmente é necessário. Como diminuir a temperatura da água pode ser difícil durante o inverno gaúcho, encurtar a duração do banho já representa uma mudança importante”, explica a dermatologista especialista da SBD-RS, Dra. Clarissa Prati.

Uma alternativa prática sugerida pela especialista é utilizar músicas para controlar o tempo no chuveiro. A duração de duas ou três músicas curtas pode servir como referência para evitar banhos muito prolongados. Após o banho, o hidratante deve ser aplicado preferencialmente com a pele ainda levemente úmida, seguindo a indicação adequada para cada tipo de pele ou doença dermatológica.

Outro fator que pode influenciar algumas doenças inflamatórias é a menor exposição da pele à luz solar durante o inverno. A dermatologista esclarece, no entanto, que isso não significa recomendar bronzeamento ou exposição prolongada e desprotegida.

“Algumas doenças de pele podem apresentar melhora com exposições breves e controladas à luz solar. Essa observação não deve ser interpretada como incentivo para se bronzear ou permanecer ao sol por muito tempo. A exposição precisa ser curta, responsável e orientada de acordo com a condição de cada paciente”, ressalta a dermatologista.

Em casos de suspeita, piora dos sintomas ou lesões persistentes, procure um médico dermatologista. Os profissionais habilitados podem ser conferidos no site www.sbdrs.org.br.

  

Marcelo Matusiak


Mês da Primeira Infância: introdução alimentar também pode ajudar a prevenir alergias

Agosto, mês dedicado à conscientização sobre a Primeira Infância, reforça a importância dos cuidados com a saúde e o desenvolvimento das crianças nos primeiros anos de vida. 

 

Entre as etapas que mais geram dúvidas entre pais e cuidadores está a introdução alimentar, momento em que o bebê passa a experimentar novos alimentos e pode apresentar as primeiras manifestações de alergia alimentar. 

Segundo o médico alergista Dr. Marcio Barros, essa fase exige atenção, mas não deve ser encarada com medo. 

“A introdução alimentar é uma etapa fundamental para o desenvolvimento da criança e também uma oportunidade importante para a prevenção de algumas alergias. Hoje sabemos que adiar alimentos como ovo, amendoim, leite, trigo, peixes e castanhas, apenas por medo de uma reação, não protege o bebê e pode ser prejudicial”, explica. 

Quando os alimentos são introduzidos no momento adequado, a criança tem a oportunidade de entrar em contato com eles pela via oral, que favorece o desenvolvimento de tolerância pelo sistema imunológico. Esse cuidado pode ser ainda mais importante em bebês com maior risco de alergia alimentar. 

“Crianças com dermatite atópica, alergia alimentar já conhecida ou histórico familiar de alergia alimentar podem precisar de uma introdução mais cuidadosa e individualizada. Isso não significa atrasar os alimentos, mas planejar a melhor forma de oferecê-los com segurança”, destaca o médico. 

Quando acontecem reações alérgicas, elas podem variar desde vermelhidão na pele, urticária, inchaço e vômitos até quadros mais graves, com tosse, chiado, dificuldade para respirar, palidez ou moleza, em que a criança deve receber atendimento médico imediato. 

Outro ponto importante é que introduzir um alimento não significa apenas oferecê-lo uma vez. Depois de tolerado, ele deve continuar fazendo parte da alimentação da criança com regularidade. 

“A introdução precisa vir acompanhada de manutenção. Para fins de prevenção, não adianta oferecer uma única vez e depois passar semanas ou meses sem aquele alimento. Quando ele é bem aceito, deve ser incorporado à rotina alimentar da família”, orienta. 

O especialista também alerta para a confusão frequente entre alergia e intolerância alimentar. A alergia envolve o sistema imunológico e pode provocar reações potencialmente graves. Já a intolerância está relacionada à dificuldade de digestão de determinados alimentos e é mais comum em adultos e pouco frequente em bebês. 

“Nem todo desconforto, cólica ou alteração intestinal é intolerância. Em crianças pequenas, essa hipótese muitas vezes é levantada de forma precipitada e pode levar a restrições desnecessárias”, afirma. 

Para o médico, a principal orientação é não transformar o medo da alergia em atraso ou exclusão alimentar sem necessidade. 

