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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Nomofobia e text neck figuram entre as novas 'síndromes' da era digital, alertam especialistas

 

Uma população hiperconectada e cada
vez mais ansiosa longe das telas 
 
Envato

Com 185 milhões de usuários conectados, Brasil registra crescimento de dores cervicais e ansiedade ligadas ao uso do celular


O medo ou a ansiedade de ficar longe do celular já afeta 60% dos brasileiros, segundo um estudo do portal nomophobia.com. A nomofobia, popularmente conhecida como síndrome do celular, tem avançado em meio ao crescimento do tempo de exposição às telas e da hiperconectividade do país, especialmente entre os mais jovens. Hoje, o Brasil soma cerca de 185 milhões de usuários de internet, de acordo com o levantamento Digital 2026 do DataReportal, enquanto quase 90% dos brasileiros com mais de 10 anos já utilizam o celular no dia a dia, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O avanço desse comportamento também aparece no tempo diário dedicado às telas. Dados da Comparitech mostram que os brasileiros passam, em média, 9 horas e 13 minutos por dia conectados, o segundo maior índice do mundo e bem acima da média global, de 6 horas e 40 minutos diários.

O crescimento da dependência digital acompanha a ascensão dos vídeos curtos e da rolagem infinita nas redes sociais. Dados do DataReportal apontam que 87,5% dos adultos on-line assistem semanalmente a conteúdos em formatos como TikTok, Instagram Reels e YouTube Shorts. Somando os mais de 5,66 bilhões de usuários de redes sociais no mundo, as plataformas concentram mais de 15 bilhões de horas de consumo diário — cenário que reforça o potencial viciante desses conteúdos baseados em estímulos rápidos e na permanência contínua on-line. 

Para o psiquiatra dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, Marcelo Heyde, esse modelo mantém o cérebro em estado constante de recompensa imediata. “Esse excesso de estímulos pode impactar a concentração, a memória, a qualidade do sono e a regulação da ansiedade, pois o cérebro se acostuma com as recompensas rápidas e simples em detrimento de tarefas minimamente mais complexas”, explica. Segundo o médico, este fenômeno, recentemente nomeado como brain rot — ou apodrecimento cerebral —, apesar de não ser um termo técnico, ajuda a descrever os sintomas de dependência digital, que podem reduzir o interesse por atividades que exigem mais atenção. 

Uma análise global publicada em 2025 na revista Psychiatry Research, que reuniu dados de mais de 30 mil participantes de 18 países, apontou que uma em cada duas pessoas apresenta nomofobia moderada e uma em cada cinco sofre com níveis graves do transtorno. “Trata-se de um estado de alerta constante, em que a pessoa precisa ficar checando o celular, pelo receio de perder o assunto do momento, gerando um estado de tensão contínua, muito semelhante ao estado de alguém que está em sobreaviso. O cérebro passa a se acostumar com ciclos rápidos de recompensa e hiperestimulação frequente, o que dificulta pausas e aumenta a necessidade de permanecer conectado”, ressalta o especialista.


Impactos do uso excessivo também atingem o corpo

Além dos efeitos neurológicos, o uso do celular também tem ampliado os casos de dores crônicas e problemas causados pela má postura. De acordo com o ortopedista do Hospital São Marcelino Champagnat, Mauro Fernandes Junior, após a pandemia, houve um aumento significativo das queixas de dores musculares e na coluna, além de desconfortos relacionados à exposição contínua de telas. “O trabalho remoto, o ensino a distância e o maior tempo de permanência em celulares e computadores contribuíram para mudanças de hábito e piora da ergonomia no dia a dia”, ressalta.

O ortopedista afirma que, antes, esse tipo de problema era mais frequente em adultos em idade produtiva e que, hoje, os sintomas aparecem cada vez mais cedo, inclusive em adolescentes e jovens adultos. “Isso não significa necessariamente uma lesão estrutural grave da coluna, mas, sim, um aumento de sobrecarga muscular, da fadiga postural e da dor associadas ao uso prolongado de dispositivos eletrônicos", explica. 

É importante destacar que a dor cervical costuma ter diversas causas. Além do tempo de tela, fatores como sedentarismo, estresse, sono inadequado e má postura também exercem grande influência. Uma das consequências é a chamada síndrome do pescoço de texto, ou text neck, causada pela sobrecarga gerada pela posição inclinada da cabeça durante o uso prolongado do celular. O especialista destaca que quanto maior a flexão do pescoço, maior a carga exercida sobre a musculatura e as estruturas da coluna cervical. 

Quando a cabeça permanece inclinada para frente durante o uso do celular, a força exercida sobre a coluna cervical aumenta significativamente. Isso acontece porque a gravidade intensifica a pressão sobre a região do pescoço, fazendo com que os cerca de 5 kg da cabeça possam representar uma sobrecarga equivalente a até 27 kg. Segundo o médico, embora esses valores não representem literalmente o “peso real” sobre a coluna, eles ajudam a mostrar como passar muito tempo em postura inadequada pode aumentar bastante a pressão sobre o pescoço e favorecer dores e desconfortos. 

O uso repetitivo e prolongado do celular também pode contribuir para dores musculares, tendinites e problemas causados pela compressão dos nervos, como a síndrome do túnel do carpo. Essa condição ocorre quando o nervo que passa pelo punho fica pressionado, o que pode causar dor, sensação de cansaço nas mãos, formigamento e dormência. Entre os principais sinais de alerta estão perda de força, dificuldade para segurar objetos, dormência persistente, piora progressiva dos sintomas e redução da coordenação motora.

Em casos mais avançados, o ortopedista salienta que pode ocorrer perda muscular na região da palma da mão e comprometimento da função do nervo. “Quando o quadro permanece por muito tempo sem tratamento, parte da recuperação pode se tornar limitada, por isso o diagnóstico precoce é fundamental", alerta. 


