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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Criança que respira pela boca: quando isso afeta o sono, a fala e o desenvolvimento facial?

Otorrinolaringologista alerta que respiração bucal persistente pode estar ligada à obstruções nasais, ronco, sono ruim e alterações no crescimento da face

 

Ver uma criança dormindo de boca aberta ou respirando pela boca durante o dia pode parecer algo comum, mas, quando esse hábito é frequente, merece atenção. A respiração bucal persistente pode indicar dificuldade de passagem do ar pelo nariz e estar relacionada a quadros, como rinite, aumento de adenoide, amígdalas aumentadas, desvio de septo, sinusites de repetição ou outras obstruções das vias aéreas superiores. 

Segundo o Dr. Gustavo Meirelles, professor voluntário no Serviço de Otorrinolaringologia da Santa Casa de São Paulo e otorrinolaringologista na Clínica Dolci, em São Paulo, respirar pela boca não deve ser tratado apenas como “mania” de criança. “A respiração nasal é importante para filtrar, aquecer e umidificar o ar. Quando a criança passa a respirar predominantemente pela boca, é preciso entender se existe alguma obstrução ou inflamação impedindo a respiração adequada pelo nariz”, explica. 

Entre os sinais de alerta estão ronco frequente, sono agitado, baba no travesseiro, boca seca ao acordar, mau hálito, irritabilidade, sonolência durante o dia, dificuldade de concentração, cansaço, voz anasalada e infecções de repetição. Em alguns casos, a criança também pode apresentar pausas respiratórias durante o sono, o que exige investigação. “O sono da criança precisa ser reparador. Quando há ronco, respiração difícil ou pausas respiratórias, a qualidade do sono pode ser prejudicada, com reflexos no comportamento, na disposição e até no rendimento escolar”, afirma o médico. 

A respiração bucal crônica também pode ter impacto sobre fala, mastigação, deglutição, posicionamento da língua e desenvolvimento dentofacial. Por isso, dependendo do caso, a avaliação pode envolver uma equipe multidisciplinar, incluindo otorrinolaringologista, odontopediatra, ortodontista e fonoaudiólogo. 

“Quando a criança mantém a boca aberta por longos períodos, há uma adaptação de musculatura, língua e postura oral. Com o tempo, isso pode interferir em funções como fala, mastigação e crescimento facial. Quanto mais cedo a causa é identificada, melhor tende a ser a resposta ao tratamento”, orienta Dr. Gustavo. 

O tratamento depende da origem do problema. Em alguns casos, pode envolver controle de rinite, lavagem nasal, medicamentos, acompanhamento fonoaudiológico, tratamento odontológico ou, quando indicado, cirurgia para adenoide ou amígdalas aumentadas. 

“O ponto principal é não normalizar a criança que respira sempre pela boca. Se isso acontece durante o sono e também ao longo do dia, se há ronco ou dificuldade para respirar pelo nariz, é importante procurar avaliação especializada”, conclui.

 

Dr. Gustavo Meirelles dos Santos - Otorrinolaringologista na Clínica Dolci Otorrinolaringologia e Cirurgia Estética Facial, em São Paulo. Graduado na PUC - São Paulo. Residência em Otorrinolaringologia na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Fellow em Rinologia na Santa Casa de São Paulo. Professor voluntário no Serviço de Otorrinolaringologia na Santa Casa de São Paulo.


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