“Os pais não precisam ter medo da introdução alimentar. O ideal é oferecer os alimentos no momento oportuno, em formas seguras para a idade, e manter regularmente aquilo que foi bem tolerado. Caso ocorram reações, a criança deve ser avaliada por um especialista. O mesmo cuidado vale para os bebês com maior risco, que podem precisar de uma estratégia individualizada desde o início.” 

A introdução alimentar, portanto, não é apenas o momento em que algumas alergias aparecem pela primeira vez. Ela também representa uma oportunidade de prevenção, desenvolvimento de hábitos saudáveis e ampliação segura da alimentação da criança.  



Fonte:

Dr. Márcio Barros - Pediatra, alergista e imunologista, com atuação especializada em alergias infantis. É professor colaborador da Faculdade de Medicina de Jundiaí e médico voluntário do Hospital das Clínicas da FMUSP, onde integra os ambulatórios de Alergia Alimentar, Esofagite Eosinofílica e Dermatite Atópica. Desenvolve seu trabalho com foco em alergias respiratórias e alimentares, asma, dermatite atópica e imunoterapia.
Instagram: @dr.marciobarros


Agosto Branco: dez perguntas e respostas sobre a relação entre tabagismo e câncer

 

90% dos casos de câncer de pulmão possuem como origem o hábito. Por isso, é fundamental alertar sobre os prejuízos à saúde e lembrar que é sempre tempo de parar de fumar

 

Agosto Branco é dedicado à conscientização sobre o câncer de pulmão, principal causa de morte por câncer no mundo. Cerca de 90% dos casos da doença estão associados ao consumo de derivados do tabaco, e fumantes têm um risco aproximadamente 20 vezes maior de desenvolver tumores pulmonares. Por isso, a campanha reforça a importância da prevenção e da cessação do tabagismo. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer de pulmão segue como o tipo de câncer que mais causa mortes no mundo. No Brasil, de acordo com a estimativa 2026-2028 do Instituto Nacional de Câncer (INCA), são esperados cerca de 35.380 novos casos da doença por ano, sendo aproximadamente 18.730 entre homens e 16.650 entre mulheres. 

Segundo dados mais recentes do sistema Vigitel, cerca de 9% da população adulta brasileira é fumante, embora o tabagismo continue sendo um importante problema de saúde pública. Segundo Mariana Laloni, diretora médica técnica da Oncoclínicas&Co, é necessário alertar quanto ao uso de vaporizadores de fumo, que tem sido usado principalmente por jovens. 

"Apesar da redução do consumo de cigarros no país, em decorrência das campanhas de conscientização e proibições do fumo, que vêm sendo aplicadas em locais públicos desde a década de 1990, o número absoluto de tabagistas ainda é alarmante. E os novos dispositivos tecnológicos de vape, que conquistam especialmente as chamadas gerações Millennial e Z sob a falsa justificativa de serem menos nocivos à saúde e por seu design moderno - que serve como atrativo adicional para essa parcela da população - representam uma ameaça ainda maior de retrocesso na luta contra o tabagismo", comenta a especialista. 

Segundo a OMS, mais de 8 milhões de pessoas morrem todos os anos em decorrência de doenças relacionadas ao tabaco. No Brasil, esse número chega a cerca de 162 mil mortes anuais, uma média de 443 óbitos por dia.
 

Iluminando o caminho 

Com o avanço da ciência, as diferentes maneiras de tratar o câncer foram se transformando ao longo dos anos. No caso das neoplasias de pulmão, as alternativas terapêuticas têm sido indicadas para o enfrentamento da doença, como é o caso da radioterapia isolada. "A indicação depende principalmente do estadiamento, tipo, tamanho e localização do tumor, além do estado geral do paciente", diz Mariana Laloni. 

A imunoterapia exerce um papel importante para o enfrentamento do câncer de pulmão. A partir do reconhecimento do tumor pelo organismo, e que com o passar do tempo ele irá se "disfarçar" para não ser reconhecido e crescer, a técnica consiste em fazer com que o corpo ative uma espécie de chave, religando a resposta imunológica para agir contra o problema. 

"Embora o sistema imune esteja apto a prevenir ou desacelerar o crescimento do câncer, as células cancerígenas sempre dão um jeitinho de driblá-lo e, assim, evitar que sejam destruídas. O papel da imunoterapia é justamente ajudar os ‘soldados’ de defesa do organismo a agir com mais recursos contra o câncer, produzindo uma espécie de super estímulo para que o corpo produza mais células imunes e assim a identificação das células cancerígenas seja facilitada - devolvendo ao corpo a capacidade de combater a doença de maneira efetiva", explica a especialista. Entretanto, é fundamental alertar que antes de remediar, o câncer de pulmão deve ser prevenido. Para Mariana Laloni a melhor alternativa é sempre parar de fumar. 