Prevenção exige mudanças simples na rotina

Diante de uma rotina em que a tecnologia está cada vez mais presente, o especialista reforça que a prevenção continua sendo a principal forma de evitar complicações. Pequenas mudanças de hábito no dia a dia podem fazer a diferença na redução do risco de dores e lesões, como:

·         manter o celular mais próximo da altura dos olhos, evitando longos períodos com o pescoço inclinado;

·         fazer pausas regulares durante o uso prolongado de telas;

·         alternar posições ao longo do dia;

·         praticar atividade física regularmente;

·         fortalecer a musculatura do pescoço, dos ombros e das costas;

·         manter atenção à ergonomia no ambiente de trabalho e estudos, deixando o celular virado para baixo ou fora do alcance;

·         para os vídeos curtos, estabelecer um limite diário de tempo máximo para consumo desse tipo de conteúdo. 

Além disso, fatores como sono adequado e controle do estresse também são fundamentais na prevenção das dores crônicas nos músculos e nas articulações.

 

Hospital São Marcelino Champagnat

Hospital Universitário Cajuru

 

ANVISA aprova nova opção de imunoterapia subcutânea da MSD para diversos tipos de câncer

KEYTRUDA SCTM é a primeira e única formulação de pembrolizumabe aplicada sob a pele, com administração em até dois minutos

 

A ANVISA aprovou uma nova forma de aplicação de pembrolizumabe, chamada de KEYTRUDA SCTM (pembrolizumabe e berahialuronidase alfa-pmph), medicamento da MSD indicado para o tratamento de diversos tipos de câncer. Diferentemente da versão tradicional, aplicada via intravenosa, o medicamento agora pode ser administrado por meio de uma injeção logo abaixo da pele (via subcutânea), de forma rápida e simples, por um profissional de saúde. 

Essa é a primeira e única imunoterapia com pembrolizumabe disponível em formulação subcutânea. A nova opção pode trazer mais conforto aos pacientes e maior praticidade aos serviços de saúde, já que a aplicação leva apenas de um a dois minutos, enquanto a infusão intravenosa costuma durar cerca de 30 minutos. 

KEYTRUDA SCTM foi aprovado para as mesmas indicações já autorizadas para a versão intravenosa do medicamento. Ao todo, o tratamento abrange 40 tipos de câncer, incluindo quatro indicações em que o uso também pode ser indicado para pacientes a partir de 12 anos de idade. 

A aprovação foi baseada em um estudo clínico que comparou a nova versão subcutânea com a versão intravenosa, ambas associadas à quimioterapia, em pacientes com câncer de pulmão de não-pequenas células (CPNPC) metastático que ainda não haviam recebido tratamento. 

Os resultados mostraram que a absorção do medicamento pelo organismo foi semelhante nas duas formas de aplicação, assim como os benefícios do tratamento. As taxas de resposta ao tratamento, ou seja, a redução ou o desaparecimento do tumor, foram semelhantes entre a formulação subcutânea e a intravenosa, e não foram observadas diferenças relevantes na sobrevida livre de progressão (tempo em que a doença fica controlada) e na sobrevida global (tempo, em média, que as pessoas continuam vivendo após o tratamento). 

O perfil de segurança de KEYTRUDA SCTM foi consistente com o já observado para a sua versão intravenosa. Na versão subcutânea, foram observadas reações leves no local da aplicação, como: reação no local da injeção (0,8%), vermelhidão no local da injeção (0,4%), hemorragia no local da aplicação (0,4%), endurecimento no local da injeção (0,4%), dor no local da injeção (0,4%). 

“Essa nova formulação representa um avanço importante para pacientes e profissionais de saúde, porque oferece uma forma mais rápida e prática de administrar uma imunoterapia já consagrada no tratamento de vários tipos de câncer”, afirma Márcia Datz Abadi, diretora médica da MSD no Brasil. “O aumento na qualidade de vida do paciente é enorme, pois o novo tratamento reduz bastante o tempo de aplicação do medicamento, trazendo mais conforto e facilitando a sua rotina”, completa. 

Como injeção subcutânea em locais como coxa ou abdome, o medicamento pode ser aplicado em um minuto a cada três semanas ou em dois minutos a cada seis semanas.
 

Sobre o estudo clínico 3475A-D77

O estudo que embasou a aprovação foi um ensaio clínico internacional de fase III, que comparou a nova forma de aplicação de pembrolizumabe (injeção subcutânea) com a forma tradicional (intravenosa), em pessoas com câncer de pulmão de não-pequenas células metastático, recentemente diagnosticado. Participaram do estudo 377 pacientes com doença em estágio IV, de diferentes subtipos de câncer de pulmão, sem certas alterações genéticas específicas (EGFR, ALK ou ROS1). Eles foram divididos em dois grupos: um recebeu a versão subcutânea do medicamento e o outro, a versão intravenosa, ambos combinados com quimioterapia. Os pesquisadores avaliaram principalmente como o organismo absorve e mantém o medicamento no sangue, além de analisar a eficácia e o perfil de segurança do tratamento.


Falta de cuidado odontológico em pacientes internados eleva risco de infecções e expõe falha hospitalar

Especialista alerta que a ausência de cuidado bucal pode agravar quadros clínicos, prolongar internações e aumentar a pressão sobre o sistema de saúde 

 

A falta de cuidado com a saúde bucal durante internações hospitalares ainda representa um risco subestimado dentro da assistência à saúde, apesar de protocolos clínicos já reconhecerem sua relação com a prevenção de infecções respiratórias graves, como a pneumonia associada à ventilação mecânica. Antes com 11,3% em 2012, as pessoas com 60 anos ou mais agora já representam 16,6% da população brasileira em 2025, segundo dados do IBGE divulgados em 2026, avanço que reforça a necessidade de cuidados contínuos e de uma assistência mais integrada para pacientes com maior fragilidade clínica.

Para a cirurgiã dentista Dra. Cristiane Vasconcellos, mestre em Clínica Odontológica Integrada e diretora da Odontolar, clínica com atuação em odontogeriatria, home care e odontologia hospitalar em Vitória, a negligência com a saúde bucal dentro de hospitais ainda representa uma falha estrutural na assistência. Informações institucionais da especialista constam no material de referência fornecido . “A boca é porta de entrada para bactérias. Quando não existe acompanhamento adequado, especialmente em pacientes fragilizados, o risco clínico aumenta de forma importante e pode impactar diretamente a recuperação”, afirma.

Pacientes idosos, acamados, pessoas com deficiência e indivíduos em unidades de terapia intensiva estão entre os mais vulneráveis. A redução da salivação, a dificuldade de higienização, o uso contínuo de medicamentos e a própria condição clínica favorecem a proliferação bacteriana na cavidade oral, elevando o risco de complicações sistêmicas.

“Quando a saúde bucal é ignorada, a equipe pode estar deixando de atuar sobre um foco infeccioso importante. Isso pode prolongar internações, favorecer infecções respiratórias, agravar doenças de base e aumentar o risco de complicações clínicas que exigem cuidados intensivos, especialmente entre idosos e pacientes acamados”, afirma Cristiane.


O custo clínico de ignorar a saúde bucal

A discussão ultrapassa a odontologia e alcança a gestão hospitalar. Além do impacto direto sobre a recuperação do paciente, complicações infecciosas associadas à falta de cuidado bucal podem prolongar o tempo de internação, aumentar a necessidade de antibióticos, intensificar a demanda por suporte intensivo e elevar custos assistenciais que poderiam ser reduzidos com medidas preventivas incorporadas à rotina hospitalar.

Para a especialista, a odontologia hospitalar ainda enfrenta barreiras de integração em muitas instituições e planos de saúde, apesar da evolução do debate técnico. “Ainda existe uma percepção equivocada de que o cuidado odontológico é complementar. Em muitos casos, ele é parte da prevenção clínica. A saúde bucal precisa estar integrada ao plano terapêutico sistêmico, não ser lembrada apenas quando surge uma intercorrência.”

O avanço da longevidade reforça essa necessidade. O hospital recebe hoje pacientes mais idosos, com múltiplas comorbidades e maior vulnerabilidade clínica, o que exige uma atuação multiprofissional mais estruturada. “A mudança demográfica já alterou o perfil assistencial. Quando falamos de pacientes mais frágeis, qualquer foco infeccioso negligenciado pode ter impacto relevante na evolução clínica”, afirma Cristiane.

 



Cristiane Vasconcellos - cirurgiã-dentista, mestre em Clínica Odontológica Integrada e diretora clínica da Odontolar, em Vitória (ES). Atua há mais de duas décadas no atendimento odontológico voltado à idosos, pessoas com deficiência e pacientes com mobilidade reduzida, com foco em atendimentos hospitalares, em instituições geriátricas e atendimento domiciliares. Ao longo da carreira, consolidou sua atuação no Espírito Santo levando estrutura clínica e tecnologia até a casa de pacientes que não conseguem se deslocar até os consultórios odontológicos.Especialista em Geriatria e Gerontologia, Odontogeriatria, Odontologia Hospitalar, Laserterapia, Prótese Dentária e Saúde Coletiva, dedica sua prática à integração entre saúde bucal, qualidade de vida e cuidado humanizado nesse tipo de pacientes.
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Odontolar
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Fontes utilizadas:

IBGE (PNAD Contínua e envelhecimento populacional 2025)
https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/17270-pnad-continua.html

Agência Brasil com dados consolidados do IBGE sobre envelhecimento populacional https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2026-04/populacao-no-brasil-cresce-em-ritmo-menor-e-esta-envelhecendo

Anvisa — Protocolo de prevenção de pneumonia associada à ventilação mecânica
https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/publicacoes/protocolo-de-prevencao-de-pneumonia-associada-a-ventilacao-mecanica.pdf

FIOCRUZ — infecções relacionadas à assistência à saúde e segurança do paciente
https://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/manuais/seguranca%20e%20saude%20no%20trabalho/SAUDE%20DO%20PACIENTE.pdf


Junho Verde alerta para câncer de rim, doença silenciosa que pode ter mais de 12 mil novos casos por ano no Brasil

Obesidade, hipertensão e tabagismo estão entre os principais fatores de risco para o câncer de rim
Canva
Diagnóstico precoce eleva as chances de cura para mais de 90%; obesidade, hipertensão e tabagismo estão entre os principais fatores de risco 

 

O Junho Verde, mês de conscientização sobre o câncer de rim, chama a atenção para uma das doenças mais silenciosas da urologia. Sem provocar sintomas nas fases iniciais, o tumor costuma ser descoberto por acaso durante exames realizados por outros motivos, o que torna a prevenção e o acompanhamento médico ainda mais importantes.

Dados da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), apontam cerca de 12 mil novos casos anuais no país. Nos últimos anos, mais de 10 mil brasileiros perderam a vida em decorrência da doença, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).

Apesar dos números preocupantes, quando identificado precocemente, com o tumor ainda restrito ao rim, o câncer renal apresenta taxas de cura superiores a 90%.

"O câncer de rim é uma doença traiçoeira porque, na maioria das vezes, não provoca sintomas nas fases iniciais. Muitos pacientes descobrem o tumor durante uma ultrassonografia ou uma tomografia solicitada por outros motivos. Isso mostra a importância de manter uma rotina de consultas e exames", afirma o urologista, uro-oncologista e cirurgião robótico Dr. Luís César Zaccaro.

Segundo o especialista, a doença atinge principalmente pessoas entre 50 e 70 anos e possui forte relação com fatores ligados ao estilo de vida. "Esse é um exemplo claro de como os hábitos do dia a dia influenciam diretamente o risco de desenvolver câncer. Obesidade, hipertensão arterial e tabagismo estão entre os principais fatores associados ao câncer renal. Controlar o peso, manter a pressão sob acompanhamento e abandonar o cigarro são medidas que ajudam a reduzir o risco não apenas de tumores, mas também de diversas doenças cardiovasculares", explica.

 

Sinais costumam aparecer em fases mais avançadas

Nas fases iniciais, o câncer de rim raramente causa dor ou outros sinais perceptíveis. Quando a doença já se encontra mais avançada, podem surgir sangue na urina, dor persistente em apenas um lado da região lombar, presença de uma massa palpável no abdômen, fadiga e perda de peso sem causa aparente.

"O fato de a doença ser silenciosa não significa que ela seja rara. Pelo contrário. Como os sintomas geralmente aparecem em estágios mais avançados, é fundamental valorizar os exames de rotina e procurar avaliação médica diante de qualquer alteração urinária ou dor lombar persistente", orienta Zaccaro.

Além da idade, alguns fatores aumentam o risco de desenvolvimento da doença. Os principais são tabagismo, obesidade, hipertensão arterial e histórico familiar de câncer renal. Para o especialista, boa parte desses fatores está diretamente relacionada aos hábitos de vida.