A seguir, a oncologista Mariana Laloni esclarece dez perguntas e respostas comuns sobre a relação entre o fumo e o câncer.
 

O fumo pode aumentar o risco de câncer de pulmão? 

Sim. O tabagismo pode aumentar em aproximadamente 20 vezes o risco de desenvolver câncer de pulmão. Cerca de 90% dos casos estão relacionados ao fumo.
 

Quais são os principais sintomas do câncer de pulmão? 

Nas fases iniciais da doença, onde a chance de cura é maior, o problema é, infelizmente, silencioso, não apresentando sintomas. Já nas fases em que o câncer está mais avançado, o paciente pode apresentar sinais no aparelho respiratório, como tosse, dor no peito e falta de ar.
 

Quais são os principais tipos de câncer de pulmão? 

Existem dois tipos de câncer de pulmão, sendo eles o carcinoma de pequenas células e o de não pequenas células. Geralmente, o segundo caso corresponde a 80 a 85% dos casos, podendo ser subdividido em carcinoma epidermoide, adenocarcinoma e carcinoma de grandes células. No mundo, o tipo mais comum é o adenocarcinoma, atingindo 40% dos pacientes.
 

Como é o tratamento para câncer de pulmão? 

Para o tratamento adequado, é importante analisar o estadiamento, subtipo, tamanho e localização do tumor, além de avaliar se o paciente possui algum tipo de comorbidade. Caso a doença esteja em seu estágio inicial e localizado apenas no pulmão, a indicação é de cirurgia ou radiocirurgia, uma radioterapia direcionada. 

Já nos casos mais avançados, porém sem lesões à distância, o tratamento escolhido pode ser a combinação da quimioterapia e radioterapia, podendo consolidar a imunoterapia. Quando existem metástases, o caminho para os recursos irá depender do tipo de tumor.
 

Além do câncer de pulmão, o tabagismo aumenta o risco de outros tipos de câncer? 

Sim. Além do câncer de pulmão, o fumo pode aumentar os riscos para o câncer de cabeça e pescoço, boca, laringe, faringe e bexiga.
 

Quais são os principais elementos cancerígenos dos cigarros convencionais? 

A fumaça do cigarro contém milhares de substâncias químicas, das quais mais de 70 são reconhecidamente cancerígenas, de acordo com o INCA. Entre elas estão formaldeído, benzeno, arsênio, cádmio, acroleína, acetaldeído, monóxido de carbono e alcatrão. Embora a nicotina seja a substância responsável pela dependência, ela não é considerada o principal agente cancerígeno do cigarro. O risco de câncer está relacionado principalmente às substâncias tóxicas liberadas pela combustão do tabaco.
 

Qual dessas substâncias causa dependência em cigarros? 

É justamente a nicotina, uma vez que provoca a sensação de prazer e pode levar ao vício. Essa substância psicoativa faz parte da Classificação Internacional de Doenças (CID) da OMS.
 

O cigarro eletrônico também aumenta o risco de câncer de pulmão? 

Sim. Embora os efeitos de longo prazo ainda estejam sendo estudados, já existem evidências de que os cigarros eletrônicos expõem os usuários à nicotina e a diversas substâncias tóxicas capazes de causar danos ao sistema respiratório e cardiovascular. Além disso, podem aumentar o risco de câncer. Os dispositivos não são considerados seguros e seu uso não deve ser encarado como alternativa saudável ao cigarro convencional.
 

Depois de quanto tempo sem fumar há a diminuição do risco de desenvolvimento de cânceres ligados à nicotina? 

Com o passar das horas e dias, os benefícios à saúde são bastante perceptíveis e as chances de desenvolvimento de cânceres também diminuem com o passar dos anos - com 10 anos sem fumar, os riscos são considerados baixos. Mas, dependendo da carga tabágica - número de maços por dia vezes o número de anos que a pessoa fumou - é importante continuar de olho.
 

Que impacto haveria nos diagnósticos de câncer se todos os fumantes do mundo conseguissem se livrar do vício agora? 