 

Alimentação equilibrada e hidratação ajudam a proteger os rins

Embora não exista uma forma específica de prevenir o câncer de rim, a adoção de hábitos saudáveis contribui para reduzir os fatores de risco. Uma alimentação equilibrada ajuda a diminuir a sobrecarga sobre os rins e auxilia no controle de doenças como obesidade, hipertensão e diabetes, consideradas importantes inimigas da saúde renal. O consumo excessivo de sal favorece o aumento da pressão arterial, enquanto o excesso de açúcar está associado ao diabetes, duas condições que comprometem o funcionamento dos rins.

A hidratação adequada também é importante. A recomendação geral é manter a ingestão diária de aproximadamente dois litros de água, observando se a urina apresenta coloração clara.

"Os rins são órgãos essenciais para o funcionamento do organismo e merecem atenção ao longo de toda a vida. Pequenas atitudes, como manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, controlar a pressão arterial, não fumar e beber água adequadamente, representam investimentos importantes na saúde renal e na prevenção de doenças", destaca o médico. 

 

Dr. Luís César Zaccaro - urologista, uro-oncologista e cirurgião robótico. Mestre em Oncologia pelo Hospital de Amor de Barretos, é chefe do Ambulatório de Uro-oncologia da Santa Casa de Ribeirão Preto, delegado da Sociedade Brasileira de Urologia – Seccional São Paulo, diretor do GEURP – Grupo de Estudos em Uro-Oncologia de Ribeirão Preto e referência nacional em cirurgia robótica, atuando também como proctor e palestrante em congressos no Brasil e no exterior.

 

Guia das doenças de inverno: os erros mais comuns no autocuidado e o impacto das novas vacinas

Infectologista do Hospital e Maternidade Pro Matre Paulista alerta para os riscos da automedicação, da pneumonia silenciosa e reforça o impacto das novas estratégias de prevenção no período mais frio do ano 

 

Com a chegada do inverno, a queda nas temperaturas e, em muitas regiões, a redução da umidade do ar, cresce a circulação de vírus e bactérias responsáveis por infecções respiratórias. O ar seco e frio resseca as mucosas das vias aéreas, o que compromete parte das defesas naturais do organismo. Ao mesmo tempo, a permanência em ambientes fechados e pouco ventilados favorece a transmissão de doenças, que podem ser graves especialmente entre crianças, idosos, gestantes e pessoas com condições crônicas.

Nesse cenário, o infectologista do Hospital e Maternidade Pro Matre Paulista, Dr. Lívio Dias, reforça que a prevenção deve combinar vacinação, atenção aos sintomas e hábitos adequados de autocuidado: “É importante combinar a proteção com imunizantes disponíveis associada a medidas preventivas rigorosas, acompanhamento clínico e tratamento específico. O cuidado ganha ainda mais relevância diante de quadros que podem evoluir de forma discreta, como a chamada pneumonia silenciosa, e do risco associado à automedicação”, diz.

A antecipação é uma importante medida para garantir a eficácia das vacinas. Atualizar os imunizantes contra Influenza e outras doenças antes do pico de circulação desses agentes permite que o organismo desenvolva anticorpos a tempo de enfrentar o período de maior risco. Outra preocupação importante é a coqueluche, infecção bacteriana grave em bebês pequenos que exige atenção redobrada ao calendário vacinal de crianças e gestantes.

Embora um resfriado comum costume causar coriza, indisposição leve e febre baixa, quadros mais graves podem se manifestar com febre persistente, piora do estado geral, cansaço intenso, chiado no peito ou falta de ar. Esses sinais exigem avaliação médica e, em alguns casos, ida imediata ao pronto-socorro.

“No geral, as vacinas precisam de um tempo para estimular o organismo e produzir uma defesa efetiva contra as doenças. Dessa forma, idealmente, devem ser feitas antes do pico de ocorrência dessas doenças, garantindo proteção adequada nos períodos de maior circulação desses vírus. Além disso, hoje vivemos uma verdadeira revolução nas estratégias de prevenção contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), conhecido por causar bronquiolite e pneumonia em bebês, e que também pode ser relevante em idosos. Temos desde a vacina para gestantes até o anticorpo monoclonal incorporado ao SUS para grupos específicos de bebês de maior risco, incluindo prematuros, além de vacinas aprovadas para idosos”, destaca Dr. Lívio.

O especialista também chama a atenção para quadros de pneumonia com sintomas pouco típicos, popularmente chamados de pneumonia silenciosa, quadro que pode não apresentar, no início, os sinais clássicos esperados, como febre alta ou sintomas respiratórios intensos. Em alguns pacientes, especialmente idosos, a doença pode surgir com manifestações mais sutis, como prostração, confusão mental, queda do apetite, cansaço fora do habitual ou piora gradual da respiração. Por isso, atrasar a busca por atendimento ou recorrer a medicamentos sem orientação pode agravar rapidamente a evolução do quadro.

A automedicação, incluindo o uso inadequado de antibióticos, xaropes, anti-inflamatórios e receitas caseiras, também representa um risco. Além de mascarar sintomas importantes, pode retardar o diagnóstico correto e favorecer complicações, principalmente em pessoas mais vulneráveis.

 

Hábitos de autocuidado e etiqueta respiratória 

Para as doenças que ainda não contam com vacinas específicas ou como complemento à proteção dos imunizantes, medidas simples de autocuidado e etiqueta respiratória continuam fundamentais: 

Hidratação constante: beber água com frequência ajuda a manter as mucosas hidratadas e favorece a fluidificação das secreções. 

Qualidade do ar: o uso correto de umidificadores pode ajudar a reduzir o ressecamento do ambiente, desde que haja limpeza adequada do equipamento e controle do excesso de umidade. 

Ventilação: manter janelas abertas por alguns períodos do dia, mesmo no frio, favorece a renovação do ar e reduz o risco de transmissão de doenças em ambientes fechados. 

Higiene das mãos: Higienizar as mãos com frequência seja com álcool em gel ou água e sabão, ajuda a diminuir a transmissão de vírus e bactérias. 

Etiqueta respiratória: cobrir boca e nariz com o antebraço ao tossir ou espirrar, além de evitar contato próximo quando houver sintomas, protege familiares, colegas de trabalho e a comunidade. 

A combinação entre calendário vacinal atualizado, atenção aos sinais de alerta e adoção de medidas preventivas pode reduzir complicações e internações durante o inverno. Mais do que um cuidado individual, a prevenção respiratória contribui para diminuir a circulação de patógenos e aliviar a pressão sobre os serviços de saúde nos meses de maior demanda.

 

Pro Matre Paulista
www.promatre.com.br


Cuidados invisíveis: a importância da rotina ginecológica na saúde de homens trans

Entenda a necessidade de manter os exames preventivos em dia para pacientes trans masculinos, detalhando como a terapia hormonal com testosterona modifica o trato urinário e reprodutor. 

 

Apesar dos avanços na medicina e na ampliação do acesso à saúde para a população LGBTQIAPN+, muitos homens trans ainda deixam de realizar consultas ginecológicas por medo, desconforto ou falta de acolhimento. O resultado é que exames preventivos importantes acabam sendo adiados ou abandonados, aumentando o risco de doenças que poderiam ser diagnosticadas precocemente.

Quem nasceu com útero, colo do útero e ovários continua precisando de acompanhamento ginecológico, independentemente da identidade de gênero. Isso significa que homens trans que não passaram por cirurgias para retirada desses órgãos devem manter em dia exames como o preventivo do colo do útero, além de avaliações periódicas para investigar alterações no endométrio, nos ovários e em outras estruturas do sistema reprodutor.

Segundo o ginecologista e especialista em endometriose Dr. Michael Zarnowski, um dos principais desafios é desmistificar a ideia de que o acompanhamento ginecológico deixa de ser necessário após o início da transição hormonal. “A testosterona provoca mudanças importantes no organismo, mas ela não elimina automaticamente os riscos de doenças ginecológicas. Pelo contrário, algumas alterações exigem ainda mais atenção e acompanhamento especializado”, explica.

A terapia hormonal com testosterona costuma levar à interrupção da menstruação e promove modificações no trato genital, como atrofia da mucosa vaginal, redução da lubrificação e mudanças na flora local. Essas alterações podem favorecer desconforto durante relações sexuais, aumentar a predisposição a pequenas lesões e até elevar o risco de infecções urinárias e vaginais em alguns pacientes.

Além disso, sintomas como dor pélvica, sangramentos inesperados ou alterações urinárias nunca devem ser considerados normais ou ignorados. “Mesmo em uso de testosterona, qualquer sangramento persistente precisa ser investigado. Também é fundamental avaliar queixas de dor ou desconforto para descartar doenças como endometriose, infecções ou outras condições ginecológicas”, ressalta o médico.

Outro ponto importante é que a testosterona não funciona como método contraceptivo. Embora muitas pessoas parem de menstruar durante o tratamento hormonal, a ovulação pode continuar acontecendo em alguns casos, tornando possível uma gestação caso haja relação sexual desprotegida com parceiro produtor de espermatozoides.

Para Dr. Michael, o cuidado começa pela construção de um ambiente seguro e respeitoso dentro do consultório. “A saúde ginecológica não deve ser associada ao gênero, mas aos órgãos que a pessoa possui e aos riscos relacionados a eles. O atendimento humanizado faz toda a diferença para que homens trans consigam realizar seus exames preventivos sem constrangimento e com tranquilidade.”

Mais do que uma consulta de rotina, o acompanhamento periódico representa uma estratégia de prevenção que pode identificar precocemente alterações importantes e preservar a qualidade de vida. Romper o tabu em torno desses cuidados é um passo essencial para garantir que a população trans tenha acesso a uma assistência completa, baseada em evidências e livre de preconceitos.

 

Fonte: Dr. Michael Zarnowski — Ginecologista especialista em Endometriose.


O ralo da libido: por que o cansaço e os erros na alimentação estão apagando o desejo sexual das mulheres?

No mês dos namorados, especialista explica que a falta de apetite íntimo pode ter raízes metabólicas, como inflamação crônica e desequilíbrios nutricionais; nutrólogo aponta os alimentos e suplementos de precisão que ajudam a resgatar a vitalidade e o bem-estar do casal.

 

A chamada “fadiga invisível”, caracterizada pela sensação permanente de exaustão mesmo após uma noite de sono, afeta milhões de brasileiras e pode estar relacionada à deficiência de vitaminas, minerais, alterações hormonais e processos inflamatórios provocados por uma alimentação pobre em nutrientes. O resultado é um organismo que prioriza funções essenciais de sobrevivência e deixa em segundo plano aspectos como disposição, prazer e desejo sexual.

Segundo o médico nutrólogo Dr. Lailson Ambrósio, muitas mulheres chegam ao consultório acreditando que perderam a libido por causa da idade ou do relacionamento, quando, na verdade, apresentam alterações que podem ser identificadas e corrigidas. “É comum encontrarmos baixos níveis de vitamina B12, ferritina e magnésio, além de padrões alimentares inflamatórios que comprometem a produção de energia e o equilíbrio hormonal. O corpo entra em um estado de economia, e a sexualidade acaba sendo uma das primeiras áreas impactadas”, explica.

Outro fator frequentemente negligenciado é a inflamação metabólica. Dietas ricas em ultraprocessados, açúcar e gorduras de baixa qualidade favorecem um estado inflamatório contínuo que interfere na circulação sanguínea, na função hormonal e na disposição física. “Não existe um alimento milagroso para aumentar a libido, mas existe uma combinação de hábitos que devolve ao organismo as condições necessárias para que o desejo aconteça naturalmente”, afirma o especialista.

Entre os aliados da saúde íntima estão alimentos ricos em proteínas de qualidade, vegetais coloridos, frutas, oleaginosas, azeite de oliva e peixes ricos em ômega-3, além da hidratação adequada. Em alguns casos, a suplementação personalizada de vitamina B12, ferritina, magnésio e outros micronutrientes pode ser indicada após avaliação clínica e laboratorial.

Dr. Lailson destaca que a individualização é fundamental. “Cada metabolismo responde de uma forma. Há pacientes que precisam apenas corrigir uma deficiência nutricional para perceber melhora significativa na disposição e na libido. Em outras situações, é necessário tratar inflamação, resistência à insulina ou alterações hormonais que estavam silenciosas.”