O principal impacto seria a diminuição de aproximadamente 33% do número de casos de câncer diagnosticados e, ao longo do tempo, uma redução ainda mais expressiva.



Oncoclínicas&Co
www.oncoclinicas.com


Incontinência urinária afeta milhões de mulheres e laser de CO2 pode ser uma opção de tratamento complementar

Queixa é mais comum após os 40 anos, mas também pode atingir mulheres jovens, explica ginecologista explica quando a tecnologia pode ajudar a recuperar a qualidade de vida

 

A perda involuntária de urina ainda é um dos problemas de saúde feminina mais subnotificados no Brasil. Embora muitas mulheres consideram normal perder urina ao tossir, espirrar ou sentir uma vontade súbita de ir ao banheiro, especialistas alertam que a incontinência urinária não faz parte do envelhecimento natural e possui tratamento. 

Estimativas apontam que entre 25% e 45% das mulheres adultas apresentam algum grau de incontinência urinária ao longo da vida, percentual que aumenta com a idade, a gestação e o parto vaginal. Dados da International Continence Society e da Sociedade Brasileira de Urologia indicam que a condição afeta milhões de brasileiras e compromete significativamente a qualidade de vida.

É comum que mulheres apresentem perda urinária ou urgência miccional mesmo com exame de urina e urocultura normais. Nesses casos, é importante uma avaliação clínica completa para identificar a causa dos sintomas.

Foi exatamente esse o quadro vivido por uma paciente de 34 anos atendida pela ginecologista Roberta Brando. A mulher relatava necessidade de urinar diversas vezes ao dia, eliminando pouca quantidade de urina e convivendo com desconforto frequente, apesar de exames normais. Após duas sessões de laser de CO2, afirmou ter percebido melhora de aproximadamente 70% dos sintomas. Trata-se de um relato clínico individual, que não representa necessariamente o resultado esperado para todas as pacientes.

"É muito comum receber pacientes com sintomas urinários persistentes, mas sem sinais de infecção nos exames. Nesses casos, precisamos investigar a funcionalidade dos tecidos vaginais e do assoalho pélvico. Isso além também de checar as alterações de colágeno, as deficiências estrogênicas quando presentes, a alterações da sustentação uretral e, ainda, a disfunção muscular do assoalho pélvico. O laser de CO2 promove remodelação do colágeno, melhora a qualidade da mucosa e pode contribuir para reduzir sintomas como urgência urinária e desconforto, sempre após uma avaliação individualizada", explica a médica ginecologista Roberta Brando, especialista em estética íntima e terapia hormonal feminina.

A médica ressalta, porém, que o tratamento não substitui a investigação clínica e não é indicado para todos os tipos de incontinência urinária. "Cada paciente precisa de um diagnóstico preciso. Existem diferentes formas de incontinência, como a de esforço, a de urgência e a mista. O laser pode ser um recurso importante para mulheres selecionadas, especialmente quando existe comprometimento da saúde vaginal, mas ele faz parte de um plano terapêutico mais complexo. Ele promove alterações teciduais que podem estimular a remodelação do colágeno e melhorar a qualidade da mucosa vaginal. Inclusive, estudos sugerem melhores resultados principalmente em mulheres com síndrome geniturinária da menopausa associada a sintomas urinários leves ou moderados”, completa.

Segundo a literatura científica, a incontinência urinária pode provocar impactos que vão além dos sintomas físicos. O problema está associado à redução da autoestima, limitações nas atividades sociais, dificuldades na prática de exercícios físicos e prejuízos à vida sexual. Apesar disso, especialistas estimam que uma parcela significativa das mulheres demora anos para procurar ajuda por vergonha ou por acreditar que a condição é inevitável. Embora estudos demonstrem melhora dos sintomas em parte das pacientes, ainda são necessários estudos randomizados de maior qualidade para definir com precisão quais mulheres apresentam maior benefício.

Para Roberta Brando, ampliar a informação é fundamental para reduzir esse cenário. “Segundo as diretrizes internacionais, a fisioterapia pélvica ajuda muito no tratamento da incontinência urinária, mas é preciso avaliar todos esses fatores supracitados. O laser vaginal pode ser considerado como terapia complementar em pacientes selecionadas, especialmente quando coexistem alterações da saúde vaginal relacionadas ao climatério ou à menopausa, sempre após avaliação individualizada”, finaliza a ginecologista.


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