O especialista também alerta para o impacto de dietas extremamente restritivas e do emagrecimento sem acompanhamento profissional. Quando o organismo recebe energia insuficiente por longos períodos, ele reduz funções consideradas não prioritárias, incluindo a produção hormonal relacionada à reprodução e ao desejo sexual.

Neste mês dos namorados, o recado é que a falta de libido não deve ser encarada apenas como uma questão comportamental. Muitas vezes, ela representa um pedido de socorro do próprio organismo. “Antes de buscar soluções rápidas ou atribuir a culpa ao relacionamento, vale investigar se o corpo está recebendo os nutrientes necessários para funcionar plenamente. Cuidar da alimentação é também cuidar da saúde sexual e da qualidade de vida”, conclui o nutrólogo. 



Fonte: Dr. Lailson Ambrósio – Médico Nutrólogo.
@drlailsonambrosio
https://drlailsonambrosio.com.br/


Copa do Mundo: como aproveitar os jogos sem descuidar da saúde e da convivência social

Encontros para assistir às partidas podem fortalecer vínculos,
estimular bem-estar e contribuir para a longevidade.
 Freepik. 
Especialista destaca que encontros para assistir às partidas podem fortalecer vínculos, estimular bem-estar e contribuir para a longevidade 

 

Reunir amigos e familiares para assistir aos jogos da Copa do Mundo já faz parte da rotina de milhões de brasileiros. Entre comemorações, encontros em casa e momentos de torcida coletiva, as partidas também acabam criando oportunidades importantes de convivência social, fator cada vez mais associado à saúde mental, qualidade de vida e longevidade, especialmente entre pessoas idosas. 

Segundo a geriatra da MedSênior, Fernanda Sperandio, manter vínculos sociais ativos tem impacto direto sobre o bem-estar emocional e pode contribuir para um envelhecimento mais saudável. 

“A socialização estimula memória, comunicação, senso de pertencimento e reduz sentimentos de isolamento e solidão, que hoje são fatores de risco importantes para depressão, ansiedade e declínio cognitivo. Momentos de convivência, como assistir a um jogo em grupo, ajudam a fortalecer conexões afetivas e favorecem a saúde emocional”, explica. 

Apesar dos benefícios relacionados ao convívio, especialistas alertam que os encontros durante grandes partidas também costumam estar associados ao aumento do consumo de bebidas alcoólicas, alimentos ultraprocessados e longos períodos em ambientes fechados, o que exige atenção, principalmente entre idosos e pessoas com doenças crônicas. 

“Não é necessário deixar de aproveitar os encontros ou abrir mão das celebrações. O mais importante é manter a moderação, hidratação adequada e atenção aos excessos, especialmente em relação ao consumo de álcool e à alimentação”, afirma. 

A especialista alerta que o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, principalmente sem hidratação adequada e longos períodos sem alimentação, pode favorecer quadros de desidratação, mal-estar, alterações de pressão arterial e aumento do risco de quedas entre idosos. Por isso, a recomendação é evitar o consumo de bebidas alcoólicas com água. 

Além disso, ambientes fechados e com pouca circulação de ar podem facilitar a transmissão de vírus respiratórios, principalmente durante os meses mais frios do ano. 

“Manter janelas abertas, priorizar locais ventilados e evitar aglomerações em espaços muito fechados são medidas simples que ajudam a reduzir riscos de infecções respiratórias, especialmente para pessoas mais vulneráveis”, orienta. 

Para a especialista, eventos esportivos também podem ser uma oportunidade de estimular hábitos mais saudáveis dentro da rotina familiar. 

“É possível transformar esses encontros em momentos positivos não apenas do ponto de vista emocional, mas também da saúde. Pequenas escolhas, como oferecer opções mais leves de alimentação, manter hidratação adequada e incentivar a convivência entre diferentes gerações, fazem diferença”, conclui Fernanda Sperandio. 



MedSênior
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Andar e parar: o sintoma na panturrilha que as pessoas confundem com cansaço, mas indica artéria entupida

Sentir uma forte cãibra que obriga a interromper a caminhada e passa após alguns minutos de repouso é o principal sinal de alerta da Doença Arterial Periférica; cirurgião explica quando a dor vira caso cirúrgico para evitar a perda do membro. 

 

A cena é comum: durante uma caminhada, a pessoa sente uma dor intensa ou uma espécie de cãibra na panturrilha, precisa parar por alguns minutos e, assim que descansa, consegue seguir o percurso normalmente. O que muitos atribuem apenas ao cansaço ou à falta de condicionamento físico pode, na verdade, ser um dos sinais mais característicos da Doença Arterial Periférica (DAP), condição provocada pelo estreitamento ou obstrução das artérias que levam sangue às pernas.

Estudos brasileiros mostram que a doença é frequentemente subdiagnosticada e pode permanecer silenciosa por anos, aumentando o risco de amputações e de eventos cardiovasculares graves, como infarto e AVC. Em pacientes com diabetes tipo 2, por exemplo, uma pesquisa nacional identificou prevalência de 14,6% da doença, sendo que 75% dos casos não apresentavam sintomas evidentes, o que reforça a importância do diagnóstico precoce.

Segundo o cirurgião vascular e endovascular Dr. Josualdo Euzébio, a chamada claudicação intermitente é um alerta clássico. “O paciente anda alguns metros, sente uma dor forte na panturrilha ou na coxa, precisa parar, espera um pouco e a dor desaparece. Quando volta a caminhar, o sintoma retorna praticamente na mesma distância. Esse padrão é muito sugestivo de um problema na circulação arterial e merece investigação”, explica.

A doença acontece porque placas de gordura vão se acumulando nas paredes das artérias, reduzindo o fluxo sanguíneo para os músculos. Durante o repouso, a necessidade de oxigênio diminui e a dor melhora. Porém, ao retomar a caminhada, o músculo volta a exigir sangue que não consegue chegar em quantidade suficiente.

Entre os principais fatores de risco estão tabagismo, diabetes, hipertensão arterial, colesterol elevado, obesidade, sedentarismo e histórico familiar de doenças cardiovasculares. O envelhecimento também aumenta significativamente a probabilidade de desenvolver o problema.

“O maior erro é normalizar esse sintoma e achar que faz parte da idade ou do esforço físico. A dor repetitiva durante a caminhada é um mecanismo de defesa do organismo avisando que aquele músculo está sofrendo por falta de irrigação”, destaca o especialista.

Quando identificada nas fases iniciais, a Doença Arterial Periférica pode ser controlada com mudanças no estilo de vida, prática supervisionada de exercícios físicos, interrupção do tabagismo e medicamentos específicos para reduzir o risco cardiovascular. No entanto, quando o estreitamento das artérias evolui, a situação pode exigir intervenção.

“A indicação cirúrgica acontece quando a limitação para caminhar compromete a qualidade de vida ou quando surgem sinais de isquemia crítica, como dor mesmo em repouso, feridas que não cicatrizam ou áreas de necrose. Nesses casos, é preciso restabelecer rapidamente o fluxo sanguíneo para evitar a perda do membro”, afirma Dr. Josualdo.

Os procedimentos podem ser realizados por técnicas minimamente invasivas, como angioplastia com balão e implante de stent, ou por cirurgias de revascularização, dependendo do grau e da localização da obstrução.

O especialista reforça que nenhuma dor recorrente na panturrilha durante a caminhada deve ser ignorada. “Muitas pessoas convivem meses ou anos com esse sintoma acreditando que é apenas uma questão muscular. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de preservar a circulação, evitar complicações graves e manter a qualidade de vida.”

 

Fonte: Dr. Josualdo Euzébio — Cirurgião Vascular e Endovascular.
@dr.josualdo

 

Internações por quedas de idososgeram impacto superior a R$ 6,5 bilhões na saúde pública

 

Mais de 392 mil internações, quase 19 mil mortes e uma conta bilionária ao sistema de saúde: Números levantados pelo Grupo IAG Saúde entre 2024 e 2025 revelam por que proteger a população idosa de quedas é uma emergência de saúde pública no Brasil 

 

392.784 internações de idosos por quedas no SUS (2024-2025)

18.874 óbitos hospitalares — taxa de mortalidade de 4,8%

R$ 6,5 bilhões

custo assistencial estimado total (2024-2025)

6,5% de mortalidade em São Paulo — acima da média nacional (4,8%)

Para muitos idosos, uma queda não é um acidente banal. É o ponto de partida para uma internação prolongada, uma cirurgia de alta complexidade, meses de reabilitação e, em muitos casos, a perda definitiva da independência. Os dados são contundentes: entre 2024 e 2025, o Sistema Único de Saúde registrou 392.784 internações hospitalares de brasileiros com 60 anos ou mais decorrentes de quedas — um volume que gerou quase R$ 813 milhões apenas em remuneração hospitalar pública. O impacto econômico real estimado ultrapassa R$ 6,5 bilhões no período. 

O Dia Mundial de Prevenção de Quedas, celebrado todo ano em 24 de junho, existe justamente para acender o alerta sobre uma realidade que se repete com assustadora constância. No Brasil, o envelhecimento acelerado da população torna o problema ainda mais urgente — e os padrões observados nos dados hospitalares não dão sinais de melhora espontânea.

 

A LESÃO MAIS TEMIDA 

Entre todas as consequências de uma queda, a fratura do fêmur e do quadril ocupa um capítulo à parte na medicina geriátrica. Segundo os dados do DATASUS, a fratura do fêmur foi a condição clínica mais prevalente dentre os idosos internados por quedas, correspondendo a 33,9% dos casos analisados. No período estudado, foram 118.987 internações específicas por fratura de fêmur e quadril — e elas consumiram 54% de toda a remuneração hospitalar relacionada a quedas, embora representassem apenas cerca de um terço do total de pacientes.

 

POR QUE A FRATURA DE QUADRIL É TÃO PERIGOSA?  

Idosos com fratura de fêmur ou quadril necessitaram de UTI com frequência muito superior em comparação ao conjunto de internados por quedas: 52,1% desse grupo necessitou de terapia intensiva, contra 35% no resultado geral. A permanência hospitalar também é maior, e o custo médio por internação chega a R$ 18,4 mil na rede avaliada — 10% acima da média global das quedas. 

O perfil de quem mais sofre com essas lesões revela um padrão epidemiológico consistente. As mulheres representam cerca de 70% dos casos de fratura de fêmur e quadril — reflexo da osteoporose pós-menopausa, que fragiliza os ossos ao longo das décadas. E são justamente as pessoas mais longevas as mais vulneráveis: aproximadamente 55% dos pacientes com essa fratura tinham 80 anos ou mais, com idade média de 80 anos. No resultado global das quedas, a média de idade foi de 76,7 anos — o que evidencia que o problema se concentra nas faixas etárias de maior fragilidade.

 

ALÉM DO QUADRIL: UM LEQUE DE LESÕES GRAVES 

A fratura do fêmur domina as estatísticas, mas a queda de um idoso pode abrir caminho para um espectro amplo de lesões graves. Os dados do DATASUS mostram que, entre os idosos internados por quedas, a fratura do antebraço — de rádio ou ulna — foi a segunda condição mais frequente, correspondendo a 12,3% dos casos. Em seguida aparecem o traumatismo intracraniano (11,4%), a fratura de perna — tíbia ou fíbula — (9,3%), fratura de ombro e úmero (6,2%) e fraturas múltiplas (5,9%). 

Os dados da Plataforma Valor Saúde Brasil by DRG Brasil + IA reforçam essa gravidade por outro ângulo. Entre as internações relacionadas a quedas, as cirurgias de quadril e fêmur foram o grupo de procedimentos mais frequente, representando cerca de 20,6% de todas as internações analisadas. Mas o segundo grupo mais prevalente chama atenção pelo que revela sobre a violência do impacto: casos de estupor traumático e coma corresponderam a 8,3% das internações — situações em que o idoso perdeu a consciência após a queda, indicando traumatismo craniano severo. Cirurgias para colocação de prótese de quadril ou joelho somaram outros 7,4%, e casos de hemorragia intracraniana ou infarto cerebral associados à queda chegaram a 3,2%. 

A intensidade do cuidado necessário fica evidente nos dados de terapia intensiva. Entre todos os idosos internados por quedas, 35% passaram pela UTI. No grupo específico de fratura de fêmur e quadril, esse percentual saltou para 52,1% — ou seja, mais da metade desses pacientes precisou de cuidados intensivos em algum momento da internação. O uso de ventilação mecânica atingiu 9,7% no resultado global, dado que evidencia a proporção de casos em estado crítico.

 

POR DENTRO DOS NÚMEROS 

A análise foi conduzida com base em duas fontes complementares: os microdados do SIH/SUS — sistema de informações hospitalares do Ministério da Saúde — e a Plataforma Valor Saúde Brasil by DRG Brasil + IA, que agrega dados de hospitais públicos e privados com metodologia de classificação por complexidade clínica. A coerência entre as duas bases fortalece a robustez das conclusões: em ambas, a predominância feminina, a concentração de casos em octogenários e a centralidade das fraturas de fêmur e quadril aparecem como constantes. 

Na Plataforma Valor Saúde Brasil by DRG Brasil + IA, que avaliou mais de 80.587 internações entre 2024 e 2025, o índice de complexidade médio das internações por quedas foi de 1,76 — numa escala em que 1,0 representa uma internação de complexidade média. Na prática, isso significa que esses pacientes exigiram 76% mais recursos assistenciais do que uma internação hospitalar típica. Entre os casos de fratura de fêmur ou quadril, o impacto é ainda mais concreto: em média 9 dias de internação e custo médio superior a R$ 18 mil por paciente — valores que revelam a magnitude do que uma única queda pode representar para o sistema de saúde e para a vida de uma família. 

Em São Paulo, o cenário é ainda mais preocupante: a mortalidade hospitalar por quedas em idosos atingiu 6,5% no estado entre 2024 e 2025 — tanto no resultado geral quanto no recorte específico de fraturas de fêmur e quadril —, superando a média nacional em ambos os casos. O estado concentrou 99.059 internações e 6.470 óbitos no período.

 

SÃO PAULO: VOLUME ALTO, MORTALIDADE ACIMA DA MÉDIA 

O estado de São Paulo concentra uma fatia expressiva do problema nacional. Entre 2024 e 2025, foram 99.059 internações de idosos por quedas apenas no estado — e 6.470 óbitos hospitalares, com taxa de mortalidade de 6,5%, significativamente acima dos 4,8% registrados na média brasileira. No recorte específico de fratura de fêmur e quadril, foram 34.063 internações e 2.140 óbitos no estado, com mortalidade de 6,3%. 

As razões para essa diferença entre São Paulo e o restante do país não são explicadas pelos dados analisados — e merecem investigação específica. Fatores como o perfil etário mais envelhecido da população paulista, a maior densidade de hospitais de alta complexidade que concentram casos graves, ou diferenças nos critérios de registro podem contribuir para o resultado. O que os números deixam claro é que a mortalidade por quedas em idosos no estado é consistentemente mais elevada, ano após ano.

 

PREVENÇÃO É POSSÍVEL — E COMPENSA 

A boa notícia é que quedas em idosos são, em grande medida, evitáveis. A literatura médica acumulou décadas de evidências sobre intervenções eficazes: de programas de exercício físico para fortalecimento muscular e equilíbrio à revisão de medicamentos, adaptação de ambientes domésticos e tratamento da osteoporose. O desafio está em traduzir esse conhecimento em políticas públicas consistentes e em práticas de cuidado que cheguem a todos os idosos — especialmente os mais vulneráveis. 

Os dados analisados mostram uma estabilidade preocupante: os indicadores de 2024 e 2025 são praticamente idênticos em todos os parâmetros avaliados — volume de internações, perfil de idade e sexo, taxa de mortalidade e utilização de UTI. Os dados parciais de 2026, coletados até março no DATASUS e até abril na Plataforma Valor Saúde Brasil by DRG Brasil + IA, apontam na mesma direção: 49.104 internações já registradas no SUS nos primeiros meses do ano, com taxa de mortalidade de 4,6% — em linha com o padrão dos anos anteriores. O problema não está diminuindo. 

Para dimensionar o que está em jogo: somente as internações por fratura de fêmur e quadril geraram, entre 2024 e 2025, um custo assistencial estimado superior a R$ 500 milhões na rede avaliada pela Plataforma — e de R$ 439 milhões em remuneração hospitalar paga pelo SUS. São recursos que, aplicados em prevenção, poderiam evitar parte substancial dessas internações. Programas de exercício físico supervisionado para idosos, revisão sistemática de medicamentos, adequação de ambientes e rastreamento de osteoporose têm custo muito inferior ao de uma cirurgia de quadril seguida de semanas de UTI e reabilitação. 

Nesse contexto, o Dia Mundial de Prevenção de Quedas não é apenas uma data comemorativa: é um lembrete de que bilhões de reais e, principalmente, vidas e anos de independência podem ser preservados com estratégias que já existem — e que precisam urgentemente sair do papel.

 

O QUE VOCÊ PODE FAZER PARA PREVENIR QUEDAS 

1. Pratique exercícios físicos regularmente, com foco em equilíbrio, força muscular e coordenação — caminhada, pilates e tai chi são opções bem estudadas para idosos. 

2. Revise os medicamentos com o médico: remédios para pressão, ansiedade e sono podem causar tontura e comprometer a estabilidade ao se levantar. 

3. Adapte o ambiente doméstico: instale barras de apoio no banheiro, retire tapetes soltos, melhore a iluminação dos corredores e escadas. 

4. Trate a osteoporose: consulte um médico para avaliar a densidade óssea, especialmente mulheres após a menopausa, e siga as orientações sobre cálcio e vitamina D. 

5. Use calçados adequados: sapatos com solado antiderrapante e bom suporte reduzem significativamente o risco de escorregões dentro e fora de casa.  



Fontes: Plataforma Valor Saúde Brasil by DRG Brasil + IA (80.587 internações analisadas, 2024–2025) e Microdados SIH/SUS – DATASUS (392.784 internações, 2024–2025). Os custos do DATASUS correspondem a estimativas baseadas na remuneração hospitalar registrada no sistema público e em referências de custo da Plataforma Valor Saúde Brasil by DRG Brasil + IA.

Grupo IAG Saúde


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